sábado, 8 de outubro de 2016

“A VICTÓRIA PREPARA-SE, A VICTÓRIA ORGANIZA-SE”


(A preguiça faz cair em profundo sono, e a alma enganadora padecerá fome.) Provérbios 19:15
Como diziam as minhas saudosas avós, os provérbios podem considerar-se o tesouro espiritual do povo. Depois de sonhar com eles, hoje, acordei atormentado por eles. Um desses provérbios da língua tsonga (xiTsonga,chiTsonga, oushiTsonga) reza que “Bedjo Ri Chukiwa a Bandla”,ou seja “A pele prepara-se na reunião dos velhos”. É assim como se faz em todo o mundo, tanto no passado como no presente, em todas as agremiações ou instituições bem organizadas: a planificação (ou planeamento) é o efeito de planificar, organizar algo de acordo com um plano. Mesmos os problemas sócio-político-culturais dos nossos antepassados eram julgados na reunião dos anciãos, “bandla”, por isso se dizia: “Mabulo i ku yakana”, ou seja “os entendimentos vêm da conversa”. Seguindo esse princípio secular, o Marechal Samora Moisés Machel, primeiro Presidente de Moçambique Independente e um dos incontestáveis Heróis Moçambicanos que no próximo dia 19 deste mês completa trinta anos do seu desaparecimento, visionário e um pedagogo nato, ensinava, exortava, admoestava, criticava e muitas vezes criava ele próprio os seus advérbios, através dos seus discursos, muitas vezes de improviso, advérbios esses, que se tornavam palavras de ordem, transformados depois em instrumentos de orientação para o trabalho. Atribui-se a ele a frase que serve de título: “A Victória Prepara-se, A Victória Organiza-se”. É assim que, enquanto alguns grupelhos auto-intitulados de partidos políticos, quando no fundo não passam de verdadeiros celeiros ou ninhos de “bandidos armados”, (caso da RENAMO), como, aliás, sabiamente assim tratava o saudoso Presidente Samora aos legionários de Matshangayisa, agora guiados pelo caquéctico e doentio líder vitalício “Wa Muyaya”, dizíamos, enquanto esses outros descansam encostados ao caule de um velho coqueiro, arriscando-se a levar uma “coqueirada”, de um coco seco que cai atraído pela força de gravidade, ficam assim durante os cinco anos de intervalo entre uma eleição e outra, aguardando que chegue a vez das campanhas eleitorais para, desfrutando dos fundos públicos que são atribuídos aos concorrentes, começarem a ensaiar movimentos de cágado que, como é óbvio, não lhes levam a lado nenhum. No fim de cada eleição, proclamam-se vítimas de roubo de votos. Enquanto eles dormem à sombra do tal velho coqueiro, a FRELIMO desdobra-se em trabalhos ao longo de todo ano, reunindo os seus quadros desde os órgãos locais do partido (célula, círculo, zona, distrito, província e até à diáspora), culminando com a reunião que decorreu na cidade da Matola, província de Maputo, durante três dias, a “10.ª Conferência Nacional de Quadros”, cujo objectivo central é produzir propostas de Teses para o 11.º Congresso, a ter lugar no próximo ano, teses essas quepermitirão a melhor planificação para se enfrentar os próximos pleitos: eleições municipais em 1918 e eleições legislativas provinciais e presidenciais em 1919. Sobre o valor dos provérbios e recorrendo mais uma vez aos tsongas, um deles diz: “A wu tshoveli laha u nga byalangi” (Não se pode colher onde não se semeou). E Augusto Branco,pseudónimo deNazareno Vieira de Sousa, um jovem poeta, escritor brasileiro, colunista de vários jornais e revistas, afirma que: “A pior ambição de um homem é desejar colher pela vida inteira os frutos daquilo que ele nunca plantou”.Malandros, deixem de ser preguiçosos. Vamos trabalhar!
Kandiyane Wa Matuva Kandiya
nyangatane@gmail.com

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