domingo, 16 de outubro de 2016

A receita de Muhamudo Amurane para recolocar o país nos caris É preciso isolar aqueles que bloqueiam Nyusi

Lava Jato persegue dinheiro em Moçambique Pág. 10 A receita de Muhamudo Amurane para relançar o país TEMA DA SEMANA 2 Savana 14-10-2016 Embora nos últimos tempos comece a ser posta em causa a tese de um presidente da República telecomandado por uma poderosa ala maconde na Frelimo, o presidente do Conselho Municipal de Nampula, pelo Movimento Democrático de Moçambique (MDM) entende que, efectivamente, há grupos na Frelimo que bloqueiam a governação de Filipe Nyusi. Muhamudo Amurane, que analisava, no nosso jornal, os primeiros dois anos da governação de Filipe Nyusi, começou por dizer que só a sua elei- ção para presidente da República foi um acto importante, porquanto marcou a passagem inter-geracional na liderança do país. Foi quando questionamo-lo se essa mudança se está ou não a reflectir na governação do país, ao que Muhamudo Amurane, sem rodeios, respondeu que não. Mas o edil de Nampula diz que não está decepcionado com Filipe Nyusi, o presidente que a 15 de Janeiro de 2015 proferiu um discurso de renascimento. O problema, entende o edil, não reside, necessariamente, em Filipe Nyusi, mas para aqueles que chamou de grupos fortes na Frelimo que não aceitam as mudanças que, estamos a citar Amurane, Nyusi parece querer empreender. O presidente da cidade capital da província mais populosa de Moçambique recua ao passado para lembrar que, em Fevereiro de 2015, logo após a sua investidura, Filipe Nyusi manteve um encontro com o presidente da Renamo, Afonso Dhlakama, num esforço pela paz que não agradou alguns sectores da Frelimo. Outro sinal de um Filipe Nyusi que quer avançar mas que encontra entraves é a abertura do presidente perante o Fundo Monetário Internacional (FMI), na recente visita em Washington, Estados Unidos da América (EUA) para a realização de uma auditoria internacional independente às dívidas escondidas no país, anota o edil. Por isso, Amurane insta a sociedade a se levantar contra a minoria frelimista que procura sobrepor os seus interesses aos da maioria dos moçambicanos. “A expectativa do povo é frustrada por grupos menores que defendem seus interesses em detrimento da maioria”, assinala, acrescentando que é preciso isolar aqueles que bloqueiam o Presidente da República. Sublinha que um futuro melhor para o país passa, necessariamente, por isolar os grupos na Frelimo que não aceitam a mudança, uma tarefa que, por ser espinhosa, não pode ser apenas de Filipe Nyusi, mas de toda a sociedade moçambicana que contra essas forças se deve levantar de forma vigorosa. Entretanto, ganha corpo nos últimos tempos a tese de que, na verdade, Filipe Nyusi não é ingénuo como se pretende fazer passar, nem vítima de supostos poderes interpostos na Frelimo. Argumenta-se que o actual presidente está, efectivamente, alinhado com uma estratégia de mão dura sobretudo no que à guerra diz respeito, sendo os seus discursos apenas uma decoração própria da acção política. A encruzilhada económica em que o país está mergulhado foi incontorná- vel na entrevista com o edil de Nampula. Sobre ela, Amurane evita fazer juízos, por entender que a democracia não é especulação, mas desafia a administração da justiça para que esclareça o que sucedeu com os cerca de USD2 mil milhões, dos quais USD 1.4 mil milhões ocultados. Sobre a tensão político-militar, reitera não encontrar argumentos para as matanças e destruição que continuam a minar o desenvolvimento do país. Chamado a apontar a solução, foi peremptório em afirmar que o país clama por uma descentralização político-administrativa, incluindo a eleição de governadores provinciais, pelo que é preciso que se discuta a Constitui- ção da República. “Há resistência por parte dos dois beligerantes, mas é preciso pressionarmos para que haja abertura para discutir ideias e não pessoas”, remata. “O que tem de melhor Manuel de Araújo?” Nos últimos anos, Manuel de Araú- jo, quadro do MDM e presidente do Conselho Municipal de Quelimane, na Zambézia, tem insistido, na imprensa, que gostaria de ver um MDM mais democrático do que é hoje. Nas vésperas do início da presente legislatura chegou a questionar, publicamente, a indicação do actual chefe da bancada parlamentar daquela forma- ção política, na Assembleia da República, porquanto Lutero Simango, irmão mais velho de Daviz Simango, não saiu do círculo eleitoral que mais deputados colocou no parlamento, que é a Zambézia. Confrontado com a questão, Amurane disse que não concorda. Para o edil de Nampula, no MDM há democracia e espaço para todos. Respeita essa colocação de Manuel de Araújo, mas diz que são águas passadas. A exclusão, nas recentes eleições internas no MDM, de Manuel de Araújo para a Comissão Política do partido, foi vista como o ponto mais alto de uma suposta rivalidade entre Daviz Simango e o jovem edil de Quelimane. Sobre o assunto, Amurane, uma das novas entradas para a Comissão Polí- tica do MDM, escusa-se a comentar, alegadamente, porque desconhece o processo. Até porque ele próprio disse ter ficado surpreendido com a sua nomeação. Aqui, perguntamo-lo se achava razo- ável que, nesta fase da sua história, o MDM se desse ao luxo de desperdi- çar um membro com capital político como é Manuel de Araújo, o que prontamente, desdramatizou. “O que tem de melhor Manuel de Araújo em relação aos outros membros do MDM”, questionou, considerando o edil de Quelimane como um membro normal como outros no partido. Numa altura em que o MDM em Nampula acaba de registar uma nova deserção de membros que formaram o Movimento Alternativo de Mo- çambique (MAMO), depois de uma outra vaga de deserções nas vésperas das eleições gerais de 2014, todos eles a alegarem, essencialmente, nepotismo e tribalismo no partido liderado pelo engenheiro Daviz Simango, o edil de Nampula fala de oportunistas. Sobre os desertores que, em 2014, queixavam-se da “importação”, da Beira, de amigos e familiares do presidente do partido para lugares cimeiros nas candidaturas do MDM a deputados, Amurane diz que tribalistas são aqueles que achavam que, com a vitória do MDM em Nampula, tinha chegado a sua vez. Diz que não houve colocação massiva de quadros do MDM de fora de Nampula. Sobre os recentes dissidentes que formaram o MAMO, diz que são indiví- duos de conduta duvidosa que, quando se apercebeu do seu oportunismo no município, tratou de expulsá-los. Diz que o MDM de hoje não é o mesmo de há dois anos e meio, quando aderiu e, no actual partido, vê um crescimento enorme e um futuro risonho. “Apresentamos alternativa, sem atirar balas” Muhamudo Amurane falou ainda do nível de execução do seu mandato, dois anos depois da tomada de posse. Faz um balanço positivo. Destaca a área de saneamento, mas também de infra-estruturas como aquelas que apostou nestes primeiros dois anos. Fala de vias de acesso construídas, mercados e meios de aquisição de lixo. Um caminho que não foi fácil: “logo em 2014 encontramos não só uma série de dívidas enormes, mas também uma série de problemas, falta de meios e uma cultura praticamente corrupta no relacionamento do município com os operadores económicos”. Diz que, quando chegou à edilidade, todos os meios a nível da recolha de resíduos sólidos eram alugados. “Não compreendemos como era possível uma cidade tão grande não tivesse um mínimo de meios para a recolha de resíduos sólidos. E encontrámos dívidas enormes de processos de aluguer de viaturas sem, contudo, ter um suporte que justificasse esses serviços de aluguer, uma vez que a cidade estava abarrotada de lixo”, acrescenta. Foi por isso que se definiu como prioridade a recolha de resíduos sólidos, prossegue o edil segundo o qual em 90 dias foi possível trazer boa imagem a Nampula, com aquisição paulatina de meios de recolha de lixo, mas também através da criação de grupos de associados em diversos cantos da cidade para a limpeza. Diz que a sua grande decepção está na descentralização dos serviços de saú- de e de educação. Lamenta os argumentos do ministério da Administra- ção Estatal que insiste que Nampula, à semelhança de outros municípios nas mãos da oposição e não só, não tem capacidade para gerir serviços básicos, da mesma forma que deplora, por exemplo, que as receitas das multinacionais que operam na província sejam todos canalizados para Maputo, devido à centralização. Recuou a 2014 para dizer que, no primeiro ano do seu mandato, não foi fá- cil a convivência política com os restantes órgãos do Estado em Nampula, incluindo os centrais, mas diz que a partir de 2015, com o novo governo, o cenário mudou para a melhoria. Fala de abertura e uma convivência cada vez menos conflituosa. A dado passo, comenta sobre a causa do MDM, aproveitando deixar recados à governação frelimista que dura 41 anos. “Os moçambicanos almejam ver melhoradas as condições das suas vidas, principalmente, no processo de governação. Quando me candidatei tinha consciência de que ia enfrentar uma série de desafios, mas não foi e não é por ter esses desafios que nos colocamos numa situação, nem de defensiva, nem de ofensiva, antes pelo contrário, encararmos esses processos como normais em prol do desenvolvimento das vidas moçambicanas”, diz, lembrando que depois da independência os moçambicanos foram habituados a um discurso de que era necessário libertarem-se de opressão colonial e dominação estrangeira. “Fomos alimentados de que já era oportunidade de nos sentirmos livres e conduzirmos os nossos destinos, mas esses processos ao longo do tempo foram sempre frustrados, nomeadamente, as expectativas do povo. Sentimos que havia falta de liberdades e que tudo era ditado por um grupo menor, sem olhar os anseios das comunidades que, ao longo do tempo, foram se manifestando de várias formas e nós optamos por esta oportunidade democrática, avançando com um projecto político e sem precisarmos de machucar ninguém, muito menos atirar balas, mas sim apresentando alternativa viável do processo municipal, mas também a nível nacional e aí abraçámos este projecto político do MDM e conseguimos conquistar poder sem recorremos à violência” assinala, lamentando: “só que os nossos adversários nunca perceberam esta metodologia porque provavelmente não tenham a cultura de conviver democraticamente e ir avançando na solução dos problemas através de processos democráticos”. A receita de Muhamudo Amurane para recolocar o país nos caris É preciso isolar aqueles que bloqueiam Nyusi Por Armando Nhantumbo Ao longo do tempo, as expectativas do povo foram sempre frustradas. T omamos conhecimento da existência de uma página da internet com o domínio www.jornalsavana.com, que para os incautos dá a impressão de pertencer a este jornal. Os autores desta página colocam nela alguns artigos já publicados no jornal, mas a eles adicionam outras matérias que não são da nossa autoria. A intenção é desvirtuar a linha editorial deste jornal e instalar a confusão entre os nossos leitores. Trata-se de um acto de deliberada desinformação e que é condenável a todos os níveis. Informamos aos estimados leitores que essa página não pertence a este jornal, e não nos responsabilizamos pelos seus conteúdos. Simultaneamente, tomamos a iniciativa de comunicar às autoridades competentes sobre este facto, para que sejam tomados os procedimentos apropriados para este tipo de casos. Através dos nossos serviços técnicos, estamos também a trabalhar com vista ao bloqueio desta página fantasma. A Redacção Criminosos criam página fantasma do SAVANA na internet TEMA DA SEMANA Savana 14-10-2016 3 TEMA DA SEMANA 4 Savana 14-10-2016 Os restos mortais de Jeremias Pondeca (55 anos), membro do Conselho de Estado e da Comissão Mista do di- álogo político, pela Renamo, foram a enterrar na manhã desta quinta-feira no Posto Administrativo de Chidenguele, província de Gaza. O funeral de Pondeca foi antecedido de um velório com o corpo presente no Paços do município de Maputo e que contou com a presença do chefe de Estado, Filipe Nyusi. Jeremias Pondeca foi barbaramente assassinado, por desconhecidos, que terão disparado três tiros sobre a vítima na manhã de sábado último, na zona da Costa de Sol. Antes do assassinato de Pondeca, último de uma série de atentados vistos como sendo de natureza polí- tica, havia claras indicações na mesa de diálogo, de desenvolvimentos em relação a um acordo sobre a governa- ção pela Renamo nas seis províncias. co, dedicava-se à prática do comércio naquele mercado. Margarida Titosse, vendedeira do Mercado de Peixe, conta que Pondeca foi uma pessoa importante na reivindicação dos direitos dos comerciantes. Segundo Titosse, Pondeca teve um papel fundamental no processo de transferência dos vendedores do antigo para o novo mercado. “O município queria nos aldrabar, graças ao senhor Pondeca, a justiça foi feita. Era uma pessoa aberta e alérgica a conflitos. Estou consternada, não tenho palavras para exprimir minha tristeza. Espero que os assassinos sejam encontrados e a justiça seja feita”, desabafou. Homem de trato simples, conversador, humorista, afável e preocupado com a causa comum são as palavras que a jovem Martina Simão, também vendedeira do Mercado de Peixe, encou ao Paços do município de Maputo para consolar a família enlutada. Nyusi chegou ao local da cerimónia às 11:20h, assinou o livro de honra, cumprimentou a família do malogrado, depositou uma coroa de flores, tomou o assento e acompanhou os elogios fúnebres. Não usou da palavra e deixou o local cerca de 30 minutos depois, com o fim da cerimónia. Antes de Nyusi, por volta das 11 horas, Armando Guebuza, antigo chefe de Estado, chegou ao local e acompanhou a cerimónia até ao fim. Para além de Nyusi e Guebuza, o velório de Pondeca contou com a presença de todos os membros das equipas do diálogo político indicados pelo PR e pelo presidente da Renamo, dos mediadores internacionais com maior enfoque para o seu chefe Mario Raffaelli. Também estiveram presentes os presidentes do Tribunal Supremo, AdeMais uma vítima das balas sem rosto foi a enterrar nesta quinta-feira O emotivo último adeus ao chefe Pondeca Por Raul Senda e Argunaldo Nhampossa Ninguém merece morte bárbara Da família Pondeca, prestou o elogio fúnebre o filho mais velho do finado, Chitunde Pondeca, que enalteceu a figura do seu progenitor como sendo um homem honesto e imbatível nas suas convicções. Disse que o malogrado tinha grandes projectos por realizar. Elencou a responsabilidade que tinha na educação dos filhos com destaque para os menores de idade bem como a dedicação pela família e que certamente com a sua morte se vão ressentir disso. Manifestou a dor familiar por perder “injustamente” o seu líder e lembrou algumas lições de vida transmitidas pelo pai em forma de provérbios tais como “de pequeno se torce o pepino” e num momento como este consegue perceber o respectivo alcance. “Os que te assassinaram se vingarão entre eles. Nenhum ser humano merece uma morte tão bárbara como daquela natureza” , sentenciou. Sonhava com a Renamo no poder Em representação do partido pelo qual militou e deu a vida ao longo de três décadas, Manuel Pereira, antigo deputado da Renamo, falou do percurso de Pondeca no partido e dos diferentes cargos que ocupou até à data da sua morte. De acordo com Pereira, a morte do Chefe Pondeca deixa um enorme vazio no seio da família e do partido, pois perdeu-se um grande homem, trabalhador de renome, não obstante ter passado por várias sevícias. Classificou-o como tendo sido um homem coerente para consigo mesmo e sonhava com o seu partido do poder, uma batalha que Pereira assegurou que a Renamo não vai resignar como forma de honrá-lo. A reacção da Renamo foi considerada “contida”, contrariando as expetativas de analistas. Ficaram conselhos por dar Esta era a segunda vez que Jeremias Pondeca integrava equipa dos membros do Conselho de Estado, depois de lá ter estado no quinqué- nio 2005-2010. Segundo Amade Miquidade, secretário do Conselho do Estado, com a morte do Pondeca, ficaram muitos conselhos por dar ao chefe de Estado em matéria de natureza política tal como estabelece a Constituição da República. Apontou que foi em respeito à lei mãe, que o Conselho de Estado reuniu recentemente e emanou a necessidade urgente da paz e de calar as armas e enfatizamos o quão importante era o diálogo sem pré-condições, em alusão às exigências da Renamo para a materialização das negociações. Miquidade identificou o malogrado como um moçambicano que procurava com o seu saber ser útil à pátria, através das suas contribuições na comissão mista. “Contra violência devemos erguer as nossas vozes e dizer que basta. Queremos viver numa pátria onde todos possamos andar livremente”, disse, tendo de seguida apelado às instituições de justiça para que nenhum crime fique impune. Empenhar-se pela paz Parco em palavras, por estar chocado com a trágica morte, o chefe da equipa dos mediadores internacionais, Mário Raffaelli, apelou às partes nas negociações para se empenharem profundamente na busca da paz como a única forma de honrar os seus feitos. Homem de fortes convicções Alfredo Gamito, que foi colega do finado na AR como deputado, e, nos últimos cinco meses como membro da comissão mista de preparação do diálogo, considerou Pondeca como um homem de características especiais, fortes convicções que as defendia com todo o vigor. Lamentou a inesperada morte e a forma como aconteceu tendo apelado à criação de condições de segurança para que possam trabalhar à vontade. Pode haver motivações políticas Na situação em que o país se encontra de confrontações armadas entre as forças governamentais e a guerrilha da Renamo, Lutero Simango, chefe da bancada do MDM, diz não haver margem de dúvidas que tenha havido motivações políticas para o bárbaro assassinato do membro da Renamo. Apelou ao cessar-fogo de modo ao restabelecimento da paz e estabilidade do país, facto que vai contribuir para a segurança dos cidadãos. Raul Domingos, que também foi companheiro de trincheira de Pondeca, comunga da mesma opinião de motivações políticas para a eliminação física do membro do Conselho do Estado, isto porque não se conhece outra actividade que poderia colocar em causa a sua vida ou pensar em ajuste de contas. Polícia sem pistas Tal como sempre, o porta-voz da PRM na cidade de Maputo, Orlando Mudumane, disse na segunda-feira que a corporação está a trabalhar com vista ao esclarecimento do caso, sendo que a informação existente no presente momento é de carácter sigiloso sob pena de colocar em causa as investigações em curso. O Salão Nobre do Conselho Municipal da Cidade de Maputo foi pequeno para receber, nesta quarta-feira, 12, centenas de pessoas para o último adeus ao membro da Comissão Mista no diálogo político entre as delegações do Presidente da República; Filipe Nyusi e do líder da Renamo, Afonso Dhlakama, com vista a pôr fim à tensão político-militar. O velório de Jeremias Pondeca, que também era membro do Conselho de Estado, estava marcado para as 10:30 horas da manhã, mas até às oito horas era notável a aglomeração de pessoas com maior enfoque para membros da Renamo e vendedores do Mercado de Peixe, onde o ex-deputado da Renamo era Presidente da Assembleia Geral da respectiva Associação. A presença em peso dos membros e simpatizantes da Renamo fez com que a PRM destacasse forte contingente policial para o local. As forças policiais foram transportadas em oito viaturas da Polícia de Protecção e da Unidade de Interven- ção Rápida e contaram com o apoio de um blindado de assalto. Soube o SAVANA que em vida, Jeremias Pondeca, para além de políticontrou para classificar o malogrado. “O senhor Pondeca andava ocupado com a sua agenda política, mas nunca nos abandonou. Sempre soube dividir o seu tempo. Fazia a sua política, cumpria a agenda da associação, tomava conta dos seus negócios e preservava a sua saúde com a prática de exercícios físicos. Com a sua morte ficamos fragilizados, já não temos ninguém capaz de enfrentar o município para exigir direitos dos vendedores”, lamentou. O SAVANA soube que, na qualidade de presidente da Assembleia- -geral da comissão de vendedores do Mercado de Peixe, Jeremias Pondeca tinha convocado uma reunião com os vendedores para esta quinta-feira, 13. O encontro tinha como pontos de agenda a discussão do processo das indeminizações que não está a obedecer critérios justos bem como as altas taxas cobradas pelo município pelo uso das instalações do novo mercado. A vigília fúnebre de Pondeca não juntou apenas a classe de comerciantes, membros e simpatizantes da Renamo, mas também grandes figuras do Estado moçambicano. Filipe Nyusi, PR, também se deslolino Muchanga, do Conselho Constitucional, Hermenegildo Gamito, os edis de Maputo e da Beira, David e Daviz Simango, a governadora da cidade de Maputo, Iolanda Cintura, Younusse Amad, segundo vice-presidente da Assembleia da República (AR) e Lutero Simango, chefe da Bancada do MDM na AR. A Comissão Política da Frelimo também esteve representada tendo para tal destacado Alberto Chipande, Sérgio Pantie e Esperança Bias. Por seu turno, a Renamo também se fez representar por quadros seniores com maior enfoque para