segunda-feira, 17 de outubro de 2016

Baleamento de Jeremias Pondeca e Omar Faruk Ayoob Mesmo modus operandu

Cinco dias separaram o baleamento de que Jeremias Pondeca Munguambe e Omar Faruk Ayoob foram vítimas na cidade de Maputo.

Ambos foram alvejados por tiros de uma arma de guerra do tipo AK-47, Pondeca na praia e Ayoob numa das artérias da Sommerschield. Os atacantes eram em número de quatro num e noutro caso, sempre fazendo-se transportar em viatura ligeira, atravez da qual pisaram no acelerador após a consumação dos crimes.

Os dois alvejados a tiro num crime violento, mas de motivações diferentes.

O político e membro do Conselho de Estado foi a enterrar semana passada na província de Gaza, enquanto o empresário, gestor do Grupo Ayoob Comercial, foi de imediato socorrido e levado para a Clínica da Sommerschield, a pouca distância do local do homicídio em forma tentada.

Omar Faruk Ayoob é filho de Ayoob Ibraimo Latifo, que nos anos 80 foi acusado de açambarcar mercadorias, detido em Nampula e expulso de Moçambique, acabando por se fixar em Portugal, regressando ao país com a entrada do multipartidarismo.

Natural de Nampula, Ayoob Ibraimo Latifo tem seis filhos e seis filhas, sendo o mais velho precisamente Omar Faruk Ayoob, que na sexta-feira foi alvo de homicídio em forma tentada numa zona repleta de embaixadas, Estados Unidos da América (EUA), Brasil, Swazilândia, Malawi e Alemanha, um pouco distante face às demais.

Um dos irmãos, Momad Khalib Ayoob, foi assassinado em Abril de 2012 próximo da Mesquita da baixa da cidade de Maputo.

Khalib que, em Dezembro de 2010 foi interceptado e detido no Aeroporto de Matsapha, Swazilândia, na posse de 2,7 milhões de dólares norte-americanos, em numerário.

Na altura, justificou que o dinheiro se destinava ao Dubai sem que tivesse sido declarado às autoridades moçambicanas sobre a sua exportação.

O dinheiro viria a ser confiscado e Khalib posteriormente devolvido à liberdade sob pagamento de caução.

Os vários dados disponíveis sobre o assunto indicam que o dilema no clã Ayoob começa precisamente a partir do fracasso da operação conduzida por Khalib Ayoob.

Crê-se que os beneficiários dos 2,7 milhões de dólares não estão contentes por a operação ter fracassado, exigindo, por isso, a reparação do dano.

É que mesmo com o assassínio de Khalib, levando ao encerramento do processo-crime instaurado na Swazilândia, a perseguição não cessou.

Crê-se que os beneficiários dos 2,7 milhões de dólares americanos não estão contentes por a operação ter fracassado.

Desde logo, a viúva Reyma Ayoob esteve sequestrada e libertada após pagamento de resgate.

Ainda no mesmo ano de 2012, em Agosto, sequestrada Hina Farook Ayoob, sobrinha de Khalid, na altura com apenas 17 anos de idade, libertada após resgate.

Dois anos mais tarde, em Abril de 2014, novo sequestro e novo resgate que garantiu a liberdade de Bilal Ayoob, filho da vítima de baleamento da sexta-feira, Omar Faruk Ayoob.

Alguns escritos anotam que, no caso de Bilal, o dinheiro do resgate foi dividido em duas fatias, correspondentes a um grupo de nacionais e outro de estrangeiros envolvidos no rapto e sequestro de um dos filhos de Omar.

Segundo ainda dados existentes, o clã Ayoob é detentor de uma rede de empresas, a mais mediática a Modas Nilza Lda, ou Nilza Lda, situada na avenida Eduardo Mondlane, quando em 2010 as autoridades moçambicanas ordenaram a venda em hasta pública de seus produtos para saldar dívida de 276 milhões de meticais para a empresa pública Mcel.

A Modas Nilza Lda vendia cartões de telefone pré-pagos da Mcel mas não pagava à telefonia e quando o fez, por via de cheques, estes foram devolvidos pelo banco, por falta de provisão.

