quinta-feira, 10 de novembro de 2016

A crise de educação moçambicana não seria por incompetência profissional e de gestão? - Por Wilson Nicaquela

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Vozes - @Hora da Verdade
Escrito por Redação  em 10 Novembro 2016
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Conforme consta das políticas de educação definidas centralmente, o objectivo da DIDÁTICA não é a formação de técnicos de educação, mas sim, profissionais capazes de administrar o processo de ensino e aprendizagem. Isto é, um indivíduo que mobilizasse todos os recursos necessários para que um aluno se sinta motivado com a finalidade de aprender e apreender conhecimentos.
Tenho convicção de que foi com este propósito que se introduziu alguns cursos técnicos, tais como Gestão Educacional, Psicologia das Organizações, Gestão de Recursos Humanos e Psicologia Educacional na Universidade Pedagógica (UP) e instituições afins.
Aliás, como dissera Samora Machel, num daqueles discursos atemporais, “o  maior desafio dos professores e alunos, na missão educacional era a formação de sujeitos, que soubessem transmitir e assimilar de forma crítica o pensamento e as experiências de outras culturas e povos”.
Estranho que pareça, num momento, em que as escolas clamam por professores, mesmo que não sejam de qualidade apurada, mas no mínimo formados, um grupo de professores sente-se LAUREADO quando são transferidos da sua escola, da sua turma para passarem a desempenhar o papel de SECRETÁRIO OU SECRETÁRIA DA DIRECTORA OU DO DIRECTOR de escola, distrital, provincial ou nacional.
Companheiros, o professor não é e nem deve ser confundido com pessoal menor e muito menos CTA. Essas atitudes revelam uma ampla incompetência tanto do director que emite a ordem de transferência, como do próprio professor que prefere abandonar uma turma para passar a gerir papeis e relegar-se a uma classe improdutiva. A consequência disso é que há a cada momento turmas sem cobertura e professores fazendo turno e meio e horas extras desnecessárias.
Que tipo de alunos são formados nessas turmas? Quem será o culpado?
Uma questão eventualmente típica de um IDIOTA da Educação como eu seria: Você como professor o que já fez para contribuir na melhoria da qualidade de ensino? Vai continuar a culpar os outros pela má qualidade de ensino? Os gestores superiores de Educação sabem que há professores saudáveis transferidos das suas escolas e abandonando turmas para serem secretários particulares?
Eu então concordo com Pedro NACUO, no seu livro “BOROMA: uma homenagem  a todos os professores” (2008, p.194) ao afirmar que, a fraca qualidade do ensino, é motivada pela corrupção, “pois a necessidade de estudar começa a não ser a mesma de aprender, mas sim, de mais um valor sobre o vencimento”.
Esses professores que aceitam ser SECRETÁRIO PARTICULAR, para além de incompetentes, são os que, não tendo outro emprego, recorrem à educação como alternativa. E sendo filhos de pessoas de posse, colocam o ensino público como um espaço propenso para a formação de maus alunos e profissionais de diversas áreas.
Por isso eu insisto: Se Samora Machel tivesse que acordar hoje, muitos professores seriam reconduzidos à formação inicial. Também, muitos dirigentes iriam parar nos campos de reeducação pela manifesta incompetência e traição ao povo.
Por Wilson Nicaquela Psicólogo
Escolar Mestrando em Educação em Ciências de Saúde pela Universidade Lúrio (UniLúrio), Campus de Marrere, Nampula-Moçambique

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