quinta-feira, 10 de novembro de 2016

«Não te esqueças que és da Frelimo»?!

«Não te esqueças que és da Frelimo»?!

Transcrevo a seguir um texto da autoria de Filimone Manuel Meigos. Faço-o porque me identifico com a posição do autor.

------ INÍCIO DE TRANSCRIÇÃO ------

«Pontes«

«Há tempos, vi Abdul Razão, governador da Zambezia, numa cerimônia oficial pública, a asseverar que o facto de ser da Frelimo e Manuel de Araújo, edil de Quelimane ser do MDM, não impedia que o diálogo entre eles fluisse em tom concordato, no que tivesse que ser.«
«A despeito das diferenças de tez de pele, origem religiosa ou filiação partidária, tal como fez questão de sublinhar, a cooperação e o entendimento enunciados pelo meu camarada Razak, ficaram bem expressos na foto de ocasião em que os dois aparecem de mãos dadas.«
«Esta imagem remeteu me ao discurso inaugural do presidente Nyusi onde, de forma recorrente, fala de inclusão. Inclusão também é corporal. Um aperto de mão, um abraço, uma palavra de apreço que o nosso corpo expressa é incluir. Razak e Araujo incluiram- se transcenderam querelas paroquiais.«
«Porquê está história?«
«Muito simples. Estou em Quelimane em serviço. Juntando o útil ao agradável resolvi trazer alguns exemplares do meu último livro e, uma vez cá , arranjar tempo para uma conversa sobre a mentira e a inveja, numa cena inclusiva. Manuel de Araujo, meu antigo colega nas lides académicas, ofereceu se para alojar o evento e concordei: salão nobre do Conselho Municipal. Postou a notícia no facebook para garantir a plateia, porém, alguns camaradas meus não se fizeram rogados. Meu telefone não parou de tocar, madrugada fora: "vais fazer isso num Conselho Municipal da oposição?" "Não te esqueças que és da Frelimo!"«
«Parei, reflecti e, na sequência disso, achei por bem escrever este post, para que meus camaradas, amigos e simpatizantes o leiam e o entendam como a minha vontade explícita de construir Pontes no edifício das engenharias sociais.
Camaradas!«
«Se não formos capazes de estabelecer Pontes, que sejam de afectos, não necessariamente de lealdade e afinidades politicas, entre nós, todas as discussões sobre Trump, (sub)desenvolvimento, prosperidade e felicidade dos moçambicanos são fúteis e estéreis. 
Quando se faz política de forma tão mesquinha, quer dizer que não sabemos distinguir Política de polítiquice. Política pressupõe a construção de Pontes entre cores partidárias, raças, etnias, classes sociais, diferentes identidades, etc etc.«
«Já a politiquice resvala para a desconfiança, a conspiração, o (des)diálogo. Eu entendo isso, fomos impelidos pela nossa história para uma sociedade definida pelas inimizades. Todavia, isso não deita por água abaixo a presunção segundo a qual as pessoas juntam-se por afinidades, não só politicas. E aqui cabe o papel às artes, cultura, ciências, entre outros.«
«Quando aceitei ir ao Conselho Municipal fi-lo sem equívocos: sou um cidadão moçambicano, da Frelimo, que sempre pautei pelo estabelecimento de Pontes. Faço -o porque me considero cidadão com livre arbítrio dentro dos meus quadros decisionais.«
«Para fechar uma lição que aprendi com Mandela, no seu livro long walk to freedom. Mandela conta que quando começou as conversações com os seus opositores, na vigência do apartheid, informou aos seus camaradas sobre o facto. Foi censurado por uns, mal amado por outros. Mandela, mesmo assim, insistiu no empreendimento: "conversar para atingir a liberdade dos Sul africanos". Em certa medida conseguiu. Graças a essa atitude quase de kamikazi.«
«Passe a comparação e o capital simbólico dos envolvidos, eu inspiro-me em Mandela: vou assim mesmo, contra a vontade de muitos meus camaradas. Hoje, as 14 horas, estarei no salão nobre do CM de Quelimane, para falar de mentiras e invejas. São todos convidados, de peito aberto.»
Filimone Manuel Meigos

