terça-feira, 8 de novembro de 2016

Lista das vítimas de esquadrões da morte em Inhambane

Membros da Renamo abandonam Assembleia Provincial em Inhambane

Por temerem os esquadrões da morte
Para além das duas mulheres, conheça a lista completa das vitimas dos esquadrões da morte em Inhambane
1 – Alydjan Calu – Maxixe, quadro provincial – assassinado a 5 de Março de 2016;
2 – Ismael Sambate – Funhalouro – assassinado a 2 de Abril de 2016;
3 – António Sautane Chulo – chefe provincial de Mobilização e segundo vice-presidente da Assembleia provincial de Inhambane – baleado no dia 19 de Abril de 2016 e ainda em tratamentos médicos;
4 – Aminosse Sabão Macamo – morto no dia 22 de Abril de 2016 no povoado de Matlale;
5 – Andisse Vasco Uthui – morto no mês de Maio no povoado de Matlale;
6 – Rafael Uachane Chirinze;
7 – Américo Chithlango;
8 – Facitelane Ngovene; e;
9 – Rafael Jeremias Nhare, todos estes quatro assassinados no passado mês de Setembro.
 
Sete dos onze membros representantes da Renamo na Assembleia Provincial de Inhambane, incluindo o segundo vice-presidente daquele órgão, abandonaram a Assembleia Provincial e foram refugiar-se em parte incerta, que a Renamo considera como lugares seguros, por temerem serem sequestrados e mortos por esquadrões da morte.
Segundo confirmou ao Carlos Maela, delegado político provincial da Renamo em Inhambane e deputado da Assembleia da República, os sete deputados provinciais estão for a daquela província, por temerem que sejam assassinados.
Segundo Carlos Maela, para além dos sete representantes da Renamo na Assembleia Provincial, também os quadros da Comissão Política Provincial não se encontram neste momento na província de Inhambane, pelas mesmas razões, ou seja, por temerem as ameaças dos esquadrões da morte.
“Por causa das perseguicões e mortes pelos esquadrões de morte, os quadros abandonaram a província para lugares seguros, mas o trabalho está ser feito numa estratégia que não posso aqui dizer”, afirmou Carlos Maela, e acrescentou que “as bases do partido continuam intactas” e que “há cada vez mais apoio, embora com timidez”.
As actividades políticas da Renamo estão paralisadas há cerca de oito meses na província de Inhambane por causa de os quadros e membros temerem ser raptados e mortos pelas forças governamentais, segundo afirma a Renamo.
Carlos Maela disse que a situação de desaparecimento dos membros também se verifica em toda a província de Inhambane. Os delegados políticos distritais desapareceram para lugares seguros, deixando de exercer qualquer actividade política da Renamo.
“Porque sempre os secretários têm vindo a falar que quem for encontrado a realizar qualquer actividade política da Renamo vai ser preso.
Então essas ameaças fazem com que as actividades do partido parem”, disse Carlos Maela, e explicou que, por causa da segurança, o seu partido não tem divulgado a estratégia que agora usa para contactar os militantes de base, para, assim, evitar a perseguição pelos assassinos.
“Apesar de tudo, o trabalho continua – mas nunca num contacto aberto com as populações –, o que faz com que cada vez mais o número de membros continue a crescer”, disse, acrescentando que, em toda a província, todas as bases que a Renamo possuía continuam no activo.
Questionado sobre se a fuga dos membros da Renamo, abandonando a Assembleia Provincial, não poderia provocar a perda dos mandatos, Carlos Maela explicou que a Assembleia funciona com base no seu regimento, e “tentou-se aplicar esse regimento para a retirada dos mandatos, mas chega-se a compreender a situação desses deputados”.
“Como as pessoas que ficam lá são da outra parte [Frelimo], então a tendência é de castigar aqueles que não aparecem. Por exemplo, a lei é peremptória a dizer que a perda de mandato obedece a um certo número de faltas, que são contadas a partir das sessões, e, tendo em conta isso, acautelámos que ninguém devia perder o mandato”, disse.
Segundo Carlos Maela, a Assembleia Provincial tem apelado a que os deputados regressem, ameaçando que, se não regressarem, vão perder o mandato.
“Até a Assembleia Provincial já promoveu algumas sessões de substituição temporária e até alguns suplentes já foram tomar posse, em substituição temporária daqueles que pediram suspensão temporária”, afirmou o nosso entrevistado.
Sobre o impacto que a fuga dos deputados provinciais da Renamo tem na acção de fiscalização do Governo, Carlos Maela afirmou: “Quando alguns nos solicitaram para informar sobre o abandono à Assembleia Provincial, tivemos que tomar algumas medidas para assegurar os lugares-chave que estes ocupavam, sobretudo na bancada” Carlos Maela, referindo-se ao partido Frelimo, afirmou: “O nosso adversário deve deixar de perseguir o adversário político”.
“Deixe de assassinar os adversários políticos. Os políticos fazem apenas a actividade política. Os membros da Assembleia Provincial, os quadros da Delegação Política em nenhum momento estiveram com armas nas mãos para abater alguém nem para pôr em causa algum poder, mas são perseguidos e assassinados”, afirmou.
Segundo Carlos Maela, os esquadrões da morte usam armas para desafiar os indefesos, como se estes tivessem armas e desafiassem alguma entidade.
Assassinados por suspeitas de fornecer água e de amantizar-se com militares da Renamo
O delegado político provincial da Renamo em Inhambane enumerou alguns assassinados, explicando que, no dia 27 de Fevereiro, um membro da Assembleia Provincial sofreu um atentado na sua casa por três homens armados que foram disparar contra a sua barraca, o que fez com que ele abandonasse a província, depois de sair ileso.
No dia 5 de Março, foi assassinado Aly Jane. No dia 28 de Março, assassinaram o membro Joaquim, no distrito de Funhalouro. Em Abril, foi alvejado António Sautane Chulo, chefe da Mobilização da Renamo em Inhambane e membro da Assembleia Provincial e segundo vice-presidente deste órgão, e até agora continua em tratamento.
“Agora, fica claro que a perseguição é contra aqueles que fazem o trabalho político da Renamo”, afirmou Carlos Maela.
Informou que, no mês passado, foram assassinados quatro membros, sendo dois no distrito de Mabote e dois em Funhalouro, dois homens e duas mulheres.
“E esses foram mesmo abatidos pelas Forças de Defesa e Segurança estacionadas em Mabote e em Funhalouro (Matlele). O senhor Faifitine Ngovene e o Américo Chitlango vivem em Matlhava e são donos de um poço, dado que aquela zona tem crise de água”, disse Carlos Maela.
Segundo o deputado, Faifitine Ngovene e Américo Ngovene foram mortos pelas tropas governamentais por alegações de que, como proprietários do poço, estavam a fornecer a água aos militares da Renamo.
Sobre o assassinato das duas mulheres, Carlos Maela, que não revelou os nomes, disse que as mesmas foram mortas pelas tropas do Governo por acusação de que elas se amantizavam com os militares da Renamo. Os corpos das vítimas não foram ainda encontrados.
(Bernardo Álvaro)
CANALMOZ – 08.11.2016

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