Jerónimo Malagueta, António Muchanga, Ussufo Momade, Jafar Gulamo Jafar entre outros. O antigo membro da Renamo e actual presidente do Partido para a Paz, Democracia e Desenvolvimento (PDD), Raul Domingos e o João Massango do partido Ecologista também estiveram presentes. Natural da cidade de Maputo, Pondeca ingressou na Renamo em 1977. Durante vários anos militou na clandestinidade, visto que era agente do Serviço Nacional de Segurança Popular (SNASP). Em 1991, com a aprovação da Constituição liberal, Pondeca passou a militar activamente no partido Renamo. Em vida, o chefe Pondeca foi deputado da AR, Chefe do Departamento de Administração Pública, Autoridade Tradicional e Poder Local, Membro do Conselho de Estado e da Comissão Mista no diálogo. Durante o seu mandato como deputado, entre 1995 a 2004, Pondeca se destacou pela forma destemida como fazia política e foi o rosto da contestação no Parlamento do governo saí- do das eleições de 1999 liderado por Joaquim Chissano. Familiares e colegas do partido prometem dar continuidade aos ideais do chefe Pondeca TEMA DA SEMANA Savana 14-10-2016 5 PUBLICIDADE O “GEF Small Grants Programme (SGP)” pretende produzir benefícios ambientais globais nas áreas estratégicas do GEF (Facilidade Mundial para o Ambiente). O *() 6*3SURPRYHRGHVHQYROYLPHQWRVXVWHQWiYHOSURYLGHQFLDQGRDSRLRÀQDQceiro e técnico para micro-projectos, que preservem e reabilitem o meio natural, enquanto melhoram as condições de vida das populações. É implementado pelo PNUD em colaboração com o MITADER e executado pela UNOPS. Elegibilidade Projectos cujas actividades incluem a demonstração de tecnologias inovativas, o desenvolvimento de capacidades organizacionais no uso e maneio dos recursos naturais, a partilha de conhecimentos e advocacia, e a pesquisa aplicada. Apoio a actividades de base comunitária reconhecendo a importância do conhecimento traGLFLRQDODOLDGRjSUiFWLFDVFLHQWtÀFDVPRGHUQDVHLQRYDWLYDV 'HVHQYROYLPHQWRGH uma abordagem participativa e integrada que tome em consideração os aspectos de equilíbrio de género, pobreza, vulnerabilidade e demais aspectos transversais. A calendarização das actividades dos projectos deve ter uma duração entre 6 à 24 meses. Condições de acesso aos fundos Cobertura de uma ou mais das áreas estratégicas do GEF de biodiversidade, mudanças climáticas, degradação de terras, águas internacionais, poluentes orgânicos SHUVLVWHQWHVHTXtPLFRVJHVWmRVXVWHQWiYHOGHÁRUHVWDVHGHVHQYROYLPHQWRGHFDpacidades organizacionais em OSCs (ONGs - Organizações Não Governamentais e OBCs - Organizações de Base Comunitária). Enfoque temático na melhoria das FRQGLo}HVGHYLGDGDVFRPXQLGDGHV (QIRTXHJHRJUiÀFRFREULQGRiUHDVGHVLJQL- ÀFkQFLDDPELHQWDOQDFLRQDOGHÀQLGDVQDHVWUDWpJLDQDFLRQDOTXHFRQWULEXDPSDUD a protecção do meio ambiente global. Nicho de enfoque dos projectos a) Conservação comunitária de paisagens terrestres, água-doce e costeiro-marinhas no sentido de protecção de biodiversidade (nas regiões do Rovuma, Lago Niassa, Bacia do Zambeze, Arquipélago das Primeiras e Segundas, Arquipélago do Bazaruto); b) Actividades inovativas de agro-ecologia, na vertente de mudanças climáticas SDUDSUHVHUYDomRGHSDLVDJHQVSURGXFWLYLGDGHDJUtFRODHÁRUHVWDOLQFOXLQGRSHVca, e incremento da educação ambiental (âmbito nacional com incidência para a região centro); c) Desenvolvimento de capital humano para promoção de economia verde, advocacia e diálogos, preservação de recursos transfronteiriços (aquíferos) e promoção de serviços de ecossistemas (melhoria da resiliência dos sistemas naturais); The GEF Small Grants Programme (Programa de Pequenas Subvenções do GEF) Ciclo de Candidatura de Projectos d) Melhoria do acesso a energias limpas e renováveis, bem como de co-benefícios adjaFHQWHV UHGXomRGRVHIHLWRVGDVPXGDQoDVFOLPiWLFDVFRQWUROHGRGHÁRUHVWDPHQWRDXmento dos stocks de carbono, redução de emissões, melhoria da segurança alimentar, adopção de políticas de adaptação e alívio à pobreaza); e) Promoção de alianças no controle de poluentes químicos, sobretudo adubos, fertilizantes, plásticos e metais pesados (reciclagem, melhoria do manuseio e armazanamento, eliminação de uso quando adequado, redução de intoxicações, e consciencialização sobre os impactos adversos); f) Promoção de plataformas de diálogo entre OSCs-Governo (incremento da participa- ção das organizações da sociedade civil na implementação dos acordos ambientais internacionais); g) Inclusão social na redução da pobreza e vulnerabilidade (promoção da equidade de género, inclusão de grupos juvenis e criança, e populações indígenas); h) Promoção de plataformas de troca de conhecimento, diálogos e cooperação (criação de bases de dados, partilha de conhecimentos, forum de OSCs, cooperação sul-sul e norte-sul). Calendário De 01 à 31 de Outubro de 2016: recepção de candidatura de propostas de projectos De 01 à 15 de Novembro de 2016: avaliação das propostas de projectos 17 de Novembro de 2016: divulgação de resultados 6REUHRÀQDQFLDPHQWR O acesso aos fundos do SGP está apénas aberto à OSCs (ONGs e OBCs) nacionais deviGDPHQWHUHJLVWDGDV 2YDORUPi[LPRGHÀQDQFLDPHQWRpGRHTXLYDOHQWHj PLO86' contudo terão preferência as propostas que não excedam os 30 mil USD. Os custos administrativos (pessoal e escritório) não devem exceder à 25% do custo total do projecto. 2VSURSRQHQWHVRXEHQHÀFLiULRVGHYHPFRPSDUWLFLSDUÀQDQFHLUDPHQWHHPGLQKHLURRX em espécie num rácio de 1:1 em relação ao valor solicitado ao GEF. Contactos úQIRUPDo}HVDGLFLRQDLVHIRUPXOiULRGHFDQGLGDWXUDSRGHUmRVHUREWLGRVDWUDYpVGRHQGHreço abaixo. GEF UNDP/ Small Grants Programme - Rua Kibiriti Diwane, nº 322 - Maputo – Mozambique – Caixa Postal 4595 - Tel.: +258 21481400 - Fax: +258 21491695 - E-mail: augusto.correia@undp.org ou paula.boane@undp.org - Web-page: www.undp.org/sgp MOZAMBIQUE Olíder da Renamo, Afonso Dhlakama, classificou, nesta quarta-feira, de “tragédia” o assassinato de Jeremias Pondeca, membro da comissão mista que negoceia a paz com o Governo, reiterando que o diálogo vai continuar para vingar a democracia e devolver a paz aos moçambicanos, e que desistir a essa luta seria uma atitude de cobardia. Em entrevista telefónica ao SAVANA, Afonso Dhlakama, que falou a partir das encostas da Serra da Gorongosa, disse que recebeu com tristeza a notícia da morte de Jeremias Pondeca, começando as declarações com condolências à família enlutada. “Aquilo (o assassinato) foi uma tragédia para nós, é triste”, lamentou Dhlakama, líder do maior partido da oposição em Moçambique, descrevendo Jeremias Pondeca como “homem forte” e “homem grande” do partido, adiantando que como a família, a Renamo também se ressente da sua perda. Dhlakama disse que Pondeca foi membro desde a clandestinidade e, além de deputado da Assembleia da Dhlakama reitera retorno às negociações de paz “Democracia vai vingar morte de Pondeca” República pela Renamo, foi membro do Conselho do Estado, e também exerceu as funções de delegado da cidade de Maputo e do departamento do poder local do partido, e tinha um papel preponderante na comissão mista que negoceia a paz com o Governo. O líder da oposição lamentou os frequentes “assassinatos a sangue frio” dos membros da Renamo em quase todo o país e a impunidade dos executores, a que considerou estarem a coberto do partido no poder e do Governo, garantido que as negocia- ções vão continuar para vingar a democracia. “Vamos continuar em pé, vamos continuar a lutar para a democracia, para que haja de facto alternância governativa”, disse Afonso Dhlakama, sustentando que “queremos trabalhar no sentido de fazer com que o regime reforme e haja uma democracia funcional, haja um estado de direito e democrático”. Defendeu: “não podemos abandonar as negociações. Não pode ser atitude ou comportamento da Renamo abandonar a luta, quando acontece uma coisa dentro da casa, senão teríamos abandonado a luta pela democracia. Como me referi no início desta conversa, já foram assassinados muitos dos nossos, membros e quadros em Maputo como nas outras províncias, mas a luta sempre continuou”. Dhlakama reconhece que as actuais execuções dos membros da Renamo “são claramente para obrigar a Renamo a recuar na sua luta pela democracia”, admitindo que ao recuar “seria um comportamento de cobardia”. Reiterou ainda: “a única maneira de agirmos é continuar a lutar até chegarmos ao objectivo de devolvermos a paz e a democracia em Moçambique, onde as instituições da justiça possam funcionar, para responsabilizar os que têm praticado crimes, vamos vingar com a nossa democracia.” “É preciso que em ambos os lados, quer a Frelimo, quer a Renamo, entendam que a paz é sagrada para o povo de Moçambique”, concluiu Afonso Dhlakama, que aguarda o retorno das negociações na próxima segunda-feira. Passo bem e abastecido Afonso Dhlakama garantiu igualmente esta quarta-feira que passa bem de saúde e tem a sua situação alimentar controlada nas encostas da Serra da Gorongosa, negando notí- cias de estar numa situação difícil. “Não se passou nenhuma coisa”, declarou Afonso Dhlakama, adiantando que desde a anterior entrevista ao SAVANA, a 05 de Outubro “até hoje, a situação é a mesma. Não houve nada, absolutamente nada, estou bem e continuo vivendo aqui na região da Gorongosa”. Notícias postas a circular esta semana, num website falso (www.jornalsavana.com), associando as informações ao jornal SAVANA, num esforço para credibilizar a notícia, avançavam que o líder da Renamo, Afonso Dhlakama, estava numa situação difícil, sem alimentos e assistência, depois que suas fontes de receitas, incluindo uma mina de turmalinas em Báruè, terem sido encerradas e ocupadas pelas forças governamentais. A informação posta a circular indicava que a situação do Presidente da Renamo, Afonso Dhlakama, que se encontra no Posto Administrativo de Vunduzi, na província de Sofala, e o encerramento pela Inspecção Geral dos Recursos Minerais e Energia da empresa Socadiv holding limitada, que explorava as minas de turmalinas e quartzo no distrito de Báruè, província de Manica, e posterior tomada de controlo pelas Forças de Defesa e Segurança (FDS) está muito grave. A mesma notícia atribuída ao SAVANA dizia que Dhlakama está sem comida, sem água e com seu estado de saúde debilitado, alegadamente por falta de logística. Aliás, avançava a notícia de que helicópteros de comerciantes e de aliados da Renamo pararam de sobrevoar, tanto a Serra da Gorongosa, assim como o distrito de Báruè, porque o espaço aéreo está sobre controlo, deixando Afonso Dhlakama sem saída. Por Andrá Catueira Afonso Dhlakama 6 Savana 14-10-2016 SOCIEDADE “ O actual contexto obriga-me a ser muito prudente. Nenhuma revolução se fez ou democracia se conquistou no mundo sem mártires e sem derrame de sangue. E como nós queremos que as pessoas vivam bem, se expressem e critiquem abertamente os factos, temos de nos sacrificar. Seria trair a minha geração a abdicar desse papel, mas no presente contexto é preciso ter muita cautela. O país está descontrolado e temos de ser prudentes no que falamos”. Foi com estas palavras que Sérgio Chichava, director adjunto para investigação e, em simultâneo, presidente do Conselho Científico do Instituto de Estudos Sociais e Económicos (IESE,) iniciou a conversa de apresentação da sétima edição da coletânea “Desafios para Moçambique 2016” ao SAVANA. Justifica a necessidade de prudência devido às ameaças de morte que o seu colega Luís de Brito sofreu no primeiro semestre do ano, o atentado contra José Jaime Macuane entre tantas outras acções que visavam silenciar os que pensam diferente. Deste modo, mostrou reservas em abordar alguns assuntos candentes da política nacional. À semelhança da edição de 2012, o “Desafios para Moçambique 2016” elegeu um tema para analisar e a escolha recaiu no Plano Quinquenal do Governo (PQG) 2015-2019. Explicou Chichava que a ideia central não é de analisar exaustivamente o instrumento governativo, mas sim alguns aspectos do plano. O livro com cerca de 400 páginas, que será lançado na próxima quintafeira, 20 deste mês, conta com 14 artigos, escritos por 17 autores dos quais 12 do IESE e os restantes convidados. A obra está dividida em quatro sessões a saber: Política, Economia, Sociedade e Moçambique no mundo, esta última não estabelece nenhuma ligação com o PQG. Depois de na última edição terem colocado a paz como principal desafio do governo que havia saído das eleições, para este ano quais são os novos desafios? A paz, a inclusão, a tolerância, e o respeito pelas diferenças continuam sendo os principais desafios do governo do dia. Não se pode ver quem pensa diferente como sendo um perigo. Na secção política, reflectimos em torno da primeira das cinco prioridades do PQG, que é a unidade nacional, vista como factor aglutinador dos moçambicanos, independentemente da filiação partidária. Para tal, olhamos o uso deste termo desde o período da fundação da Frelimo até ao presente momento e concluímos que a unidade nacional continua longe do esperado. Voltou a ter fundamento na própria Frelimo, na medida em que não admite quem pensa diferente. Ou seja, quem pensa diferente do partido e do governo coloca em causa a unidade nacional. Mudamos de sistema político, mas não as práticas. Quer dizer que ainda temos muitas fragilidades de liberdade de expressão e de pensamento? Não diria que ainda existe, mas que desde há um ano a situação piorou. Nos últimos anos é acto de grande e muita coragem exprimir uma opinião contrária ao establishment. Não há tolerância ao pensar diferente, basta olhar para os casos de Luís de Brito e de Jaime Macuane. Antes, as pessoas emitiam os respectivos pareceres e podiam ser ignoradas, mas hoje o cenário é outro e pode colocar em causa a integridade física da pessoa. Considera o regime do dia intolerante? Não sei dizer se é o regime do dia, porque nunca ouvi o presidente Nyusi a se pronunciar acerca disso. Mas o presidente Guebuza mostrou-nos que era intolerante à crítica e falava abertamente com os que o criticavam chamando-os de apóstolos de desgraça, tagarelas, mas não havia mortes. Quando Nyusi tomou posse viu-se uma certa abertura para com a imprensa e a sociedade no seu todo e as pessoas tinham esperança de dias melhores relativamente às liberdades fundamentais. Neste momento parece que estão preocupados com outras coisas que não seja liberdade de expressão, mas por enquanto não posso comparar os dois governantes. Esta situação fragiliza-vos? Não, embora faça com que tenhamos mais cautelas. Não vamos negar isso porque não sabemos quem está por detrás dessa onda de intimidação e fragilização das liberdades. Moçambique regrediu muito em matéria de liberdade de expressão, está numa situação jamais vista em que as pessoas têm medo de falar. Mesmo ao telefone as pessoas têm medo de serem escutadas. Já não há confiança mútua entre as pessoas, por não se saber com quem se está a falar. O presidente Guebuza foi muito criticado, não sei se isso se deveu ao crescente acesso à informação, mas hoje é perigoso as pessoas expressarem o que pensam. O professor Luís de Brito já regressou ao país ou não? Não abandonou o país. Está e sempre esteve aqui e sai uma vez a outra. Depois daquelas afirmações ele foi hostilizado sobretudo nalguma imprensa e nas redes sociais. Ele fez bem em ficar calado e não responder. Estamos numa situação em que o futuro não se mostra sustentável. Uma sociedade não pode desenvolver sem debate, ou seja, a riqueza de um país é a sua diversidade de ideias e étnica. Descentralização Recentemente a comissão mista solicitou Bernhard Weimer, para apresentar o seu trabalho sobre a descentralização, um produto do IESE. Então, são intimidados por um lado, mas por outro valoriza-se o vosso trabalho... Aí está. Estamos a falar do pensar diferente para o bem do país. Defendemos que tinha de ser assim, pelo menos ouvir, já é importante, não estamos a dizer que devem aceitar tudo o que dissemos. Nenhum país se faz sem pensar diferente, perigo é ausência de escolhas. Moçambique era um exemplo e orgulhava-me do meu país, mas neste momento o país mete medo. Visitar Moçambique, pensar em Moçambique e fazer filhos em Moçambique mete medo. Diferentemente dos outros países, temos riquezas como gás, petróleo, diamante, carvão, madeira, areias pesadas entre outros que bem geridas dão muito bem para os 25 milhões de habitantes que somos. A riqueza não pode ser vista somente sob ponto de vista de recursos naturais, mas também do capital humano e precisamos de investir muito neste ponto. O Japão não tem recursos naturais, mas investiu fortemente no capital humano, enquanto isso nós estamos a brincar com a educação, destruímos tudo de qualquer maneira, não há vontade de desenvolver universidades que só o são por causa do nome. Como consolidar a Unidade Nacional? A Unidade Nacional deve flectir a diversidade e não pode ser vista como homogeneidade de pensamento ou negar o diferente. Ver aquele que critica como apóstolo da desgraça ou como inimigo da pátria isso é problema. É preciso tolerar a diversidade de ideias por representar a heterogeneidade do país e isso contribui para a estabilidade do país, contribui para a convivência democrática e o contrário põe tudo em causa. Uma sociedade em que não se fala está condenada ao fracasso. Apelo às autoridade governamentais e ao presidente Nyusi, que por sinal pertence a uma nova geração de indivíduos letrados, para dar mais confiança aos cidadãos ou encorajá-los a apontar críticas naquilo que acham que não anda bem. Não se trata de gostar ou não da Frelimo ou do Presidente, porque a crítica nem sempre é destrutiva. Não é possível fazer tudo bem na vida. Falou da paz, inclusão e tolerância como principais desafios do governo, como olha para o curso das negociações entre o governo e a Renamo. Temos um artigo que analisa as causas do actual conflito e conclui que a intolerância política, a exclusão política, economia e social das elites militares e políticas, a luta pelo controlo e manutenção do poder, o baixo nível de confiança entre as elites da Frelimo e da Renamo, a partidariza- ção das instituições políticas, entre outros, são alguns dos factores explicativos da crise político-militar em Moçambique. “A Renamo não é diferente da Frelimo” Materializando os itens acima elencados, acredita que teremos uma paz duradoura? É preciso repensar o sistema eleitoral, em que quando um indivíduo amealha 51% de votos num determinado local leva tudo e tu ficas com zero. Em África estar na oposição significa estar no zero e não tens nada para redistribuir aos teus membros. Estamos numa situação em que, por um lado, há obsessão em continuar no poder e, por outro, há obsessão de alcançar o poder custe o que custar, incluído com recurso à destruição. As elites acumulam as riquezas através do poder, pois sabese de antemão que na nossa sociedade quem controla o Estado tem tudo. O sistema eleitoral deve ser representativo das aspirações das popula- ções locais, ou seja, tu tens de votar e sentir que o teu voto tem valor. Num jogo de futebol não há vencedores antecipados e a democracia tem de ser vista nestes termos. Vou considerar Moçambique um Estado democrático no dia em que a democracia for um jogo de incerteza e houver livre concorrência. Quando um partido não chega ao poder por não ter conseguido mobilizar o eleitorado por falta de mensagem. Num mercado de livre concorrência, concorremos por igual e conseguimos atrair o nosso alvo mostrando aos clientes que o nosso produto é o melhor. No campo político tem de ser assim, chegar ao poder porque consegues mostrar que és melhor e não pelo facto de não teres mais condições em relação aos outros. O que acha da proposta da descentralização da Renamo? O meu colega Luís de Brito foi intimidado por debater essa temática e não quero debater. Mas digo-te o seguinte: A inclusão significa acabar com gradualismo e estender a autarcização por todo o país. O argumento de que temos de ir gradualmente é falso, sabemos que se nós acelerarmos isto para todos os cantos do país o mapa político pode mudar e alguns sítios podem ser ganhos por outros partidos e não interessa a outros. Diversos segmentos da sociedade queixam-se da exclusão e, na mesa das negociações, a Renamo reivindica o mesmo. Acha que as ideias da Renamo podem resolver esta inquietação da sociedade? A Renamo não é diferente da Frelimo e isso vem desde o Acordo Geral de Paz (AGP). A Renamo colocou em tempos a barreira dos 5% de votos como condição para que os partidos tivessem representação parlamentar. Com aquela barreira impediu a entrada de partidos pequenos na AR, o que mostra que nunca quis incluir os outros. A Renamo não pratica a inclusão. Para ela falar da inclusão é com a Frelimo e viceversa. Para a Renamo, a inclusão é somente para os seus militares para que tirem benefícios do Estado e nós sabemos disso. Não vamos esperar inclusão dos outros porque o partido de Dhlakama nunca impôs que se deveria incluir outros partidos ou forças nos debates. O presidente do MDM diz que quer entrar nas negociações, mas está a sonhar porque aquilo só se vai resolver entre o governo e a Renamo, tal como sempre se resolveu. Para além da crise política, o país atravessa também uma crise económico-financeira. Quais