domingo, 23 de outubro de 2016

Laulane mostra a Bethânia que tem talentos

ENSINO SECUNDÁRIO: 

Muitos perguntam se ainda existem bons alunos. Bem, domingo pensa que encontrou a resposta a essa questão. E arrisca-se a dizer…sim, existem. A prova foi encontrada na Escola Secundária de Laulane, na cidade de Maputo, onde um grupo de alunos apresentou, de forma esplêndida, um conjunto de poemas, músicas e danças tradicionais em homenagem à cantora brasileira Maria Bethânia.
A cerimónia teve lugar
na segunda-feira (dia
10) durante a visita de
Bethânia àquela escola.
Duas meninas estudantes,
nomeadamente Alda Cavel e
Albertina Zandamenla, fazendo o
papel de mestres de cerimónia,
subiram ao palco para anunciar
a presença da brasileira e dar início
à homenagem.
Falando tranquilamente,
chamaram ao palco o escritor
moçambicano Calane da Silva e
a actriz Cândida Bila, para recitarem
o poema intitulado "Hoyo-
-Hoyo". Era uma forma de dar as
boas-vindas a Maria Bethânia.
De seguida, as mestres de
cerimónia convidaram alguns
colegas seus para declamarem mais poemas. Eram textos de
Maria Bethânia, Sónia Sultuane e
José Craveirinha. Recitaram-nos
de forma agradável. Saía-lhes
tudo da alma. Foi um verdadeiro
"show".
Adiante, subiram ao palco
mais talentos. Tocavam e cantavam,
para além de brindar os presentes
com algumas danças tradicionais.
Os outros alunos, aqueles
que estavam do lado do público,
ah… aplaudiam fortemente e assobiaram
"maningue". Animou.
Os estudantes de "Laulene"
não deixaram a desejar. Os presentes?!...
ovacionaram, bastante.
Nem Bethânia resistiu. Aliás,
impossível era ignorar as electrizantes
apresentações. Os meninos,
cujas idades variam entre 15
e 17 anos de idade, mostraram a
todos que já bebem das artes e
da sua importância na escola.
Por ali, a arte, em particular a
literatura, tem um lugar de destaque.
Não é considerada uma
parte difícil do processo do ensino.
Também não é tratada de forma
superficial. É vista de forma
lúdica e catártica, daí o interesse
dos alunos. E o brilho nas suas
apresentações.
Num outro momento, foi
convidado ao palco o renomado
músico moçambicano Roberto
Chitsondzo que brindou os presentes
com dois temas. O primeiro
foi “Dondza”, o qual cantou
com alunos. Foi mágico. Logo depois
interpretou o “hino” Vana Va
Ndota", do penúltimo álbum dos
Ghorwane. Também encantou.
A nossa Reportagem conversou
com Alda Cavel, de 17
anos, aluna da 12.ª classe. Disse
que foi emocionante fazer parte
daquela homenagem. “Correu
tudo bem graças ao apoio dos
professores, Calane da Silva e
de Cândida Bila. Ensaiamos na
presença deles durante três
semanas”.
Acrescentou ainda que “fiquei
feliz por a nossa escola
ter sido eleita para receber
uma figura de tamanha dimensão.
Representamos Moçambique,
África e até o mundo.
Isso é honroso. Para além de
mostrar que estamos a evoluir”.
Albertina Zandamela, 17
anos, também frequenta a 12.ª
classe. Descreveu aquela experiência
como tendo sido boa,
honrosa e única. Agradeceu
igualmente a confiança a si e aos colegas atribuída para representar
não só a sua escola como
também o ensino secundário
no geral. “Sinto que conseguimos
retribuir a confiança que
depositaram em nós. Os períodos
de ensaios nem sempre
foram fáceis mas no fim foi
maravilhoso”, afirmou.
Já Lurdes Samuel, 16 anos,
estudante da 11.ª Classe, conta
que foi uma nova experiência,
muito boa, recitar e cantar para
todos os presentes apesar do
friozinho na barriga. "Tínhamos
o foco de brilhar e representar
bem, conseguimos. Valeu
a pena a severidade de Calane
e Cândida. Isso ajudou-nos
bastante. E, claro, também
agradecemos os professores
daqui que nos têm ensinado
que a literatura.
Homenagem marcante
 Maria Bethânia, artista brasileira
Falando em exclusivo ao domingo, após o
término da cerimónia, Maria Bethânia revelou
que foi uma honra receber uma homenagem
daquela dimensão e feita por alunos.
"Além de admirar profundamente o trabalho
apresentado, o privilégio é ser convidada
para ser homenageada por estes alunos
e professores. Estou muito feliz. É uma
atitude marcante", disse.
Acrescentou ainda que "estou mais feliz
por ter visitado esta escola devido à
natureza do meu programa televisivo, estreado
há uns meses no Brasil, intitulado
“Poesia e Prosa com Bethânia”, no qual
recebo convidados do universo académico
e musical para resgatar a arte de
declamar poesia. Então, ver estes alunos
que se iniciam na literatura brilharem…
foi fantástico".
Pela primeira vez em Moçambique, Bethânia
recomendou ainda que se continue a fazer
da escola um jardim e cada aluno uma flor,
para que assim esta instituição cresça e crie
grandes pensadores.
Refira-se que Maria Bethânia foi convidada
para participar num documentário no qual
vai contar a sua relação com os escritores
da língua portuguesa. A produção do mesmo
conta com a direcção de Mónica Monteiro,
directora executiva da Cine Group, uma empresa
brasileira.
Nascida em Santo Amaro, Bahia, Maria
Bethânia Viana Teles Veloso, também conhecida
como Abelha Rainha, 70 anos, já foi eleita
a 5.ª maior voz da música brasileira pela
revista Rolling Stone Brasil.
Maria de Lurdes Cossa

