sexta-feira, 28 de outubro de 2016

“Frelimo matou mais que colonialismo (Repetição) 27 de Junho de 2012

www.canalmoz.co.mz 30 Meticais Maputo, Quarta-Feira, 27 de Junho de 2012 Director: Fernando Veloso | Ano 7- N.º 868 | Nº 154 Semanário publicidade publicidade de Moçambique Moçambique publicidade Dhlakama em grande entrevista “Frelimo matou mais que colonialismo” – acusa Afonso Dhlakama, presidente do Partido Renamo, formado a partir do Movimento de Resistência Nacional ou Resistência Nacional de Moçambique, contrariando os sucessos evocados por Armando Guebuza e seus correligionários 2 Canal de Moçambique | Quarta-Feira, 27 de Junho de 2012 Destaques Aunício da Silva, em Nampula Moçambique assinalou na última segunda-feira o 37º aniversário da proclamação da Independência Nacional que ocorreu a 25 de Junho de 1975. Diversas correntes da sociedade civil, religiosa e política têm estado a tecer comentários distintos alusivos à efeméride. Em entrevista exclusiva ao Canal de Moçambique, Afonso Dhlakama, presidente do Partido Renamo, juntou-se ao cortejo e disparou: “O Partido Frelimo traiu a independência nacional”. Mas leia na íntegra as suas palavras em discurso directo: Canal de Moçambique (Canal): Senhor presidente Dhlakama, o país acaba de assinalar o 37º aniversário da proclamação da independência nacional e, simultaneamente, o Partido Frelimo, seu principal opositor, fala do “Jubileu da Frelimo”. O que tem a dizer em relação à discordância quanto à FRELIMO, Movimento de Liberta- ção Nacional, ser diferente de Partido Frelimo? Afonso Dhlakama (Dhlakama): Esta grande festa tem 3 momentos diferentes. Para mim é uma festa da independência em geral para todos os moçambicanos. A outra ocasião é mais partidária para o Partido Frelimo que são os 35 anos da sua criação. O terceiro momento, que para o Partido Frelimo é o segundo, é dos 50 anos da fundação da FRELIMO, Movimento de Libertação Nacional… A Frelimo está a lançar muitas mentiras. Eles dizem que são 50 anos da fundação do partido Frelimo, mas não, a Frelimo não tem 50 anos entanto que partido político. Agora, o movimento de libertação nacional entanto que FRELIMO, esse, sim, faz 50 anos. A Frelimo deve estar a querer enganar a juventude. Canal: No seu entender, senhor presidente, que diferença se pode estabelecer entre um partido e um movimento? Dhlakama: É claro que um partido é um movimento que politicamente tem seus estatutos e é registado dentro de um Estado. O movimento é um grupo de cidadãos que por uma determinada razão se unem para lutar pela sua libertação. A Frelimo, como movimento, fundiu-se de vários outros movimentos para fazer frente ao colonialismo português. Todos aqueles que se fundiram não sabiam o que a Frelimo ia fazer entanto que partido, pois se soubessem não o teriam feito. Veja que muitos que lutaram junto com a Frelimo pela independência de Moçambique já não estão lá. Quando é movimento é a união de um povo na luta pela sua independência. Conseguido o objectivo quando se põe a questão de como dirigir o povo democraticamente começaram a surgir diferenças, como por exemplo: a FRELIMO do mato, do tempo da luta de libertação nacional e a que temos hoje. Se lá no mato diziam que eram contra o capitalismo, agora não. Até Guebuza é o homem mais rico do país. Na altura era crime porque o objectivo era a independência. Movimento é lutar política e militarmente, como fez a Renamo para destruir o instrumento armado da Frelimo. Canal: Em Junho de 1975 Moçambique viu-se independente do colonialismo português. Nos dias que correm e olhando pelo actual nível de vida, pode-se traduzir que o povo moçambicano está independente e a usufruir da independência? Dhlakama: Não. Mas ninguém pode hoje dizer que a luta contra o colonialismo foi uma má luta. Foi uma luta legítima para libertar Moçambique do poder colonial português. Ninguém pode dizer que foi em vão. Todos participámos da luta armada de libertação nacional, quer