os desafios que a obra do IESE nos apresenta nesta matéria? Nesta edição não falamos das dívidas ocultas por já termos feito uma análise exaustiva sobre isso. Mas abordamos a questão da estrutura da dívida pública no contexto do PQG em que o governo se compromete a aumentar a produtividade e a competitividade da economia de modo a gerar crescimento económico que permita gerar empregos e, por sua vez, um crescimento inclusivo. Constatámos que a maior parte do bolo de endividamento foi para as infra-estruturas, o que em si não é problema porque o país precisa de estradas, pontes entre outros. Sucede que as ditas infra-estruturas não têm nenhuma ligação com as actividades produtivas. De acordo com o artigo, parte da estratégia do endividamento está complemente deslocado de qualquer relação com actividades produtivas quer directa ou indirectamente. Sérgio Chichava, pesquisador do IESE “O país está descontrolado” Por Argunaldo Nhampossa “Quem pensa diferente não pode ser visto como inimigo da pátria” — Sérgio Chichava Ilec Vilanculos Savana 14-10-2016 7 PUBLICIDADE 8 Savana 14-10-2016 SOCIEDADE Numa altura em que alguns sectores consideram o combate à caça furtiva como uma batalha perdida a favor dos sindicatos de crime, os governos de Moçambique e África do Sul vieram a público desmentir estas informa- ções, tanto é que já falam de uma ligeira estabilização da situação na zona transfronteiriça de Limpopo. As partes apontam como principal desafio dos próximos tempos chegar aos mandates dos furtivos de modo a acabar de uma vez por todas com este crime contra a natureza. À margem da conferência das Partes da Convenção sobre o Comércio Internacional das Espécies da Flora e da Fauna Selvagens em Perigo de Extinção (CITES- -COP17), que terminou semana finda, na zona de Sandton, em Johanesburgo, Moçambique e o país anfitrião organizaram uma reunião bilateral para analisarem o rumo das acções conjuntas no combate à caça furtiva e comércio ilegal de espécies faunísticas. Os dois países assinaram em 2002 um acordo para preservação da biodiversidade na zona do grande Limpopo, facto que em 2014 resultou na criação de equipas multissectoriais de trabalho. As autoridades sul-africanas louvaram o trabalho desencadeado pela sua contraparte ao criar uma força de Protecção de Recursos Naturais e Meio Ambiente, a inclusão da Procuradoria-geral da República (PGR), da Polícia de Investigação Criminal (PIC) e as acções de capacitações conjuntas dos guardas fronteiras. É que, por várias vezes, os vizinhos criticaram a inércia das autoridades moçambicanas no combate à caça furtiva. Em representação da delegação moçambicana no evento, esteve o director-geral da Administração Nacional das Áreas de Conserva- ção (ANAC), Bartomoleu Soto, que constatou progressos assinaláveis na cooperação entre os dois países na luta contra a caça furtiva e tráfico de espécies da fauna bravia. Diz ter esperança de que unidos vão ganhar a batalha e prova disso é redução em mais de 50% dos níveis da caça e, em paralelo, o aumento do número de detenções dos furtivos. Questionado se a redução das incursões furtivas não resultavam da inexistência de animais para abate, Soto refutou, mas os números de rinocerontes existentes levam-nos a concluir que os animais estão em extinção. Segundo o dirigente, o Parque Nacional de Limpopo tem 20 rinocerontes, que contam com uma segurança redobrada de modo que a espécie não se extinga no país. Em 2014 diz ter contabilizado 10 mil elefantes no país, cuja taxa de reprodução é de 2 a 3% ano. “Estamos a ter mais de 2000 mil animais a nascer por ano e os nossos dados indicam que, em 2104, foram caçados 600 elefantes, em 2015, 300 paquidermes. Concluí- mos que estão a nascer mais animais do que estão sendo caçados. O que acontece é que tínhamos um controlo fraco e, nos últimos tempos, ficou cada vez mais forte”, explicou. Falou dos avanços na reforma da legislação, pois a vigente prevê pena de prisão a quem é encontrado a caçar e multa para aquele que armazena ou transporta os cornos de rinoceronte ou pontas de marfim, que muitas vezes é o principal mandante. Neste sentido, a proposta de emenda já foi submetida ao parlamento, e que se espera seja debatida na sessão que vai arrancar daqui a 15 dias, possa punir severamente com pena de prisão a toda a rede dos envolvidos, desde o caçador, transportador, armazenador entre outros cúmplices, para cortar a cadeia de crime. A revisão legislativa é vista como fundamental também para tirar o país da lista negra da Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies de Fauna e Flora Selvagens Ameaçadas de Extinção (CITES), visto que era considerado um país que nada fazia para combater o abate indiscriminado de animais bem como o facto de ser um corredor privilegiado. Assinalou que, paralelamente às incursões militares, é preciso investir na melhoria da qualidade de vida das comunidades circunvizinhas às áreas de conservação, provendo mais serviços básicos, como escolas, hospitais, mecanizar a agricultura e gerar postos de emprego, como forma de minimizar a vulnerabilidade das populações. O chefe da equipa dos seguranças do Kruger Park , Nicholus Funda, também reconheceu a estabiliza- ção das acções furtivas no corredor transfronteiriço e congratulou ao empenho do governo moçambicano neste campo, que antes não era dado a devida atenção. Falou da importância de opera- ções conjuntas, partilhas de informações estratégicas e apelou para a necessidade de intensificação de operações naquele corredor de forma a acabar de uma vez por todas com os sindicatos de crime. Para o alcance deste meta, desafiou as autoridades nacionais a investirem mais neste luta, porque muitas vezes o seu país é obrigado a ajudar a sua contraparte em combustível e mantimento para os agentes de modo a materializar as operações. Outro passo importante indicado por Nicholus Funda é a necessidade de imprimir maior eficácia no sistema judiciário, de modo que se chegue aos mandatários, facto que deve contar com o trabalho dos seguranças dos parques que não podem atirar para matar, mas sim fazer tudo por tudo para neutralizá-los. “Temos muita gente na cadeia, mas não estamos satisfeitos porque ainda queremos deter os mandantes, aqueles procuram os pobres e oferecem dinheiro, armas de fogo para irem a caça”, disse. Moçambique e RSA reivindicam ganhos no combate à caça furtiva Por Argunaldo Nhampossa Necrologia R Necrologia R Necrologia R Necrologia R Necrologia R Necrologia O Conselho de Administração da mediacoop SA, as direcções editoriais das publicações mediaFAX, SAVANA, e rádio SAVANA, os jornalistas e todos os outros trabalhadores lamentam, com pesar, o falecimento do seu trabalhador, colega e amigo, Ibraimo Abdul, ocorrido na madrugada do dia 07 de Outubro corrente, vítima de doença.O funeral teve lugar segunda-feira, 10/10/16, no cemitério de Michafutene. Nesta hora de dor e perda apresentamos à família enlutada as nossas mais sentidas condolências. Até sempre, mano Ibra! Ibraimo Abdul Faleceu Moçambique e RSA congratulam se das missões de patrulha conjuntas Cerca de duas toneladas de marfim escondidos, num carregamento de madeira proveniente de Moçambique, foram apreendidas no Vietname pelas autoridades aduaneiras, disse sexta-feira passada uma fonte autorizada. Embora o comércio de marfim seja proibido no Vietname, o país continua a ser um mercado apetecível para produtos de marfim. Oficiais aduaneiros inicialmente disseram que encontraram 500 quilos de marfim em duas caixas de madeira proveniente de Mo- çambique num porto de Ho Chi Minh City, mas depois actualizaram os números depois de uma pesquisa mais aprofundada. Um comunicado do Departamento de Alfândegas Vietnamita confirmou mais de dois mil quilos de pontas de marfim. “Esta transferência não teria sido descoberta sem profissionalismo e vigilância”, disse o vice-chefe do departamento das Alfândegas, Hoang Viet Cuong, citado pelo Bangkok Post A última apreensão foi feita há duas semanas, onde foram descobertas 300 quilogramas de pontas de marfim no aeroporto de Hanói. A encomenda vinha da Nigéria falsamente rotulados como vidro. O Vietname proibiu o comércio de marfim em 1992, mas a fraca aplicação da lei permitiu que o seu comércio ilegal persistisse. Uma pesquisa no ano passado descobriu mais de 16 mil pontas de marfim disponíveis em Hanói, de acordo com a Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies Ameaçadas de Fauna e Flora Selvagens (CITES). 'XDVWRQHODGDVGHPDUÀP apreendidas no Vietname Provenientes de Moçambique Savana 14-10-2016 9 PUBLICIDADE SOCIEDADE 10 Savana 14-10-2016 SOCIEDADE SOCIEDADE SOCIEDADE Hoje sentimos a frieza da morte. Nesta segunda- -feira levamos-te na tua última viagem. Sabemos que nunca mais seremos os mesmos sem você, mas a vida continua. Como dizia o outro, a vida seria uma eterna comédia se a morte não existisse. Ibraimo Abdul, ou simplesmente mano Ibra, queremos que saibas a honra que sentimos por ti como nosso colega. Sabemos que partiste para nunca mais voltares, mas queremos que saibas que nos nossos cora- ções viverás para sempre, serás um modelo, um marco nas nossas vidas, um exemplo de bondade. Na madrugada de 07 de Outubro de 2016, após alguns dias de luta pela vida no leito hospitalar, acabaste por não vencer e partiste muito cedo. A doença te levou. Mano Ibra, tinhas apenas 40 anos de idade, tiveste uma infância conturbada. A guerra dos 16 anos tirou-te, aos oito anos, os teus pais e irmãos. Ficaste sozinho. Viveste com uma bala alojada próximo ao coração durante 32 anos, Resististe às adversidades da vida até ao dia de hoje. Isso para nós é injusto. Merecias mais. Os teus dois filhos são novos demais. Tem apenas sete e quatro anos, respectivamente. Ainda precisam de si. A tua mulher também, mesmo nós colegas...mas enfim....assim quis o destino. Até sempre.... Até sempre Ibraimo Efusivamente exaltadas como dos marcos indeléveis da governação de Armando Guebuza, as obras de construção da barragem Moamba Major, na província de Maputo, poderão transformar- -se num pesadelo, na sequência da suspensão, pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Económico e Social (BNDES) do Brasil, de empréstimos a exportações de serviços de engenharia para as principais empreiteiras brasileiras investigadas na operação Lava Jato. Num pacote de contratos que totalizam USD 4.7 mil milhões, a suspensão, noticiou esta terça-feira a revista brasileira VEJA, afecta os grupos Odebrecht, OAS, Queiroz Galvão, Camargo Corrêa e Andrade Gutierrez e engloba contratos de exportação de serviços para países como Argentina, Cuba, Venezuela, Guatemala, Honduras, República Dominicana, Angola, Moçambique e Gana. Sabe-se, no entanto, que a brasileira Andrade Gutierrez, ao encalço da operação Lava Jato que rastreia esquemas de corrupção no Brasil, fechou, em 2014, um pacote financeiro de USD 320 milhões para a construção da barragem de Moamba Major, na província de Maputo, extremo sul de Moçambique. O financiamento foi possível com “facilitação” da então presidente, Dilma Roussef que, de acordo com documentos publicados pela imprensa brasileira, actuou em favor da Andrade Gutierres na contrata- ção do “bolo” dos USD 320 milhões do estatal BNDES, precisamente, na véspera da eleição de 2014 que a reconduziu para um segundo mandato que, entretanto, acabou travado, há sensivelmente um mês, por um sinuoso processo de impeachment. Quando o assunto foi despoletado, em princípios do ano, a imprensa brasileira revelou que, em Março de 2013, a ex-presidente  brasileira  se reuniu com o então presidente mo- çambicano, Armando Guebuza, em Durban, na África do Sul, durante um encontro dos BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, as chamadas economias emergentes), reunião na qual Roussef se dispôs a “resolver o assunto” da libertação do dinheiro para Moçambique. É que, o banco estatal brasileiro colocava como condicionalismo para libertar o dinheiro a abertura, por Moçambique, de uma conta bancá- ria fora do país, no que chamava de “uma economia com baixo risco de calote”, um procedimento comum nos financiamentos à exportação do  BNDES que, entretanto, Guebuza recusava. Foi com a intervenção de Dilma Roussef que o BNDES “abriu excepção” para Moçambique, tendo sido assinado, a 16 de Julho de 2014, em plena campanha para a eleição presidencial, um contrato entre o banco brasileiro, a República Moçambique (representada pelo ex-ministro das Finanças, Manuel Chang) e a Andrade Gutierrez, desbloqueando assim a linha de crédito de USD 320 milhões. “Entre as empreiteiras brasileiras, a Andrade foi a principal contribuidora da reeleição de Dilma, desembolsando quase o triplo do total repassado pela UTC”, escreveu, na sua edição de 8 de Janeiro de 2016, a revista ÉPOCA, detida pelo grupo multimédia brasileiro, a Globo. No dia 31 de Outubro de 2014, no lançamento da primeira pedra para a construção de infra-estruturas, Armando Guebuza saudava a “parceria brasileira”. “Queremos saudar a parceria brasileira neste projecto. Por isso, endereçamos, através de si, Senhora Embaixadora (Lígia Maria Sherer esteve directamente envolvida na negociação, com telegramas que posteriormente vazaram para a imprensa), palavras de agradecimento e de reconhecimento ao seu Governo pelo apoio com recursos que irão complementar o exercício interno, tendo em vista erguer esta infra-estrutura hidroeléctrica. Contamos com a crescente consolidação e diversificação desta parceria que já deu muito no passado e tem o potencial de dar muito mais no futuro”, disse, na altura, Guebuza. Sem Dilma, BNDES trava mola Entretanto, o BNDES anunciou, esta semana, o anúncio da suspensão de crédito à exportação de empreiteiras da Lava Jato, que inclui Moçambique, cerca de um mês depois da destituição da presidente que “libertou” o financiamento ao governo de Armando Guebuza. Ao todo, refere a VEJA na sua sec- ção económica, a suspensão inclui 25 projectos, que somam USD 4.7 mil milhões, sendo que USD 2.3 mil milhões já foram desembolsados. “Evidentemente, é uma negociação dura.  A  gente vem conversando e vamos tentar chegar ao melhor termo”, disse o director da área de exportação do banco de fomento, Ricardo Ramos, citado pela revista. “Nem todos estão satisfeitos e precisamos ter tempo para olhar os critérios futuros”, acrescentou. De acordo com a imprensa brasileira, a suspensão dos desembolsos será temporária e, a partir de agora, a liberação dos recursos dependerá do enquadramento a novos critérios criados pelo banco para consumar a operação. De acordo com o director do banco, os projectos serão analisados caso a caso e alguns poderão ser suspensos definitivamente. “É um momento difícil (…) e fizemos um freio de arrumação. Uns poderão ser suspensos e outros, cancelados. Vamos chegar a um bom termo”, declarou Ramos ao comentar a decisão.  O ponto de partida para a decisão foi uma acção civil pública movida pela Advocacia-Geral da União (AGU) contra as empreiteiras envolvidas na Lava Jato para tentar reaver recursos desviados. Novos critérios Para que os USD 4.7 mil milhões em empréstimos sejam liberados pelo BNDES às empreiteiras no futuro, prossegue a VEJA, as empresas terão de obedecer quatro critérios criados pelo banco de fomento. As condições incluem avanço físico da obra, nível de aporte de recursos de mais financiadores (além do BNDES) e impacto de novos desembolsos no incremento da exposição e do risco de crédito do BNDES em cada país. Além disso, um termo de compliance (boas práticas) deverá ser celebrado entre o BNDES e cada exportador e cada devedor. “Vamos exigir um compliance do exportador e importador que vai declarar que naquela obra tudo ocorreu conforme a lei… se no futuro algo for descoberto pode-se cobrar multa, devolução do dinheiro e haver suspensão do desembolso”, afirmou o director. Em paralelo aos processos suspensos e em análise das empreiteiras, o banco criou medidas mais rígidas para o financiamento a exportação de bens e serviços de engenharia. Segundo  Ramos, o BNDES vai levar em conta para a liberação de financiamentos para exportações de serviços de engenharia em geral o impacto dos projectos na cadeia produtiva e efeitos sobre pequenas e médias empresas do país. “Só vamos agora apoiar se houver agregação de valor na cadeia produtiva nacional (…) Estamos dando uma resposta do banco a demandas da sociedade.”  O BNDES  também vai monitorar mais de perto as obras realizadas com seus recursos no exterior por meio de ferramentas de sensoriamento remoto que incluem utilização de imagens por satélite, acrescenta a notícia da revista VEJA. Porém, o director do projecto, Elias Paulo, citado na noite desta quarta- -feira, pelo canal televisivo stv, disse que ainda não tinha sido comunicado oficialmente a suspensão do financiamento. Garantiu, entretanto, que os trabalhos estão a decorrer, normalmente e, mais ainda, Paulo não vê em que medida a Lava Jato pode afectar a barragem Moamba Major. Lava Jato persegue dinheiro em Moçambique 6XVSHQVRÀQDQFLDPHQWRSDUD0RDPED0DMRU Por Armando Nhantumbo Num lobbyGH$UPDQGR*XHEX]D'LOPD5RXVVHI´IDFLOLWRXµÀQDQFLDPHQWRSDUDDEDUUDJHP0RDPED0DMRU Savana 14-10-2016 11 PUBLICIDADE SOCIEDADE Por ocasião do 4 de Out§bro: Dia do Acordo Geral da Paz Recorte esta página do jornal e coloque-a na sua casa, no seu local de trabalho, de ensino, de lazer, etc. E vivencie um clima de paz e respeito, sempre. facebook.com/faneloyamina.org faneloyamina.wix.com/fanelo-ya-mina REPÚBLICA DE MOÇAMBIQUE Ministério da Saúde Uma parceria ent¢e: 12 Savana 14-10-2016 SOCIEDADE Ao cair do pano da III Sessão Extraordinária do Comité Central (CC) da Frelimo, na Matola, os históricos do partido que em reuniões passadas nunca se tinham coibido de se expressar à “imprensa rebelde”, como são tratados os órgãos de comunica- ção social que não cantam a música governamental, no último fim-de- -semana eram homens sem ou então com muito poucas palavras. A incisiva campanha do presidente do partido que, desde a X Conferência Nacional de Quadros, apregoou “disciplina e coesão interna”, pode ter “assustado” os chamados “críticos de dentro” na Frelimo, alguns dos quais, do lado de fora da sala, já comentavam a necessidade de terem de “assegurar isto”. A forma surpreendente como os “críticos” que, em reuniões anteriores inclusive aproveitaram a “imprensa rebelde” para mandar recados à liderança do partido, recusaram-se, desta vez, prestar declarações, sugere “tanta disciplina” assimilada em menos de duas semanas, nos bancos da escola do partido. Alguns dos recém “disciplinados” e transformados em “estrelas de cinema mudo”, até há pouco, expressaram publicamente as suas críticas à governa- ção do dia. O nervosismo indisfarçável em semblantes dos “críticos de dentro”, nas últimas duas semanas na escola da Frelimo, na Matola, reavive os momentos electrizantes da IV Sessão Ordinária do CC, em Março de 2015, quando o então presidente do partido, Armando Guebuza, que procurava, a todo o custo, permanecer na lideran- ça do partido, disse-se preocupado por aquilo que chamou de “postura e comportamento de alguns camaradas que, publicamente, engendram acções que concorrem para perturbar o normal funcionamento dos órgãos e das instituições e para gerar divisões e confusão no nosso seio”. Um recado que, na altura, não caiu bem na ala mais crítica que interpretou o discurso como intimidador de alguém que pretendia criar medo e silenciar o debate. “Ele está a travar a discussão, quando lança esses recados de que há membros que estão a lançar, publicamente, ideias que enfraquecem o partido. Isso é que é mau, porque mete medo às pessoas e, pronto, aí estamos silenciados”, reagiu, na altura, Jorge Rebelo, um dos fundadores da Frelimo, onde foi o temido Secretário do Trabalho Ideológico. Sucede que, nos últimos tempos, com a situação político-económica do país a deteriorar-se, perante uma manifesta incapacidade do governo de Filipe Nyusi em estabilizar o país, quer na vertente política, quer na económica, multiplicam-se as críticas, incluindo de dentro da Frelimo, contra um Nyusi que chegou a ser baptizado como um “presidente de faz de conta”. Com a lição bem estudada, o presidente foi às duas recentes reuniões do partido para, claramente, “chamar atenção” aos camaradas “indisciplinados”. Filipe Nyusi dedicou parte significativa dos seus discursos, tanto na X Reunião Nacional de Quadros como na III Sessão Extraordinária do CC, para mandar recados para dentro do partido. Na Reunião de há uma semana, o presidente chegou a falar de “inimigos”, afirmando: “o inimigo pode falar a nossa língua, vestir a nossa farda, comer da mesma maneira que nós, pode dar vivas à Frelimo, até gritando mais do que nós. O que ele nunca pode, não é capaz, é de ter o nosso comportamento, viver a nossa linha política”. Tal como Guebuza que, em 2013, falou de acções perturbadoras para gerar divisões e confusão no partido, Nyusi vincou, perante cerca de três mil quadros da Frelimo, que “a disciplina não se confunde com a maledicência e com a falta de respeito pelos órgãos, hierarquicamente, superiores ou inferiores. Ela não se confunde com o liberalismo”. Numa altura em