segunda-feira, 7 de novembro de 2016

Moçambicanos devem aprender do Iraque e da Líbia

Moçambicanos devem aprender do Iraque e da Líbia (1)


GUSTAVO_Mavie1No dia 21 de Março de 2003, estive pela primeira vez no “Café da Manhã”, da Rádio Moçambique, à convite do falecido jornalista Emílio Manhique.
Ele pretendia que eu explicasse, de viva voz, as mesmas razões que apontava nos meus artigos de que a invasão do Iraque pelos Estados Unidos visava não às armas de destruição massiva como alegavam, mas sim o abocanhamento, do imensurável petróleo iraquiano, forjando uma mentira de que Saddam Hussein tinha essas armas perigosas.
Esta acusação forjada era a consumação da tese balzaquiana de que quando não se gosta de alguém, mesmo que não faça nada de errado ou perigoso, inventa-se-lhe um crime e se lhe atira a culpa. Durante o café, reafirmei esta minha tese, baseando-me em estudos de peritos em geopolítica e estratégia militar, incluindo de alguns norte-americanos, como o conceituado académico Naomi Chomsk, que ao longo de décadas provou ser contra a política belicista e hegemónica. Chomsk expôs, em particular, com factos indesmentíveis, o hegemonismo da família Bush, por sinal uma das proprietárias de uma das maiores multinacionais petrolíferas e uma das maiores fábricas de produção de armas. Isto equivale a dizer que ao mover a guerra contra o Iraque, a família Bush ganhou também muito dinheiro do erário público norte-americano, vendendo as suas próprias armas e o seu próprio petróleo que vai explorando pelo Mundo fora. Isto é o que se chama corrupção sofisticada que o povinho não tem olhos para desvendá-la.
Curiosamente, no fim desse meu primeiríssimo café de que se seguiriam tantos outros, fui logo elogiado por alguns dos que me haviam acompanhado o programa porque, no seu entender, havia dito coisas sábias. Mas também fui condenado por outros que acharam que havia dito asneiras. Entre os que me elogiaram destaco o Coronel Lázaro Mathe, que chegou a oferecer-me o livro “A Arte da Guerra”, do clássico chinês Su Tzu. Dos que me condenaram então, destaco o meu colega Fernando Gonçalves, do Savana, para quem eu teria então defendido um tirano e ditador, Saddam Hussein. Hoje não sei se ainda acredita que Saddam era ditador que merecia ser derrubado. Até hoje, o Iraque está em guerra e num caos total, enquanto o seu petróleo está a ser drenado a preço de banana, melhor, roubado pelos seus invasores.
Infelizmente, parece que se está  a tentar protagonizar a mesma guerra e o mesmo caos em Moçambique e os mentores me parecem cada vez mais os mesmos que lá do Iraque. Pessoalmente, sinto que a minha tese vingou porque os EUA reconheceram, publicamente, pouco antes de mandarem enforcar Saddam, que de facto ele não tinha armas nenhumas. O que faz vingar ainda mais essa minha tese é que, apesar de Washington ter reconhecido que ele não tinha armas perigosas, Bush e Tony Blair permitiram que ele fosse enforcado. O normal teria sido ordenar a sua reinstalação no poder. Em vez disso, Saddam foi executado publicamente com cobertura televisiva mundial, como se fosse criminoso, quando os verdadeiros criminosos eram Bush e Blair que desencadearam uma invasão a um país soberano, baseando-se numa grosseira mentira. Pior que isso é que essa invasão fora antes vetada pelas Nações Unidas, na altura lideradas pelo carismático Kofi Annan.
