domingo, 30 de outubro de 2016

Nyusi dita regras para o aumento da produção

AGRICULTURA: 

O Presidente da República, Filipe Jacinto Nyusi, estabeleceu, sexta-feira última, na Zambézia, os pilares para o desenvolvimento agrário de Moçambique, definindo, pela primeira vez, o que cada província deve fazer com este objectivo.
A visão estratégica do estadista foi exposta durante o lançamento  da campanha agrícola 2016/2017 que  arrancou esta semana tendo como lema “Pela produtividade e produção agrária, competitividade e segurança alimentar e nutricional”.
Nyusi disse na ocasião que a economia moçambicana é, basicamente, agrícola, destacando-se famílias  como fiéis da balança mesmo nos indicadores macroeconómicos.
A agricultura emprega mais de 80 por cento da população moçambicana economicamente activa”, disse o Chefe de Estado, acrescentando que o sector contribui com cerca de 25 por cento no Produto Interno Bruto (PIB) e em 16 por cento nas exportações nacionais.
O sector agrário familiar concentra cerca de 4.270.000 explorações agro-pecuárias. “Contudo, apenas um por cento comportam machambas até uma média de cinco hectares que são caracterizados por um modelo misto, combinando  uma agricultura de subsistência com pequenos excedentes para o mercado”, referiu Filipe Nyusi.
O Presidente da República acrescentou que as grandes explorações agro-pecuárias do sector empresarial, em termos absolutos, ocupam pouco menos  de 600 unidades, um e outro indicador diminuto, se na equação caso sejam avaliados pela sua importância de escala produtiva.
 APOSTAR NAS HORTÌCOLAS
O Presidente da República salientou que culturas como milho, hortícolas e bens alimentares como ovos e aves devem ser priorizados em todo o território nacional.
Defendeu, por isso, que devem ser culturas transversais no âmbito da segurança alimentar. “Esta é uma missão directa dos senhores administradores distritais”, sublinhou.
Apontou que urge  a melhoria dos processos ao longo da cadeia de valor que devem visar, também,  a redução de perdas pós-colheitas que se situam, actualmente, em 24 por cento.
INSEGURANÇA ALIMENTAR AFECTA
MAIS DE UM MILHÃO DE MOÇAMBICANOS
Pouco mais de 1.5 milhões de moçambicanos vivem na condição de insegurança alimentar.Para o Chefe de Estado o lançamento da presente campanha agrária representa o inicio de mais um ciclo de esperança para os moçambicanos.
Pela primeira vez, o Presidente Nyusi apelou para que as províncias se especializem em determinados ramos de produção.“O denominador comum nacional é a produção de milho, hortícolas, ovos e aves”, frisou o Chefe do Estado, acrescentando que estes são os produtos de segurança alimentar declarados como sendo de bandeira obrigatória, devendo cada província especializar-se na produção de pelo menos um destes produtos.
Deste modo, os gestores da administração em diferentes níveis deverão, com maior rigor, estabelecer um mecanismo de monitoria, assistência agrária e transferência de conhecimento dos extensionistas aos produtores.
Prioridades por província
O corredor Pemba-Lichinga, que abrange as províncias de Cabo Delgado e Niassa é rico na produção de batata-reno, trigo, feijões, milho, soja, hortícolas, algodão, gergelim e aves. O Presidente da República quer que este corredor se especialize na produção de feijões e batata-reno.
Relativamente ao corredor de Nacala, que produz mandioca, milho, algodão, gergelim, fruteiras, aves, amendoim, hortícolas e caju, Nyusi apela para o incremento da produção sobretudo de mandioca, milho e feijões em toda a extensão da província de Nampula e Niassa.
Quanto ao Vale do Zambeze, Nyusi disse que para além das culturas de arroz e milho, apresenta solos favoráveis para a batata, bovinos, caprinos, hortícolas, gergelim, algodão e aves.
Sublinhou que Zambézia deve projectar-se para a produção de arroz, feijões e soja. E a província de Tete deve especializar-se na produção de milho, batata reno e feijões.
Quanto a Sofala, no corredor da Beira, Nyusi quer maior empenho na produção de milho, arroz e hortícolas. Manica, além da soja, deve empenhar-se nas culturas de rendimento. O milho, hortícolas e aves são os produtos eleitos.