que históricos como Sérgio Vieira chegam a equacionar, publicamente, derrotas para a Frelimo nas próximas eleições, caso o partido não se reencontre com o povo, Filipe Nyusi declarou: “ser disciplinado é ter consciência plena de que os órgãos do partido são muito mais importantes do que os nossos egos, ou do que cada um de nós é, individualmente. Ser disciplinado é ter a consciência plena de que pouco valerá sermos aplaudidos ou louvados, individualmente, sobretudo, se esses aplausos e esses louvores não se estenderem ao partido que nos sustenta ou se contribuírem para a corrosão do seu prestígio e bom nome”. Quando se pensava que Filipe Nyusi já tinha “desabafado” o suficiente na Reunião de Quadros, eis que o presidente volta a pisar na mesma tecla na III Sessão Extraordinária do CC. Começou por denunciar, na Frelimo, a emergência da supremacia do que chamou por interesses individuais ou de grupos que procuram se sobrepor aos interesses da Frelimo, penetrando e instalando seus tentáculos no partido e na sociedade. Numa sala que contava com camaradas como Armando Guebuza, o presidente do partido disse que a Frelimo não pode ser encarada como uma plataforma de acesso ao poder para atingir fins pessoais ou de grupo. Destacou que a Frelimo não tem donos, é de todos e deve ser o partido a usar os seus membros e não o contrário. Mas Nyusi, que dispensou habituais cânticos enfadonhos, apregoou, uma vez mais, a coesão interna. “Este fenómeno deve ser combatido sem tré- guas, pois corrói a nossa militância e até a nossa cidadania e mina a coesão interna do nosso partido”, disse o presidente, para quem a Frelimo é mais que indivíduos. Voltou a falar de inimigos, vincando que é preciso identificá-los. “Sou um militante muito disciplinado” — Tomaz Salomão Coincidência ou não, depois dos fortes recados de Filipe Nyusi, camaradas que habituaram falar, sem reservas, à “imprensa rebelde”, não aceitavam fazê-lo no último fim-de-semana na Matola. Em geral, reinava um clima de contenção no seio dos tidos como críticos. Por exemplo, Tomaz Salomão, antigo ministro das Finanças, não aceitou falar, alegando que o partido tem um porta-voz, a quem remeteu qualquer comentário sobre a sessão do CC. “Eu sou um militante muito disciplinado”, disse, ironicamente, entre sorrisos, o antigo secretário Executivo da Comunidade dos Países para o Desenvolvimento da África Austral (SADC). O pronunciamento do militante “muito disciplinado” lembra o de Óscar Monteiro, um histórico da Frelimo e crítico de primeira linha que, na sessão em que Armando Guebuza falou de camaradas que “perturbam” o funcionamento normal dos órgãos, recusava falar à imprensa, com a má- xima de ser uma “estrela do cinema mudo”. Teodato Hunguana, outro peso pesado na Frelimo, não aceitou falar ao SAVANA, a quem disse estar de luto, mas participou das sessões do CC. Vale recordar que, na X Reunião de Quadros, há uma semana, quando o presidente iniciou a campanha contra “inimigos” dentro do partido, a Dona Lulu também recusou pronunciar- -se ao SAVANA. “Estou estoirada”, disse, na altura, Luísa Diogo, a antiga primeira-ministra que, em entrevista a este jornal, em 2015, falou de “pesadelos” pela forma como o governo do presidente Armando Guebuza tinha endividado o país, em referência aos USD850 milhões da Empresa Moçambicana de Atum (EMATUM), uma vez que eram ainda desconhecidas as dívidas da Proindicus e Mozambique Asset Management (MAM) que rondam aos USD1.4 mil milhões também avalizados pelo governo do “camarada visionário”. A viúva do presidente Samora Machel também não queria falar. Foi preciso insistir para a antiga ministra da Educação dar algumas palavras. Só que, ao ceder, Graça Machel era também uma militante “muito disciplinada”, embora tenha dado uma versão contrária sobre o que entendeu de “disciplina” apregoada pelo presidente do partido. “A questão de disciplina, no meu entender, não está no limitar falar ou não falar. A disciplina tem a ver com o combate ao nepotismo, às intrigas e ao clientelismo”, reagiu a antiga governante para quem a III Sessão Extraordinária do CC foi importante porque reconheceu a necessidade de uma reflexão interna e profunda para resgatar os valores que nortearam a criação da Frelimo que, segundo ela, deve se aproximar, auscultar, considerar e operacionalizar as aspirações mais profundas da sociedade. “Não é segredo nenhum que a Frelimo se encontra fragilizada por dentro”, admitiu a antiga governante que, em outros momentos, também já atirou “pedras para dentro”, acrescentando que é preciso fortalecer o partido, rejeitando alguns comportamentos e atitudes que existem no seio dos camaradas para valorizar e fortificar a identidade da Frelimo. De resto, em termos de resposta às grandes preocupações que se esperam de um partido que sustenta o governo, a III Sessão Extraordinária do CC, à semelhança da também recente X Reunião Nacional de Quadros, não trouxe decisões estruturantes para um país mergulhado em guerra e numa encruzilhada económica. Pelo contrário, voltou-se a ter um Filipe Nyusi de recados para a Renamo. Saudou, no discurso de abertura, o povo moçambicano, que disse ser um povo humilde, paciente na busca da paz e laborioso, não obstante as actuais descontinuidades económicas e os horrores dos ataques reiterados da Renamo. Já no encerramento, repetiu o disco já riscado: “reafirmamos, mais uma vez, o nosso compromisso de tudo fazermos para que, de uma vez para sempre, em Moçambique reine a concórdia, a reconciliação e uma paz efectiva e duradoura”. A Sessão iniciou com actuações culturais, mas não à mesma proporção de há uma semana, na Reunião de Quadros. “Temos saudades de ti Samora”, diz uma das canções que sugere que se o primeiro presidente de Moçambique fosse vivo o país não estaria, hoje, no “fundo do poço”. Há menos de uma semana de uma Reunião com bastantes “saudações”, Nyusi dispensou, na abertura do CC, os discursos das organizações sociais do partido, nomeadamente, a Associação dos Combatentes da Luta de Libertação Nacional (ACLLIN), a Organização da Mulher Moçambicana (OMM) e a Organização da Juventude Moçambicana (OJM), para não incluir as crianças da Organização da Continuadores de Mo- çambique (OCM) que, em reuniões partidárias, também são mobilizadas para “cantar hosanas” ao partido e seu presidente. “Sei que as organizações sociais queriam saudar, mas agradecemos porque já o fizeram na reunião da semana passada”, disse, dispensando a intervenção de organizações que, nos últimos 10 anos, foram habituadas a apresentar saudações à “gloriosa Frelimo” e o seu respectivo “visionário presidente”. Para além de aprovar a directiva sobre eleições internas para os órgãos do partido, o código de conduta “ajustados à conjuntura actual” e as teses para o XI Congresso agendado para Setembro e Outubro do próximo ano, a III Sessão Extraordinária do CC terminou com movimentações das chefias das brigadas centrais para as províncias e para a cidade de Maputo, uma acção que o presidente justificou com a necessidade de “induzir o dinamismo, consolidando as experi- ências, renovando ou refrescando os quadros”. Assim, Alberto Chipande saiu de Sofala para Tete. O general na reserva deixa Sofala sem conseguir arrancar a segunda maior cidade do país, Beira, governada pelo Movimento Democrático de Moçambique (MDM), na pessoa do engenheiro Daviz Simango. E essa é a tarefa difícil agora nas mãos de Eneas Comiche, que deixou Inhambane com Alcinda de Abreu Mondlane. De Tete, saiu Margarida Talapa que vem para enfrentar a cidade de Maputo em substituição de Conceita Sortane, que segue para Cabo Delgado. Eduardo Mulémbwe passou a chefe da brigada central na província de Maputo, enquanto Verónica Macamo foi enviada para casa, nomeadamente, na província de Gaza, o misterioso frelimistão onde o partidão consegue vitórias de 100%. Quem não foi movimentado foi o “homem das vírgulas”, como ficou conhecido o antigo secretário-geral da Frelimo, Filipe Paúnde, que continua com o desafio de recuperar a cidade que, nas últimas eleições autárquicas, foi para Muhamudo Amurane, do MDM. José Pacheco foi a Niassa e deixou a Zambézia com Carvalho Muária que tem agora a espinhosa missão de recuperar Quelimane, governada por Manuel de Araújo do MDM e Gúruè, nas mãos de Orlando Janeiro, também pela terceira maior força política do país. Manica ficou com Sérgio Pantie. Ala crítica da Frelimo evita comentários públicos depois dos recados de Nyusi Disciplinados e estrelas de cinema mudo! - “Eu sou um militante muito disciplinado” , reagiu, ironicamente, Tomaz Salomão Por Armando Nhantumbo Teodato Hunguana Tomaz Salomão Graça Machel Savana 14-10-2016 13 PUBLICIDADE SOCIEDADE 14 Savana 14-10-2016 Savana 14 -10-2016 15 NO CENTRO DO FURACÃO Assinala-se, este ano (2016), a passagem de uma dúzia de anos, desde que se implantou o primeiro projecto de exploração de gás natural no país, o Projecto de Gás Pande-Temane. Como em qualquer parte do mundo e, particularmente, em Moçambique, os projectos de exploração dos recursos naturais, quando chegam trazem consigo a esperança de uma vida melhor, mas os mesmos tornam-se, em pouco tempo, num motivo de frustração. Este é o caso do Projecto de Gás Pande-Temane, desenvolvido na província de Inhambane, concretamente na povoação de Temane, no distrito de Inhassoro e no Posto Administrativo de Pande, no distrito de Govuro. Projecções feitas pelos Ministério dos Recursos Minerais e Energia, Fundo Monetário Internacional e Banco Mundial apontam que, durante os 25 anos em que o projecto será desenvolvido, Moçambique irá encaixar dois mil milhões de dólares norte-americanos. Entretanto, dados revelados pelo Centro de Integridade Pública (CIP), em 2013, indicam que nos primeiros anos (2004-2012), o país arrecadou USD 50 milhões, contra os mais de USD 800 milhões anuais colectados pela África do Sul, na sua venda. A remoção da cláusula de partilha de produção do acordo, inicialmente estabelecido; e a aceitação, pela parte moçambicana, de uma forma de pre- ços abusivos são apontadas, pelo CIP, como sendo as causas principais que levaram o país aos resultados insatisfatórios na única fonte de gás natural rentável. Os resultados desse “mau negócio” são visíveis no terreno. Passados 12 anos, o SAVANA visitou as comunidades afectadas pelo Projecto e estas ainda anseiam a mudança das suas vidas, facto prometido aquando da implantação da fábrica. Em ambas localidades, as reclamações são as mesmas e resumem-se na insuficiência de água potável, falta de energia eléctrica nas residências, desemprego e num fraco relacionamento com a petrolífera sul-africana SASOL. Mangungumete um “mau” cartão de visita A primeira escala da nossa reportagem foi a comunidade de Mangungumete, uma povoação da localidade de Maimelane, uma das cinco do distrito de Inhassoro, localizada na entrada para a fábrica de liquefação de gás natural, de Temane, instalada pela SASOL. Trata-se de uma povoação pequena, cujos dados populacionais não dispodências, Orlando Gove, de 39 anos e residente naquela povoação, revela que, na governação de Joaquim Chissano, foram prometidas casas melhoradas, mas nada foi feito. Entretanto, apesar deste facto, alguns moradores desta comunidade reconhecem o quão foi importante ter o Projecto do seu lado. Feliciano Chimbomane, de 50 anos, conta que antes da exploração de gás, o Posto Administrativo de Maimelane, onde está inserida a povoação de Temane, “não era nada”. Esta opinião é secundada por Admira Chichongue, de 21 anos de idade, que aponta a construção de escolas (duas primárias e uma secundária); um centro de saúde; três fontenárias de água potável; e a instalação de energia eléctrica, como os ganhos advindos deste projecto. Porém, alguns destes ganhos fazem parte do passado, como é o caso da água e outros que ainda não foram desfrutados, que é a energia eléctrica. O facto é que, das três fontenárias de água construídas pela petrolífera sul- -africana, apenas uma é que continua em funcionamento, enquanto a energia eléctrica só ilumina a Estrada Nacional número um, as instituições de Estado e os estabelecimentos comerciais, pois, as residências não dispõem de ligações. “Não temos energia nas casas porque, por um lado, não temos dinheiro para fazer as ligações e, por outro lado, a EDM diz que ainda não há projecto de electrificação da zona. Quem quiser energia agora deve comprar postes e cabos eléctricos para se efectuar a ligação”, conta Minora Zacarias, de 34 anos, também residente daquela povoação. “Estamos com problema de água. Tí- nhamos três fontenárias, mas só ficamos com um, o que nos faz acordar altas horas para buscar água”, acrescenta. Feliciano Chimbomane também fala da insuficiência de água potável e falta de energia nas residências, porém, afirma que a responsabilidade não é da SASOL, mas do governo. “A SASOL fez a sua parte. Agora o FIPAG e a EDM devem nos dar água e energia”, afirma. O (des) emprego que divide opiniões Apesar de se saudar a chegada da escassa água potável e da quase inexistente energia eléctrica, a população daquele povoado revela ainda não ter visto nenhum benefício do projecto nas suas vidas. O facto é que o seu dia-a-dia é quase uma incógnita e tudo devido ao desemprego, o seu maior problema. Admira Chichongue conta que tem dois filhos e tem sido difícil sustentá-los porque o marido não trabalha. “Por várias vezes, o meu marido pediu emprego na SASOL, mas não foi aceite. Vivemos na base da agricultura e a mesma não nos dá nada”, descreve. Por sua vez, Minora Zacarias, também desempregada e mãe de três filhos, descreve o mesmo cenário, porém, aponta o dedo aos secretários do bairro pela situação em que se encontra. “Vêm pessoas de Maputo para trabalhar e nós não somos abrangidos por essas oportunidades porque os nossos secretários cobram-nos dinheiro”, denuncia. Orlando Gove, pai de quatro filhos e trabalhador de conta própria (ajudante nas obras de construção civil), reconhece que o trabalho na SASOL é técnico, mas conta que no passado havia trabalhos sazonais, o que hoje já não acontece. “Naquele tempo tínhamos emprego de dois em dois anos, mas agora já não acontece”, realça. Para este homem, o que mais dói não é apenas o facto de não ter emprego formal, mas também o facto das machambas não produzirem e nem terem ajuda por parte da empresa. “Desde que a SASOL começou a explorar gás, que já não produzimos suficientemente e este ano as coisas pioraram devido à seca. A SASOL nem nos ajuda no sentido de melhorarmos a nossa produção”, reclama Gove. Gove explica que estes assuntos são de domínio do governo distrital, entretanto, este mostra-se incapaz de resolvê-los. “O governo do distrito sempre diz que vai resolver, mas até agora não fez nada. Aquando da visita do PR trouxeram uma ambulância e um carro da polícia, mas quando este voltou, levaram as duas viaturas”, conta. Enquanto uns choram por emprego e acusam a SASOL de lhes mostrar as costas, outros dizem que em Maimelane há emprego, o maior problema é falta de escolarização dos beneficiários. Gilda Huo, de 20 anos, também desempregada e mãe de uma filha, diz que há pessoas em Mangungumete que trabalham na SASOL e nas empresas de fornecimento de serviços, porém, o facto é que os que reclamam de emprego “não estudaram”. “Os poucos que estudaram terminaram na 7ª ou 10ª classe, o que faz com que não tenham emprego na SASOL”, sublinha. Mesma opinião é partilhada por Feliciano Chimbomane, camponês e pai de três filhos, afirmando que a petrolífera sul-africana criou muitos postos de emprego, faltando apenas mão-de- -obra qualificada. Por isso, a nossa fonte tem como desejo a construção de uma escola de formação técnica para formar os jovens daquele Posto Administrativo, de modo a conseguir enquadramento na empresa. “O desemprego é um problema antigo”, Administrador de Inhassoro Reagindo em torno das preocupações apresentadas pelos residentes da povoação de Mangungumete, o Administrador de Inhassoro, Afonso Machungo, admitiu que o desemprego é um problema antigo que já levou jovens a criar distúrbios junto à fábrica, perturbando o funcionamento normal da mesma. “É um facto, mas a SASOL é uma empresa multinacional e precisa de mão-de-obra qualificada e os nossos jovens, na sua maioria, não têm formação”, assume, acrescentando que mesmo os sazonais não têm sido contatados. “Mas, a empresa e a comunidade entenderam criar um fórum comunitário para gerir as vagas disponibilizadas pela empresa. O governo também instalou, em Inhassoro, um Centro de Formação Profissional fruto de uma parceria entre a SASOL e o INEFP, que abrange algumas áreas, como soldadura, trabalho de aço e mecânica. Envolve cerca de 100 estudantes e prioriza jovens que seguiram a área das ciências e que tenham domínio da língua inglesa”, explica. Em relação às ligações domésticas de energia eléctrica, Machungo confirmou que ainda não há projecto de expansão da rede na Localidade de Maimelane, o mesmo que acontece com a localidade-sede do distrito. “Neste momento, para quem quer energia, a EDM diz que financia apenas 30 metros do cabo de ligação. Caso a distância seja maior, o requisitante terá de custear”, confirma. Sobre a água, diz que é um problema que afecta o distrito, mas aponta a dispersão da população como responsável porque “temos uma cobertura de 100%”. Pande também chora... Ouvidos os choros da população de Mangungumete, a nossa reportagem escalou o Posto Administrativo de Pande, uma das seis localidades do distrito nortenho de Govuro, localizado no extremo sul deste ponto de Inhambane. É nesta localidade onde encontram-se os últimos 12 poços de extracção de gás natural, todos no âmbito do Acordo de Produção de Petróleo (PPA). A localidade de Pande é constituída por oito povoações, sendo habitada por 6.282 habitantes, segundo o censo populacional de 2007. Das oito povoações, apenas uma é que não dispõe de escola primária, sendo que no geral, a localidade tem, para além das escolas primárias, uma secundária do primeiro ciclo; um centro de saúde; mercado moderno; água potável; e energia eléctrica. Entretanto, à semelhança da outra localidade, Pande só tem energia eléctrica nos estabelecimentos comerciais e nas instituições de Estado e ressente- -se também da falta de água. “A energia está na estrada e nada mais. Dizem que ainda não há projecto para Pande”, conta Anita Balele, de 29 anos de idade. Balele é mãe de um filho e dedica-se ao comércio porque “não tenho emprego” e “a agricultura não nos dá nada”. “A vida está difícil. As coisas estão muito caras. Nós não produzimos nada. Tudo que se vende no nosso mercado vem de Nova Mambone e Vilanculo”, revela Balele. Mesmos choros se ouvem de Eduardo Nhassengo, de 23 anos de idade e desempregado. Nhassengo não tem filhos, mas conta que é o mais velho de uma família de cinco elementos e cuja mãe é a principal responsável. A nossa fonte afirma que vive angusImpacto sócio-económico do Projecto de Gás Pande-Temane, 12 anos depois A mudança que tarda chegar! Por Abílio Maolela (texto e fotos) Por forma a garantir o desenvolvimento sustentável das comunidades onde são explorados os recursos naturais, o artigo 20 da Lei nº 20/2014, de 18 de Agosto, Lei de Minas, estabelece 1: Uma percentagem das receitas geradas para o Estado pela extracção mineira é canalizada para o desenvolvimento das comunidades das áreas onde se localizam os respectivos empreendimentos mineiros; 2. A percentagem referida no número anterior é fixada pela Lei do Orçamento do Estado, em função das receitas previstas e relativas à actividade mineira. A percentagem definida pela Lei Orçamental é de 2,75% (esta percentagem não altera, apesar das constantes mudanças da Lei do Orçamento), sendo enviado aos governos distritais e investido nas áreas em que a população local achar pertinente, através de uma auscultação pública. A nossa reportagem escalou a Direcção Provincial de Economia e Finanças de Inhambane para se inteirar da alocação deste valor aos distritos de Govuro e Inhassoro. O Director Provincial-adjunto, Simeão Mavimbe, conta que os dois distritos recebem o valor desde 2013, sendo que até ao presente ano já foram desembolsados 24.800 mil OSAVANA procurou a petrolífera sul-africana para esclarecer algumas zonas nebulosas. Confrontada com as reclamações dos residentes de Pande e Temane sobre o desemprego, a empresa disse estar focada na capacitação humana, pelo que, em 2011, estabeleceu um programa de capacitação de aprendizes por três anos, em Temane, e o primeiro grupo de graduados começou a trabalhar, em 2014. A empresa garante ainda que, em 2017, irá instalar um novo centro de formação, em Inhassoro, avaliado em USD 13,4 milhões, cujos formados poderão ser utilizados no projecto do Contrato de Partilha de Produção. Acrescenta ainda que, em 2013, em parceria com o Ministério dos Recursos Minerais e Energia, forneceu bolsas de estudo de nível superior, para Moçambique, África do Sul e Malásia, a 64 estudantes nas áreas de Geologia, Engenharia de Petróleo, Geociências de petróleo, Processamento mineral, Civil, Mineração e Engenharia. Em relação ao impacto ambiental das suas actividades, a petrolífera sul-africana afirma que, ao longo