segunda-feira, 10 de outubro de 2016

Negociação maliciosamente “ enquadrada” condenada ao fracasso


Canal de Opinião por Noé Nhantumbo
Teorias de conspiração dirão que é tentativa de “regime change”.
Mas quem se endividou para enriquecer só pode queixar-se de si próprio.
Quem até se preparou para uma guerra, rearmando-se secretamente e redinamizando alianças entre os antigos movimentos de libertação da região, acabou mostrando para todo o mundo que não está preparado para a alternância democrática do poder.
Quem manipulou e se envolveu em esquemas para enriquecer rapidamente, não tem legitimidade de afirmar ou defender que se endividou pela causa pública, pois, pelo que tem sido noticiado, comprova-se que houve conluio para lesar as finanças públicas em benefício individual.
Aquele que veio a público dizer que “FJN sem a Frelimo não era nada” também ofereceu defesa de uma dívida contraída para pescar alegadamente atum e defender a nossa costa e zona marítima.
Convém trazer essas pessoas à baila, porque foram “pronunciamentos” elaborados e distribuídos estrategicamente na comunicação social e nas redes sociais que contri contribuíram para que os moçambicanos fossem influenciados e aceitassem ilicitudes como “brilharetes e golpes de sabedoria ou inteligência”.
Numa “impiedosa e furiosa” corrente de factos desfavoráveis publicitados com alguma periodicidade, está ficando escancarado um castelo que antes se supunha “inexpugnável”.
Vivem-se sucessivas “vergonhas nacionais”, públicas e privadas com muito apimentamento pelo meio.
Alguns “delfins” deixaram a praça pública sem deixar sinal de que algum dia existiram. Embevecidos e espumando uma importância que lhes havia sido outorgada e distribuída de maneira estratégica entre os que haviam sido eleitos para acautelar negócios e agendas.
Novos actores surgem procurando oferecer os seus préstimos aos detentores do poder sem olhar a meios e mesmo renegando sapiência acumulada ou, pelo menos, tacitamente atribuída aos que ostentam diplomas e outros títulos universitários.
É uma corrida desenfreada em busca do que chamam “sucesso” e “realização”.
Não importa como, mas a agenda traçada é aparecer na praça conduzindo um “Audi” da mesma forma como os “empresários de sucesso”, aplaudidos e idolatrados.
Num volte-face inesperado, mas anunciado ao longo dos anos, devido à insustentabilidade das opções escolhidas, hoje vemos anúncios de intervenção de bancos privados pelo BM, venda de activos e acções, incapacidade de pagar salários e empresas duvidosas, que jamais funcionaram como se “cantava”.
Com os doadores e parceiros internacionais tendo decidido pelo corte de apoios directos ao Orçamento Geral do Estado, ficou desfeita aquela estatística que dizia que estávamos dependendo cada vez menos de doações externas e apoios directos ao OGE.
Terá sido magistral o que Manuel Chang, ex-ministro de Finanças afirmou: seu único pecado era a EMATUM.
A bancada maioritária na AR negou-se a abrir um inquérito sobre vários “casos quentes” que tinham o potencial de produzir um “impeachement”.
Dilma Roussef por muito menos foi destituída no Brasil.
Numa sequência programada e imposta minuciosamente, com base em altas doses de disciplina partidária e aversão a mudanças, um castelo de opulência e luxo foi sendo construído pelos que tinham possibilidade de “debicar no bolo”.
Não se pode falar de teoria de conspiração nem de “regime change” em Moçambique. Foi e tem sido uma arreigada posição de limitar o acesso, acumular e açambarcar todo um país, que nos conduziu lentamente para a presente situação.
Bancos e banqueiros surgiram como cogumelos, alguns alegadamente alimentados por investimentos obscuros do INSS.
Quem se posicionava como PCA deste ou daquele banco, assumia o cargo à custa de apadrinhamentos políticos. Ou eram os bancos privados internacionais que escolhiam um ex-ministro local para assegurar facilidades presentes e futuras. Uma promiscuidade gigantesca, de todo imoral e contra toda a ética. E claro que ninguém foi punido e nem penalizado.
Como é do conhecimento comum, em Moçambique existe uma cultura predominante em que ninguém se demite ou coloca o cargo à disposição, mesmo quando se reúne para que tal aconteça.
Grassa uma mediocridade e esvaziamento quase completo de ética e moral em todos os segmentos da sociedade, alimentados ou oxigenados pela impunidade judicial cultivada e imposta pelos detentores do poder. Claro que isso é um exercício de proteccionismo que se espalha por todos os níveis.
Os buracos que se descobrem nos dias de hoje começaram a ser cavados por toupeiras de diferentes tamanhos faz tempo.
A exaltação nauseabunda a despropósito de Samora Machel não vai pagar contas nem recuperar os fundos dilapidados. Nauseabunda, porque oportunista e tendenciosa.
Samora Machel foi um cidadão com virtudes e erros como todos os outros moçambicanos.
A falange que hoje o utiliza parece ser a mesma que está mergulhada até ao pescoço em práticas ilícitas no quadro de uma estratégia por ela traçada de “Empoderamento” e Empoleiramento Económico Ilícito.
Falam e procuram intoxicar todo um povo sobre algumas coisas que fazem, como se fossem santinhos bem intencionados. Dizem que são a força motriz do desenvolvimento do país. Dizem que os outros são as populações, e que são as lideranças.
Ainda teimam em falar mecanicamente de contradições e ladainhas semelhantes ao que nos era dado a ouvir entre 1975 e 1986.
Urge alterar procedimentos e posturas enquanto cidadãos.
Não é a proclamação de mudanças de códigos de conduta de membros de determinado partido que vão trazer mudanças e mais democracia política e económica.
Pairam no ar sombras que teimam em degradar o ambiente político nacional.
Será que o CC da Frelimo vai alterar aquela cláusula dos seus estatutos que diz que o PR, quando for membro da Frelimo, deve obediência a este partido e não à Constituição da República de Moçambique?
Será que existe interesse genuíno em alcançar uma paz que signifique justiça, ou estamos meramente assistindo a exercícios dilatórios?
Mais uma reunião do CC da Frelimo dará carta-branca ao Governo para prosseguir com seriedade nas discussões em sede de Comissão Mista?
Realismo e consequência dos políticos estão tardando.
Chegou a hora de exigir e repetir a exigência de que governar é servir e não servir-se.
Com uma cúpula de endeusados que falam do povo como se fosse algo abstracto, de que não fazem parte, continuará difícil estabelecer a tão propalada PAZ.
A propósito, porquê anda desaparecido o senhor líder religioso “Olá PAZ“? (Noé Nhantumbo)
CANALMOZ – 10.10.2016

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