O corredor de Maputo a Limpopo, que atravessa a província de Inhambane, Gaza e Maputo, o Presidente da República refere que apresentam um elevado potencial em hortícolas, bovinos e aves.
Falando das culturas de rendimento no país, o estadista moçambicano explicou que continuarão a merecer atenção do Governo como fontes de renda para as famílias. “Vamos privilegiar a castanha de caju, a soja, o algodão e o gergelim”, frisou.
Campanha passada
com resultados encorajadores
Uma avaliação preliminar da campanha agrícola passada indica que a produção global apresenta resultados encorajadores, apesar do cenário de grave estiagem que se verificou.
Os indicadores de cereais se situam em 2,4 milhões de toneladas, 656 mil toneladas de leguminosas diversas e 1,6 milhões de toneladas de batata doce.
A produção de mandioca foi de 9.1 milhões de toneladas acima da meta de 8 milhões estabelecida.
Quanto à batata-reno, o país continuou a ter um défice de 142 mil toneladas ao registar uma produção de 263 mil toneladas.O desafio para a presente campanha é superar as previsões de 2016 e estabelecer a produção da batata reno em 420 mil toneladas para presente campanha.
De acordo com o Presidente da Republica, a produção de hortícolas superou as expectativas ao situar-se em 1,9 milhões de toneladas. Contudo, frisou, os níveis de importação de tomate e cebola ainda são preocupantes
A expectativa que existe é de que seja superado o défice que ainda se regista, passando a produção para níveis superiores a 600 mil toneladas de tomate e incrementar-se a produção da cebola para o mínimo de 350 mil toneladas por campanha nos próximos dois anos.
Texto de Bento Venâncio,em Mopeia, na Zambézia

JOGOS OLÍMPICOS: Atletismo é prioridade do Comité Olímpico

Apesar dos resultados pouco promissores registados nos últimos anos em várias campanhas, o atletismo – modalidade rainha dos Jogos Olímpicos –vai continuar a merecer especial atenção nos programas do Comité Olímpico de Moçambique (COM) no ciclo que inicia dia 1 de Janeiro próximo.
A garantia foi dada ao domingo pelo presidente do COM, Marcelino Macome, que fundamentou ser o atletismo a especialidade na qual o país tem maiores possibilidades de lograr resultados satisfatórios.
Na carta de fundamentos enunciada por Macome figuram factores financeiros e técnicos, que, quando combinados com os resultados de Moçambique nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, deixam claro que é ao atletismo que o país deve continuar a direccionar maiores energias e investimentos.
De uma coisa estamos claros: o atletismo, tal como noutros países de África, deve ser a grande aposta do país para os Jogos Olímpicos. A grande questão é que nas modalidades muito técnicas as possibilidades são reduzidas. O atletismo tem a sua técnica, mas é mais fácil e realiza-se com muito menos dinheiro. O que foi aplicado em dois atletas de canoagem não imaginam em quantos teria sido usado no atletismo.
Conforme explicou aquele dirigente, o Comité Olímpico vai investir seriamente para a criação de pelo menos um centro de alto rendimento em Moçambique para preparar os atletas de modo a garantirem marcas de apuramento aos eventos internacionais e, uma vez qualificados, discutirem os primeiros lugares.
Mau grado o facto de a modalidade acontecer apenas em melhores condições na cidade de Maputo, onde estão concentradas as duas pistas de tartan. Por isso, Macome argumenta que há muitos talentos desta modalidade excluídos pelo país fora.
O atletismo é a modalidade mais simples de praticar em Moçambique e é a menos técnica. Paradoxalmente, só temos duas pistas e todas estão no Sul do país, na cidade de Maputo. Então todo talento que sai de Xai-Xai para cima, até Cabo Delgado, não tem hipótese nenhuma para praticar o atletismo. Temos de alterar esta situação criando centros de treinamento e oferecendo condições dentro do país que os atletas necessitam, passando a viajar ao estrangeiro para as competições.
Macome é mais crítico e não percebe por que mesmo havendo duas pistas em Maputo continua a haver mais provas nas estradas da capital do país. “É difícil termos mais atletas porque neste sistema que temos, em que os atletas só correm na rua, só fazem provas de estrada, não resolvemos o problema; é preciso que tenhamos centros de treinamento e pessoas cientificamente capacitadas para nos dizer investe neste porque naquele não dá”.