deste período, têm realizado diversas avaliações de impacto ambiental independentes, que incluem estudos de qualidade do ar, relativo a novos projectos e expansões das instalações existentes e “até à data, nenhuma ligação foi estabelecida entre a baixa produção agrícola e as nossas actividades”. A empresa nega ainda que tenha virado as costas a população, no que tange à produção e, como prova, desenvolveu alguns programas para o fomento da agricultura e pecuária. O projecto relacionado à agricultura consiste, entre outras acções, em identificar as principais culturas alimentares comerciais; fornecer insumos de trabalho e instrumentos agrícolas; e a criação de ligações de mercado, enquanto o da avicultura tem como objectivo estimular a organização de uma Associação nas comunidades; envolver o Governo para fornecer suporte técnico; e ajudar a estabelecer ligações de mercado. “Estes projectos irão ajudar a aliviar a pobreza e a insegurança alimentar e o objectivo é incentivar o fornecimento de bens e serviços entre as diferentes aldeias, criando mercados regionais e o aumento do comércio entre aldeias”, considera. Com os investimentos nas áreas educação (construção de escolas primárias e secundárias, equipamentos, casas para professores e iniciativas de desenvolvimento de competências); saúde (hospitais, residências para o pessoal de saúde); água (sistemas de abastecimento de água e furos); saneamento; e projectos de geração de renda, a SASOL tinha gasto, até Junho deste ano, cerca de USD 21,4 milhões. meticais. Com o projecto a ser desenvolvido em dois distritos, a nossa fonte explicou que o valor é dividido pela metade, porém, neste período os dois distritos não receberam o mesmo valor. “De 2013 a 2016, Govuro recebeu 14.631 mil meticais e os restantes 10.169 mil meticais foram para Inhassoro. A diferença deve-se ao facto de o desembolso não vir apenas das entregas da SASOL, mas também da execução orçamental de cada distrito”, esclarece. Aquele dirigente revela que, no princípio, houve problemas no desembolso, devido ao modelo anteriormente adoptado que dependia das entregas da SASOL em função das suas actividades no terreno. “Acabamos adoptando o critério das dotações, em que para desembolsarmos o valor, analisamos a execução orçamental do ano anterior. Mas, neste ano receberam o mesmo valor (4,39 mil meticais)”, termina. Com os dados disponíveis sobre a alocação dos 2,75%, partimos para as sedes distritais, começando pelo Governo Distrital de Inhassoro. O Administrador daquele distrito, Afonso Machungo, conta que com o valor recebido, o seu elenco comprou uma ambulância para o Centro de Saúde de Maimelane. “Na consulta popular do ano passado, esta pediu uma ambulância e uma rádio comunitária. A ambulância custou-nos 3.390 mil meticais e porque os fundos não eram suficientes (em 2015 recebemos um milhão e seiscentos e este ano recebemos quatro milhões), pagamos em duas prestações. Do fundo deste ano restou 500 mil e estamos a direcionar esta parte para a reabilitação do edifício onde vai funcionar a rádio comunitária”, revelou. Entretanto, se em Inhassoro o dinheiro teve destino concreto, em Govuro, o cenário não é o mesmo. Maria do Céu, administradora daquele distrito, afirma que o valor foi investido na construção de infra-estruturas sociais, como escolas e hospitais. “Quando se celebrou o contrato sobre os 2,75% se disse que ia tratar questões de Pande, pelo que temos algumas benfeitorias que nasceram deste valor. Os 2,75% não vão em dinheiro, mas em benfeitorias e a primeira preocupa- ção foi o hospital, escola primária e secundária”, disse. Porém, no terreno a realidade é outra. As benfeitorias a que a administradora se refere foram construí- das pela SASOL no âmbito da sua responsabilidade social e não pelo governo. Dados fornecidos pela empresa dão conta da construção, naquela localidade, de duas escolas (uma primária e uma secundária); um centro de saúde; uma casa mãe espera; um mercado com 50 bancas; e um sistema de abastecimento de água, infra-estruturas testemunhadas pela nossa reportagem. Maria do Céu acrescenta ainda que está a negociar para que o valor abranja o todo o distrito e não apenas a localidade de Pande porque “não é a única localidade de Govuro”, salientou. Referir que não é apenas a população destas localidades que reclamam falta de oportunidades naquele projecto. As Pequenas e Médias Empresas de Inhambane revelaram, em Julho passado, durante o lançamento da iniciativa denominada “Programa de Conteúdo Local”, que neste período, a petrolífera sul-africana não contratou serviços e nem comprou bens por si produzidos. tiado por não puder ajudar a mãe nas despesas da casa, embora tenha idade para o fazer. “Não há trabalho nesta terra. Vivemos mal. A única coisa que fazemos é estar na barraca a vender e a mesma anda pouco movimentada, o que faz com que em alguns meses não tenha salá- rio”, revela. Numa curta conversa com a Administradora de Govuro, Maria do Céu, também disse que o desemprego é um problema geral, que não só afecta Pande e este agrava pela falta de uma escola técnico-profissional. “Avançamos com um projecto para a construção de uma escola técnica, mas ainda estamos à espera da resposta da SASOL”, revelou. Em relação à água, a Administradora explicou que o distrito ressente-se da insuficiência deste líquido e não da sua falta e aponta também a dispersão da população como sendo o principal factor. Sobre a falta da energia nas residências, Maria do Céu avança que é um desafio que o seu governo tem no sentido de expandir este recurso e tudo deve-se à insuficiência de material, que “é muito cara”. 2V TXHEHQHÀFLDPXQVHPGHWULPHQWRGRXWURV Afonso Machungo ´1RVVRIRFRpDFDSDFLWDomRKXPDQDµ6$62/ 12 anos após o início da exploração, residentes de Temane e Pande continuam na expectativa em relação à mudança das suas vidas Orlando Gove Admira Chichongue Feliciano Chimbomane Simeão Mavimbe Anita Balele mos, apenas da sua localidade que, de acordo com o Censo Geral da População de 2007, é habitada por 29.256 habitantes. É em Temane, onde encontram-se os primeiros 12 poços de prospecção (de um total de 24) e instalada a fábrica de processamento do gás natural, posteriormente exportado para a África do Sul através de um gasoduto com extensão de 860 km. À nossa chegada, o primeiro sinal que nos chama atenção é o tipo de residência ali patente. Embora esteja a menos de dois quilómetros da fábrica e sendo o corredor da entrada e saída para a mesma, a povoação é constituída, maioritariamente, por casas maticadas e com cobertura precária. Apesar do Projecto não ter envolvido reassentamentos, uma vez que na área onde é desenvolvido não havia resi- 16 Savana 14-10-2016 PUBLICIDADE SOCIEDADE Savana 14-10-2016 17 PUBLICIDADE SOCIEDADE Version 0.3.100.100 facebook.com/faneloyamina.org faneloyamina.wix.com/fanelo-ya-mina PEOPLE CHANGING THE WORLD Reino dos Países Baixos REPÚBLICA DE MOÇAMBIQUE Ministério da Saúde diakonia Fanelo Ya Mina Homens e rapazes pela Igualdade de Género Hoje é um grande dia, e provavelmente haverá muitos outros como este. Mas existirão dias difíceis, que impõem diöDVMEBEFT FEFTBöPT, alguns grandes, outros pequenos. Tu terás a escolha, todos os dias, de que tipo de esposo e pai quererás ser. Essa escolha é importante. Escolhe sempre respeitar a tua parceira/esposa e a criar os teus öMIPT TFN WJPMÐODJB. Lembra-te que os teus öMIPT FTUÍP PCTFSWBOEP. Tenha a coragem de ensinar-lhes o respeito. Tu preferes a paz e o respeito todos os dias. Outubro 2016 25 2 D S 9 16 23 30 26 3 10 17 24 31 T 27 4 11 18 25 1 Q 28 5 12 19 26 2 Q 29 6 13 20 27 3 S 30 7 14 21 28 4 S 1 8 15 22 29 5 facebook.com/faneloyamina.org faneloyamina.wix.com/fanelo-ya-mina PEOPLE CHANGING THE WORLD Reino dos Países Baixos REPÚBLICA DE MOÇAMBIQUE Ministério da Saúde diakonia Fanelo Ya Mina Homens e rapazes pela Igualdade de Género Tu sabes o quão poderosas as tuas mãos podem ser. Use-as para demonstrar afecto e carinho para com a tua parceira/esposa, teus öMIPT e öMIBT. Use-as para fazê-los sentirem-se seguros. Use-as ainda para lhes contares um segredo. Isso é autoridade e poder verdadeiros sem recurso a violência. Tu podes criar uma vida tranquila e pacíöDBQBSBUJF tua família. As vezes, tudo que é preciso é um simples gesto carinhoso. Este será sempre melhor do que a violência. Tu és o homem mais forte da tua família. Novembro 2016 30 6 D S 13 20 27 4 31 7 14 21 28 5 T 1 8 15 22 29 6 Q 2 9 16 23 30 7 Q 3 10 17 24 1 8 S 4 11 18 25 2 9 S 5 12 19 26 3 10 Por ocasião do 4 de Out§bro: Dia do Acordo Geral da Paz Recorte esta página do jornal e coloque-a na sua casa, no seu local de trabalho, de ensino, de lazer, etc. E vivencie um clima de paz e respeito, sempre. facebook.com/faneloyamina.org faneloyamina.wix.com/fanelo-ya-mina REPÚBLICA DE MOÇAMBIQUE Ministério da Saúde Uma parceria ent¢e: 18 Savana 14-10-2016 OPINIÃO Registado sob número 007/RRA/DNI/93 NUIT: 400109001 Propriedade da Maputo-República de Moçambique KOk NAM Director Emérito Conselho de Administração: Fernando B. de Lima (presidente) e Naita Ussene Direcção, Redacção e Administração: AV. Amílcar Cabral nr.1049 cp 73 Telefones: (+258)21301737,823171100, 843171100 Editor: Fernando Gonçalves editorsav@mediacoop.co.mz Editor Executivo: Franscisco Carmona (francisco.carmona@mediacoop.co.mz) Redacção: Raúl Senda, Abdul Sulemane, Argunaldo Nhampossa, Armando Nhantumbo e Abílio Maolela )RWRJUDÀD Naita Ussene (editor) e Ilec Vilanculos Colaboradores Permanentes: Fernando Manuel, Fernando Lima, António Cabrita, Carlos Serra, Ivone Soares, Luis Guevane, João Mosca, Paulo Mubalo (Desporto). Colaboradores: André Catueira (Manica) Aunício Silva (Nampula) Eugénio Arão (Inhambane) António Munaíta (Zambézia) Maquetização: Auscêncio Machavane e Hermenegildo Timana. Revisão Gervásio Nhalicale Publicidade Benvinda Tamele (823282870) (benvinda.tamele@mediacoop.co.mz) Distribuição: Miguel Bila (824576190 / 840135281) (miguel.bila@mediacoop.co.mz) (incluindo via e-mail e PDF) Fax: +258 21302402 (Redacção) 82 3051790 (Publicidade/Directo) Delegação da Beira Prédio Aruanga, nº 32 – 1º andar, A Telefone: (+258) 825 847050821 savana@mediacoop.co.mz Redacção admc@mediacoop.co.mz Administração www.savana.co.mz EDITORIAL Cartoon J á é mais do que facto que a elite política vanguardista que domina o cenário político e económico de Moçambique tem estado a reiterar contínua e violentamente que a sua ascensão ao poder, embora fruto do chamado sangue do povo, é a fronteira que deve determinar o fim da História de Moçambique. Fica assim claro e igualmente vincado, por esta mesma elite, o fim de qualquer revolução de que se possa esperar em Mo- çambique. Não importa o tipo de revolução, seja ela política, social ou económica. Todas as condições subjectivas e objectivas para o erguer de uma consciência revolucionária, são violenta e brutalmente combatidas logo à raiz. Não se permite sequer a oposição organizada e nem pensar organizar uma oposição, mesmo que seja contra o mais absurdo ou meritório pensamento associado ao poder. Apenas a ela, cabe delinear e conduzir os destinos do povo, não importa a vontade desse mesmo povo. Está vincado, não há lugar para mais heróis e heroínas, a História milenar de um povo parou no tempo. A História de Moçambique acabou com a chegada dessa elite vanguardista ao poder, de onde não vislumbra saída. Morra quem morrer. A sua ascensão deve ser entendida assim mesmo: como o último capítulo da História de povo inteiro que chegou ao fim. Afinal, a Histó- ria se faz e se fez no passado. A violência dos seus actos é prova de tudo. “Assassinar para calar” passou a ser a arma para lidar contra o povo e mais directamente contra os saudosistas que exigem e acreditam no regresso e na continuidade do processo histórico nacional. Esta elite não mede esforços na sua caça a essa “gentinha” que teima em crer que a História de um povo deva continuar, que não haja fim para a História. Para essa elite, não importa quem seja a vítima, a História não pode vencer. A lista é longa: Jornalistas, políticos, comentadores, académicos, brancos, pretos, jovens, velhos, eu e você, todos os que se atrevam a chamar à razão à História ou a suspirar um tal desejo de mudança acabam, a qualquer momento por sucumbir. Sucumbem também os adeptos da transparência, justiça, igualdade e outros valores que o país há muito espera ver vingarem. É uma brutalidade sem remorsos. Não há remorsos, pelas mães, esposas, filhos, amigos, netos ou conhecidos que ficam por trás. É preciso impedir o regresso e o progresso da História por todos os meios possíveis e a todo o momento. Os fins, afinal, justificam os meios. Moçambique vive, desta forma, uma época atípica para qualquer país que se deseja nação um dia. Destroem-se todos os pilares possíveis e imaginá- veis de um tal projecto de unidade nacional. Esse já não é o projecto. A pátria já tem dono. Mandam e comandam aqueles que um dia no passado lutaram por ela. Ponto final. A pátria já não clama mais por lutadores, já não se admitem mais causas patrióticas. O patriotismo, esse, é coisa do tempo em que havia História. Reina, assim, uma autêntica caça aos nobres valores da tolerância, do respeito, da dignidade, do direito às diferenças e, mais importante ainda, do respeito pelo direito à própria existência como ser humano. Este grupo está em busca de uma nação sem Homens, uma nação de cadá- veres. No mesmo sentido, avançam impiedosamente os pilares das mais brutais formas de intolerância. Em construção está um projecto de um país propício para a sua autodestruição. Seguimos contruindo um país amedrontado pela sua própria História, um país sem narrativa para os seus filhos. Um matadouro desregrado em que o sangue derramado dos seus filhos já não faz História, mas a sombra que vai acordar os fantasmas de um tempo em que o país era um autêntico sítio. Contudo, mesmo que da História não se queira saber mais, por incrível que pareça, a própria História reza que a revolução se faz à medida da repressão. Que o digam os Saddams, Gaddafis, Alis e outros recentemente arrastados pelos ventos da revolução. Talvez por isso nada se quer ter a ver com o regresso da História. Porque ela caminha de mãos dadas com a revolução. Outros, como eu, tememos que nesse tal dia, em que a História regressará, sem dúvida, de forma tão violenta de que não haverá memória, o povo irá prescindir dos seus representantes. Nesse tal dia, talvez não nos recordemos da brutalidade de hoje. Talvez nem haja tempo para isso. Por Fredson Guilengue D izer que foi chocante a notícia sobre o assassinato do antigo deputado da Assembleia da República, Jeremias Pondeca, é de certo modo tentar minimizar o impacto que este acto terá na imagem de Moçambique e na capacidade deste país de ultrapassar a actual crise política e abrir uma nova página de paz, reconciliação e desenvolvimento. Dizíamos, neste espaço na edição da semana passada, que a guerra, uma vez instalada, tende a assumir uma dinâmica própria, criando uma cultura de violência que se torna institucionalizada e cada vez mais difícil de inverter. Em momentos de guerra, este tipo de assassinatos torna-se uma coisa banal. Ninguém reivindica a sua autoria, e qualquer das partes torna-se confusa sobre o que está de facto a acontecer. Instala-se um ambiente de desconfiança mútua que pode resultar em consequências catastróficas. Os cidadãos vivem aterrorizados. É a era da impunidade do crime. O assassinato de uma figura política, seja quais forem as motivações, acaba transformando-se num acto político. O problema da cultura do assassinato político é que ele se transforma num ciclo vicioso, do qual os próprios actores se tornam potenciais vítimas, antes do fenómeno se alastrar para o resto da sociedade. Nas comunidades, os membros destas são instrumentalizados para se conformarem com o assassinato como o método mais eficaz para se libertarem dos seus inimigos, reais ou imaginários. Vive-se no medo sobre quem será a próxima vítima. Na sociedade, estes actos tornam-se toleráveis porque de cada vez que eles ocorrem, eles são justificados pela necessidade de eliminar a ameaça que os inimigos do outro lado representam. Foi neste ambiente que se deu o genocídio no Rwanda. Os hutus entendiam a necessidade da sociedade se libertar dos tutsis, e estes, por seu lado, compreendiam a necessidade de se proteger dos seus inimigos, retaliando da mesma forma. O extermínio mútuo passou a ser a única alternativa para a sobrevivência de ambas as espécies. Aliás, as sementes desta cultura de violência organizada na sociedade moçambicana já começaram a germinar. O incidente do esfaqueamento de um aluno na Escola Secundária Josina Machel, em Maputo, ante os aplausos dos seus colegas e a incapacidade de intervenção por parte dos professores e outros responsáveis da escola, não pode ter outro significado senão o de uma academia de violência de grupo, mas que depois irá futuramente se transformar em violência política ou de outra índole. Entre aqueles jovens, alguns são potenciais candidatos a membros da futura classe política deste país. No estágio em que se encontra esta  guerra injustamente imposta aos moçambicanos, já não importa de que lado está a razão. O mais importante é capitalizar o máximo nas negociações actualmente em curso e encontrar uma solução equilibrada e justa, capaz de pelo menos devolver a esperança aos moçambicanos. Na estratégia da eliminação mútua, saem todos a perder. Sem se aperceber disso, os próprios beligerantes podem comprometer o futuro dos seus netos, bisnetos e outras gerações que lhes irão seguir. Mesmo as fabulosas fortunas ganhas no negócio de armas nunca poderão servir de compensação para este futuro sombrio. Este assassinato tem todas as marcas de ter sido um acto cuidadosamente calculado para maximizar os danos contra os esforços visando o alcance da paz em Moçambique. Tem como objectivo fragilizar a posição do governo na mesa das negociações, e ao mesmo tempo obrigar a Renamo a assumir uma atitude cada vez mais radical e irracional, e por essa via obrigá-la a abandonar as negociações e apostar na guerra. É preciso resistir a esta provocação e tentativa de dividir os moçambicanos, só para o benefício de um punhado de falcões de guerra com interesses bem identificados. Há sectores a quem a paz incomoda porque enquanto o país estiver em guerra, não haverá tempo para os perseguir nas suas agendas ocultas. Estes são os verdadeiros autores morais e materiais deste acto abominável. O que levanta a questão: quantos mais ainda terão de morrer para que se perceba que este é o caminho para a auto- -destruição? Quantos mais ainda terão de morrer? A ascensão da elite vanguardista HRÀPGD+LVWyULDHP0RoDPELTXH Savana 14-10-2016 19 OPINIÃO 498 Email: carlosserra_maputo@yahoo.com Portal: http://oficinadesociologia.blogspot.com O estado das relações na maioria dos países africanos pode ser resumida numa experiência que aprendi na escola secundária, sobre o comportamento do sapo. Numa primeira situação um sapo é colocado vivo numa panela com água a ferver, ele sente que está quente e a reacção é de saltar para fora. No outro caso, o sapo já está dentro da panela e a água vai aquecendo aos poucos, ele não consegue perceber a mudança, não reage e acaba morrendo. Para quem lidera, ou pretende liderar, é importante saber antecipar os problemas através de uma leitura correcta do ambiente, encontrando as soluções mais adequadas de forma a não perder o controlo. Não podemos ser vanguarda se não formos reactivos. Não podemos deixar que outros nos pressionem a fazer mudanças, nem mesmo com armas. Temos de ter estratégias e preparar condições para podermos continuar a ser a vanguarda em condições diferentes. Para isso, devemo-nos antecipar às mudan- ças, devemos abrir espaços para governar de forma diferente. Assim o líder transforma-se no autor do seu futuro. A promessa de libertação sobre os regimes ecolocalizadores tornou- -se mais atractiva, com a proposta de uma sociedade igualitária, uma utopia proclamada em vários países incluído o nosso. Contudo, alguns líderes como Samora já anteviam a mudança, a tendência para o estabelecimento de uma sociedade elitista. A situação do continente Africano é que as sociedades vivem juntas, mas em realidades completamente opostas. Uns vivem em ilhas de prosperidade e outros no lixo. Esse contraste é reflectido entre irmãos, primos, vizinhos, comunidades, províncias e países. Todos reconhecem que existem diferenças, mas, ninguém é capaz de quantificar (imaginar) onde começa e termina a prosperidade de um ou a miséria do outro. A primeira geração de líderes, em grande parte a mesma de hoje, conseguia de forma simples transmitir o sentimento do dia que no essencial era a falta de acesso a oportunidades. Talvez porque, ao sentirem isso na pele, eles conseguiam advocar a necessidade de mudanças com palavras e gestos simples e humildes. Talvez porque a utopia da sociedade igualitária já se vivia entre os africanos e os pobres, e já se manifestava em forma de solidariedade. Ou então, o conhecimento intelectual e a repressão do sistema, era sentido por ambos e o inimigo do meu inimigo virou