COOPERAÇÃO ECONÓMICA: China reforça capacidade produtiva de Moçambique

A República Popular da China vai financiar, durante o triénio 2017-2019, vários projectos agrícolas em Moçambique visando aumentar os níveis de produção e produtividade, reduzindo, por conseguinte, os actuais números de importação de produtos alimentares no país.
O compromisso foi
anunciado pelas autoridades
dos dois
países no decurso da
5.ª Conferência Ministerial
do Fórum para a Cooperação
entre a China e os países de
Língua Portuguesa, decorrido
semana finda em Macau, que
reuniu China, Moçambique, Angola,
Brasil, Cabo Verde, Guiné-
-Bissau, Timor-Leste e Portugal.
São Tomé e Príncipe não
integra o Fórum de Macau, por
manter relações diplomáticas
com Taiwan em detrimento de
Pequim.
No total, são 300 milhõesde dólares americanos que serão
investidos pela China para
desenvolver a agricultura nos
países integrantes do Fórum de
Macau até 2019, e Moçambique
está bem colocado para absorver
parte desse investimento.
O Primeiro-ministro, Carlos
Agostinho do Rosário, chefiou
a delegação moçambicana ao
Fórum de Macau e no final manifestou
optimismo tendo em
conta os acordos estabelecidos.
Segundo afirmou, Moçambique
encontrou respostas positivas
para um problema vital: produção
de comida.
O entendimento alcançado
prevê a intervenção do gigante
asiático em toda a cadeia de
produção e comercialização de
alimentos. Técnicos chineses
serão enviados a Moçambique
para transmitir conhecimento e
tecnologia na produção.
Para acrescentar valor aos
produtos, será financiada a
instalação de indústrias de
agro-processamento dos diferentes
produtos e também a
construção de infra-estruturas
que permitam o escoamento e
comercialização da produção.
Igualmente projecta-se a construção
de infra-estruturas de
produção e transporte de energia
eléctrica.
Tal como referiu Carlos
Agostinho do Rosário, Moçambique
vai imediatamente alinhavar
os projectos prioritários e
submetê-los ao Governo da China
para já a partir do próximo
ano começar a sua execução.
– A China está pronta a
aumentar o caudal de investimentos
no nosso país nesse
esforço de crescer a nossa
base e capacidade produtiva.
Um dos motivos do aumento
de custo de vida que se regista
é efectivamente o facto
de estarmos a produzir e a
exportar abaixo do que importamos,
então precisamos
desta ajuda para aumentar a
nossa capacidade de produção
e exportação.
O governante explicou que
a participação de Moçambique
no Fórum de Macau inseriu-se
também na operacionalização
dos entendimentos alcançados
em Maio deste ano entre
os presidentes dos dois países
aquando da visita de Filipe Nyusi
à China.
Aliás, em Macau, o Primeiro-
-ministro de Moçambique manteve
um encontro “franco e
aberto” com o seu homólogo
chinês, Li Keqiang, no qual o
anfitrião “vincou essa vontade
da China de ajudar Moçambique
no aumento da sua base e
capacidade produtiva”.
– Comprometemo-nos a
entregar uma lista de projectos
concretos até final deste
mês e já estamos a trabalhar
nisso e, certamente, estaremos
em condições de enviá-
-la à parte chinesa. A China
anunciou um fundo para o
apoio dos países do Fórum
de Macau em cerca de 300
milhões de dólares e vamos
nos esforçar para Moçambique
ter uma parte desse valor
para aumentarmos a nossa
capacidade produtiva.
Realçar ainda o anúncio pela
China do perdão das dívidas já
vencidas dos países do Fórum
de Macau provenientes de empréstimos
sem juros e ainda o
apoio a programas de prevenção
e combate à malária, pesquisa