OUTRAS MODALIDADES
Em princípio, à excepção de Kurt Couto –despediu-se dos Jogos Olímpicos no Rio de Janeiro – os restantes atletas que representaram Moçambique no “Rio” vão merecer particular atenção do Comité Olímpico. Marcelino Macome chama a atenção que devem ser os atletas a serem seguidos atentamente do que propriamente as suas modalidades, porque pode acontecer que nessas suas especialidades não surjam novos valores e aí a situação será outra.
Perguntámos ao presidente do COM se não era momento de apostar noutras modalidades como a canoagem que pela primeira vez se qualificou aos Jogos Olímpicos. A resposta foi pronta e directa:
Não sei se viram as competições de canoagem. Nós vamos continuar a apoiar a canoagem e outras modalidades, mas há aqui uma questão: a diferença para colocar os nossos atletas da canoagem a competirem com os outros é tão grande e tão exigente, mas pode acontecer.
Colocámos o caso da natação, outra modalidade que esteve no Rio de Janeiro, mesmo sem tempos mínimos de qualificação. Nova resposta incisiva:
Depende do que vai acontecer, mas não queremos nos desviar, primeiro porque não temos dinheiro e, em segundo lugar, essas modalidades muito técnicas não são muito fáceis. Temos de apostar com base na existência de qualidade, e quando olhamos para os nossos nadadores, em função dos Jogos Olímpicos, temos de ser sinceros. Aliás, foi a única modalidade que não qualificou qualquer atleta para os últimos Jogos Olímpicos.
MAIS ATLETAS
NOS JOGOS OLÍMPICOS
O COM está preocupado com o número reduzido de atletas nos Jogos Olímpicos. Por isso, já definiu uma fórmula para inverter o actual cenário, a qual já é aplicada por outras nações.
Marcelino Macome afirma que Moçambique deve fazer o mesmo que os outros porque não há muito por escolher, isto é, os atletas moçambicanos não podem continuar a trabalhar em condições precárias relativamente aos adversários que vão encontrar nos Jogos Olímpicos ou nas provas de qualificação.
Temos de criar condições para que os nossos atletas trabalhem em situações semelhantes dos adversários, nomeadamente ter centros de treinamento olímpicos com níveis básicos para um atleta de alta competição atingir determinado patamar de resultados”, referiu.
O presidente do COM observa que os atletas moçambicanos quando chamados a competir em competições de nível regional ou continental têm boas qualificações, mas quando chegam a nível mundial já não têm hipóteses. “Isso significa que o talento está lá, mas falta ainda muita coisa para que possam atingir o nível exigido internacionalmente”.
Referiu que a participação moçambicana nos Jogos Olímpicos também reduziu porque os critérios de qualificação são cada vez mais exigentes. “Cada olimpíada vai endurecendo mais as condições para a participação e nós praticamente estamos parados”. 
Por isso, o COM está apostado em ter em Moçambique um centro olímpico, ao qual virão técnicos estrangeiros juntar-se a locais e seleccionarem os melhores atletas para representarem o país. E serão técnicos competentes e qualificados, como adianta Marcelino Macome:
No nosso país é hábito um cidadão ver um jovem a jogar à bola ou a correr e dizer está ali um talento, ora, hoje em dia não é assim, há processos científicos que determinam que neste atleta podemos investir e naquele não. Nós neste momento investimos no escuro, se deu certo deu, e se não, não deu. Então queremos passar a aplicar princípios técnicos científicos para identificar talentos, treiná-los, investir e dar as condições necessárias para fazer tudo o que noutros países fazem, sobretudo africanos. Quando vamos aos Jogos Olímpicos notamos que os atletas africanos, no atletismo, por exemplo, ganham porque é mais fácil e menos dispendioso e no nosso país torna-se complicado porque só temos pistas em Maputo.
Segundo o nosso entrevistado, a redução do número de atletas nacionais nos Jogos Olímpicos também se deve à inércia das modalidades internamente. É o caso do atletismo, que nos Jogos do Rio do Janeiro poderia ter tido uma maior representação.
Nos últimos jogos podíamos ter levado dois atletas, mas só levámos um. Porquê? Porque, de facto, não existem, não existe atletismo de alta competição para encontrar atletas com capacidade de resposta ao nível duma competição daquelas”, fundamentou.
REFORMAS
Durante o próximo ciclo olímpico, serão operadas várias mudanças no Comité Olímpico Internacional e, por tabela, nos nacionais. No âmbito da agenda 2020, o COM pretende ser mais aberto para os seus parceiros, integrá-los nas suas agendas e programas na medida do possível.
