sexta-feira, 18 de novembro de 2016

O “minimize” como modelo privilegiado de fraude académica nas nossas universidades!

Ivan Maússe com Bitone Viage.
5 h · Matola, Maputo, Moçambique · Assinantes: Bitone Viage & Ivan Maússe
Comemorou-se no passado dia 17 de Novembro, o Dia Internacional do Estudante. À passagem da data, à nível das emissões televisivas e radiofónicas, bem como no seio das nossas universidades e institutos, várias foram as reflexões travadas à volta da condição de «ser estudante», particularmente, no século XXI.
Das várias temáticas que marcaram as reflexões à volta da condição de «ser estudante no século XXI», a fraude académica ocupou um lugar de destaque, visto que, em muitos casos, revela-se em um mecanismo privilegiado entre os estudantes do ensino superior, com destaque, àqueles do regime das ciências sociais.
E porque o fenómeno da fraude académica, que nos últimos tempos vem conhecendo inovações em decorrência do desenvolvimento tecnológico, parece se normalizar em nossas universidades e demais instituições do ensino superior, decidimos redigir este artigo para expelir a nossa oposição à realidade.
Sem nos defraudar dos modelos tradicionais de fraudes académicas (os já maioritariamente conhecidos), nesta reflexão pretendemos dar enfoque ao “minimize” enquanto um modelo privilegiado de fraude académica nas nossas universidades, em que o espaço moçambicano não podia constituir uma excepção.
1. Dos modelos tradicionais de fraudes académicas:
Em busca de um conceito de fraude académica, podemos defini-la como sendo todo aquele meio ilícito que um dado formando, aluno ou estudante de uma determinada área, quer de nível primário, secundário, técnico-profissional ou superior, usa como forma de adquirir bons resultados pedagógicos.
Lembramos, que há sensivelmente um ano, Ivan Maússe redigiu um texto rotulado “Cibernetização da fraude académica”, o qual foi objecto de publicação pela sua conta de facebook, como também na folha do “Opinião & Análise” do Jornal Notícias, o então tido como o jornal de maior circulação do nosso país.
Naquele, o articulista aponta como modelos tradicionais de fraude académica: (i) as inscrições na carteira/assento escolar; (ii) as inscrições no interior das mãos e também das sandálias, sapatos e sapatilhas; (iii) o alongamento do pescoço para copiar do alheio; (iv) as comunicações paralelas ou sopros;
Maússe destaca, também, como modelos tradicionais de fraude, e desta vez entre os estudantes mais corajosos: o uso do (i) caderno ou sebenta de apontamentos instalados por debaixo da carteira e (ii) dos minúsculos textos organizados em colunas arrumados no bolso das camisas, calças ou saias de uniforme.
E, constatamos que, do cômputo geral, a fraude académica tem sido o prato forte dos estudantes preguiçosos, com especial enfoque aos das turmas numerosas. Em muitos casos, os visados, costumam ocupar os assentos do fundo da sala, usualmente de difícil visibilidade por parte do professor-vigilante.
2. O “minimize” como modelo de fraude académica:
O “minimize” à par do uso dos WhatsApp’s, SMS’S, Bluetooth’s, facebooks, airDrop’s, a título de exemplo, tornou-se em um novo meio de materialização de fraude académica. Estes mostraram-se rápidos, eficientes e eficazes para a troca de informações durante o período da realização das provas ou do exame.
O “minimize”, que entre os estudantes lê-se «minimaize» ganha corpo quando os estudantes acorrem aos centros de cópias como reprografias, onde reduzem substancialmente o tamanho das letras dos apontamentos dos cadernos ou dos livros e, no fim, portam-se daquelas às salas das provas ou exames.
Graças ao “minimize” um total de 30 páginas de um livro ou caderno de apontamentos, fica reduzido num total de 2 à 3 páginas, para a consulta do estudante fraudulento durante a prova ou exame em que, não raras vezes, chega a partilhar com os colegas numa clara demonstração de alto sentido de camaradagem.
Nisto tudo, o incrível é passividade demonstrada por parte dos funcionários dos centros de cópias face aos pedidos dos alunos fraudulentos. À estes não lhes cria espanto quando um estudante chega ao Centro de Cópias e diz “peço um minimize!”. Encaram este comportamento como se de mais normal se tratasse.
O fenómeno do “minimize” que tende a se normalizar nas nossas universidades, lesa, sobremaneira, a qualidade dos nossos graduados. Eleva-se o nível académico, mas não se desenvolve competências nenhumas. Retrocedemos, sempre. É, portanto, a multiplicação de doutores improdutivos para o país.
3. Considerações finais:
Ao todo, o fenómeno da fraude académica, quer nos moldes tradicionais, quer modernos, prejudica em pleno o nosso Sistema Nacional de Ensino (SNE), potenciando uma espécie de preguiça mental entre os alunos, e com problemas sérios de reflexão, problematização, crítica, abstração, análise e argumentação.
E porque nos aproximamos do período dos exames finais do ensino secundários como também dos exames normais, ou ainda, de admissão à nível das instituições de ensino superior do nosso país, é preciso que se implante um regime fiscalizador bastante rigoroso para combater o fenómeno dos “minimizes”.
Se o futuro do nosso país depende essencialmente da educação, mais principalmente de uma educação que se pretenda de qualidade, é preciso libertar a nossa juventude da fraude académica, ainda que, nalguns casos praticada de forma ingénua. Queremos sim é construir um país de verdadeiros intelectuais.
Portanto, é preciso fazer valer o regimento académico existente nas nossas universidades e escolas. Deve-se, claramente, punir devida e exemplarmente os agentes e cúmplices da fraude académica, assim como desencorajar os alunos das classes iniciais a entrar neste esquema de deslealdade, diga-se, intelectual.
Bem-haja Moçambique, nossa pátria de heróis!
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9 comentários
Comentários
Antonio Lourenco Junior
Antonio Lourenco Junior Minimize eh mais do que fraude academica eh o atestado e promocao de incompetencia no seu mais alto esplendor. A expansao da ignorancia de forma institucionalizada.
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Fernando Banze
Fernando Banze Um gajo esta desatualizado PAH.
Existe "Minimize"?
É certo que já vi uma senhora na sala com uns papelinhos com letras reduzidas. Mas não sabia do nome.

