terça-feira, 22 de novembro de 2016

O irmão mais velho de Trump que sonhava ser piloto e acabou alcoólico


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Todas as famílias têm segredos, até os Trump. O irmão mais velho de Donald Trump, Freddy, abdicou do negócio da família para se tornar piloto. Mas a decepção da família conduziu-o ao álcool.
"O meu pai tinha uma grande confiança em mim, o que se calhar pressionou Freddy", disse Donald Trump
@AartsColey/ Twitter
Nenhuma família é perfeita. Todas têm o seu lado mais obscuro. E a família Trump não é exceção. Uma família que tem origem da Alemanha e que aos poucos construiu um império. O novo Presidente dos EUA teve um irmão que abdicou de tudo para seguir o sonho de se tornar piloto, mas que morreu vítima de alcoolismo.
Desde o momento em que decidiu concorrer à presidência dos Estados Unidos e começou a campanha eleitoral, Donald Trump viu a sua vida privada investigada. E foi aí que se descobriu a história de Frederick Junior Trump, o irmão mais velho, que devia ter assegurado os negócios da família quando o patriarca, também ele Frederick, morresse. Mas quem o fez foi Donald Trump.
O jornal New York Times descobriu, através de diversos testemunhos de amigos próximos, que o patriarca e Donald Trump podem ter contribuído para o problema de álcool de Freddy, como o irmão mais velho era tratado pela família e pelos amigos. O novo Presidente dos EUA admitiu:
Via-o atrapalhado com algo de que realmente não gostava e era precisamente por isso que não era muito bom no negócio. Em troca, o meu pai tinha uma grande confiança em mim, o que se calhar pressionou Freddy”, disse ao New York Times.

O piloto que foi a “ovelha negra” da família

A verdade é que Freddy nunca se encaixou na família. Era o mais rebelde dos cinco irmãos (Maryanne, Frederick Jr., Elizabeth, Donald e Robert). Sempre com a cabeça no céu, sonhava ser piloto. Enquanto o pai mantinha os pés bem assentes na terra e construia imóveis. O patriarca da família era um homem ambicioso, exigente e perfeccionista, assim como Donald Trump. Mas Freddy era o oposto dos dois, sem qualquer interesse pelo mundo dos negócios. Acabou por ser uma deceção para a família e sabia-o bem.
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Freddy era muito “aberto” no que respeita às questões étnicas e raciais. Estudou na Universidade de Lehigh, na Pensilvânia, onde se juntou a uma fraternidade judaica. Para ser aceite no grupo, teve de mentir e dizer que provinha de uma família de origem judia da Alemanha. Mas o seu nome do meio era Christ. O seu melhor amigo da universidade, Bruce Turry, conta que Freddy era muito generoso — até lhe emprestou dinheiro para comprar o anel de noivado para namorada — e refletiu:
Talvez aquele fosse o seu primeiro passo para seguir o seu próprio caminho”, segundo afirmou Bruce Turry ao New York Times.
Todos sabiam da fortuna de que dispunha, os sinais eram evidentes: Roupa de marca, um Corvette e um barco. Sociável, passava o tempo livre rodeado de amigos numa esplanada a beber cerveja. Por vezes, obrigado pelos pais, levava Donald. Desculpava-se aos amigos. “Pedia desculpa por ter de o levar atrás, dizia que era um chato“, recorda Stuart Oltchick, outro amigo da fraternidade.
Entretanto, o patriarca começou a construir o Trump Village, um enorme complexo em Coney Island. Freddy foi trabalhar com o pai mas a experiência não correu bem e multiplicaram-se as divergências a respeito do negócio. Cansado de um trabalho de que não gostava e das reprimendas do pai, sem receber qualquer elogio, Freddy decidiu deixar o trabalho.
Procurou a sua verdadeira paixão: A aviação. Entrou para o aeroclube Lehigh e trabalhou na companhia aérea Trans World Airlines, onde conheceu Linda Clapp, uma hospedeira de bordo. Os dois casaram e tiveram dois filhos, Fred e Mary, em homenagem aos avós paternos. Contudo, o patriarca não viu com bons olhos o casamento e o rumo que Freddy decidiu dar à vida. Também Donald não compreendia o irmão e pedia-lhe, insistentemente, que voltasse aos negócios da família. Mas foi deste modo que o ambicioso Donald Trump pôde tomar as rédeas do negócio e “subir” na vida.
Foi o oposto do pai. Era popular, divertido, tinha muitos amigos e não era nada agressivo, competitivo ou ambicioso. Um dos irmãos disse que desde muito cedo se tornou claro que não ia ficar à frente da empresa”, contou a biografa dos Trump, Gwenda Blair, ao El Espanol.
Quando Donald Trump acabou a universidade, a adição de Freddy estava pior que nunca. A bebida acabou com o seu casamento e com a carreira de piloto. Voltou a trabalhar para o pai. Donald Trump preocupava-se com o irmão e ainda o convidou para ser padrinho do seu casamento com a modelo checa Ivana Winklmayr, numa tentativa de o animar. Nada parecia resultar. Em 1981, aos 43 anos de idade, morreu vítima de alcoolismo.
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Numa das poucas ocasiões em que falou acerca do irmão, o novo Presidente dos EUA explicou que só mais tarde percebeu que o lugar de Freddy era “nas nuvens e não entre tijolos e a argamassa [no negócio imobiliário]“. Agora, que dá palestras sobre o sucesso, Trump tem outra perspetiva. “Digo às pessoas que têm de amar o que fazem e seguir os seus sonhos”, disse Donald Trump à Times. Apesar da sua vida boémia, o novo Presidente não bebe, nem fuma. Também não toma café. A única coisa que bebe com cafeína é Coca-Cola Light. Tudo devido à experiência do irmão.

Os herdeiros não viram um tostão

“Era o tipo mais fabuloso, mais bonito, com a melhor personalidade, amante da vida e das pessoas. Tinha tudo, mas quando saiu da universidade, por algum motivo, começou a beber. Bebia e fumava também mas bebia e bebia muito e começou a beber mais e mais, e por fim morreu de alcoolismo”, avançou Donald Trump à CBN, em 2011.
Em 1999, o patriarca da família faleceu depois de enfrentar a doença de Alzheimer. Na mesma noite, a esposa do seu neto Fred — filho de Freddy — dava à luz um bebé com paralisia cerebral. A família Trump comprometeu-se a pagar as despesas médicas da criança. No entanto, o testamento — de 20 milhões de euros — chegou e não contemplava os filhos de Freddy. O testamento original terá sido modificado por influência dos irmãos. Donald Trump assegura que a questão foi resolvida amigavelmente e que, apesar do sucedido, Fred trabalha na organização Trump e dão-se todos bem.
Ao New York Times, o novo Presidente dos EUA afirmou:
Ele [Freddy] teria sido um pacifista incrível se não tivesse tido esse problema [alcoolismo], porque toda a gente o adorava. Era o oposto de mim.”
Editado por João Cândido da Silva

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