da medicina tradicional,
saúde materna e infantil, mudanças
climáticas e formação
superior em vários ramos.
O Governo de Moçambique
vai desenhar programas destes
sectores e no caso específico do
perdão da dívida, segundo referiu
o Primeiro-ministro, “vamos
trabalhar no sentido de também
beneficiarmos desta boa
iniciativa. Continuaremos a
precisar de ajuda no domínio
da dívida”.
Entretanto, durante a sua
estada em Macau, Carlos Agostinho
do Rosário lançou oficialmente
o portal do Consulado
Geral de Moçambique em Macau,
no qual se pode encontrar
toda informação dos serviços
prestados pelo consulado e outras
relativas ao país.
O mesmo será actualizado
regularmente com apoio doutras
instituições e terá "link"
com o portal do Governo e outros
das instituições do Estado.
Francisco Manhiça, ministro
conselheiro, indicou que o
dispositivo vai apoiar muitos empresários chineses que regularmente
solicitam informação
sobre Moçambique bem como
requisitos para entrar no território
nacional. Referir que só
da Região Administrativa Especial
de Macau o consulado moçambicano
recebe por mês em
média 200 pedidos de vistos de
viagem ao país.
Garantidos oitenta autocarros
Um total de 80 autocarros
chega a Moçambique ainda este
ano para reforçar a capacidade de
transporte público de passageiros
em diferentes cidades. O acordo
para o efeito foi selado semana
finda em Macau pelo ministro dos
Transportes e Comunicações de
Moçambique, Carlos Mesquita, e
o ministro do Comércio da China,
Gao Hucheng.
Trata-se dum donativo da
China inserido nas relações de
amizade e cooperação com Moçambique.
Os autocarros serão
distribuídos pelas onze cidades
capitais provinciais e outras ainda
por definir.
Segundo referiu Carlos Mesquita,
os autocarr
os deverão
chegar a Moçambique ainda este
ano e esta acção enquadra-se
no Plano Económico e Social de
2016, o qual prevê a melhoria do
transporte público de passageiros.
Carlos Mesquita rubricou um
outro protocolo em nome do Governo
de Moçambique referente à
cooperação com a China na área
de aviação civil. O instrumento
prevê a formação e capacitação
de técnicos moçambicanos neste
sector.
– Neste entendimento vamos
nos beneficiar de assistência
técnica, formação de pessoal
aeronáutico a nível de tripulação,
manutenção e controlo
do tráfego e até a possibilidade
de no futuro as Linhas Aéreas
da China poderem voar para
Moçambique à semelhança do
que já acontece com a Qatar
Airways e outras companhias.
Empresários buscam parcerias
Catorze empresários dos ramos da
agricultura, turismo e indústria integraram
a delegação moçambicana ao Fórum de
Macau, no qual estabeleceram contactos
visando um trabalho conjunto com os seus
pares doutros países, sobretudo da China.
Trata-se na sua maioria de pequenas
e médias empresas, que participaram na
conferência dos empresários e dos quadros
da área financeira, que se realizou à
margem da conferência ministerial.
O PCA do Instituto de Exportações de
Moçambique (IPEX), João Macarringue,
disse no final que todos os empresários
moçambicanos tiveram a intenção de negócios
com várias empresas e há já planos
de acção definidos por cada uma delas. Segundo
referiu, os empresários da China manifestaram
o desejo de seguir para Maputo
para confirmar as potencialidades e capacidades
apresentadas pelos empresários.
Distinguiu o caso da empresa Viveiros
Caetano, instalada no distrito da Manhiça,
província de Maputo, que procurava
por um parceiro para a produção duma
estufa com o objectivo de ampliar o seu

