sábado, 1 de outubro de 2016

UM APELO AOS AUTORES VIVOS DA GESTA DE 25/09/1964

UM APELO AOS AUTORES VIVOS DA GESTA DE 25/09/1964

“Mil poderão cair ao seu lado; dez mil, à sua direita, mas nada o atingirá”. Salmos 91:7
Hoje, 25 de Setembro de 2016, é um dia muito especial para nós que, milagrosamente, ainda estamos vivos, porque é o aniversário dos nossos feitos. É o aniversário da nossa epopeia que tem de ser imortalizado por nós. É o aniversário do início da nossa ousadia e determinação, iniciadas há 52 anos, quando muitos de nós éramos jovens entre 18 e 25 anos. Orgulho-me por ser um deles. O nosso sonho comum era: “libertar a Terra e os Homens Moçambicanos”, como nos ensinava o nosso timoneiro, o Dr. Eduardo Chivambo Mondlane, Arquitecto da nossa Unidade Nacional. Hoje, com o decorrer dos anos, tornamo-nos “menos jovens” e a nossa espécie vai rareando. Um por um, estamos morrendo, porque a idade, esse imperativo biológico inevitável, não nos perdoa. Nós, os libertadores da Pátria Moçambicana, estamos a acabar aos poucos, um pouco por toda a parte. Mesmo os poucos que ainda se aguentam de pé, as forças começam a fugir. Lembramo-nos que, a 25 de Setembro de 1964, longe do som dos sinos e tambores das Povoações e Aldeias que nos viram nascer, longe dos nossos pais, dos nossos amigos, das nossas noivas, das nossas machambas, dos livros, e alguns de nós (muitos) fomos metidos nas masmorras da PIDE (mais tarde DGS), onde nos sujeitaram a torturas que nos provocaram danosfísicos permanentes como acidentes vasculares cerebrais, ossos quebrados, tenções e lágrimas musculares, castração, esmagamento, perfurações, cortes, choques eléctricos, deformações, queimaduras, aplicação de temperaturas extremas, ingestão de produtos químicos ou elementos de corte, afogamento, estupro, privação de sono, posturas corporais estranhas,muitos não lograram atingir a meta porque não resistiram às manápulas dos “Chico Feios” na “Vila Algarve”, Mabalane, Ka Djamangwana, ou crivados de balas nas diversas frentes de batalha. Entregámo-nos de peito aberto porque os casmurros portugueses obrigaram-nos a aprendermos a linguagem e arte de guerrear. Nós, que ainda sobrevivemos, não podemos esquecer esse tempo. Porque a História é um bem de consumo, dependendo muito de quem a conta, enquanto as forças permitirem-nos pensarmos, vamos registar os nossos feitos para que as gerações vindouras saibam que esta Pátria Amada não nos foi restituída de bandeja. Custou imensos baldes de sangue dos seus melhores filhos. Se não o fizermos nós, os Vampiros e as Hienas escreverão em nosso lugar outra história de um Moçambique fictício e nós seremos lembrados como os “Turras” que pecaram por terem trazido a Independência a este Povo, único feito só feito por nós e por mais ninguém. Ninguém, senão nós, pode escrever com fidelidade o que sentimos naquele dia que areamos a Bandeira das cinco quinas e em seu lugar, hasteamos a nossa com as cinco cores com o seu significado: Verde (riqueza do solo); Branca (a paz);Preta (o Continente Africano);Amarela-Dourada (a Riqueza do Subsolo);Vermelha (o sangue derramado na luta da resistência ao colonialismo);a Estrela (a Solidariedade entre os Povos); aArma AK-47, com uma baioneta anexada ao cano, única bandeira nacional no mundo inteiro a incluir a ilustração de um fuzilmoderno, (simbolizando a Luta Armada e a Defesa do País); o Livro (a Educação);aEnxada (a Agricultura)e, até 1983, tinha também a Roda Dentada (simbolizando a união entre Operários e Camponeses). Camaradas, avante! Vamos à Obra. Eu estou fazendo a minha parte.
Kandiyane Wa Matuva Kandiya
nyangatane@gmail.com

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