Hehejhe
Gosto · Responder · 1 · 4 h
Euclides Da Flora
Euclides Da Flora parabéns ela elaboração do artigo. a Fraude académica é um cancro flagrante que coapitou o sistema nacional da educação..... Ivan Maússe
Dercio Arlindo Manhica
Dercio Arlindo Manhica Preocupante essa questão como estudante que sou.. na verdade não consigo vislumbrar um futuro risonho diante duma calamidade intelectual como esta
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Benjamim F. Malate
Benjamim F. Malate Minimize=cábula (modelo mais desenvolvido em que faz-se cópia num formato reduzido). Agora fazer cábula= fraude académica, a questão é será que existe uma só pessoa que no seu processo de aprendizagem nunca fez algum tipo de fraude académica (cábula, copiar um colega ou pedir resposta duma questão sem ser permitido). Tudo isso não se difere de fazer minimize/fraude enquanto de maneira ilícita o aluno usar esses métodos para adquirir "bons" resultados, que não provém do seu esforço/conhecimento. Que atire a primeira pedra quem nunca fez ou que comente o primeiro hipócrita..
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David Ferreira Duf
Benjamim F. Malate
Benjamim F. Malate "Muito bom continue assim"
David Ferreira Duf
David Ferreira Duf Obrigado...
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Dedé Machava
Dedé Machava Claro meu caro, eu não faço parte desse elenco porque já violei as normas alguns anos atrás, mas tenho certeza absoluta que existem essas pessoas
Matin Sabin
Escreve uma resposta...

Helder Waka Moiane
Helder Waka Moiane Eu e os meus colegas trocavamos de informacao sim na sala de aulas,, ate que compravamos 3 jornais diferentes, NOTICIAS, CANAL MOZ, E SAVANA e deixavamos na mesa do Docente,
Gosto · Responder · 2 · 4 h · Editado
Rogerio Antonio
Rogerio Antonio Helelele essa é bué forte...
Homer Wolf
Homer Wolf Gramei dessa "inovação":

«... Há sensivelmente um ano, Ivan Maússe redigiu um texto rotulado “Cibernetização da fraude académica”, o qual foi objecto de publicação pela sua conta de facebook,...

Naquele, o articulista aponta...
Maússe destaca tambem...»

Por.... Ivan Maússe!

(PS: essa lembra aquela de "Alô, daqui fala o SENHOR fulano de tal"... eh eh eh)
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Vânia Neves Marchal
Vânia Neves Marchal O mais engraçado é que os que mais fazem as cábulas, não chegam a ter a tal desejada nota alta.
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Dedé Machava
Dedé Machava Uma realidade triste e que de certa forma deixa empobrecida a qualidade da educação no nosso país. É com muita dor e tristeza que leio e faço comentários neste post, pois daqui a sensivelmente 6 horas e meia estarei na sala para fazer exames finais, e vou presenciar esses factos lá. Falo de estudantes universitários que amanhã querem servir de espelho para os outros, mas de que maneira? Eu sou professor do ensino primário num dos distritos do país (receando dizer o nome do distrito por motivos de represálias), e tenho acompanhado graves irregularidades no processo dos exames nacionais do nível primário, onde os professores chegam a resolver o exame no quadro e o papel do aluno é de copiar as respostas para o seu papel do exame. Assim sendo, qual é o futuro que se espera destes alunos? Não serão os mesmos que depois de alguns anos estarão a arrastar suas bundas nos assentos das universidades com cabeças vazias? Como consequência disso, temos vistos aí na praça "doctores" com graves problemas expor suas ideias em debates e sobretudo lacunosos. Que futuro podemos esperar quando existem estudantes universitários (frequentando 3o ano) com problemas graves para fazer um trabalho de pesquisa. Dado um tema (Impacto do genêro no sector da educação em Moçambique) para desenvolver como simples avaliação, os mesmos estudantes recorrem ao tio Google para obterem respostas. Quando os mesmos perdem a vergonha, ganham uma coragem abusiva e pedem a um colega mais dedicado para que possa fazer seus trabalhos de pequisa (desde a colecção de ideias, digitação e impressão) a troco de valores monitários e cabe a eles receberem o produto final para fazerem chegar ao docente, sem no minimo folhear e avaliar o conteúdo do mesmo, isto é o sinónimo do fim....

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