Com isso, pretende-se atingir pelo menos três objectivos, nomeadamente a sustentabilidade financeira, a credibilidade e a participação de todos os parceiros nos programas do Comité Olímpico.
Estas reformas estão em processo e estamos a ouvir os parceiros. Se não ouves as pessoas de fora para transformar a sua organização, essas pessoas vão forçar. É preciso fazer reformas antes que nos obriguem a fazê-las.
Neste contexto, o Comité Olímpico de Moçambique já realizou seminários com dirigentes das federações nacionais, universidades e institutos e na semana passada com jornalistas.
Destas entidades, recolhe contribuições para responder ao objectivo duma maior abertura do COM e também uma maior inserção nas comunidades, para afastar definitivamente a percepção errónea de que aquela entidade está exclusivamente vocacionada para organizar a participação do país nos Jogos Olímpicos.
Relação com federações é fraca
Marcelino Macome assume que a articulação entre o Comité Olímpico de Moçambique e as federações nacionais não é satisfatória, situação que influencia os resultados finais internacionais.
Não aponta as culpas às federações, mas justifica que com melhor articulação o país podia apurar mais modalidades e atletas aos eventos planetários. Aponta o caso do futebol, que, no seu entender, tem potencial para num período de oito anos discutir um apuramento aos Jogos Olímpicos.
A nossa relação com as federações é muito parada. Por exemplo, tenho a impressão de que no futebol, com um programa claro e com metas, podemos nos qualificar aos Jogos Olímpicos. Em oito anos podemos conseguir isso. Temos jovens que enquadrados e colocados nos centros de treinamento e de competições podem nos trazer bons resultados.
O dirigente observa que em campeonatos europeus de futebol dificilmente vemos um moçambicano. “Será que não temos qualidade? Estamos a trabalhar no sentido de alterar esta situação e antes de sentarmos com a nossa federação concebemos a ideia, identificamos parceiros. Estamos convencidos que não haverá problema e vamos trabalhar para que os nossos jovens talentosos possam ir jogar fora. Serão esses que vindo para a nossa selecção vão acrescentar qualidade e não serão mais eliminados pela Suazilândia”.
Texto de Custódio Mugabe
custodio.mugabe@snoticicas.co.mz

More Jazz exalta Hino Nacional

Milhões de braços  uma só força ...vamos vencer. Este foi o lema “oculto” da sexta edição do More Jazz Series que há um mês vem tendo diversas manifestações culturais na capital do país. Mesmo não sendo evocado directamente, o Hino Nacional foi exaltado no More Jazz Series. Os organizadores pretendem através do lema, “sensibilizar primeiro a todos os moçambicanos a gostarem de si, do seu país e a saber dar valor a este país que muito nos orgulha. É também uma maneira de dizer, cantar para todos apelando para a união , pois os momento de crise por que passamos, são passageiros. Somos um país com estrutura e temos capacidade para ultrapassar as situações adversas actuais”, explica Moreira Chonguiça, promotor do More Jazz Series.
Durante o mês de Outubro, sessões de cinema todas as quartas-feiras e música ao vivo, Jazz, nas quintas-feiras, caracterizaram os eventos que têm como finalidade colocar Moçambique no mapa mundial como referência do turismo cultural.
A par da agenda acima, está presente nas paredes do Polana Serena Hotel, uma mostra fotográfica dos fotógrafos Sérgio Costa e Mauro Vombe. São fotografias que retratam as anteriores cinco edições do More Jazz Series, destacando-se o saxofonista Najee, Hugh Masekela, Jonathan Butler, Manu Dibango, Isabel Novela, Moreira Chonguiça, Angelique Kidjo, Professor Orlando da Conceição, entre outros.
O momento mais alto do More Jazz Series aconteceu com a realização de dois concertos. O primeiro teve lugar no dia 28 de Outubro com a actuação da banda do músico cubano Omar Sosa, da italiana Susanna Stivali, da sul-africana Judith Sephuma, do moçambicano radicado na África do Sul, More Jazz Big Band, Ildo Nandja (diga-se em abono da verdade, Ildo foi uma revelação que surpreendeu e agradou a plateia). Actuaram ainda The Moreira Project, do mentor da iniciativa, Moreira Chonguiça. Como surpresa, até porque não constava dos cartazes, cantou o ícone da música sul-africana, Sipho Hotstix Mabuse que pôs a plateia de pé cantando na companhia da Judith Sephuma e Moreira Chonguiça, a tão conhecida composição Jive Soweto. A participação, em jeito de surpresa, de Sipho Mabuse era uma homenagem pela ocasião da celebração dos cinquenta anos de carreira do músico.