amigo. Hoje, em muitos países africanos tudo mudou, desde a linguagem para falar com os mais desfavorecidos, até aos gestos de solidariedade. Para satisfazer aos condicionalismos do ocidente, a essência dos programas de desenvolvimento transformou-se numa competição de quem consegue escrever as palavras chaves da moda: boa governação, cidadania, descentralização, direitos humanos, corrupção, etc. Quanto mais vezes essas palavras são citadas mais sexy ficam os documentos e discursos. A parte triste disso é que, na prática, os países não as aplicam de forma robusta e no verdadeiro sentido. Assim, ano após ano são produzidos documentos semelhantes e com as mesmas recomendações. Será essa a nova forma de subverter o povo? Prometendo uma liberdade de ´´tudo ´´ mas que na realidade não passa de promessa falsa, especialmente quando a mais importante liberdade (a económica) está fora do alcance e até da imaginação de muitos. O exemplo factual da não-liberdade da retórica é visto nos documentos que prometem transferência do poder para os jovens, ou transi- ções geracionais, quando a idade média dos presidentes africanos é de 63 anos (a mais alta do mundo). Pa- íses como Moçambique na altura da independência já tiveram governos compostos por jovens entre vinte cinco a trinta e cinco anos de idade. Samora, quando morreu, tinha apenas 53 anos depois de ter governado 10 anos. Por outro lado, de forma cautelosa e calculista, a essência do problema não é advogado na linguagem formal do dia a dia, nomeadamente: acesso a oportunidades e igualdade social. Este fenómeno não é só uma questão africana mas também de países ricos como a Inglaterra onde a percentagem de rendimento de 1% da população mais que duplicou deste 1979. Nos Estados Unidos, o rendimento nacional de 0.01% (16,000 famílias) era de 1% em 1980 e agora corresponde a 5% do rendimento do país. Na África do Sul, o país mais industrializado de África,  60%-65% da sua riqueza está concentrado em 10% da população. Como consequência destas situações, o descontentamento manifesta-se em movimentos populares como ´´Occupy´´, no aparecimento de candidatos populistas como ´´Trump´´, no aumento da popularidade de partidos como UKIP e, no último caso, na perca de popularidade do ANC. Os níveis actuais de desigualdade são devido, em particular, à corrup- ção legalizada. O que é isso? De acordo com a perspectiva do economista Joseph Stigliz no seu livro ´´o preço da desigualdade ´´, essa é uma situação em que são os mesmos actores a fazer o papel de governo (nos ramos legislativo, judiciário e executivo) e do sector privado. A divisão de tarefas entre os dois sectores não é clara, assim os que estabelecem as regras do jogo são ao mesmo tempo árbitros e jogadores. O resultado é que se estabelece uma situação em que eles sempre mantêm o poder, e facilmente saltam de um para outro sector, the revolving door (porta giratória). Quando perdem ou nas situações de crise, os responsáveis não pagam pelos seus pecados e ainda continuam a beneficiar dos privilégios  injustamente adquiridos. Os povos revoltam-se porque todos são levados a jogar o jogo estabelecido pelas elites mas, onde só os inocentes é que são afectados pelas decisões de risco que enriquecem uma minoria. A frustração manifesta-se também entre as elites porque existem barreiras para entrar no clube exclusivo e a lista de espera é longa. Como numa discoteca, onde os que estão na fila não conseguem entrar por causa das barreiras ou não vêem a fila a andar porque os amigos do dono da discoteca têm acesso direto ou um cartão VIP. De qualquer forma, no local do evento não cabem todos, o que não é compreendido por quem está fora e pior, a situação é idêntica qualquer que seja o clube. Os que ficam fora pensam que perderam a festa do ano, os que estão dentro estão preocupados em ganhar o prémio do melhor vestido, melhor carro etc. e, não aproveitam o momento. Aos excluídos, só lhes resta aproveitar os restos da festa pois mesmo querendo desfrutar das belezas de outras praias, não podem, pois as saídas foram vedadas e tentar trespassar pode ser perigoso. Para algumas correntes, da mesma forma como os países conseguem criar ricos é também possível criar uma sociedade mais igualitária que pode ser conseguida através do acesso à educação de qualidade, a uma boa redistribuição dos recursos e uma prestação de contas transparente. Para a nossa realidade, talvez as palavras unidade, trabalho e vigilância tenham de voltar para o nosso vocabulário com estratégias mais simples para o povo poder exigir livremente a prestação de contas e saber identificar bem como reagir a riscos que ponham em causa o bem comum. Assim, ficamos numa situação onde não apenas o povo, mas aqueles que o representam efectivamente, podem identificar num cesto de frutas as que estão podres e retirá-las antes de afectar as outras. Mas fica a lição pois, alguns dirão que o que matou o sapo foi a água quente, mas não ... foi a sua incapacidade de tomar a decisão mais adequada no tempo certo, a sua falta de pro-atividade, de criatividade em função da nova realidade. *Bacharel em Relações Internacionais, Mestrado em Estudos de Desenvolvimento, Mestrado em Gestão Uma democracia é tão mais viva quanto mais poderes estiverem em competição, permitindo aos cidadãos a escolha dos “produtos” mais socialmente úteis e, portanto, mais legítimos. Um gestor político é tão mais legítimo quanto mais provar que o “produto” que oferece e concretiza para melhoria da vida das pessoas é, efectivamente, pretendido pelos governados e por eles considerado bom e eficaz. Mais: quando uma luta política se faz sem apelo a líderes salvacionistas imediatos, a líderes carismáticos julgados portadores de curas milagreiras instantâneas, esse democracia é boa. Significa que os cidadãos sabem encontrar “embaixo”, entre várias possibilidades, soluções que os messias dizem estar em cima, apenas a cargo deles. E finalmente: uma democracia é tão mais democrática - permitam a redundância – quanto mais a luta política se faz e se aceita com ideias e não com armas. Sobre democracia democrática A guerra estoirou às claras entre os republicanos e Clinton é cada vez mais favorita, mas o abalo que Trump trouxe augura violentos conflitos políticos. Ao apelar à concentração de esfor- ços para a manutenção da maioria republicana no Congresso, o líder da Câmara de Representantes, Paul Ryan, selou a ruptura com Trump numa manobra tardia que está longe de ganhar a aprovação dos apoiantes do partido. Dois terços dos eleitores republicanos continuam dispostos a votar Trump o que obriga o Comité Nacional Republicano a manter o financiamento e a suportar a logística da campanha do milionário de Nova Iorque, aliás prejudicado por recursos muito inferiores aos de Clinton. O líder republicano do Senado, Mitch McConnell, teve o cuidado, tal como Ryan, de evitar negar explicitamente o apoio a Trump, mas conta-se também entre os congressistas que se distanciam do candidato a exemplo de luminárias do mundo conservador como John McCain ou o clã Bush. A elite conservadora do partido hesita, contudo, em dissociar-se abertamente de Trump, ainda que um terço dos membros republicanos da Câmara repudiem o candidato. Ryan tenta minimizar o efeito negativo que a erosão de Trump acarreta a candidatos republicanos, inclusivamente para quem nega publicamente o apoio ou evita participar em acções da campanha presidencial. Aumento da abstenção em prejuízo de candidatos republicanos é, por outro lado, possibilidade forte em diversas circunscrições e a contestação radical alastrou muito além dos herdeiros do Tea Party a novas frentes proteccionistas e xenófobas. A maioria republicana de quatro mandatos no Senado está claramente em risco a menos de um mês da votação, mas na Câmara de Representantes é deveras difícil que os democratas (188 mandatos) venham a conseguir ultrapassar a actual bancada republicana (247 mandatos). O Colégio Eleitoral poderá pender a favor de Clinton, mas cerca de 40% do eleitorado, incluindo a maioria dos brancos, irá por Trump, o que indica um elevado grau de polarização política entre a minoria disposta a votar.  Hillary, por sua vez, subiu nas sondagens, só que a intenção de voto continua a escapar-lhe entre as faixas mais jovens, enquanto cerca de metade dos seus eleitores apenas a apoia para impedir a vitória de Trump, de acordo com um inquérito Reuters/Ipsos. Se Clinton suceder a Obama claudicará de apoios e, sobretudo, ninguém nutrirá ilusões quanto à determinação por reformas de fundo por parte de uma democrata conservadora, cultora de práticas de dúbia moralidade. Suspeita, ódio, lamento e enfado por escândalos pretéritos, presentes, futuros, reais e imaginários, perseguirão inapelavelmente Hillary e Bill. A Trump, sem aliados de vulto, faltará possivelmente o interesse e o empenhamento por um combate político prejudicial aos negócios, e outros demagogos não tardarão a ocupar o palco. A candidatura do desbocado milionário poderá, contudo, vir a revelar- -se tão marcante quanto o legado de viragem conservadora que Barry Goldwater representou para os republicanos na década de sessenta. A tormenta no partido republicano é sinal de batalhas iminentes que vão muito para além das lideranças no Congresso. As muitas Américas ressabiadas, temerosas, xenófobas, desorientadas, abandonadas, perdedoras e vingativas que se reconhecem nas tiradas de Trump estão por lá. As outras Américas claudicam de ideias e revelam-se incertas quanto ao que o país valha num mundo que já não reconhece a hegemonia que Washington reivindicou em tempos.        *Jornalista. Texto originalmente publicado no jornaldenegocios.pt A desgraça que foi Trump Por João Carlos Barradas * Não esperemos que a água ferva ... Por Mantchiyani Samora Machel* 20 Savana 14-10-2016 OPINIÃO SACO AZUL Por Luís Guevane E stamos a atravessar um momento que não tem na produção e na produtividade a sua solução mais eficaz, mas sim na recuperação da confiança diante dos parceiros, recupera- ção de alguma credibilidade interna com vista a descomprimir a rígida crença de que a nossa justiça anda a reboque de decisões e vontades da elite política no poder. Esta crença, alimentada por um conjunto de factos conhecidos, como por exemplo o caso de um dos PGR que ameaçou denunciar, na altura, os corruptos deste país e que imediatamente, em troca, teve uma melhoria significativa do seu “status”, do seu bem-estar, vai perdendo (ou há muito que perdeu) a sua auréola de suposição, de dúvida. A recuperação da confiança de um país País dos (in)conformados pobre como o nosso, que passou a ter o rótulo de “País de dívidas escondidas” ou mesmo de “País falido”, entre outros rótulos pouco abonatórios, não se compadece com a ladainha de que “estamos a trabalhar” e que acabou por se configurar como “artifício” sem provimento. É preciso mostrar os resultados do nosso trabalho, do nosso comprometimento com a paz. Adiar permanentemente o desenvolvimento porque a paz “não pode ser alcançada a qualquer pre- ço”, não está a ajudar na promoção da imagem de um país que se afirma comprometido com o bem-estar do seu povo. O sentido de “qualquer preço” pode não estar a ser suficientemente explicado ainda que permanentemente repetido. Valerá a pena explicar isso ou o melhor é mesmo o conformismo de quem propala essa espécie de “palavra de ordem”? Será que o cidadão comum moçambicano está conformado com a situação político-militar, com a situação de crise económica, com os preocupantes níveis de materialização da justiça ou com a actual imagem do País? Não! O moçambicano é um indivíduo conformado, passivo, medroso ou produzido para obedecer? Qual destas fatias se encaixa nele? O detalhe da resposta pode estar na maneira como o sistema repressivo está formatado nas nossas cabeças. Faz lembrar um indivíduo permanentemente violentado, reprimido, que nunca se “abre” mesmo quando o seu carrasco se ausenta. Os assassinatos não esclarecidos, mediatizados e, com o tempo, aparentemente esquecidos, podem estar por detrás desse suposto conformismo com a “situação”. Este mais recente, o do Jeremias Pondeca, ex-deputado, Conselheiro de Estado e membro da equipa da Comissão Mista para o Diálogo Político, por enquanto, porque mediatizado, está a ser investigado. É neste fio condutor onde, mesmo sem provas, o cidadão constrói a ideia segundo a qual “falar” é um risco de vida. O resultado é uma cidadania atípica que se conforma com a imagem de um País que parece não perceber que é preciso “aumentar a produção e a produtividade” da democracia. O cidadão comum não se demitiu das suas obrigações e deveres para com o seu país. Todos devemos participar. A “exigência de responsabilização” pelas dívidas escondidas não pode ser vista como algo que poderá pôr em causa a heroicidade deste ou daquele indivíduo supostamente idolatrado pelo aturado “culto de personalidade”. A recuperação da confiança é um desígnio da democracia que passa por tirar o país da armadilha que criou e em que caiu; passa por abrirmos uma nova página onde cada um dos três poderes se conforma consigo mesmo revelando-se, de facto, independente. Meu ser original Por Ivone Soares* I braimo, só por ser ele, não me assiste nenhuma razão especial para lhe dedicar o meu espaço. Na verdade, não sei qual é o seu nome completo, nem onde nasceu, nem se tinha família, mulher ou filho. Mãe e pai sei que certamente teria, de contrário teria de admitir a hipótese de que caiu do céu, coisa improvável. Era o máximo de discrição, numa empresa que, embora não seja megalómana, também não tinha poucos trabalhadores. Estou a falar da Mediacoop, que tem a zona administrativa, talvez com uns 5 ou 6 trabalhadores; 3 órgãos de informação: a Rádio Savana, não sei com quantos profissionais, o Mediafax e o Savana, ele próprio; e, claro, os dignitários da empresa, que assinam cheques, mandam assinar as faltas, despedem, admitem, fazem isto e aquilo. O Ibraimo, no meio desta máquina toda, era simplesmente o Ibraimo. Na redacção do Savana, que está nas mesmas instalações físicas do jornal Mediafax e dos serviços comerciais, onde se encontra a nossa querida Benvinda Tamele, estava o Ibraimo. Lembro-me dele porque era incontornável: alto – não tão alto como se pode imaginar em países europeus tipo a Suécia –, mas alto mesmo no nosso padrão africano e moçambicano. Eu tenho 1,75m, o Ibraimo devia ser uma cabeça e meia mais alto do que eu. Discreto, pouco falador, nunca durante estes 10 ou 20 anos o ouvi rir às gargalhadas, mandar piadas ou comentar jogos de futebol, quer fossem do Benfica-Tondela, quer do Alverca- -Porto ou do Maxaquene-ENH. Nada! Esse era o Ibraimo. Mas sempre disponível. Sempre que a máquina avariava à última da hora, alguém dizia – “Ibraimo!” – e ele lá se levantava do fundo da cadeira, com os seus 1,75m de altura, pegava na máquina e – tchac! tchac! – tirava um cilindro, para dizer de seguida – “Aqui falta toner.” Substituía e mandava ligar. Ou se a máquina de enviar faxe encravava às 11 da noite, e ele às 11 da noite não estava nas instalações, ligavam-lhe e ele dizia ao telefone – “Mexam no botão tal. Se não funcionar, liguem-me outra vez.” Sempre com um sorriso nos lábios. Nunca se ria. Pensei que isso fosse serenidade de espírito. Talvez até fosse. Mas esta manhã, sexta-feira, 7 de Outubro de 2016, recebi uma chamada, era o Saíde. Pensei que ele fosse comentar a minha crónica, que ele comenta sempre, sempre na positiva. – Então, queres falar da crónica? – Não. Fernando, estamos mal aqui na Mediacoop. – O que se passa? – O Ibraimo morreu. Mandei uma imprecação. – Como assim? – perguntei. – Ninguém sabe. Ele andou doente nestes últimos tempos e até meteu férias para fazer um controlo com tempo. Foi levado de urgência para o Hospital Geral da Machava, para a clí- nica dos tuberculosos, e de lá voltou com as pernas juntas. – Deve ser tuberculose óssea. – É o mais provável. – Mas como é possível? O Ibraimo não tinha nem 50 anos! – Opa! Como você disse numa crónica, morrem cedo aqueles a quem os deuses amam. Eu estou a gravar esta crónica sob um estado emocional muito forte. Estou a ver o Ibraimo na minha frente, de calças jeans ou bombazine, camisete, voz sempre regulada a funcionar e a fazer funcionar uma máquina enorme, mas enorme mesmo, como é a Mediacoop. E é desses heróis, desculpem-me o termo, que a história nunca fala. O Ibraimo não era herói e nunca pretendeu sê-lo. Nunca reclamou, tanto quanto eu saiba, condições de trabalho melhores ou piores; nunca, tanto quanto eu saiba, reclamou melhor ou pior salário. Mas era assim: a qualquer hora do dia ou da noite, directa ou indirectamente, por telefone ou por faxe, por twitter ou lá pela coisa toda que existe nas maquinarias modernas, o Ibraimo estava sempre disponí- vel. Era daquelas peças pequeninas, piccole, que fazem funcionar as grandes engrenagens. Ibraimo não era administrador, não era jornalista, não era angariador de publicidade, não era gestor de clientes. Era um homem simples, de pernas ligeiramente em forma de tesoura, uma cabeça e meia acima da minha altura – e eu tenho 1,75m –, sempre com um sorriso nos lábios e disposto a ser prestável para quem quisesse os seus préstimos, sem pedir qualquer contrapartida. O Ibraimo pertence a uma geração de homens que está em vias de extinção e é por isso que não me posso alhear à morte dele. Se eu não fosse bem-educado, havia de acabar esta cró- nica com um p.q.p. Mas, como sou bem-educado, digo assim: “Bem hajas, Ibraimo! Guarda o nosso espaço aí, nós os queridos filhos de Alá, o Misericordioso.” V ítimas dos últimos 41 anos de “Independência” manifestem-se para que vossa morte não tenha sido em vão. Virá a Paz! Nós, em particular nós os africanos, temos tendência para acreditar em milagres, no poder das forças do além que nos podem proteger, na existência de forças superiores que (mesmo que nada façamos) podem operar as mudanças com que sonhamos. Acreditamos que mesmo sem sacrifício, sem empenho, sem esforço teremos um lugar no jardim do Éden. Andamos preguiçosos, delegamos a resolução dos males que enfrentamos na vida a Esse Ente Superior que conhece o que queremos antes mesmo de querermos. Somos crentes e entregamos a nossa alma a quem nos vem com falas mansas e nos promete o paraíso. Mas a vida não se pode limitar a cultivarmos as nossas crenças. É preciso levantarmos da cama, da esteira, da cadeira, do muro da vida onde estamos acomodados e tomar as rédeas do nosso destino. Precisamos ser GRQRVHGRQDVGRVQRVVRVQDUL]HV 'H¿QLWLYDPHQWH precisamos de ser mais interventivos na resolução dos problemas que nos impedem de sermos cidadãos e cidadãs verdadeiramente independentes, livres e felizes. Este texto vem a propósito da apatia que muitos de nós demonstra com relação à actual situação sócio- -política e económica de Moçambique. Morreu mais um de nós, um moçambicano. Mataram mais um opositor do regime da Frelimo, no poder deste 1975 (ano da Independência Nacional celebrada a 25 de Junho). Foi chocante ler que faleceu o colega Jeremias Pondeca vítima de baleamento. Essa notícia gelou-me. Quantas mais pessoas precisam morrer em Moçambique para que se construam os caminhos que nos levarão a um entendimento respeitado e duradouro? Suspeito que com esta tragédia virá a polícia dizer TXHYDLLQYHVWLJDU (RWHPSRSDVVDUiH¿FDUiRVLlêncio. O tempo fará com que mais esta morte seja depois apenas um nome entre muitos que aguardam por justiça. Em Moçambique, morre-se se somos oposição, leva-se tiros nas pernas se falamos o que pensamos. A impunidade e a hipocrisia prevalecem. A impunidade dos assassinos e as palavras de hipocrisia do Estado FRELIMIZADO intoxicam-nos. Esta semana estive na Europa e perguntaram-me várias vezes se em Moçambique poderia acontecer o que aconteceu em Angola, ou seja, tal como mataram Jonas Savimbi, se a Frelimo poderia tentar assassinar o Presidente Afonso Dhlakama. Amigos leitores, há dúvidas? Está fresco na nossa memória a dupla tentativa de assassinato de que ele foi vítima em Setembro de 2015. Nos dias 12 e 25 desse mês Afonso Dhlakama foi emboscado e só escapou por milagre divino. No dia 8 de Outubro quando se preparava para o encontro de alto nível com o Presidente Nyusi viu sua residência cercada por todo o tipo de armamento bélico só YLVWRQRV¿OPHVGHJXHUUD No dia 20 de Janeiro o Secretário-geral do meu partido foi vítima de um atentado e eu própria, no dia 8 de Setembro de 2016, há poucas semanas, fui alvo duma tentativa de assassinato. Se estou aqui viva a escrever estas linhas foi porque esses esquadrões da morte que promovem execuções sumárias selectivas provavelmente tenham decidido dar-me mais uns dias para estar no mundo dos vivos. Gra- ças a Deus ainda aqui estamos. Muitos perderam a vida desde 1975 ano da Independência de Moçambique. O certo é que podem matar-nos a todos, podem eliminar todas as vozes independentes, podem gastar todas as balas, que haverá sempre alguém para continuar e conseguir vencer. As balas esgotam-se, mas não se esgotará a nossa determinação como moçambicanos sedentos de uma verdadeira democracia. O regime da Frelimo não quer que se organizem Forças de Defesa e Segurança republicanas. Porque será que há renitência em se despartidarizar o Estado. Organizar o Estado não devia ser prioridade número 1? A quem interessa que Moçambique seja visto como um Estado falhado, sem democracia efectiva, onde as vozes dos intelectuais, acadé- micos, políticos da oposição, jornalistas, intelectuais dos vários ramos seja silenciada assim que se levante contrariando ao regime no poder? É inaceitável que a Frelimo continue detentora do monopólio de todos os poderes. Moçambique deve ser o único país que se diz democrático mas onde o chefe do Governo não responde perante o Parlamento. Quem responde é o Primeiro-ministro que apesar do título não é o chefe do Governo. É CARICATO QUE SE QUISERMOS DEMITIR O CHEFE DE ESTADO NÃO HAJA FORMA. Urge despartidarizar o Estado moçambicano. O Estado/Partido Frelimo para além de tudo mais, também monopoliza a economia do país. Devemos deixar de actuar como mirones. A Constituição da República de Moçambique confere-nos direitos e garantias que devemos acionar para que nos respeitem como povo desta terra. Temos de trabalhar para termos o país que queremos, um país de paz, justiça social, respeito pelos Direitos Humanos, caminhando para o desenvolvimento, sem corrupção, nem impunidade.  