quinta-feira, 17 de novembro de 2016

Obama em Berlim: “Não tomem a democracia por garantida”

Casa Branca 2016

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O presidente dos Estados Unidos afirmou que está "cautelosamente otimista" com a futura liderança de Trump e aconselha-o a mudar de discurso e atitude face à campanha eleitoral.
AFP/Getty Images
Barack Obama deixou esta quinta-feira um aviso às gerações mais novas sobre o futuro do mundo. Em Berlim, o presidente dos Estados Unidos disse que “há uma tendência” para pensar que a estabilidade e a paz se mantêm sozinhas. Mas Obama alertou: “Não tomem por garantidos os nossos sistemas de governo e o nosso modo de vida.”
Na última viagem à Europa enquanto chefe de Estado, Obama disse que “as eleições têm importância, ir votar tem importância, estar organizados tem importância, estar informados sobre os assuntos tem importância” e dirigiu-se diretamente aos jovens. “Há uma tendência, porque temos vivido numa época geralmente estável e pacífica, pelo menos nos países avançados, de que esse será sempre o caso. Mas não. A democracia dá muito trabalho”, afirmou.
Depois, o presidente referiu-se, ainda que implicitamente, à recente campanha eleitoral norte-americana. “Nos Estados Unidos, se 43% das pessoas não votam, a democracia fica enfraquecida. Se não somos sérios relativamente a factos e ao que é verdade e o que não é — e particularmente na era das redes sociais, em que as pessoas recebem a informação através de soundbytes nos seus smartphones… Se não conseguimos distinguir argumentos sérios de propaganda, então temos problemas”, disse Barack Obama numa conferência de imprensa conjunta com Angela Merkel.
Pouco depois, questionado pelos jornalistas, Obama comentou a conversa que teve com Trump dois dias depois das eleições. “Ele fez uma campanha extremamente fora do comum e isso resultou na maior surpresa da História política americana”, admitiu o presidente. “Disse-lhe que o que funciona durante a campanha para gerar entusiasmos e paixões pode não ser o mesmo que funciona para unir o país”, acrescentou.
Barack Obama afirmou que está “cautelosamente otimista” relativamente à presidência de Donald Trump e acredita que o milionário vai mudar de atitude. “Há algo nas responsabilidades do cargo, nas extraordinárias exigências colocadas nos ombros dos Estados Unidos, não apenas pelo seu próprio povo como pelo resto do mundo, que nos força a focar-nos. Isso requer seriedade”, avisou Obama. “O presidente eleito vai ver rapidamente que as exigências e responsabilidades de um presidente dos Estados Unidos não se podem tratar levianamente.”
Na ocasião, Angela Merkel admitiu que vê a partida de Obama com certa tristeza. A chanceler alemã disse ainda que o Acordo de Parceria Transatlântica de Comércio e Investimento (TTIP) não vai avançar durante a administração Trump, que sempre se mostrou contra tal acordo. “Fizemos progressos, grandes progressos, mas os trabalhos não serão concluídos agora. Tenho a certeza de que um dia voltaremos ao que já alcançámos e trabalharemos a partir daí”, disse Merkel.

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