quarta-feira, 30 de novembro de 2016

O PAÍS DAS PESSOAS TRISTES

Danilo Tiago

Há muitos anos, num país distante, vivia um povo infeliz, solidário e solitário. As pessoas entreolhavam – se com olhos tristes e, quando se encontravam umas com as outras nos cafés, nos empregos, na rua, falavam baixo como se alguma coisa, um segredo terrível as atormentasse.
Quem chegava ao país das pessoas tristes, vindo de outras terras, não compreendia. As pessoas eram boas e afectuosas e, aparentemente, só tinham motivos para serem felizes. Mas, quando lhes faziam perguntas, afastavam – se e não respondiam.
Às vezes, os visitantes demoravam mais tempo. Contavam – lhes então, que o povo daquele país tivera, um dia, um imenso e belo tesouro e que alguém lho roubou e que era um tesouro tão grande e tão valioso que, sem ele, não podiam ser felizes.
- Um tesouro? – Perguntavam os visitantes surpreendidos.
- Sim, um tesouro … a liberdade.
Então explicavam – lhes: naquele país, as pessoas não podiam fazer o que queriam, nem podiam dizer o que pensavam ou o que sentiam, nem como ir visitar outros países e conhecer outros povos;
Viviam fechadas no seu país como se ele fosse prisão.
Os meninos do país das pessoas tristes não podiam ouvir as músicas, nem ver os filmes, nem ler os livros e as revistas de que gostavam, mas só as músicas, os filmes e os livros que não eram proibidos.
Manuel António Pina, O Tesouro
(adaptado)

PS: Texto inserido no Exame da 1ª época da disciplina de Português da 10ª Classe do Ensino Secundário Geral realizado esta manha a nível do país.
PS1. Qualquer semelhança com a realidade de qualquer país, africano, europeu, asiático, americano que eventualmente o amigo que acabou de ler o texto conhece, É MERA COINCIDÊNCIA.
PS2. À todos estudantes da 10ª e da 12ª do meu belo e amado Moçambique, muita força e que se saíam bem nos exames.





