sexta-feira, 4 de novembro de 2016

Explosão em Diyarbarkir, horas depois de detenções de líderes pró-curdos


Foram detidos os dois líderes do HDP e nove deputados. Bruxelas manifesta “extrema preocupação” com degradação do conflito entre turcos e curdos.
Destroços após explosão em Diyarbarkir REUTERS/SERTAC KAYAR
O Governo turco intensificou a sua campanha contra o Partido Democrático do Povo (HDP, esquerda pró-curda) com a detenção dos dois líderes e mais de uma dezena de deputados. Poucas horas depois das prisões, um carro armadilhado explodiu no centro da cidade de Diyarbarkir. As autoridades turcas estão a atribuir o atentado da madrugada desta sexta-feira a militantes curdos.
Um carro explodiu perto das 8h (5h em Portugal continental) no bairro de Baglar, no Centro de Diyarbarkir, no Sudeste da Turquia, região de população maioritariamente curda. A explosão ocorreu perto da sede da polícia, onde estão alguns dos membros do HDP detidos na noite de quinta-feira.
Segundo o primeiro-ministro, o ataque fez pelo menos oito mortos e mais de 100 feridos.
O atentado é visto como a reacção imediata à detenção dos dois co-líderes do HDP e de 13 deputados. Selahattin Demirtas e Figen Yuksekdag foram detidos nas suas casas em Diyarbarkir e Ancara, respectivamente. A polícia turca deu ainda ordem de prisão para outros nove deputados e fez buscas na sede do partido em Ancara.
As autoridades turcas dizem que as detenções foram feitas no âmbito da “operação anti-terrorista” contra o Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), considerado uma organização terrorista pelo Governo. “O HDP pede à comunidade internacional que reaja contra o golpe do regime de [Recep] Erdogan”, publicou o partido na sua conta de Twitter.
Em Maio, o Parlamento turco aprovou uma lei que veio levantar a imunidade dos deputados e que abriu a possibilidade de detenções como as desta sexta-feira. Os dois líderes do HDP são alvo de várias investigações, mas esta é a primeira vez que são detidos.
O HDP é a terceira força política com mais representação no Parlamento turco e assumia-se cada vez mais como a principal instância de oposição ao Governo do Partido da Justiça e Desenvolvimento (AKP). Esta semana, dois autarcas do partido pró-curdo, incluindo o presidente da câmara de Diyarbarkir, foram detidos por suspeitas de pertencerem ao PKK.
A Alta-Representante para a Política Externa da União Europeia, Federica Mogherini, disse estar “extremamente preocupada” com as detenções dos dirigentes do HDP e pediu uma reunião de embaixadores europeus em Ancara.
“Esta é uma importante escalada da repressão que incluiu o fecho de mediacurdos e a detenção do autarca de Diyarbarkir”, escreve o correspondente da BBC na Turquia, Mark Lowen.

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