Agora, Blair diz-se arrependido por ter participado naquela invasão e só este ano pediu desculpas. Além das Nações Unidas, várias personalidades, incluindo o carismático Nelson Mandela,  pronunciaram-se então contra a invasão. Mesmo assim, os EUA fizeram ouvidos de mercador e desencadearam a invasão porque pretendiam drenar todo o petróleo do Iraque para o adicionar ao das outras nações que já há décadas o vinham drenando, como são os casos do de Koweit e da Arábia Saudita. Para completarem a desapropriação do petróleo que há no mundo, os EUA orquestraram outro truque, forjando uma rebelião em Bengazi, na Líbia, o que lhes deu uma base para, tacitamente, derrubar e matar Mouammar Kadhafi, outro dos líderes que sabia defender o seu petróleo do hegemonismo dos EUA. Com o assalto ao petróleo líbio, completou-se o plano dos EUA de forçar a redução do preço do petróleo para um nível jamais visto e, por via disso, apoderarem-se na prática de todo o petróleo que há no Mundo. Este assalto dos EUA ao petróleo mundial e de outros recursos energéticos, como são os casos das nossas vastíssimas reservas de gás, irá permitir a realização de um ambicioso Plano Energético dos EUA, que visa garantir que nos próximos 100 anos a nação norte-americana tenha uma energia mais do que suficiente.
Este ambicioso plano já está em execução de há uns anos para cá e para a sua prossecução total e completa, Washington conta com todas as reservas energéticas que há em cada um dos países do Mundo, incluindo o nosso Moçambique. Há que vincar que o objectivo é extrair todos esses recursos a um preço cada vez mais baixo para os EUA.
Há conspiração para assalto aos nossos recursos
Para mim, as escaramuças que desde 2012 vêm sendo protagonizadas pela Renamo conta com uma cada vez mais evidente bênção ou encorajamento de algumas das nações ocidentais e isso é revelado ou desvendado pelo mutismo ou não condenação pública a este belicismo de Dhlakama por essas nações, como bem o denunciou também o ministro Oldemiro Balói durante uma entrevista à Rádio Moçambique. Estas escaramuças visam, na verdade, enfraquecer financeiramente ainda mais o Governo e o Estado moçambicanos e, por via disso, leva-los à assinarem acordos desvantajosos aos moçambicanos para a exploração desses seus recursos. O que cimenta mais esta minha conclusão de que essas escaramuças são parte intrínseca da mesma conspiração que levou à destituição dos regimes de Saddam Hussein e de Kadhafi é o fechamento, em Fevereiro último, das torneiras financeiras por parte desses países ocidentais. Trata-se de um fechamento que só viriam formalizar oportunisticamente em Abril seguinte, sob a alegação de que haviam descoberto que o anterior Governo de Guebuza contraiu dívidas sem antes informar o FMI e o Parlamento moçambicano.
Gustavo Mavie - gustavomavie@gmail.com
Moçambicanos devem aprender do Iraque e da Líbia (Concl.)
Publicado: Segunda, 07 Novembro 2016 01:00 | Email | Acessos: 1
ESTE fechamento, quanto a mim, visa enfraquecer política e militarmente o Executivo de Nyusi e, por via disso, a própria Frelimo para provocar a sua queda do poder e, assim, instalarem, no seu lugar, um novo partido que abra escancaradamente as portas aos capitais ocidentais que querem explorar desenfreadamente tudo o que há no nosso país, a preço de banana.
Mas, o que mais cimenta esta minha convicção é quando fica cada vez mais evidente que há mediadores internacionais no diálogo político que decorre em Maputo entre as delegações do presidente Jacinto Nyusi e do Dhlakama, que se revelam que estão mais interessados em ver as matanças continuarem, porque tal concorre para a sabotagem da governação do Presidente da República, através da paralisação das actividades económicas e da inibição de investimentos no país. Esta minha suspeita de que alguns mediadores estão concubinados com Dhlakama ganhou maior consistência com o abortado encontro entre o líder da Renamo e dois desses mediadores internacionais, que neste caso deveria ter tido lugar no último sábado em Gorongosa, nomeadamente com Mário Raffaelli e Jonathan Powell. Agora é cada vez mais evidente ainda que Mário Raffaelli teria partido de Maputo na quinta-feira da mesma semana passada, já com um gentlemen agreement com Dhlakama, de que tal encontro devia ser abortado por ambos à última hora, para depois culpar as forças de defesa moçambicanas, como tendo tentado assassinar Dhlakama e os dois mediadores.