No dia 29 de Outubro, no Porto de Maputo, baixa da cidade, estavam agendadas as actuações de todos os músicos acima mencionados, menos Sipho Mabuse. Constavam ainda as lendas vivas da música moçambicana inseridas no álbum Khanimambo – Homenagem a lendas da música moçambicana. São eles Xiduminguana, Zena Bacar, Hortêncio Langa, Wazimbo, Elvira Viegas, Ali Faque.
A anteceder os concertos dos dois dias foram realizadas duas sessões de Master Class na última quinta-feira. Uma teve lugar no Complexo Pedagógico da Universidade Eduardo Mondlane (UEM), orientada por Omar Sosa, Sipho Mabuse e Judith Sephuma. Outra sessão foi realizada na Escola de Comunicação e Artes  (UEM), orientada pelos músicos Sasanna Stivali e Ildo Nandja.
Texto de Frederico Jamisse
frederico.jamisse@snoticicas.co.mz

VISITA DE ESTADO DE PAUL KAGAME: Grande foco na cooperação económica

Moçambique e Ruanda buscam alicerces para uma cooperação económica com maior amplitude, melhor sustentada e mais estruturada. Maputo e Kigali rubricaram na capital moçambicana um acordo de consultas políticas e constituíram “taskforce” que cimentará maior intercâmbio nos sectores de agricultura, turismo e energia.
Kigali e Maputo rubricaram
um acordo de
consultas políticas
pelos ministros Oldemiro
Baloi e Louise
Mushikiwabu após conversações
formais entre o Governo
moçambicano e o ruandês, realizadas
na passada segunda-
-feira.
De acordo com o Presidente
da República, Filipe Nyusi, a
primeira sessão da Comissão
Mista constituída terá lugar
durante o primeiro trimestre
do próximo ano conforme
acordo dos dois governos.
O estadista moçambicano
disse que a visita do estadista
ruandês a Moçambique ocorre
num momento de grandes
desafios que se colocam devido
à conjuntura internacional
caracterizada pela crise económica.
Frisou, contudo, que há
que conjugar esforços entre
os dois países em torno de
uma cooperação que visa a transformação da crise em
oportunidade de desenvolvimento.
Moçambique e Ruanda
vêm mantendo relações de
amizade e cooperação que
datam da assinatura, pelos
dois governos, do Acordo Geral
de Cooperação, em Julho
de 1990.
“No quadro do mesmo,
temos privilegiado as consultas,
troca de posições
e concertação política em
torno de matérias de interesse
comum”, sublinhou
Filipe Nyusi.
“Acrescentou que se na
cooperação política e diplomática,
os dois países têm
dado passos assinaláveis,
o mesmo não se pode dizer
em relação à cooperação
económica que, devido a
factores conjunturais, não
teve os avanços desejados”.
Ressalvou que a visita de Paul Kagame constitui uma
oportunidade ímpar para fazer
uma viragem nas relações
de amizade e cooperação entre
Moçambique e Ruanda,
com realce para as relações
económicas e comerciais.
Desta forma, a visita do
estadista ruandês foi vista
pelo Executivo moçambicano
como um momento privilegiado
para se incentivar a cooperação
e intercâmbios em
sectores como a Agricultura,
Turismo, Administração Espaís tatal e Desenvolvimento de
Capital Humano.
O Presidente moçambicano
garantiu que orientou
os titulares destes sectores
a identificarem programas e
projectos concretos, cabendo
aos Governos moçambicano
e ruandês a criação de condições
e do ambiente favoráveis
para uma cooperação frutuosa.
“Os acordos que assinámos
no decurso desta visita
são uma indicação clara
da nossa determinação de
fazer das nossas excelentes
relações de amizade
um trampolim para uma
cooperação económica mutuamente
benéfica”, frisou
Filipe Nyusi.
PRINCIPAIS
PRIORIDADES
O Executivo moçambicano
deu garantias de empenho na
reestruturação de empresas
públicas para torná-las mais
produtivas.