------ FIM DE TRANSCRIÇÃO ------

Epílego

Para quem não saiba, eu tenho amigos que militam nos mais diversos partidos políticos existentes em Moçambique, e outros que NÃO militam em nenhum partido político. E aprendo muito com TODOS eles. Debato os eventos do nosso país em comum, e do resto do mundo que nos rodeia, com TODOS eles. Isso não faz militante dos seus partidos, nem a eles militantes do meu. Discutimos as nossas diferenças político-ideológicas, não para qualquer de nós ganhar pontos, mas para nos compreendermos melhor mutuamente.
O que me faz militante da Frelimo é o ideal deste partido político, com o qual me identifico. O grau do meu alinhamento com o ideal do meu partido não se mede através da filiação partidária dos meus amigos.
Avante, mano Mone ( = Filimone Manuel Meigos)! Esses "camaradas" que te ligaram a fazer "advertências" são falsos militantes da Frelimo. Infelizmente, como esses há muitos; são intolerantes. São esses que promovem a exclusão a Frelimo é acusada de estar a praticar. Vi alguns deles masturbando-se durante a campanha eleitoral para as eleições gerais de 2014, em Moçambique, convencidos de que estavam em "campanha eleitoral". Instalavam-se com material de campanha em casas de pastos nas cidades de Maputo e Maputo, onde não não queriam que mais ninguém entrasse. Era tal a maneira deles de fazer campanha a favor da Frelimo. Fiquei estupefacto pela imbecilidade política desses grupos de supostos militantes e simpatizantes da Frelimo. A propósito, eu estou lembrado de ver algumas pessoas envergando camisetes com a seguinte mensagem:
«Quem não da Frelimo, o problema é dele.»
Que mensagem de campanha!
Finfim, eu tenho comigo que um verdadeiro militante da Frelimo é aquele que faz o que tu estás a fazer, mano Mone: FAZER PONTES. Um verdadeiro militante da Frelimo DEVE funcionar literalmente como um evangelista, para conquistar almas que estão prestes a perder a arca de Noé.
"I rest this case".
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12 Comments
Comments
Mussá Roots
Mussá Roots "Evangelista"... Não exagera, nem profe...do resto, está tudo bem, tem razão o filimone e o profe fez bem em partilhar.
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Belarmino A. Lovane
Belarmino A. Lovane Já havia o marcado porque imaginei o post interessante... Quanto ao comentário do prof só endereço as minhas saudações e aplausos pela sabia análise.
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Mapamo Carlos
Mapamo Carlos Se não bebe não pode partilhar com os bêbados. Se não é assassino não pode partilhar com os assassinos.
Juma Aiuba
Juma Aiuba Good
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Rildo Rafael
Rildo Rafael Subscrevo o texto do Filimone Manuel Meigos e o comentário doJulião João Cumbane....Altamente...Precisamos de construir pontes e não ilhas político-partidárias...Apresentação do livro acima de tudo...
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El Patriota
El Patriota Sim senhora!
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Luis Filipe Niquice
Luis Filipe Niquice MOcambique e dos mocambicanos.Primeiro Africanos, depois Mocambicanos(o Mais importante) e depois partidarios!
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Lúcio Langaa
Lúcio Langaa To com inveja dos que estarão naquela sala para ouvir Filimone Meigos.
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Lyndo A. Mondlane
Lyndo A. Mondlane Oq tem q ver uma coisa com outra???
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Armando Cuna
Armando Cuna Meigos sao frelimos como tu que ja chegaram ao poder e demoram a toma-lo. Os outros nao se fazem de rogados nao.
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Xavier Jorge Uamba
Xavier Jorge Uamba Uma analise sabia. Gosto muito desse sociologo, militar na reserva chamado Meigo.
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Julião João Cumbane
Julião João Cumbane Eis aqui mais uma opinião a favor de «fazer pontes»:
https://www.facebook.com/tomas.../posts/1535937886419972
Armando Cuna
Armando Cuna Julião João Cumbane: falando serio, com uma Frelimo se comportando como os Filemone Meigos deste mundo, nunca ha motivo para guerras. Ele eh da Frelimo. Mone sabe que eu nao sou da Frelimo. Na ONJ onde numa certa fase da nossa vida passavamos grande parte do nosso tempo extra laboral, meus momentos mais alegres tinham sempre o Filimone com a Isa dele por perto. Os dois chegavam e enchiam a sala, tal era a alegria deles (na altura eram apenas namorados. Vezes sem conta me interrogo se o casamento nao tera roubado a Isa do Mone e vice-versa). Filemone Meigos eh um tipo que lida bem com a diferenca. Eh isso que constroi um pais.

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