quinta-feira, 6 de outubro de 2016

É Preciso Olhar mais Pelo Nosso Idoso!


Assinantes: Bitone Viage & Ivan Maússe
Comemorou-se no passado 01 de Outubro, o Dia Internacional do Idoso. É, precisamente, no contexto da passagem da efeméride que, de mediado, nos prontificamos a redigir o presente texto para, em conjunto, reflectirmos em volta das condições da pessoa idosa em nosso solo pátrio.
Logo à partida, nota-se, conforme reza a nota de reportagem do Jornal Electrónico *_«Esquento»_*, datado de 19 de Outubro de 2015, que Moçambique é um dos piores países do mundo para as pessoas idosas, que conta com a taxa de cerca de 1 milhão e 300 mil idosos, em que mais de 80%, vivem nas zonas rurais.
E como tem sido de hábito, à passagem da efeméride, várias associações de idosos ao nível do território nacional têm parado para render homenagem à esta camada social, por intermédio de visitas, palestras, oferta de doações em roupas ou alimentos junto dos centros de acolhimento.
*Do Conceito Idoso:
Conforme os dados da ONU, a terceira idade corresponde a fase da vida que começa dos 60 anos nos países em vias de Desenvolvimento e aos 65 anos nos países tidos como desenvolvidos. Do conceito terceira idade subjaz o de _«idoso»_ que, em muitos casos são aplicados como sinónimos.
Entretanto, o legislador moçambicano, em distintos documentos, por razões de oportunidade, contexto e conveniência, preferiu apontar como pessoa idosa toda e qualquer pessoa com idade igual ou superior à 55 anos, no caso do sexo feminino, e à 60 anos no caso do sexo masculino.
*Da Condição do Idoso:
À semelhança da tenra idade, a terceira idade perfaz uma das fazes mais sensíveis da vida de um ser humano. Em ambas as idades, o indivíduo é, muitas vezes, dependente dos cuidados de terceiros que, por ironia do destino, podem ser bons como maus.
De toda a parte do globo, jazem notícias ligadas às sistemáticas violações sobre os direitos da pessoa idosa e, infelizmente, o nosso país entra no somatório. Com uma população idosa que cobre cerca de 6% do total da população, Moçambique representa um mau exemplo de respeito à pessoa idosa.
Mesmo com um arsenal legislativo que protege o idoso, notamos e com bastante pesar, que o nosso idoso continua a ser alvo de discriminação por parte da família, da sociedade e do Estado. Notamos que aqueles que, por lei, estão na contingência de protegê-lo, revelam-se em maiores violadores da causa.
No seio familiar, entre outros os actos de desrespeito à pessoa idosa, com destaque à mulher, alistam-se as acusações de feitiçaria por parte de seus próprios filhos, com a justificativa de serem responsáveis pelo insucesso, pobreza e demais azares de suas vidas, por um lado, e as contínuas agressões físicas, por outro.
Aliás, não tem sido pouco os relatos sobre filhos que marginalizam seus pais, já idosos, apontando-lhes como desajustados mentais, aplicando táticas diversas com o objectivo de minar as relações com aqueles para, no fim, manda-los para os centros de acolhimento e apoderarem-se da sua casa e do património.
Os transportadores semicolectivos simplesmente rejeitam a entrada de idosos nas suas viaturas. Nas instituições públicas e privadas não se respeita a priorização no atendimento do idoso e notamos, igualmente, uma comunicação antipática e algo agressiva por parte dos funcionários respectivos.
A nosso ver, são fracas e escassas as campanhas de sensibilização sobre a necessidade de se respeitar a pessoa idosa. Acreditamos que as escolas, primárias, secundárias e superiores, deviam constituir um ponto de sensibilização sobre a matéria; as televisões e rádios (comunitárias, principalmente), outrossim.
São notáveis as longas filas que os idosos fazem para receber as suas pensões a nível das instâncias legalmente estabelecidas, onde chegam a ser tratados como se de marginais se tratassem, ou ainda, como se estivessem a receber algum favor que escape das atribuições ou missões da respectiva autoridade.
*Considerações finais:
Partido do princípio de que o idoso é um ser humano e como tal, é preciso que se respeitem os seus direitos humanos. O factor terceira idade não pode reduzir a quantidade ou qualidade de pessoas que somos. A terceira idade é uma fase da vida e é preciso garantir os direitos e interesses desse grupo.
A maneira leviana como, no seio das nossas famílias, nos relacionamos com as pessoas idosas contribui, sobremaneira, para que estas abandonem do convívio familiar para viverem nas ruas, aumentando, desta forma, a taxa de mendicidade entre a população idosa no nosso país, submetendo-lhes a vários riscos.
Ao invés de hostilizarmos é preciso aproveitarmos do legado histórico-existencial de que detêm esta camada social para a compreensão, interpretação e resolução dos mais elementares dilemas da vida. Façamos deles verdadeiras bibliotecas de experiência de vida e do saber agir, ser e estar humanos.
Longe de feitiçaria, o que torna as pessoas desventuradas é o modo hostil como se relacionam com aqueles que um dia lhes deram educação, saúde e amparo. É, pois, a falta de assistência alimentar, médica e medicamentosa e por conta de toda a humilhação e exploração que realizam sobre a pessoa idosa.
*Bem-haja Moçambique, nossa pátria de heróis!
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