sexta-feira, 7 de outubro de 2016

O que mais é preciso acontecer a este povo?

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O Governo decidiu, na passada sexta-feira, agravar o preço dos combustíveis, com efeitos a partir do passado sábado.
Assim, a gasolina, que custava 47,52 meticais, passou a custar 50,02 meticais por litro. O gasóleo sobe de 36,81 meticais para 45,83 meticais por litro. O petróleo de iluminação sobe de 28,64 meticais, por litro, para 33,06 meticais. O gás doméstico (GPL) passa de 55,45 meticais/kg para 58,54 meticais/kg. O gás comprimido (GNV) passa de 17,75 para 24,90 meticais.
A justificação oficial que consta num comunicado de imprensa distribuídos aos órgãos de comunicação social pelo Ministério dos Recursos Minerais e Energia é uma suposta conjuntura internacional adicionada ao facto de o preço nunca ter sido mexido desde o ano de 2011.
A partir das razões evocadas pelo Governo, é fácil concluir que a indexação do preço dos combustíveis ao consumidor final não obedece a nenhum critério racional. Por exemplo, em 2011, quando o Governo mexeu no preço, o barril de petróleo no mercado internacional rondava os 100 dólares. O preço foi subindo, tendo atingido, em Março de 2012, a casa dos 120 dólares. Mas Moçambique nunca seguiu tal tendência do “brent” no mercado internacional.
Por razões que ficam por explicar, o Governo foi subsidiando o preço, como que se a flutuação do preço no mercado internacional não fosse indicador determinante para a fixação do preço a nível interno.

De 2014 até agora, o preço do barril foi decaindo no mercado internacional, num valor de 28 a 50 dólares, sendo questionável a tal conjuntura internacional que o Governo evoca. Dito de outra forma, não se sabe qual é o critério que o Governo usou para fazer subir o preço dos combustíveis.
O que é certo é que, nos próximos dias, o preço do transporte semicolectivo de passageiros poderá também subir de preço, por razões mais do que óbvias, o que vem estrangular ainda mais as contas domésticas dos cidadãos. Mas a subida do preço do “chapa” não pode ser relacionada apenas com os combustíveis. Há também a manutenção.
Todo o processo da manutenção dos “chapas” está dependente da importação de acessórios que vêm ou da África do Sul ou do Japão. Com a desvalorização do metical face ao rand e ao dólar, este quadro alterou-se completamente.
Tudo isto atinge o bolso do cidadão, que, agora, para além de suportar a generalidade da subida do preço da comida, terá de se ir preparando para fazer um furo adicional ao cinto e pagar mais pelo transporte.
O mais triste neste cenário é que não se vislumbra qualquer tipo de solução, parente um Governo manifestamente incompetente e incapaz. Uma representação fiel do deserto de ideias.
Uma incompetência tal que, há dias, o Governo teve a displicência de vir a público anunciar em parangonas que o preço do pão não vai subir. Só quem compra pão em Nelspruit é que ainda não se apercebeu que, em Moçambique, estamos actualmente a pagar duas vezes o mesmo pão. É simples: sufocadas com os custos de importação, todos indexados em moeda estrangeira, as panificadoras não têm outra alternativa para manter o preço senão a redução do número de gramas do pão. A porção da massa que fazia um pão está actualmente a fazer dois pãezinhos. Em termos rigorosos, um pão actual é a metade do pão antigo. O Governo está satisfeito com o indicador cosmético da não subida do preço, mas, efectivamente, o preço subiu, e os panificadores encontraram compensação na redução do número de gramas.
Tudo isto acontece num cenário de guerra, que encarece ainda mais os produtos que precisam de atravessar o Save, para Maputo, e vice-versa. Sobre as dívidas ocultas que levaram o país ao colapso financeiro, tudo indica que a culpa vai morrer solteira. Não haverá responsabilização a condizer com os danos causados ao povo.
Chegados aqui, é legítimo e patriótico perguntar o que falta acontecer mais a este povo para perceber, de uma vez por todas, que precisa de acordar e defender o país? Alguém ainda acredita mesmo que, com esta gente no poder, seremos um dia, um país normal? Não está suficientemente provado que esta gente é incapaz? Que substância entorpecente foi administrada a este povo, ao ponto de consentir tamanha barbaridade governamental? Como é que possível que o povo assista sereno ao sequestro de um país, das suas aspirações, dos seus sonhos e do seu futuro? Se o povo não defender o país, quem o defenderá?
Roubam-nos. Matam-nos, depois aparecem com lições de moral.
E até dizem que o problema é que o povo não produz, como que se tudo o que roubaram não fosse produção deste povo.
Mas, na nossa modesta opinião, o que os motiva nessa empreitada de destruição e de subalternização de todo um povo é a possibilidade de cometerem todos estes crimes e continuarem impunes, porque o povo, o dono da soberania, vai-lhes estendendo tapete vermelho e faz fila para receber os certificados de estupidez colectiva que esta gente vai emitindo para todos, a cada acto arrepiante.
Na nossa modesta opinião, o que motiva a Frelimo a aprofundar com afinco o programa da destruição é essa passividade colectiva deste povo, que vai fazendo claque aos destruidores. Se a organização que está no poder perdeu o orientação e adoptou o roubo e a matança como seu programa, é porque descobriu que, com este povo, ainda é possível fazer o pior e continuar no poder.
A organização que está no poder percebeu que está a lidar com 23 milhões de idiotas e tem quase a certeza de que continuará a roubar e a matar mantendo-se impune.
Muito honestamente, analisando bem o que se está a passar neste país, é fácil concluir que não é o partido no poder que é excessivamente brutal. É o povo que é excessivamente cúmplice do programa de destruição do país. Enquanto o povo não se mobilizar para bloquear os destruidores, está a concordar com eles. É esta apatia colectiva que inspira os que estão no poder a prosseguirem com o programa de estrangulamento.
Nenhum moçambicano está isento de responsabilidades sobre o que está a acontecer. Permitimos demais. E eles aperceberam-se de que podem ir mais ao fundo, que o povo continuará a venerar a estupidez e a apatia. Por isso perguntamos: o que mais é preciso acontecer a este povo? É hora de acordar. Se isto continuar assim, somos equiparados a eles. Enquanto eles escangalham o país, nós assistimos do cimo da almofada da cumplicidade. (Canalmoz / Canal de Moçambique)
CANALMOZ – 07.10.2016