EXPRESSO – 17.10.2016

Dialogo político retoma amanhã depois do assassinato de um dos cérebros da Renamo

À mesa sem Pondeca!
- Posicionamento menos extremista apresentada por Dhlakama e a preocupação apresentada por Nyusi pode ajudar a aproximar as partes na mesa de diálogo
Retoma, esta terça­-feira, na cidade de Maputo, o diálogo político que coloca, à mesma mesa, a delegação do governo moçambicano, da Renamo e ainda o grupo de media­dores e facilitadores internacionais, chefiado por Mario Raffaelli.
Entretanto, a sessão a retomar amanhã, não vai contar com os préstimos de Jeremias Pondeca Mun­guambe, antigo deputado, membro do Conselho de Estado e dirigente sénior da Renamo, assassinado, à bala, na praia da Costa do Sol, cidade de Maputo, há pouco mais de uma semana.
Segundo se sabe, na interrupção da anterior da sessão, as partes tinham chegado a acordo de que o diálogo seria retomado no dia 11 de Outubro, mas com o assassinado de Jeremias Pondeca, na manhã de sábado ante­rior, um ambiente tenso, caracteriza­do por desconfiança e desconforto, tomou conta das partes, pois, nas hostes da Renamo há o entendimento de que foram os esquadrões da morte criados pelas alas mais radicais do poder do dia que executaram Pondeca. Aliás, em entrevista ao SAVANA, o Presidente da Renamo, Afonso Dhlakama, disse que quem encomendou o assassinado de Jeremias Pondeca tem o objectivo de enervar a Renamo.
Entretanto, segundo Dhlakama, a delegação do seu partido na mesa de diálogo irá continuar a fazer a sua parte, tudo na perspectiva de se encontrar um modelo que possa devolver um ambiente de paz efectiva ao país e, por essa via, recolocar o país no rumo do desenvolvimento e progresso.
Este mesmo discurso foi retoma­do por Mario Raffaelli, que falando a jornalistas logo após o velório de Jeremias Pondeca, disse que a melhor forma que se poderia encontrar para chorar o membro da Renamo assassi­nado era as partes tudo fazerem no sentido de buscarem consensos na mesa negocial. É assim que, apesar de o ambiente continuar tenso entre as partes, haver alguma crença que as partes procurem avançar em alguns pontos já colocados à mesa, tanto pela Renamo, pelo governo e ainda as propostas de aproximação sugeridas pelos mediadores.
O Presidente da República Filipe Nyusi também já condenou o ataque onde emitiu uma nota em que insta os órgãos competentes a tudo fazerem no sentido de, o mais rápido possível, encontrarem o devido esclarecimento sobre as circunstâncias do assassinato do dirigente e quadro senior da Renamo. Nyusi esteve, igualmente, presente no velório de Jeremias Pondeca, evento que teve lugar no Paços do Município de Maputo. (Rafael Ricardo)
MEDIAFAX – 17.10.2016

Buchili fala de falta de recursos e capacidade

Combate à criminalidade
As autoridades judiciais e policiais moçambicanas não dispõem de recursos e capacidade suficientes para conter a onda de criminalidade, abrangendo atos que indiciam prática de corrupção e branqueamento de capitais. A relevação é da procuradora- geral da República de Moçambique, Beatriz Buchili, que, em declarações à DW África em Lisboa, manifesta preocupação face à penetração do crime organizado nas instituições do Estado e do sistema judicial.
A procuradora-geral está na capital portuguesa a participar no 14º Encontro dos Procuradores-Gerais da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), cujos trabalhos terminam sexta-feira (14.10.).
Beatriz Buchilli considera hediondos os crimes envolvendo o assassinato de figuras políticas da sociedade moçambicana, mas recusa en­trar em detalhe a respeito dos processos de investigação em curso sobre o caso das dívidas ocultas.
Segundo a procuradora-geral, as enti­dades competentes moçambicanas estão a envidar todos os esforços na investigação dos crimes que têm como alvo figuras do xadrez político em Moçambique.
“Todos estes processos estão em investigação.
O grande problema que nós temos é que são processos que têm contor­nos de crime organizado e transnacional. Daí que a nossa preocupação de reforçar mesmo essa cooperação jurídica e judici­ária para dar celeridade às investigações desses processos (em curso). E são proces­sos que demonstram que há necessidade de reforçarmos muito (as capacidades de resposta do) Ministério Público e os demais órgãos auxiliares de investigação criminal como a polícia de investigação criminal e demais instituições, o judiciário no seu todo”, afirma Buchili.
MEDIAFAX – 17.10.2016

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