Igualmente exibiu sinais
de compromisso arrojado na
promoção de investimento
nacional e estrangeiro, com
vista a transformar e acrescentar
valor aos recursos
naturais, como forma de
criar mais empregos e obter
mais rendimentos.
Para o efeito, elegeu quatro
áreas nas quais concentra
os esforços de desenvolvimento,
nomeadamente, a
Agricultura, Infra-estruturas,
Energia e Turismo, para
tirar maior proveito das vantagens
comparativas e competitivas
de Moçambique.
O Chefe de Estado moçambicano
informou a Paul
Kagame que Moçambique tem
vindo a trabalhar para a normalização
das suas relações
e devolução de confiança aos
seus parceiros de cooperação,
com realce para o FMI e o
Banco Mundial, e nos últimos
meses tem conhecido uma
evolução positiva.
A questão
de refugiados ruandeses
O Chefe de Estado moçambicano
garantiu ao seu homólogo ruandês que
Moçambique não permitirá que o seu
território seja usado para desestabilizar
outros países.
Nyusi deu esta garantia nas conversações
formais havidas segunda-feira
entre as delegações de Maputo e Kigali
que passaram em revista a cooperação
entre Moçambique e Ruanda.
Numa conferência de Imprensa conjunta
com a sua homóloga ruandesa,
Loiuise Mushikiwabu, Oldemiro Baloi,
chefe da diplomacia moçambicana, revelou
que vivem em território moçambicano
três mil ruandeses, alguns na condição
de refugiados ou de requerentes
de asilo.
O Governo de Kigali acredita que
uma pequena parte deste grupo tenha
promovido o genocídio de 1994 que
vitimou 800 mil pessoas no seu território.
Oldemiro Baloi não descartou a possibilidade
de se avaliar a situação de
alguns destes refugiados no sentido de,
justificando-se, avançar-se para acordos
de extradição.
Acredita-se que uma das principais
razões da vinda de Paul Kagame a Maputo
assenta na busca de um acordo de
extradição.
Pronunciando-se sobre esta matéria,
o Presidente da República, Filipe
Jacinto Nyusi, disse que o Executivo
moçambicano irá encorajar os cidadãos
ruandeses a regressarem voluntariamente
à sua pátria, respeitando o direito
internacional.
Do genocídio ao
desenvolvimento sustentável
O Ruanda passou por situações muito
adversas, destacando-se o conflito
que levou a um dos genocídios mais
repugnantes e ignóbeis da história contemporânea
da humanidade.
Oitocentas mil pessoas foram massacradas
durante um conflito que opôs
as etnias hutu e tutsi, em 1994.
Durante os últimos vinte anos, o país
tem alcançado elevado nível de desenvolvimento
económico, de forma sustentada
e ininterrupta, destacando-se
como exemplo a seguir.
Apresenta-se como um país dinâmico,
centro de resultados de desenvolvimento
económico, com índices de
crescimento económico sem igual na
sub-região.
Este crescimento tem contribuído
para uma melhoria significativa do índice
de desenvolvimento humano, graças
às políticas bem-sucedidas de valorização
e estímulo ao desenvolvimento do
capital humano.
O Presidente ruandês, Paul Kagame,
disse que o grande impulso de desenvolvimento
do Ruanda reside na força
do mercado livre e no empreendedorismo.
Ressalvou que, após o genocídio de
1994 no Ruanda, havia a percepção de
risco e não havia lucros imediatos nas
empresas.
“Fruto das nossas políticas de inclusão
económica, agora as empresas
têm sido lucrativas”, apontou.
Disse que o seu Executivo mobilizou
todos os ruandeses para a edificação
de uma nova sociedade, diferente
daquela que se confrontou com o genocídio.
“Tivemos de trazer de volta três
milhões de ruandeses que se tinham
exilado. Fizemos justiça e promovemos
uma verdadeira reconciliação
entre os ruandeses”, acrescentou.
Ressalvou que dois milhões de casos
foram julgados em menos de uma década,
vivendo o Ruanda como Nação mais
harmoniosa, ciente de que a unidade é
sempre um desafio permanente.
Salientou que o genocídio trouxe
como legado a busca de soluções através
do diálogo, o que passa por unir as
pessoas, investindo no tempo necessário
para a promoção de novas mudanças.
Texto de Bento Venâncio
bento.venancio@snoticicas.co.mz

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