Para alguns peritos neste tipo de truques, o que expôs depois esta cabala é o facto de Mário Raffaelli se ter embrulhado em explicações tão contraditórias que acabaram expondo a sua tentativa de escamotear os factos, ao ponto de tentar negar que não tinha estado sequer em Gorongosa. Ao desmentir primeiro que não esteve em Gorongosa, para dias depois admitir que esteve de facto e que não chegou a se dar conta sequer de nenhuma tentativa para assassinarem a ele e ao seu colega Jonathan Powell, acabou se revelando que mentiu antes e tentou ser como uma avestruz que só esconde a cabeça, deixando o rabo por fora. Agora há revelações adicionais, que sustentam que Mário Raffaelli está num conflito de interesses porque muito antes de ser convidado por Dhlakama com capa de União Europeia para integrar a delegação dos mediadores internacionais, ele era já, afinal, um dos principais consultores da multinacional italiana ENI que, juntamente com a norte-americana Anadarko, estão para explorar as imensuráveis jazigos de gás da bacia do Rovuma. Muito embora me custe acreditar que para quem no passado ajudou a pacificar Moçambique há já 24 anos, há cada vez mais fontes diplomáticas insuspeitas que me afiançam que Mário Raffaelli já faz parte do problema, tal como Dhlakama, e que ele tem também feito tudo para que as escaramuças continuem pelo tempo que se julgar necessário, de modo que a sua ENI venha a assinar tais acordos mais favoráveis a si e prejudiciais aos moçambicanos. É caso para dizer que quando os tempos mudam, mudam também as vontades. Os diplomatas que apontam esta sua green light às escaramuças, dizem que é ele que fez adoptar uma agenda ilógica, começando as discussões com a questão das seis províncias e não sobre o cessar-fogo para se parar com a morte de pessoas. Esta ilógica chocou os moçambicanos que não são parte da Quinta Coluna. As minhas fontes asseveram que a ENI tem estado, por isso, a recusar-se a cumprir com uma série de compromissos que alinhavou com o governo moçambicano, alegando que o país está em guerra e que não pode, por isso, arriscar os seus milhões de dólares. Apurei junto de fontes cruzadas que até se recusa a custear o reassentamento da população, sob a mesma alegação. O que apurei é que a ENI espera beneficiar desta táctica de espera-pouco até que Moçambique passe a ser governado pela Renamo, na óptica deles, a partir da queda da Frelimo nas próximas eleições que terão lugar entre 2018 e 2019.
Os estrategas ocidentais que usam a Renamo como o seu main tool of war ou principal instrumento da guerra que movem contra a Frelimo, acreditam que o desgaste político que a Frelimo está a sofrer com a paralisação da economia pelas escaramuças e consequente descontentamento popular que advém disso e catalisado pela contínua exposição das chamadas dívidas ocultas como sendo a causa única do custo de vida no país, serão uma dura e fatal machadadas para os moçambicanos não votarem mais na Frelimo nas próximas eleições. Para catalisar ainda mais o descontentamento popular, os países ocidentais fecharam as suas injecções financeiras ao país, alegando que o fazem devido as dívidas ocultas.
Assumo que alguns dirão que lá está o Gustavo Mavie com conjecturas conspiratórias, mas a estes eu pergunto se acham que foi normal que Dhlakama tenha se “vendido”, um ano após a nossa independência, aos racistas da ex-Rodésia e da África do Sul, movendo ao seu serviço uma guerra terrorista e desumana contra os seus próprios compatriotas!?. Será normal que ele a tenha mantido contra o pacífico presidente Joaquim Chissano, que tenha tentado reactiva-la depois contra Guebuza e agora contra Nyusi? Será mesmo normal que não se tenha entendido subsequentemente com quatro presidentes? Para mim, tal como se vendeu aos racistas em 1976, Dhlakama está a vender-se desta vez às superpotências e suas multinacionais que ambicionam os nossos recursos. Manterei esta convicção até prova em contrário.
Gustavo Mavie - gustavomavie@gmail.com

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