NYUSI E A SUPERAÇÃO DA CRISE ECONÔMICA

Por: Carlos Júnior

Quando começou o ano de 2016, as projecções económicas mundiais eram totalmente hostis a Moçambique, depois de nos anos anteriores ter estado entre os melhores crescimentos do mundo, e ter servido de exemplo para economias de pequena monta com sonhos, ou mesmo para economias emergentes.
Porém, com a “descoberta”das dívidas que Moçambique teve que fazer para o apetrechamento da defesa nacional e segurança, os principais apoiantes do orçamento do Estado decidiram retirar todo o seu apoio ao orçamento de 2016, deixando Moçambique quase pendurado, e com projectos públicos encalhados, numa clara demonstração de força dos mesmos.
Isto parece-se a um barco, que durante a sua tranquila navegação, de repente vê-se no meio de uma tempestade revolucionária, onde para além das forças da natureza, alguns marinheiros no seu interior fazem pequenos buracos para que, enquanto o comandante tentava manter o barco navegável, esses furos fossem metendo água para que o navio afundasse, e o seu comandante fosse visto como incompetente.
Para além desses furos, esses marinheiros e viajantes proeminentes do barco em referência, iam dando nomes ao comandante, pondo em causa a sua capacidade de manobrar o barco, e tentando demonstrar que aquele barco não era na verdade pilotado por aquele comandante, mas sim por um controlo remoto algures num dos portos.
Como se não bastasse, a equipa de salvação que foi contactada, quando chegou, não se interessou pela situação do barco, e antes de começar a baldear os aflitos passageiros ou proceder à reparação dos estragos, impôs condições que sufocariam ainda mais o barco e seus passageiros, porém, usando da sua inteligência e da sua vontade de salvar os seus passageiros, o comandante cedeu na base da razoabilidade, e tomou as medidas propostas.
O comandante sabendo da sua responsabilidade, e demonstrando uma maturidade invejável, lutou com o leme que era levado aos rochedos pelas circunstâncias criadas pela tempestade e pela contribuição dos próprios passageiros do barco, e com uma frieza incompreendida, apontou o barco para um porto seguro, e manteve o leme direito, usando toda a sua força, inteligência e energia.
Para tal, e para conseguir manter o barco na trajectória por si desenhada, teve que tomar algumas medidas, como o corte nos gastos supérfluos para manter os níveis de combustível do próprio barco, a eliminação ou fusão de pesos para os equilibrar e não provocarem abanões ao barco, assim como a busca de marinheiros experientes com capacidade para ajudá-lo naquela empreitada ímpar e desafiadora que surgiu no seu turno de navegação.
Houve, claro, alguns passageiros que viram essas decisões como fraquezas, e mesmo perante a estabilidade do barco, e mesmo pondo a sua própria vida e dos outros passageiros em perigo os mesmos, sempre arranjaram alguma coisa para distrair o comandante. Este colado ao leme e querendo, com toda a sua vontade, salvar o barco daquela tempestade, e salvar, assim, as vidas das mesmas pessoas que nele viajavam, mas que o sabotavam, fez ouvidos de mercador, e focou-se nos seus objectivos.
Este exemplo descreve toda a trajectória da governação do Presidente Nyusi até aos dias actuais, começando desde a “fuga” dos financiadores ao orçamento do Estado, das imposições do Fundo Monetário Internacional, das medidas macroeconómicas tomadas, e até da nomeação de quadros com capacidade de tomar decisões capazes de reverter a situação.
A viagem que o Presidente Nyusi fez aos Estados Unidos, foi o princípio das suas medidas com o objectivo de recuperar o ambiente económico do país, tendo reunido com diversas personalidades que reconheceram a razoabilidade das suas apresentações.
Dessa visita, surgiram medidas que estão em curso e que são algumas das principais razões do despertar dos parceiros para a necessidade de continuar a cooperar com Moçambique. Algumas medidas, como as actividades da Procuradoria-Geral da República e da Comissão da Assembleia da República, assim como a auditoria internacional requerida pelo Fundo Monetário Internacional, fazem parte deste conjunto, sem contudo esgotá-lo.
A fusão de algumas instituições públicas e a eliminação de outras foi, também, uma das medidas adoptadas por Nyusi, assim como o corte de despesas nos gastos públicos, como as ajudas de custo dispensáveis, bónus, entre outras regalias no aparelho do Estado.
Como corolário dessas medidas, o dólar está a estabilizar com tendências de baixar o seu preço, a inflação está controlada, para além de que os parceiros estão, timidamente, a regressar com os seus financiamentos para o país.
As multinacionais anunciam grandes investimentos, e o preço do petróleo e do gás tem a certeza de estabilizar ou mesmo disparar no próximo ano, graças à procura despoletada pelo Japão e pela Indonésia, que reservaram, respectivamente, 5.2 biliões, e 700 milhões de dólares, respectivamente, para aquisições de petróleo e gás, tendo Moçambique como um dos mercados preferenciais ao nível mundial, por causa da garantia que a quantidade das suas reservas oferece.
O Fundo Monetário Internacional libertou um comunicado em que afirma que já não vai exigir mais medidas a Moçambique, e que vai enviar uma equipa para poder discutir a libertação dos fundos solicitados e então “congelados”, num comportamento advindo da leitura do futuro que Moçambique como país está prestes a usufruir.
Aliás, se os técnicos do Fundo Monetário Internacional demorarem a tomar a sua decisão sobre a libertação dos fundos, correm um sério risco de voltarem com os seus sacos de dinheiro para Washington, olhando para as bases que Nyusi criou na economia nacional.
Moçambique já vislumbra o porto seguro, e o barco que Nyusi está a pilotar já está a amainar os seus abananços, navegando resoluto para o porto seguro que já está à vista.
Nyusi prova mais uma vez que falar não é resolver, mas agir, isso sim é que resolve os problemas. Moçambique recupera de uma forma pragmática, a vitalidade da sua economia.
Ao sair desta tempestade, novas bases estarão já criadas, que são as medidas que foram tomadas para estabilizar a economia sem o apoio dos parceiros. Isto é, se sem a ajuda dos parceiros o país estava estável, com o seu regresso espera-se um boom surpreendente da nossa economia, olhando para a tenacidade e capacidade de resolução do Presidente Nyusi.
Moçambique atingiu um patamar no qual não tem mais como regressar, pois o próprio povo, neste ano de difícil navegação, adoptou medidas pessoais de gestão sobre o orçamento familiar que vai se transformar em cultura.
Nyusi introduziu um novo paradigma de se olhar a economia em Moçambique, tanto pelo próprio Estado, pelas grandes e pequenas empresas, assim como pelos próprios cidadãos, o que, sem dúvida, significa a abertura de uma nova era e um novo estágio na interacção económica entre os actores.

Sem comentários:

Windows Live Messenger + Facebook