sábado, 1 de outubro de 2016

Cessar-fogo em Moçambique levaria a arrastar negociações até às eleições, Renamo


30 de Setembro de 2016, 17:47
A líder parlamentar da Renamo defendeu hoje que um eventual cessar-fogo em Moçambique com o partido no governo permitiria à Frelimo arrastar as negociações até às próximas eleições, em 2019, "para continuar a governar sem legitimidade".
Em resposta escrita a perguntas da agência Lusa, a propósito de uma visita a Lisboa, Ivone Soares disse ser esse o motivo por que é tão importante "o papel da mediação internacional no sentido de puxar as partes para construírem rapidamente os consensos necessários".
Moçambique vive uma crise político-militar desde as eleições gerais de 2014, em que a Renamo, principal partido da oposição, se recusou a reconhecer a vitória da Frelimo, partido no poder há mais de 40 anos, exigindo governar nas seis províncias onde diz ter ganho.
Em curso desde o início de Agosto, a mediação internacional para o conflito em Moçambique prevê a cessação imediata dos confrontos, mas as delegações do Governo moçambicano e da Renamo têm divergido sobre um acordo de cessar-fogo, com o partido da oposição a condicionar uma trégua temporária ao afastamento das Forças de Defesa e Segurança da serra da Gorongosa, no centro do país, onde presumivelmente se encontra o presidente do seu partido.
A região centro de Moçambique tem sido palco de confrontos entre o braço armado do principal partido de oposição e as Forças de Defesa e Segurança e denúncias mútuas de raptos e assassínios de dirigentes políticos das duas partes.
A polícia e o governo acusam ainda a Renamo de ataques a civis, mas Ivone Soares reiterou: "A Renamo não ataca alvos civis. A Renamo apenas se defende dos ataques das Forças de Defesa e Segurança (FDS), que operam sob comando do regime da Frelimo".
Segundo a dirigente, a situação militar actual "pode ser descrita como de ataques pelas FDS e de autodefesa pela segurança da Renamo".
Ivone Soares diz que só nas extremidades da serra da Gorongosa, a Frelimo colocou mais de vinte posições, que se juntam a outras 25 posições das Forças Armadas, que saíram de Maputo para reforço do cerco.
"Diariamente, cada posição lança bombas de morteiro, ou canhão chamado B11, ou morteiro 81. Às vezes até ganham coragem e tentam subir à serra, mas, minutos depois, descem a correr. Essa é a rotina deles", descreveu.
Lamentou que por vezes haja civis entre as vítimas dos combates, mas disse ser inevitável que isso aconteça "porque o território é povoado".
Por seu lado, acusou as FDS de se fazerem transportar em transportes públicos, misturados com civis.
"Um exército normal não pode usar civis como seu escudo fazendo com que estes sejam atingidos. Isso é absolutamente o lamentável é condenável", afirmou.
Sobre as negociações, Ivone Soares considerou-as "o balão de oxigénio que os moçambicanos têm neste momento".
"Há esperança que delas saia um entendimento duradouro e que contribua para a reconciliação entre irmãos moçambicanos", afirmou a líder do grupo parlamentar da Renamo, sem no entanto adiantar pormenores sobre avanços na discussão, alegando que poderia ser prejudicial face aos termos de referência acordados entre as partes e que envolvem princípios de confidencialidade
"O que já é público é que sobre a governação pela Renamo das seis províncias onde tem sempre ganho as eleições já há desenvolvimento. A subcomissão mista está a discutir esta matéria e a Delegação do Governo da Frelimo solicitou tempo para reflectir sobre esta matéria", afirmou Ivone Soares, dando ainda conta de outra discussão dos pontos de agenda, sobre “o reenquadramento dos militares da Renamo nas FDS para garantir o seu funcionamento em obediência à Constituição e não a comandos de quem governa o país”.
SAPO

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