sábado, 26 de novembro de 2016

A previsão (certa) de Fidel Castro

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Há 42 anos, Fidel Castro previu que Estados Unidos e Cuba só voltariam a conversar quando um negro chegasse à presidência americana e um Papa fosse latino-americano. Dito e feito.

Fidel Castro estava no poder há 14 anos quando fez a previsão que hoje se comprova
Getty Images
Ele disse e cumpriu-se. Em 1973, o líder cubano Fidel Castro fez uma previsão. Questionado sobre como seriam as relações com os EUA logo após a tomada de posse de Richard Nixon na presidência norte-americana afirmou: “Os Estados Unidos dialogarão com Cuba quando tiverem um presidente negro e houver um Papa latino-americano”, lembra o Clarin.
Quarenta anos depois, as palavras de Fidel Castro confirmaram-se e quem as recorda é o jornalista argentino Pedro Jorge Solans, depois de um taxista chamado Eduardo de la Torre lhe ter lembrado esse momento. Na altura, Fidel Castro era primeiro-ministro em Cuba há catorze anos. E se alguns se riram nas previsões do líder cubano, outros pensaram que poderia existir algo premonitório naquelas palavras.
Claro que o foco da discussão não era esse em 1973. “Interessava mais o fim da guerra no Vietname”, disse o taxista a Pedro Solans, “mas como não acreditar no homem que ressuscitou mais vezes que Jesus Cristo?”, continuou. E hoje que Barack Obama está na liderança dos Estados Unidos e é o argentino Jorge Mario Bergoglio que assume o mais alto cargo da Igreja, pudemos assistir à reabertura das embaixadas em ambos os países.

E se Fidel Castro traiu Che Guevara?

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É a teoria do livro "Che Guevara. Valho mais morto que vivo", de Alberto Müller. O jornalista cubano diz que Fidel enviou Che numa missão suicida para a Bolívia, e que não o resgatou por opção.
AFP/AFP/Getty Images
Conquistaram Havana juntos, roubando-a das mãos de Fulgencio Batista, em 1959. A história costuma ser romântica, violenta e arrebatadora, mas agora vem à luz do dia uma teoria que sugere que Fidel Castro traiu Che Guevara, deixando-o ao sabor da sorte, acabando por morrer sozinho e sem apoio na Bolívia, conta o ABC. A tese está estampada no livro “Che Guevara. Valho mais morto que vivo”, de Alberto Müller, um jornalista e escritor cubano. O título do livro diz respeito à suposta frase que Che proferiu quando foi capturado em La Higuera, uma aldeia boliviana.
A investigação de Müller revela que Ernesto Che Guevara terá escrito a frase “sem contacto com Manila” várias vezes nos seus famosos diários, que significaria o afastamento de Cuba. Para o escritor isso sugere e anuncia o “abandono”. O livro revela também que haveria uma unidade de guerrilheiros que estariam prontos para seguir para a Bolívia para resgatar Che. “Fidel nunca autorizou o resgate”, diz ao ABC Müller, à margem da Feira Internacional do Livro em Buenos Aires.
Para o autor do livro, Che Guevara transformou-se numa “pedra no sapato” para o governo cubano, principalmente pelas afrontas e críticas ao Kremlin, a quem acusava de ser “cúmplice da exploração imperial” dos Estados Unidos. “[Che Guevara] morreu de uma forma lamentável. Sem medicamentos para a asma, sem botas, sem água, sem comida e sem aliados”, diz Müller.
O escritor garante ainda que Che Guevara queria voltar a casa, para libertar a sua Argentina. Mais: Müller diz que o recuo dos cubanos no Congo, assim como o envio de Che Guevara para a Bolívia, naquilo que assegura ser um “suicídio”, atestam a teoria de afastamento e traição.
O autor do livro não se escusa a entrar em polémicas, pois afiança que, se estivesse vivo, Che “estaria mais perto da Madre Teresa de Calculá do que de Fidel” e que o argentino não gostaria nada do rumo tomado por Cuba. Para este escritor, a História ficará encarregue de separar as águas: “a revolução de Che e a de Fidel”. Para ele, Guevara era “mais puro”, era alguém que “deu a sua vida por um ideal” e que morreu “com uma moral intocável”.

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