investimento. “Duas empresas manifestaram-
se e ficaram por ir a Moçambique
para concretizar este objectivo”.
Indicou que o grande desafio que se coloca
é o seguimento, sobretudo no sentido
de acompanhar a interacção entre
as empresas e a troca de informações.
Referiu que as perspectivas são boas
e os chineses querem conhecer a legislação
para implantarem unidades
produtivas em Moçambique.
– Outro grande desafio que se coloca
aos nossos empresários é produzir em
quantidade e com qualidade para se
inserirem noutros mercados. Daí que
a grande aposta nos vários encontros
foi identificar parceiros que possam
trabalhar com eles mais do que lhes
venderem produtos. Isso é importante
para acessarem aos mercados da região.
Macarringue observou que os sectores
da indústria, agro-processamento e
turismo mereceram especial atenção. Na
industrialização abordou-se áreas como
de confecção de vestuário e calçado. No
turismo foram apresentadas as oportunidades
que o país oferece e na agricultura a
nota dominante foi o agro-processamento
porque em Moçambique existe a tradição
de vender produtos em bruto.
“A palavra de ordem do Governo
aponta para a instalação de fábricas de
processamento, que transformem os
produtos no país para aumentar valor e
também para criar postos de trabalho”,
sustentou.
Reforçada cooperação
bilateral com Guiné-Bissau
As relações de amizade e cooperação
entre Moçambique e
Guiné-Bissau saíram de Macau
reforçadas após o encontro entre
os Primeiros-ministros dos dois
países, Carlos Agostinho do Rosário
e Baciro Djá, respectivamente.
Os governantes trocaram
informações e ideias sobre a
situação política actual de ambos
os países. Carlos Agostinho
do Rosário referiu que o
Governo de Moçambique apoia
os esforços para uma estabilidade
duradoira naquela região.
“Compreendemos o processo
de procura de estabilidade na
Guiné-Bissau e nós apoiamos
soluções de diálogo que tragam
estabilidade naquela região”,
observou.
Por sua vez, Baciro Djá considerou
que os dois países têm
uma relação histórica e nesta
perspectiva era necessário
dinamizar as acções de parte
a parte. “Entendemos que é
preciso retomar com Moçambique
os acordos bilaterais e
recriar as comissões mistas
que no passado funcionaram.
Abordámos estas questões e
partilhámos as nossas preocupações
e transmitimos o
nosso apoio ao Presidente da
República nas investidas que
está a fazer para garantir a
paz em Moçambique”.
O governante guineense disse
que manifestou ao seu homólogo
moçambicano a intenção
de visitar Moçambique para
dinamizar as relações entre os
dois países.
Texto de Custódio Mugabe
custodio.mugabe@snoticicas.co.m

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