é quem terá vencido. Aproveitando rogo ao Senhor para que Dê Paz a todos, em particular às vítimas dos últimos 41 anos de “Independência”. *Comunicóloga, Política e Poetisa. Em Moçambique os vivos pensantes são calados, caçados... 6ySRUVHU,EUDLPR Savana 14-10-2016 21 PUBLICIDADE 22 Savana 14-10-2016 DESPORTO O campeonato nacional de futebol, Moçambola, caminha para a sua recta final e algumas equipas estão com a máquina calculadora na mão, umas fazendo contas do título e outras para a manuten- ção. Para o título, quatro equipas sonham em levantar o “canecão”, enquanto para a manutenção, duas equipas estão mais próximas da segunda divisão, mas uma é que marcará presença na próxima época da fina-flôr do nosso futebol. União Desportiva do Songo (UDS), Ferroviário da Beira, Clube de Chibuto e Liga Desportiva de Maputo têm chances de conquistar a prova, mas apenas as duas primeiras equipas é que estão bem colocadas para alcançar o objectivo. A três jornadas do fim da prova, a equipa treinada por Artur Semedo deixou de ser a única favorita à conquista do título (o que não se adivinhava há duas jornadas, antes de perder dois jogos consecutivos), tendo de lado o Ferroviário da Beira, que também persegue o seu primeiro campeonato nacional. Embora o caminho seja curto, o mesmo mostra-se difícil e armadilhado para as duas equipas, que ainda reservam um embate entre si, na penúltima jornada da prova, na vila de Songo. No reatamento da competição, de-  Os últimos passos rumo ao sonho  pois de duas semanas de paragem (uma para dar lugar as meias-finais da Taça de Moçambique e outra para disputa da final da Taça da Liga), a UDS desloca-se a Maputo para defrontar o Costa do Sol, no seu reduto. As duas equipas cruzaram-se, há duas semanas, em Songo, no jogo da segunda mão da Taça de Mo- çambique, com a equipa da casa a vencer por 3-0, sendo que dois golos foram marcados, através das grandes penalidades. Enquanto isso, o Ferroviário da Beira recebe o seu homónimo de Nacala, um adversário com a situação definida, quanto à sua permanência na prova. Cumprida a jornada 28, as duas equipas cruzam-se, na jornada 29, no Songo, numa partida tida como a decisiva para a conquista do título. O facto é que, até ao momento, as duas equipas encontram-se igualadas na tabela classificativa (52 pontos), mas os “beirenses” levam vantagem no número de golos marcados (34 contra 30). Ademais, o Ferroviário leva vantagem no confronto directo por ter ganho na primeira volta por 3-2. Ou seja, em caso de igualdade pontual, no fim do campeonato, os “locomotivas” de Chiveve levarão o troféu nacional. Entretanto, caso as duas equipas não resolvam nada até à penúltima jornada, o título passará, na última jornada, entre Nacala e Beira. Nessa ronda, a UDS desloca-se àquela cidade portuária para defrontar o Ferroviário local, enquanto o Ferroviário da Beira recebe a Liga Desportiva de Maputo, outra equipa que ainda sonha com o troféu, mas para tal terá de ganhar os três jogos e esperar por dois desaires dos dois primeiros classificados. ( Com 27 jornadas disputadas, duas equipas ainda espreitam a segunda divisão, depois dos Desportivos de Maputo e de Niassa confirmarem o que já se adivinhava, a sua despromoção. Trata-se do Estrela Vermelha de Maputo, que está abaixo da linha de água com 24 pontos, menos três pontos que o 1º de Maio, que ocupa a 13ª posição, com 27 pontos. Neste regresso ao ataque final do Moçambola-2017, os “alaranjados” da capital recebem o já despromovido Desportivo do Niassa, enquanto o 1º de Maio de Quelimane desloca-se a Nampula para jogar com o Ferroviário local. Na jornada seguinte (29ª), as duas equipas cruzar-se-ão, em Quelimane, em mais uma partida de “tira- -teimas”, na qual pode-se definir o mapa do Moçambola do próximo ano. Caso nada se decida neste capítulo, também até a penúltima jornada, as duas equipas irão definir o seu futuro na capital do país, na última jornada, onde o Estrela Vermelha joga frente a mais um despromovido, Desportivo de Maputo, enquanto os “operários” enfrentam o Maxaquene.  Além das partidas acima mencionadas, a antepenúltima jornada do Moçambola reserva as seguintes partidas: Desportivo de Nacala- -Clube de Chibuto; Chingale de Tete-ENH de Vilankulo; Ferroviário de Maputo-Desportivo de Maputo; e Maxaquene-Liga Desportiva. Referir que todas as partidas estão agendadas para o próximo domingo, às 15:00 horas. União Desportiva do Songo e Ferroviário da Beira reatam o sonho pelo primeiro título nacional N uma análise que nos parece oportuna realizar nesta altura em que restam apenas três jornadas para cair o pano sobre o Moçambola- 2016, a incógnita ainda continua patente nos dois extremos, por um lado, a disputa pelo título, mas por outro a luta pela sobrevivência entre o Estrela Vermelha e o 1º de Maio de Quelimane, se consideramos que o histórico Desportivo de Maputo e do Niassa já têm a sua descida consumada. O ponto aqui é considerar que os três clubes abaixo da linha de água, apesar das possibilidades do Estrela poder manter-se no Moçambola, mudaram de treinadores, tendo o Desportivo de Maputo e o do Niassa despedido seus técnicos, enquanto Chaquir Bemate do Estrela, numa atitude que a Direcção considera injustificável, deitou a toalha ao chão, abrindo ou acentuando a crise de resultados, se atendermos que o treinador alaranjado desistiu numa altura em que a equipa estava tranquila no campeonato, embora num momento menos bom. Porém, tanto Manuel Casimiro e João Chissano, dos históricos Estrela e Desportivo de Maputo, pe- “Casimiro e Chissano não acrescentaram valor” los resultados desportivos que as suas equipas vem tendo, demonstram ter sido apostas cuja entrada no comando técnico de suas equipas não acrescentaram valor, segundo depoimentos de alguns adeptos ouvidos pelo SAVANA, ainda que na segunda colectividade a crise aguda que afecta o emblema tenha também constituído um nó de estrangulamento. E mais ainda: na visita que efectuamos ao Estrela, o seu presidente de Direcção, Luís Manhique, respondendo a uma pergunta, afirmou que a equipa tem valor e qualidade para se bater e conseguir manutenção no Moçambola e acredita que isso vai ser conseguido. “Entendo e reconheço que a estrutura montada no início do Moçambola desintegrou-se com a saída inesperada de Chaquir e esse facto pesou na estabilidade da equipa, porquanto injustificável, pois está provado que nada havia que não fosse ultrapassável nas alegadas constatações do técnico, mas nem por isso a equipa perdeu qualidade”, explicou. A uma outra pergunta sobre que valores a nova equipa técnica acrescentou após a saída de Chaquir, o nosso entrevistado disse ser preciso que as pessoas acreditem nela, isto é, na sua capacidade técnica e na ciência que as deve guiar acima de tudo e que o resto pode ser complemento, mas nunca ao ponto de se exigir medidas que não tenham base científica. “Se a pirâmide estiver invertida, é normal que o funcionamento da estrutura montada fique quebrada e afecte a equipa e as pessoas, pois nem era preciso que houvesse obrigação de acrescentar valor, desde que se criasse ou se elevasse a necessária coesão para assegurar a manutenção dos resultados que o conjunto vinha tendo e, com isso, garantir a manutenção com tranquilidade”, explicou, para em seguida acrescentar: “se for verdade, havendo dois blocos que actuam sobre a equipa, haja consciência de cada um deles, pois os objectivos do Estrela estão acima de qualquer interesse pessoal ou grupos, e com isso capitalizarmos o objectivo geral”, reagiu. Entretanto, o presidente do Estrela Vermelha, Luís Manhique, numa maratona de acções para inverter o quadro actual do posicionamento do clube no Moçambola, realizou, entre outras iniciativas, duas palestras com a equipa de futebol, alterou o posicionamento de alguns dos seus quadros e despertou aos atletas o sentimento de que uma despromoção da equipa do escalão máximo do futebol pode beliscar o seu valor e prestígio profissional. Manhique foi mais longe ao dizer aos atletas que a manutenção do Estrela era tão importante para o prestígio individual e colectivo de todos, como para desmentir os que “não nos querem no Moçambola e promovem, na praça pública, contra as nossas aspirações, falsas ideias de que a Direcção não tem interesse na presença da equipa no Moçambola para vos enfraquecer no objectivo da manutenção. É preciso que denunciem acções com essa tendência aqui dentro do Clube e entendam que todos que se associam a essa ideia não merecem estar nem ser do Estrela, muito menos dirigir os seus destinos”. Apelou, em seguida, para que desmintam esta tendência com resultado desportivos, ganhando e mantendo a equipa no Moçambola. “Confio em vocês e na vossa capacidade, pois somos uma das mais organizadas equipas deste Moçambola e com uma logística regular, derivado do facto de estarmos no Moçambola, pois, diferentemente do que muitos distraídos dizem, as operações no Moçambola são mais baratas do que no campeonato da cidade, desde que sejamos organizados, pelo que seria um enorme desperdício para o próprio futebol uma eventual despromoçao. Os resultados desportivos conseguidos nos últimos anos, sendo neste momento o Estrela o bi-campeão em título de boxe, kimura, hóquei em patins, incomodam as pessoas que semeiam intriga no nosso seio para nos dividir e fragilizar os nossos objectivos, destruindo os comandos que formamos e montamos”, concluiu Manhique.(Paulo Mubalo) Manhique desafia atletas a provarem a sua qualidade Savana 14-10-2016 23 PUBLICIDADE Nos termos do anúncio do Concurso Público Nº 82/OE/ MISAU/UGEA/2016, publicado no Jornal Notícias no dia 23 de Setembro de 2016, emite-se a adenda ao Anúncio de Concurso. 1. Onde se lê “as propostas deverão ser entregues no endereço abaixo até as 10 horas do dia 11/010/2016” passa a ler-se “as propostas deverão ser entregues no endereço abaixo até as 10:00 horas do dia 25/10/2016 “. 2. Onde se lê “e serão abertas em sessão pública, no mesmo endereço às 10:30 horas do mesmo dia” passa a ler-se “e serão abertas em sessão pública, no mesmo endereço às 10 horas e 30 minutos do dia 25/10/2016”. 3. Onde se lê “ Critério de Avaliação e Decisão: Menor Preço Avaliado” passa a ler –se Critério de Avaliação e Decisão: Critério Conjugado” 1%2,$&
Jna avaliação 3. Todas as demais cláusulas e condições do Documento de Concurso permanecem inalteradas. A Autoridade Competente (Ilegível) REPÚBLICA DE MOÇAMBIQUE MINISTÉRIO DA SAÚDE UNIDADE GESTORA EXECUTORA DAS AQUISIÇÕES ADENDA AO ANÚNCIO DO Concurso Público Nº 82/OE/MISAU/UGEA/2016 Contratação de Serviços de Desembaraços Aduaneiros para MISAU ALTERAÇÃO DA DATA DE ENTREGA E ABERTURA DAS PROPOSTAS No passado dia 8 de Outubro de 2016, na cidade de Maputo, foi morto Jeremias Pondeca, membro da Renamo e do Conselho de Estado, que fazia parte da Comissão Mista para as negociações de paz. Segundo informações veiculadas pela imprensa, Jeremias Pondeca foi levado até à zona da praia da Costa do Sol onde o crivaram de balas. Num país em que a violência e o crime são quase endémicos, poderia este assassinato parecer fortuito, não fosse um conjunto de situações. Primeiro, é mais um assassinato que ocorre à luz do dia e numa zona relativamente segura. Segundo, nada (À- nalmente, é muita coincidência que em meio a um processo tenso e confrontacional nas negociações de paz, exactamente um dos membros da Comissão Mista, morra nestas circunstâncias. Esperamos que não se trate de uma morte premeditada. A série de assassinatos que vem ocorrendo, só pode ser entendida num contexto em que o terror e o medo são estratégias recorrentes, não compatíveis com o modelo democrático. Aliás, o assassinato do Jeremias Pondeca acontece num contexto de ameaças, raptos e limitação da liberdade de expressão, tal como se tem denunciado, contribuindo raízem nas vidas dos moçambicanos e moçambicanas. Ademais, este acto precede a mais um reinício das negociações de paz em curso, cuja morosidade e a continuidade das acções de guerra, estão a ter um alto custo em vidas humanas. Perante mais acto hediondo, nós, organizações da sociedade civil, congregadas nas acções de uma iniciativa designada “Outubro pela Esperança”, sequência das marchas de 18 de Junho e 27 de Agosto do corrente ano, vimos por este meio repudiar a onda de assassinatos e exigir que as autoridades competentes se empenhem para acabar com a impunidade dos autores. Pela Justiça, Paz e Democracia! Que em Outubro esperança brote. Maputo, 10 de Outubro de 2016 Nota de imprensa “Outubro pela Esperança” 24 Savana 14-10-2016 CULTURA I naugurou nesta terça-feira, 12 de Outubro, no Polana Serena Hotel, a exposição fotográfica denominada “Retrospectiva - More Jazz Experience”. São 48 fotografias que retratam edições passadas do More Jazz Series da autoria dos fotógrafos Sérgio Costa e Mauro Vombe. As fotografias em exposição no Bar, corredor e paredes diversas do Polana Serena Hotel enquadram-se na segunda edição do “Viva o Jazz - More Jazz Experience”. Para além da mostra fotográfica, o More Jazz Experience contempla exibições de filmes todas as quartas-feiras, às 19:00h, bem como sessões de música Jazz ao vivo, todas as quinta-feiras, às 19:00h. Quer as sessões de filme quer as de Jazz têm entrada livre. Todas as actividades turístico-culturais irão culminar no evento mãe, More Jazz Series 6, a ter lugar nos “É preciso ser um músico financeiro” dias 28 de Outubro (Polana Serena Hotel) e 29 de Outubro (Porto de Maputo-Terminal de Cabotagem). “Num período em que o nosso país e o mundo estão a atravessar uma crise financeira e conseguir realizar um evento cultural desta magnitude é preciso ter parceiros que depositam muita confiança no nosso trabalho. Falando disso, recordo que numa das conversas que tive com o Presidente do Conselho Executivo do BCI, nosso maior parceiro, ele disse que é preciso ser um músico financeiro para realizar um evento desta natureza nesta época bastante difícil em termos financeiros no país”, disse o músico Moreira Chonguiça, patrono da iniciativa, no evento de apresentação da sexta edição do More Jazz Series. Para a edição deste ano, a sexta, o More Jazz Series traz para os palcos de Maputo, The Moreira Project (Moçambique), Lendas da música moçambicana – Khanimambo (Moçambique), Ildo Nandja (mo- çambicano radicado na África do Sul), Judith Sephuma (África do Sul), Omar Sosa (Cuba) e Suzana Stivalli (Itália). “É sempre uma honra contribuir para um evento que começa a mostrar mais um espaço no mundo quando se fala de festival de jazz. Para serem conhecidos, outros festivais levaram o seu tempo. Então, participar nesse caminho de demonstração de Mo- çambique como um dos lugares de referência, em termos de jazz e da cultura nacional para o mundo, é gratificante como instituição. É gratificante encontrar jovens mú- sicos que apresentam propostas deste género. Diria mais uma vez que Moreira Chonguiça é um mú- sico financeiro. Precisamos de mais iniciativas deste género no país em todo o espólio cultural que Moçambique possui”, frisa o Presidente do Conselho Executivo do BCI, Paulo Sousa. A.S A cidade de Maputo transformou-se desde o domingo passado numa verdadeira capital da cultura e Literatura de expressão portuguesa, com a realiza- ção de “Ensaios poéticos”, um show de declamação de poesia, canto e dança, chancelado pela conceituada poeta, cantora e compositora brasileira, Maria Bethânia, cuja finalidade é a produção de um documentário sobre a poesia dos países de expressão portuguesa. Organizado pelo “Cine Group”, uma organização cultural sediada no Brasil, dedicada à produção cinematográfica e televisiva, o evento decorreu na quarta- -feira última, no Centro Cultural Universitário da Universidade Eduardo Mondlane, tendo colocado no mesmo palco os escritores moçambicano e angolano, Mia Couto e José Eduardo Agualusa, num verdadeiro acto de celebra- ção dos grandes poetas que unem três países irmãos (Brasil, Moçambique, e Angola) através de uma língua e de um sentimento comum. Mas antes mesmo da realização do referido es- “Ensaios poéticos” junta três figuras pectáculo, aquela que é também conhecida como a irmã “caçula” do lendário cantor e compositor brasileiro, Caetano Veloso, teve a honra de ser recebida em dois eventos, sendo o primeiro marcado com um momento cultural de canto e dança de Timbila e Tufo, uma cerimónia que marcou a sua chegada a Moçambique, e outro observado na Escola Secundária de Laulane, na passada segunda- -feira, contando com a presença do Ministro de Educação e Desenvolvimento Humano, Jorge Ferrão. Este foi igualmente marcado por uma sessão de declamação de poesia, canto e dança de se tirar o chapéu, protagonizado pelos alunos daquele estabelecimento de ensino, um exercício que serviu como pretexto para a exaltação de personalidades mais importantes do mundo da música, literatura e jornalismo do país, como Fany MPfumo, Carlos Cardoso como José Craveirinha, Rui de Noronha, Orlando Mendes, Rui Nogar, Aníbal Aleluia, Leite Vasconcelos, Noémia de Sousa, entre outros. Américo Pacule D epois de ter estreado na plataforma Internacional de dança contemporânea - KINANI, a peça encenada por três Mulheres de diferentes Países (GabySaranouff - Madagáscar, Desiré David - África de Sul e Edna Jaime - Moçambique) foi escolhida como cartaz da 10ª edição do “Dansel’AfriqueDanse” que se realizará entre os dias 26 de Novembro a 3 Dezembro em Ouagadougou, Burkina Faso. Esta peça ganhou a sua primeira projecção Internacional através do festival Kinani, realizado em Outubro de 2015. Uma criação artística que conta com a co-produção da Iodine Produções que ao mesmo tempo proporcionou a sua primeira residência artística em Moçambique. Em palco, a peça junta movimentos corporais, som e luz para expressar a sua mensagem de incentivo às pessoas para falarem sobre os problemas que as mulheres enfrentam no seu dia-a-dia. Para além deste célebre reconhecimento, Moçambique se fará representado por Quito Tembe (Director do Kinani) e membro do comité de orientação artística do festival (Dansel`AfriqueDanse). Neste encontro Internacional de dança contemporânea será igualmente reposta a peça “Um solo para cinco” da autoria de um dos principais precursores da dança contemporânea em Moçambique, o bailarino e coreógrafo Augusto Cuvilas. De referir que a Iodine Produções, Augusto Cuvilas homenageado para além de focar-se na produção de eventos de dimensões Internacionais como o Kinani e o Tridisciplinar, tem vindo a se ocupar na internacionalização de peças de dança contemporânea ao nível da África Austral. Como exemplo disso, está a produzir e apresentar a peça da jovem coreógrafa Judith Manantenasoa, intitulada “Métamorphose”, sendo esta a sua primeira internacionalização a nível de gestão e assessoria. “Este é mais um sinal de reconhecimento do trabalho que juntos temos feito em prol da dança contemporâ- nea”, disse Quito Tembe. A.S  Dobra por aqui SUPLEMENTO HUMORÍSTICO DO SAVANA Nº 1188 ‡ DE OUTUBRO DE 2016 2 Savana 14-10-2016 SUPLEMENTO Savana 14-10-2016 3 AS CAMPANHAS DAS NOVAS MARCAS.... Savana 14-10-2016 27 OPINIÃO Abdul Sulemane (Texto) Júlia Manhiça (Fotos) O s pronunciamentos críticos feitos pelo presidente da Frelimo, Filipe Nyusi, no recente encontro de quadros e do Comité Central deste partido na Matola, reprovaram os membros do seu partido que se expressam livremente sobre a vida do país e do partido. Foram considerados indisciplinados que estão a valorizar-se mais do que o partido e os seus órgãos. Há quem considera que é uma estratégia que foi muito usada pelo antigo presidente, Armando Guebuza, para tentar controlar o seu partido e silenciar os críticos de dentro. Contudo, existe um grupo de membros do partido Frelimo que se tem expressado sem reservas sobre a vida do país e da Frelimo. Para os que não podem falar abertamente sobre a vida do país e do partido, apenas resta os momentos em que se encontram em ambientes que possam aproveitar dar um desabafo em relação aos seus pensamentos sobre determinados assuntos. Não é por acaso que vemos a Procuradora- -Geral da República, Beatriz Buchili, e a Chefe da Bancada da Frelimo da Assembleia da República, Margarida Talapa, trocando lamentações. Outros não conseguem esconder a sua indignação face aos pronunciamentos. Comentam os seus pareceres sobre situações difíceis que têm enfrentado. Reparem como Óscar Monteiro expressa o seu descontentamento, deixando apenas Carvalho Muária a ouvir. É inadmissível o que está a acontecer. As pessoas já não podem mostrar o seu descontentamento? Parece ser o que estão a dizer os indignados. Vejam nesta outra imagem o semblante irritado do antigo Comandante- -Geral da PRM, Jorge Khalau. O antigo vice-Ministro do Interior e actual reitor da ACIPOL, José Mandra, preferiu acalmar o seu camarada, segurando desajeitadamente o braço do outro, desviando o olhar par outro lado, como se procurasse ver se a cena foi partilhada pelos outros camaradas. Há situações em que de alguma forma aproveitamos para partilhar momentos agradáveis. É o que fez o escritor Calane da Silva quando partilhou uma afável conversa com a renomada cantora brasileira, Maria Bethânia. Pela demonstração de agrado protagonizada pela artista foi agradável. O Ministro da Educação e Desenvolvimento Humano, Jorge Ferrão, não escondeu a sua satisfação. É mesmo para dizer que personalidades ligadas à cultura têm outra forma de estar na sociedade. Transmitem alegria por onde estiverem. Esse facto é bem notório nesta última imagem, onde vemos o artista plástico Naguib Abdul e o músico Roberto Chitsondzo a partirem o coco sobre algum facto agradável que partilharam. Isso é que é ter a liberdade de pensar, falar e sorrir sem medo de represálias daqueles que são contra a liberdade em todos os aspectos. Pensar, falar diferente é proibido? IMAGEM DA SEMANA À HORA DO FECHO www.savana.co.mz gj5‑­5/./ ,)5‑­5hfgl5R5