de forma directa como de forma indirecta. Só que o Partido Frelimo traiu a independência nacional. A independência não era para se fazer pior do que fez o colonialismo em Moçambique durante os 500 anos da colonização. Lembro-me muito bem que a PIDE-DGS torturou e matou muitos moçambicanos, mas a Frelimo em pouco tempo, depois da independência, matou muitos moçambicanos, mais do que foram mortos durante os 500 anos da colonização sem razão nenhuma. Os portugueses matavam porque matavam indígenas e, eles sabiam que a qualquer momento voltariam a Portugal porque estavam a colonizar e é daí que maltratavam pretos africanos. Os britânicos, os franceses, os alemães também fizeram isso em África. Agora, ninguém viu a razão da Frelimo depois da independência fazer coisas piores. Os da Frelimo por terem ido à Tanzânia ficar dez anos vieram instalar o sistema de aldeias comunais, amedrontando os pais e avós a deixarem os seus usos e costumes, cemitérios e fugirem para as montanhas onde morriam de fome e sede. Inventaram guias de marcha. Num único país uma pessoa para poder circular tinha que ter um ‘passaporte’ e não podia circular sem a autorização de grupos dinamizadores. Inventaram os campos de reeducação para reeducar alegando que os moçambicanos tinham os ‘cérebros sujos’. Oito mil guerrilheiros da Frelimo queriam fazer lavagem cerebral a milhões de moçambicanos. Muitos moçambicanos foram parar no Niassa e Cabo Delgado sem culpa formal, bastava uma pessoa comentar negativamente sobre a Frelimo era motivo para ser morto. Criou-se o tal SNASP que tinha poderes de perseguir, acusar, torturar e sentenciar a morte. Eu vi porque eu estava na Frelimo. A Frelimo aboliu rezas nas igrejas. Eu vi padres a serem presos porque diziam que essa coisa de religião era do colono. Capelas e mesquitas ficaram sedes da Frelimo, e não havia liberdade religiosa. Em caso da morte de um parente a família era proibida de rezar. Todos esses jovens que foram à Tanzânia, Samora Machel, Joaquim Chissano, Marcelino dos Santos, Armando Guebuza, etc., etc. os pais eram pastores, e só porque ficaram dez anos lá voltaram desumanos. O povo foi inteligente porque não recuou. Criou um movimento chamado Renamo para socorrer-se e a Renamo travou tudo isso. Hoje já não há aldeias comunais, campos de reeducação, fuzilamentos, guias de marcha, machambas do povo e já há partidos políticos. Os jovens estão a ser levados para uma história falsa que não é nada. Em termos partidários, como comunista que a Frelimo é pode celebrar todos esses massacres que andaram a fazer contra o povo moçambicano. Até fuzilaram os pais “O povo foi inteligente” “Doa a quem doer, a democracia em Moçambique foi trazida pela Renamo” Se tivesse lutado para ser presidente de Moçambique, já seria (Continuação da página anterior) “Todos participámos da luta armada de libertação nacional”. “A independência não era para se fazer pior do que fez o colonialismo em Moçambique durante os 500 anos da colonização.” “A Frelimo, como movimento, fundiu-se de vários outros movimentos para fazer frente ao colonialismo português. Todos aqueles que se fundiram não sabiam o que a Frelimo ia fazer entanto que partido, pois se soubessem não o teriam feito. Veja que muitos que lutaram junto com a Frelimo pela independência de Moçambique já não estão lá.” “Lembro-me muito bem que a PIDE-DGS torturou e matou muitos moçambicanos, mas a Frelimo em pouco tempo, depois da independência, matou muitos moçambicanos, mais do que foram mortos durante os 500 anos da colonização sem razão nenhuma. Os portugueses matavam porque matavam indígenas e eles sabiam que a qualquer momento voltariam a Portugal porque estavam a colonizar e é daí que maltratavam pretos africanos. Os britânicos, os franceses, os alemães também fizeram isso em África. Agora, ninguém viu a razão da Frelimo depois da independência fazer coisas piores.” Em entrevista exclusiva ao Canal de Moçambique “O Partido Frelimo