quinta-feira, 20 de outubro de 2016

Chissano diz que muitos actores principais que podiam esclarecer acidente de Mbuzine morreram



30 anos sem Samora
O antigo Presidente da República, Joaquim Chissano, diz que muitos actores principais que podiam ajudar a esclarecer a morte de Samora Machel estão mortos. O ex-Chefe de Estado diz ainda que o segredo sobre a causa do acidente estava no exército sul-africano e considera que agora é difícil esclarecer o caso.
“É uma missão que considero difícil porque se fosse eu a ser incumbido não saberia como andar. Talvez tínhamos que nos reunir de novo com os camaradas da África do Sul e saber como é? Sabemos que eles não herdaram o Apartheid. Não é agora que iríamos a África do Sul dizer aos sul-africanos que agora vocês têm essa responsabilidade. Eles também estão interessados em descobrir como tantos outros crimes que foram cometidos na África do Sul”, disse.   

Chissano falava hoje após o fim da cerimónia oficial dos 30 anos da morte do primeiro Presidente de Moçambique, realizada na Praça dos Heróis, na cidade de Maputo. O antigo Presidente da República afirmou ainda que esclarecer agora as causas do acidente que matou Samora Machel é uma missão difícil.

O antigo governante explica também que Nelson Mandela estava interessado em esclarecer o acidente que vitimou Samora, em 1986, mas as figuras-chave do processo não aceitaram falar nas investigações e agora já não é possível porque estão mortas.

O antigo Presidente da República fala ainda do secretismo que havia no exército sul-africano, na época do Apartheid, que não ajudou na investigação.

Para não repetir o que tem sido dito no dia da morte do primeiro Presidente de Moçambique, Joaquim Chissano optou por lembrar que apesar de ser considerado obreiro da paz, pelos acordos de 1992, Samora foi a primeira pessoa que estendeu a mão a Renamo para haver reconciliação e paz no país.

Quanto ao esclarecimento da morte de todas as pessoas que estavam no voo, incluindo Samora Machel, Joaquim Chissano diz que é preciso ter esperança, porque esta é a última a morrer.
nício Política Política Óscar Monteiro diz que há dirigentes que preferem pessoas menos capacitadas

Óscar Monteiro diz que há dirigentes que preferem pessoas menos capacitadas

30 anos sem Samora
Óscar Monteiro diz haver dirigentes que tendem a escolher pessoas menos capacitadas, para não ameaçarem e ofuscar o seu poder. O antigo combatente falava, ontem, durante uma palestra sobre a vida e obra de Samora Machel.
Para o decano da Frelimo, enquanto Samora procurava estar rodeado dos melhores, alguns dirigentes actuais procuram os mais fracos. “Samoa Machel sabia rodear-se dos melhores. Eu questiono-vos: será que nós nos deixamos rodear pelos melhores ou chamamos aqueles que não nos fazem sombra?”, questionou, para depois avançar que “há pessoas que acham que não devem ter por perto quadros com mais capacidade do que eles, porque isso vai expor as suas fraquezas”. 
Monteiro considera ser uma nova doença o facto de alguns dirigentes se aproveitarem da sua posição no Estado para alimentar negócios particulares. “Os bens do Estado devem ser defendidos, porque são de todos nós. Há pessoas que têm jeito para ser ricas, tudo bem, mas que façam os negócios lá fora. Entretanto, usar a sua posição no Estado para fazer negócios ao seu favor é condenável. Está a ser uma doença que não permite que o Estado se endireite e já não é uma doença escondida, está na cara de todos nós, porque o indivíduo que faz esse tipo de coisas tem necessidade de se exibir”, referiu.

Conflitos de interesse no estado
Monteiro criticou, ainda, a ganância e apetência pelo bem comum, tendo exemplificado que Samora se distanciava dos dinheiros do Estado, porque estava comprometido com o bem-estar do povo. “No tempo de Samora, ninguém tomava os bens do Estado. Há quem uma vez, no processo de mudança de residência, levou alguns bens. Samora fez uma reunião e disse que os bens do Estado não devem ser privatizados. Os bens do Estado devem ser protegidos, porque são de todos. Nós tínhamos um pequeno fundo que usávamos, caso tivéssemos uma necessidade. O livro de cheques ficava comigo, eu preenchia e entregava ao presidente Samora para assinar, em nenhum momento ele quis estar envolvido nas questões ligadas ao dinheiro. Nas suas intervenções dizia, se me virem rico, perguntem-me de onde vem o dinheiro. E agora, como acontece?”, questionou à plateia.
Óscar Monteiro, que fez parte do governo de transição, destacou ainda as qualidades humanas de Samora Machel e a sua capacidade de estabelecer consensos no seio dos “camaradas”.

“Há um camarada que disse que integração de mulheres acabaria com a Frelimo”
Ainda sobre as capacidades de Samora em lidar com as adversidades, Óscar Monteiro lembrou que encontrou um documento que lhe fez recuar ao passado. Disse que foi difícil para alguns membros da Frelimo integrar mulheres na luta. “Encontrei uma acta em que se questionava aos camaradas sobre o seu posicionamento em relação à integração da mulher nos combates e no documento encontrei um trecho em que um amigo defendia que ‘camaradas, façam como quiserem, mas eu dou uma certeza. No dia em que as mulheres entrarem a combater, acabou a Frelimo’, isso para mostrar que havia muitos tabus sobre essa matéria”, terminou.   

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