"Este País precisa de uma paz duradoira. Paz construída por todos. Precisa de uma reconciliação séria"


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EUREKA por Laurindos Macuácua
Cartas ao Presidente da República (26)
Presidente, bom dia. Ainda na ressaca das celebrações do Dia da Paz e Reconciliação? Naquele dia, 04 de Outubro, eu preferi ficar em casa. Vi pela televisão políticos, como o senhor, nos seus discursos de praxe. Falavam do que não sentem, ou seja, mentiam ao povo moçambicano para não dizer que o embruteciam ainda mais.
Como pode o País celebrar a paz quando a guerra está a causar danos inimagináveis no centro? Isto que políticos como o senhor chamam de tensão político-militar, está a retrai investimentos, está a proibir o povo de ir a machamba, as crianças deixaram de estudar, a fome instalou-se. Tudo isto acontece devido à ganância dos dois beligerantes.
E, sinceramente, não gostei do seu recente pronunciamento público. O senhor Presidente disse que a Renamo não quer a paz. Até aqui tudo bem. Mas podemos fazer esta pergunta: e a Frelimo quer a paz? Ou seja, o que a Frelimo tem feito para que haja paz?
Talvez eu- como a maioria do povo moçambicano- seja ignorante nestes assuntos de paz. E mesmo assim, arrisco a dizer que paz, para mim, não se reduz ao calar das Kalashnikovs. Por isso que, ao invés de discursos de ocasião, o Dia da Paz e Reconciliação devia ter sido (principalmente para a Frelimo que governa este País) uma oportunidade indispensável para repensar o futuro de Moçambique como um projecto político, económico e social compartilhado.
No Dia da Paz, políticos como o senhor, perderam a oportunidade soberana de analisar o que opõe os moçambicanos. O legado da violência não nos vai levar a nada. Todos somos chamados a abraçar o sentimento de pertença a uma comunidade nacional que favoreça a inclusão política e económica.
Neste País, Presidente, enquanto haver lambe-botas, bajuladores, beija-mãos que procuram a todo o custo lhe vendar a vista para o País real, com o intuito de satisfazer os seus estômagos, jamais conhecerá progresso.
Esta guerra, Presidente, retirou aos moçambicanos a autonomia de traçar os seus destinos. Este é um País de ódio, desconfiança, exclusão. Em Moçambique, falar o que lhe vai na alma equivale a autoflagelação. Quer dizer, os 23 milhões de moçambicanos têm a obrigação de pensar segundo os ditames da Frelimo. Que País é este, meu Presidente?
Eu sou céptico quanto aos progressos do diálogo político em curso. Para mim, a Frelimo e a Renamo não querem a paz. Em nenhum momento preocuparam-se em integrar no diálogo elementos da sociedade civil e outros partidos políticos. É como se a questão da paz, em Moçambique, fosse da alçada da Frelimo e da Renamo. Ao povo não se pergunta nada. Decidem como querem a vosso bel-prazer.
Este País precisa de uma paz duradoira. Paz construída por todos. Precisa de uma reconciliação séria. A paz que temos estado a viver, é aparente. Assenta em pilares débeis. É uma paz podre. Arranjada para satisfazer interesses de alguns grupos. E são esses mesmos grupos que quando se zangam puxam das suas Kalashnikovs para, deliberadamente, esmagar o sonho dos moçambicanos. Para o mais comum dos moçambicanos, é proibido sonhar neste País…
Se tomo a liberdade de lhe escrever isto, Presidente, é que sou pela paz e contra todos os actos que exacerbam o espírito de violência. Os que não são pela paz são aqueles que ao seu ouvido semeiam intrigas, mostram-lhe um Moçambique que não existe, não lhe criticam, engraxam-lhe os sapatos a toda hora. Esses, sim, são anti-patriotas e ameaça à segurança nacional e tolhem o caminho do futuro dos moçambicanos.
DN – 07.10.2016

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