traiu a independência nacional” (Continua na página seguinte) “A Frelimo deve estar a querer enganar a juventude” Canal de Moçambique | Quarta-Feira, 27 de Junho de 2012 3 Destaques Aboliram o sistema tradicional. Em toda a África há tradição. Amarraram muitos régulos. Chegaram a dizer que os régulos eram uma criação do colonialismo português e esqueceram-se que os pais e avós eram régulos. Até fuzilaram os pais porque não queriam régulos por terem aprendido o comunismo na Tanzânia. Criaram machambas estatais, designadas “machambas do povo” e ninguém podia ter a sua machamba a partir das aldeias comunais. Ninguém podia exigir receber se não era chamado capitalista. Ninguém podia ter a sua galinha. Houve fuzilamentos pela introdução da pena de morte e hoje temos o problema da juventude que sem respeito chamam os pais de camarada. Foi a Frelimo que introduziu dizendo que é emancipação. Pai é sempre pai, mesmo que o filho se doutore. Não estou a elogiar o colonialismo português. Quando a Frelimo canta os 50 anos é triste porque o povo moçambicano quer ouvir verdades e não recordar as humilhações, torturas e abusos. Eu, Afonso Dhlakama, não peguei a arma para lutar para ser presidente de Moçambique porque se eu tivesse lutado para isso já teria sido há muito tempo e não havia necessidade de irmos a Roma porque já tínhamos cercado todo o país. 85% do país estava sob controlo da Renamo e estávamos a cercar Maputo. Mesmo assim fomos suportar brincadeiras em Roma. Assiná- mos o Acordo Geral da Paz para termos o poder através de eleições livres, justas e transparentes que era a razão da nossa luta, só que agora, chega de brincadeiras. A vitória da Renamo tem sido adiada. Como vê nas últimas eleições a Frelimo leva para dizer: vamos ver o que a Renamo vai fazer já que Dhlakama diz não querer a guerra, então não há perigo por isso vamos levar. Mas eles estão enganados porque há várias guerras e não é só a única forma de guerra que a Frelimo tem medo que se possa fazer. Nós estamos a preparar a revolução pela manifestação. Pa Canal: Olhando para a saúde da própria Renamo de que o senhor é presidente, que planos mais concretos e realizáveis existem no seio do partido? Dhlakama: Deixa-me antes dizer que a Renamo não só trouxe a independência mas também a nova realidade do povo moçambicano e é por isso que a Renamo lutou pela democracia. Doa a quem doer, a democracia em Moçambique foi trazida pela Renamo. É a Renamo que a garante, por isso os inimigos da democracia, que são os nossos irmãos da Frelimo, atacam a Renamo. O exemplo disso foi o ramos um bocadinho porque queríamos fazer em Janeiro/ Fevereiro, mas, por razões de logística e negociações com a própria Frelimo, parámos. Canal: Das conversações que já teve com o presidente da Frelimo, Armando Guebuza, que resultados práticos já foram produzidos? Dhlakama: Ainda não tivemos resultados próprios em relação ao que estamos a exigir, mas estamos a negociar e se alguém aceita negociar porque devemos correr para estragar tudo? De facto está a caminhar a passos de camaleão ou então, estão a querer tentar retardar, mas se for o caso vamos dizer que basta e arrancamos ao ataque. Canal: Haverá uma terceira ronda? Dhlakama: Vai haver sempre encontros até que a gente assine. (Canal de Moçambique) ataque à democracia no dia 8 de Março deste ano. A Renamo não respondeu porque senão íamos ferir a democracia que é o poder político que nós temos. Não resta dúvida que alguma coisa deve ser mudada. A situação não se pode manter como está. Aguentamos muito. Este ano é o 20º ano da celebração do Acordo Geral da Paz e, isso é muito, mas até hoje nós os lutadores pela democracia não estamos a sentir nada. Continuamos a ser alvos militarmente. Somos presos, perseguidos e excluídos de tudo, mas não estamos arrependidos por termos assinado o Acordo da Paz, e isto vai ficar na história para todo o mundo ver. 

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