sexta-feira, 11 de novembro de 2016

As mil teorias que explicam a vitória de Trump

Casa Branca 2016


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Foram as mulheres. Foram os homens. Foi o Partido Democrata. Foram os partidos pequenos. Foram as redes sociais. Foi a fama. Afinal, porque é que Trump ganhou?
AFP/Getty Images
Nos Estados Unidos e no resto do mundo, a vitória de Donald Trump ainda está a ser assimilada. A primeira reação foi de surpresa, mas agora procuram-se explicações. Afinal, porque é que Trump ganhou as eleições? Nos jornais de todo o mundo, especialmente nos EUA, a quantidade de títulos começados por “Donald Trump won because…” (“Donald Trump ganhou porque…”) é enorme. Há explicações que parecem mais prováveis e outras que dificilmente explicarão a vitória de Trump. Conheça ao detalhe algumas das teorias que circulam na imprensa, e que a CNN listou aqui.

Trump ganhou por causa das redes sociais

Uma das principais explicações que têm sido amplamente discutidas é a das redes sociais. A New York Magazine diz que “Donald Trump venceu por causa do Facebook”, que foi incapaz, ou não quis, resolver o problema das notícias falsas. Informações como “O Papa apoia Trump” ou “Hillary Clinton gastou 137 milhões de dólares em armas ilegais” espalharam-se pelas redes sociais, que permitiram a sua divulgação.
O criador do Facebook, Mark Zuckerberg, já veio rebater esta ideia. “Pessoalmente, penso que a ideia de que as notícias falsas no Facebook influenciaram a eleição de alguma forma é uma ideia louca”, disse o CEO da rede social, destacando que “os eleitores tomam decisões com base na sua experiência de vida”. Zuckerberg duvida ainda que só haja notícias falsas para o lado de Trump. “A forma mais rápida de refutar a ideia”, explica, é pensar em “porque haveria notícias falsas de um lado mas não do outro”.
Para minimizar os impactos da difusão de notícias falsas na internet, a Google decidiu, em outubro, introduzir o separador Fact Check no Google News. A ideia, explicou na altura o responsável por aquele serviço da Google, Richard Gingras, era “ajudar os leitores a encontrar a verificação dos factos em coberturas jornalísticas de maior dimensão”. Numa altura em que Donald Trump foi largamente acusado de não dizer a verdade, a ferramenta da Google pretendeu ajudar os leitores a encontrarem mais facilmente as informações verdadeiras.

Trump ganhou por causa da abstenção

As teorias não ficam apenas pelas redes sociais. Outra explicação para a vitória de Trump é a baixa taxa de participação. Os primeiros dados (ainda há estados sem resultados) apontavam para uma descida da taxa de participação em relação às registadas com Obama. Em 2008, com a primeira eleição de Obama, a taxa de participação atingiu o recorde de 57,1%, mas este ano deverá ter ficado pouco acima dos 50%.
A baixa participação poderá ter favorecido o candidato republicano, que até teve menos votos do que Hillary (uma diferença superior a 150 mil votos). Mas, como já explicámos aqui, o que conta são os ‘grandes eleitores’ nomeados para o Colégio Eleitoral. O grande desinteresse e a desilusão com o sistema sentidos pelos apoiantes do Partido Democrata levaram a uma maior abstenção entre aqueles que poderiam votar em Hillary Clinton. Já Trump conseguiu uma grande mobilização entre os republicanos e os descontentes com o sistema.

Trump ganhou por ser famoso

No Quartz, Anthony J. Gaughan escreve que “Donald Trump venceu porque a celebridade vence a substância”. Visto que Donald Trump “entrou na corrida com perto de 100% de reconhecimento público do seu nome”, o candidato “não precisou de uma organização”. Os votantes de Trump estavam “altamente motivados” e o republicano acabou por “não alinhar pelas regras normais da política”.

Trump ganhou por causa das mulheres, dos homens, da vergonha

Há mais razões. Os 53% das mulheres brancas norte-americanas que votaram no republicano e que se “venderam”, escreve L. V. Anderson na Slate. Ou então o “ressentimento dos homens brancos”, como se lê no texto de Monica Pott na The Nation. Há quem ache ainda que foi por causa dos russos, já que esta quinta-feira parece ter ficado confirmado que a campanha de Trump teve contactos com o Kremlin durante os últimos meses para planear o diálogo futuro entre os dois países.
No New York Times, Michael Lerner avançou outra possibilidade: a de que os insultos aos apoiantes de Trump — a chamada “ideologia da vergonha” — só os motivaram mais.

Trump ganhou por causa dos democratas

Mas também há quem ache que a culpa foi do próprio Partido Democrata. No Huffington Post, Krystal Ball escreve que o partido “merece morrer”, por não ter elegido Bernie Sanders. Ou até por causa dos chamados “Democratas Reagan”, eleitores que são habitualmente democratas mas deixaram o partido para votar em Ronald Reagan na década de 80, e que agora também se terão identificado com Trump, defende um antigo embaixador dos EUA nas Nações Unidas. Já Marilyn Katz acusa o Partido Democrata de se ter esquecido da classe trabalhadora. E, para o WikiLeaks, os Democratas optaram pela candidata menos competitiva.

Trump ganhou porque os partidos pequenos roubaram votos a Hillary

Raramente nos lembramos deles, mas há mais candidatos além dos dois principais. Este ano, havia dois candidatos alternativos que, segundo Tina Nguyen na Vanity Fair, entregaram a presidência a Donald Trump. Para a repórter, os votos para estes candidatos foram todos desviados do Partido Democrata, e custaram a vitória a Clinton. O que também pode ter dado votos a Trump foram as repercussões do politicamente correto que está implementado nas universidades norte-americanas. Durante anos, “a esquerda ganhou poder institucional e usou-o para punir as pessoas por dizerem ou pensarem coisas erradas”, escreve Robby Soave na Reason.

Trump ganhou porque é o único a ter soluções para os americanos

Também se pode ter dado o caso de Trump simplesmente ter ouvido o povo americano, como escreve John Cardillo no Independent Journal Review. “A receita para o sucesso esteve sempre escondida à frente dos olhos, mas as elites políticas e mediáticas não se baixaram para a ver”, considera o apresentador de rádio norte-americano. Outra explicação é o alheamento dos intelectuais universitários, que são sobretudo democratas. Como explica Charles C. Camosy no ADN, há mais académicos liberais do que conservadores, mas é com estes últimos que o povo americano mais se identifica, o que explica porque é que o resultado da eleição foi tão distinto das previsões dos especialistas.
Já vamos em mais de quinze teorias diferentes, mas ainda há mais. Para Steve Krakauer, da CNN, os americanos não votaram em Trump por serem racistas ou xenófobos mas por quererem mostrar que estão contra a classe política de Washington. Robert Barrington concorda, e escreve no The Telegraph que os americanos acreditaram que Trump seria o único a encontrar uma solução para o sistema corrupto que governa os EUA.

Trump ganhou por causa do FBI

E o FBI? Muito se disse sobre a interferência do diretor do FBI, James Comey, na campanha eleitoral, sobretudo devido à divulgação dos emails polémicos de Hillary a poucos dias da eleição. No USA Today, Susan Page assegura que as ações de Comey “mudaram a eleição de forma irreversível”. Mas, no Washington Post, Marc A. Thiessen pede que “não se culpe Comey pela derrota de Clinton”, já que não foi o diretor do FBI quem “usou um servidor de email privado para tratar de assuntos oficiais do Departamento de Estado”.
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