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o 1188 Diz-se... Diz-se Naíta Ussene AComissão dos Servi- ços Públicos da África do Sul anunciou esta semana a entrada em vigor de normas que prevêem a detenção de funcionários públicos e de membros do governo que fizerem negócios com o Estado, a partir de Fevereiro do próximo ano, numa medida visando combater a corrupção no país. Segundo o jornal sul-africano Business Day, o comissário dos Serviços Públicos da Região Metropolitana de Gauteng, Mike Seloane, disse ao Comi- .ï5 ­,'(­(.­5 ‑5 --­' &­#5 Provincial de Gauteng para as Contas Públicas que as novas directivas enquadram-se no esforço da luta contra ilícitos financeiros cometidos por membros do executivo e funcionários públicos.qualquer gestor sénior será preso, se se descobrir que detém empresas que fazem negó- ­(éã)5 é estender esta provisão aos Novas normas prevêem prisão a políticos que negoceiam com Estado políticos e a todos os órgãos de soberania deste país”, disse Seloane. 5 &­#5 ­'5 /-65 *,)--­!/#/5 )5 comissário, não será aplicada retroactivamente, o que significa que se um funcionário pú- blico ou membro do executivo que tiver ganho um concurso +/­5 0#!),5 ‑­*)#-5 ‑­5 hfgm5 )5 contrato não será revogado. “Esta lei será aplicada a novos contratos [assinados depois de ­0­,­#,)5‑­5hfgmE65'-5)-5!­-- tores são encorajados a renunciarem às empresas que fazem negócios com o Estado”, acrescentou Mike Seloane. De acordo com o Business Day, o auditor-geral sul-africano descobriu em 2013 que concursos públicos orçados em 600 milhões de rands foram adjudicados a empresas com ligações a funcionários do Estado. Por seu turno, a Unidade Espe- #&5‑­5 (0­-.#!éã)5#‑­(.#ŀ)/5 235 funcionários do Estado no Ministério da Saúde, que beneficiaram de concursos avaliados em 42.8 milhões de rands. Já o Ministério da Educação Básica informou que mais de três mil dos seus funcionários conseguiram concursos estimados em 152 milhões de rands, entre 2010 e 2012, incluindo professores e gestores seniores da instituição. De acordo com Mike Seloane, as novas normas vão passar a considerar cúmplices os gestores seniores que não denunciarem potenciais situações de crimes financeiros. “Como gestor sénior, se descobrir ilícitos de crimes financeiros de 100 mil rands ou mais, é sua responsabilidade informar às entidades competentes. Se não o fizer, será considerado cúmplice de má conduta”, explicou Seloane. O comissário acrescentou que os funcionários envolvidos em esquemas de corrupção não vão escapar à lei usando a transferência para outro departamento do governo, pois será activado um novo sistema de alerta para casos de coloca- ção de trabalhadores suspeitos noutros postos. O exemplo que vem da África do Sul  rados de cinco empresas estatais, mais a retirada do depósito do  tral, já há cinco bancos a derrapar nos rácios. Porque a penalização só recaiu no Moza?  recer e condenar a onda de assassinatos de opositores e críticos do  de crocodilos ou chegou a vez de agir. É hora para recolher os cachorros, como alguém sugeriu um dia. R55 ­-')5--#'655 ­(')5,­!#/5*)-#.#0'­(.­55.#./‑­5‑)5.#')- neiro da nação sobre assassinato de Pondeca, mas falcões, numa primeira fase, tentaram resistir argumentando que era mais uma morte “entre eles”. R555----#(.)5‑)5")'­'65+/­5-­5‑­-.)/5(5­-)&#("5‑)5 ,/- lho com apitos e batucadas em tempo idos, vai engrossar a lista dos requerentes de protecção policial, depois dos magistrados. O ministro que tutela a área deu a conhecer que o malogrado tinha direito à protecção policial na qualidade de membro do CE, mas a realidade mostra que poucos desfrutam deste privilégio. a corporação anunciou a tomada de uma base da Renamo, “mais uma”, desta vez algures em Murrotone, num “mega e retumbante assalto de proporções jamais vistas”. O que faltou à nossa polícia é  um porta-voz distraído que ora diz que aquando do assalto as perdizes estavam a dormir, ora que não conseguiram deter qualquer  de acordarem os “dorminhocos” para se precaverem da “mega operação”. sui generis, más notícias continuam a cair a rajadas. Depois das tais novas dívidas, também fabricação da imprensa internacional, avaliadas em USD 900 milhões, agora é o banco brasileiro de fomento que pode cortar o financiamento de Moamba Major. O pandza ainda vai dar muita dança. R55 mentar que investiga as chamadas dívidas ocultas, foram publi-Proindicus e Ematum. Mas se Chang assinou, quem deu poderes para assinar?  base logística de Pemba a ser questionada, um gigante mundial da administração portuária prepara-se para fazer uma proposta mi grande base logística de apoio à exploração de gás de Rovuma. -5 círculos do poder a possibilidade de uma mini remodelação para refrescar os quadros, o que está a tirar sono a alguns titulares e potenciais ministeriáveis. fregam as mãos com a eleição de Guterres. O tuga é considerado como um poderoso aliado na mais importante organização multilateral de todo o mundo. Em voz baixa R55 '5 +/‑,)5 &á5 *,5 -5 (‑-5 ‑5 .­,,5 ‑­5 )5 !­(.­5 *,.##*)/ como quadro na reunião do partidão e uma semana depois assinou no matutino uma “grande reportagem” sobre a reunião que decide a vida do partido governamental no intervalo entre os congressos. 4­,5'#-5)')888 Savana 14-10-2016 1 0DSXWR GH2XWXEURGH ‡$12;;,,,‡1o 1188 A desnutrição crónica continua sendo um dos principais problemas de saúde pública, em Moçambique, e dados do Ministério da Saú- de indicam que cerca de 43% da população está afectada por este mal, enquanto os do Ministério da Agricultura e Segurança Alimentar indicam que cerca de 1.4 milhão de pessoas estão em situação de insegurança alimentar aguda. Nesta semana, o Representante do Fundo das Nações Unidas para a Agricultura (FAO), em Moçambique, Castro Camarada, revelou que a sua organização, em parceria com o governo e outras Organiza- ções Não-Governamentais, está a ensaiar duas novas formas para se fazer face ao problema. “A primeira é uma abordagem FAO, PMA e parceiros na luta contra a fome Ensaiadas novas formas de combate à desnutrição crónica conjunta sobre este mal, em que envolvemos três componentes de trabalho (educação nutricional, mudança de comportamento e de hortas caseiras). A segunda inovação é a introdução de senhas electrónicas, que facilita a aquisi- ção de alguns inputs (sementes e fertilizantes melhorados), na qual o produtor também comparticipa”, explicou. Falando na manhã desta quarta-feira, em Maputo, numa conferência de imprensa alusiva às comemora- ções do Dia Mundial de Alimentação, que se assinala no próximo domingo (16 de Outubro), Castro Camarada avançou que o primeiro projecto está sendo desenvolvido nas províncias de Sofala e Manica, no centro do país, envolvendo oito mil famílias, enquanto no segundo, o subsídio varia entre os 30% (mais vulneráveis) e 50% (pequenas empresas), porém, não sem avançar valores concretos. Neste ano, o país foi assolado pela seca, na zona sul, que só em Gaza e Inhambane afectou cerca de 140 mil pessoas, e pelas cheias na zona norte, que atingiram mais de 20 mil pessoas. Esta situação, agravada pela retirada do financiamento externo ao Orçamento de Estado, devido à descoberta de uma dívida de USD 1.4 mil milhões e a crise político- -militar, provocou a escassez de alimentos, subida galopante de preços e consequentes bolsas de fome. Intervindo no evento, a Representante e Directora Nacional do Programa Mundial da Alimentação, em Moçambique, Karin Manente, afirmou que aquela organização está a dar uma resposta positiva ao problema e, em Setembro passado, apoiou 800 mil pessoas, em assistência alimentar. Embora as metas mundiais apontem 2030 como o ano zero para a fome, a nossa fonte adiantou que, para o caso moçambicano, não é possível fazer previsões porque a população cresce de forma desproporcional. “Mas, observa-se que Moçambique passou, nos últimos 15 anos, de uma insegurança alimentar que rondava nos 50% para 25%”, sublinha. A outra forma encontrada para o combate da desnutrição crónica é a fortificação dos alimentos e o potenciamento das pequenas moageiras. O 16 de Outubro deste ano é comemorado com o lema “O clima está mudando. A alimentação e a agricultura também” e tem como objectivo consciencializar as pessoas sobre este fenómeno, que afecta os sectores produtivos (agricultura, pecuária e pesca), base de sustento de cerca de 70% da população mo- çambicana. Depois do El Niño, Camarada diz haver necessidade de se produzir alimentos de forma sustentável e, para tal, é preciso que se adapte os sistemas de produção às mudanças climáticas. “Temos de utilizar sistemas que têm uma carga de carbono mais baixa; sistemas que levem à emissão de gás estufa mais baixa para mitigar o impacto que essas mudanças têm”, considera. A fonte acrescenta ainda que a FAO está a desenvolver um programa relacionado às mudanças climáticas, promovendo abordagens agro-ecológicas (evitar o desflorestamento, fazer melhor conservação da água, etc.). Abilio Maolela Savana 14-10-2016 2 A cidade de Maputo acolhe, a partir de hoje até próxima segunda-feira do corrente mês, a IV edição da Feira Internacional de Turismo, uma plataforma de promoção do turismo moçambicano, que visa divulgar as potencialidades turísticas do País e colocá-lo na rota dos destinos preferenciais do mundo. Denominada “Descubra Moçambique”, a feira é organizada pelo Governo moçambicano, através do Ministério da Cultura e Turismo e do Instituto Nacional do Turismo (INATUR), em parceria com o sector privado, e pretende-se que a mesma sirva também para promover a cultura e gastronomia nacionais. O evento vai contar com a participação de cerca de 150 expositores nacionais e estrangeiros, 14 hotéis, 40 agentes de turismo, dois países vizinhos (África do Sul e Swazilândia), para além de diversos operadores turísticos. Segundo explicou o director nacional do Turismo, Eduardo Zuber, em paralelo, “este evento constitui a materialização do Plano Estratégico de Desenvolvimento do Turismo, que tem como principal objectivo a promoção da imamCel apoia Feira Internacional de Turismo gem do País, através do turismo”. “Pretendemos que os objectivos definidos no Plano Estratégico do sector se tornem realidade e isso passa por promover a imagem do País e do turismo doméstico, que são importantes factores de desenvolvimento”, disse Eduardo Zuber. Por seu turno, Albino Mahumana, director-geral do INATUR, referiu que, mais do que divulgar as potencialidades do País, pretende- -se transformar este evento numa plataforma de negócios e de interacção entre os agentes e profissionais da cultura e do turismo. “O Governo definiu o turismo como a quarta área para a dinamização do desenvolvimento sócio- -económico de Moçambique, e esta feira constitui uma das acções de promoção da imagem do País e de investimento, visando o alcance deste desiderato”, afirmou o director nacional do INATUR. Este evento conta com a parceria da operadora de telefonia móvel mcel-Moçambique Celular, cujo representante, Jonas Alberto, considerou que “o turismo é uma das formas de promover a moçambicanidade e, por via disso, desenvolver o País”. Entretanto, para além da Feira Internacional de Turismo, a mcel associou o seu nome à 35ª edição da Copa Mafalala, um torneio de futebol de 7, que envolverá um total de 18 equipas de diversos bairros da capital do País. O torneio, a ter lugar no campo da Mafalala, no bairro com mesmo nome, na cidade de Maputo, decorrerá entre os dias 15 de Outubro e 7 de Janeiro e visa cultivar nos jovens o gosto pela prática do desporto, em particular o futebol. Para estimular a participação do público, para além dos jogos, que serão disputados todos os fins-de- -semana, durante o torneio serão realizadas diversas actividades complementares, tais como registo e activação de cartões SIM, emissão de Bilhetes de Identidade e de NUIT’s (Número Único de Identificação Tributária), entre outras. A MultiChoice procedeu na última terça-feira a entrega de uma escola a Comunidade de Machanfane no distrito de Matutu- íne, que dista a 15km do cais da Catembe, num investimento or- çado em cerca de três milhões de meticais. A oferta consiste na construção de seis salas de aulas e reabilitação de três, totalizando nove salas de aulas. Foi também entregue material agrícola para a produção de alimentos e alunos, material escolar e didático diverso, realizada electrificação, carteiras escolares, obras de melhoria do bloco administrativo e oferta de material informá- tico e de escritório. Na cerimónia de entrega Pedro Langa, da MultiChoice, disse que esta entrega constitui aquilo que é um dos primeiros passos de responsabilidade social da empresa. “Estes foram os primeiros passos da MultiChoice Moçambique. Estas salas foram abandonadas pelo empreiteiro devido a exiguidade de fundos. Tinham somente três salas de aulas. Construímos seis e chegamos a nove salas. Constru- ímos um bloco administrativo e MultiChoice oferece escola na Catembe oferecemos material agrícola para que se possa evitar a desistência de alunos devido a falta de alimentos”, explicou Antes do apoio a escola possuía apenas três salas de aulas em condições precárias, lecionando o ensino primário. O apadrinhamento, permitiu a introdução do ensino secundário (salas anexas da Escola Secundária da Catembe) reduzindo assim a distância percorrida pelos alunos da região (cerca de 15 Km) até a Catembe e hoje já é possível introduzir os recursos de alfabetização de adultos no curso nocturo. Domingos Mebasse, director da Escola Primária de Machanfane, disse que as salas poderão mudar a qualidade de vida e o desempenho dos alunos. “Com essas salas a vida muda. Nenhuma criança estuda na sombra (de árvores) todas estão nas salas. Se a criança tem essas condições o aproveitamento são significativos.”, felicitou Na ocasião, a MultChoice anunciou também que estão em curso obras de reabilitação de Escola Primária Ngungunhana, no município da Matola, cujo o término está previsto para o mês de Novembro do ano corrente. Savana 14-10-2016 3 PUBLICIDADE Savana 14-10-2016 4 PUBLICIDADE De acordo com a alínea “c” do nº 2 do art. 32 do Regulamento de Contrata- ção de Empreitada de Obras Públicas, Fornecimento de Bens e Prestação de Serviços ao Estado, aprovado pelo Decreto nº 15/2010, de 24 de Maio, comunicamos que o objecto do concurso acima foi adjudicado ao Consultor Pricewaterhouse Coopers pelo valor REPÚBLICA DE MOÇAMBIQUE MINISTÉRIO DA SAÚDE UNIDADE GESTORA EXECUTORA DAS AQUISIÇÕES (UGEA) ANÚNCIO DE ADJUDICAÇÃO CONCURSO Nº 39/15/BID/MISAU/UGEA Consultoria para Auditoria aos Fundos alocados ao Projecto que visa o Apoio ao Fortalecimento do Sistema de Saúde na Província de Inhambane We hereby inform that the object of the contest was awarded to up Pricewaterhouse Coopers, the amount of: 962.535,60 (Nine hundred and sixty two thousands,  REPÚBLICA DE MOÇAMBIQUE MINISTÉRIO DA SAÚDE UNIDADE GESTORA EXECUTORA DAS AQUISIÇÕES (UGEA) NOTICE OF AWARD BID Nº 39/15/BID/MISAU/UGEA Consultancy Service for the Financial Audit of the Support to the Health Project in Inhambane Province de: 962.535,60 MT (Novecentos sessenta e dois Mil, quinhentos trinta e cinco Meticais, sessenta Centavos), valor com IVA incluído. Maputo, aos 30 de Setembro de 2016 A Autoridade Competente (Ilegível) Meticais, sixty Cents), including VAT. Maputo on September 30, 2016 The Competent Authority (Unreadable) Savana 14-10-2016 5 PUBLICIDADE Savana 14-10-2016 6 PUBLICIDADE Savana 14-10-2016 7 PUBLICIDADE Savana 14-10-2016 8 Vende-se por bom preço e para entrega imediata, um jipe Mercedes Benz, modelo ML270, com 180.000 Km. O carro pode ser visto através do contacto 845723175 em Maputo. VENDE-SE MERCEDES BENZ ML270 Aulas com métodos modernos (sempre que necessário) Salas em perfeitas condições Parque de estacionamento de viaturas, amplo e com segurança Professores com formação fora do país Muita experiencia no ensino a funcionários, estudantes universitários, técnicos superiores Excelente localização na cidade de Maputo Serviços adicionais:  Contacte-nos na Paróquia de Santa Ana da Munhuana Sita na Av. Maguiguana, por de trás do Hospital Santa Filomena…em direcção à Av. de Angola Cell: 84 47 21 963 Flor English Training CURSO COMPLETO DE INGLÊS  Curso de Inglês na STa. Ana da Munhuana Aperfeiçoamento. Os candidatos devem ter nível médio de escolaridade A ADDP, uma organização não-governamental mo- çambicana, lançou, recentemente, em Nacala Porto, na província de Nampula, um projecto essencialmente virado às raparigas, denominado “Raparigas que Inspiram”. Trata-se de uma iniciativa que visa o empoderamento de raparigas contra a gravidez precoce e os casamentos prematuros. Com duração de dois anos, o projecto tem como objectivo principal elevar o nível do acesso à educação, melhorar a qualidade de vida e o auto-sustento deste grupo-alvo. Na sequência serão sensibilizadas cerca de duas mil mulheres que incluem ADDP empodera raparigas em Nacala Porto raparigas e jovens dos 10 aos 24 anos de idade. Como parte da sua intervenção, o projecto vai ministrar um programa com a duração de três meses para as jovens e raparigas em sete diferentes comunidades de Nacala Porto, abordando temas ligados aos direitos da mulher e à importância da educação da mulher adolescente, além de ajudá-las a seguirem um caminho mais seguro para o futuro. Com esta iniciativa, a ADDP pretende aumentar o nível de conhecimento no seio das raparigas sobre os direitos da saúde sexual e reprodutiva e da protecção social, bem como os riscos dos casamentos prematuros e a gravidez precoce. Savana 14-10-2016 9 PUBLICIDADE Savana 14-10-2016 10 PUBLICIDADE Savana 14-10-2016 11 D ecorreu entre os dias 06 a 08 do corrente mês, na cidade de Maputo, a segunda edição da Feira Internacional do Livro de Maputo, uma iniciativa promovida pelo Conselho Municipal da Cidade de Maputo (CMCM) em parceria com a Associação de Escritores de Moçambique (AEMO), a Comunidade Académica para o Desenvolvimento (CADE), os Centros Culturais e Embaixadas de Brasil, Espanha, França, Itália, Portugal, e que contou com o apoio do Banco Comercial e de Investimentos (BCI). A Feira do Livro de Maputo tinha como objectivo principal proporcionar o intercâmbio entre vários intervenientes e personalidades ligadas à literatura nacional e internacional que, pelo seu reconhecido mérito ou experiência, podem contribuir para um debate profundo sobre esta área, promovendo e difundindo o “livro”, para além de fomentar os hábitos de leitura e o incremento do nível de literacia. Para o Ministro de Educação e Desenvolvimento Humano, Jorge Ferrão, que orientou o acto de abertura, “esta Feira é sem dúvidas o Maputo promove Feira Internacional do Livro maior espaço de exposição literária do nosso país, assumindo também a nobre missão de popularização do conhecimento que é um factor importantíssimo na educação” – salientou, acrescentando: “o livro, para além do conhecimento, proporciona-nos, nesta feira, a oportunidade rara de interacção com amigos, com parceiros do mundo, com especial destaque para os escritores e tradutores de Angola, Portugal, Brasil, Espanha e França”. O Presidente do Conselho Municipal de Maputo, na qualidade de patrono do evento, atribuiu a esta feira “uma grande importância como contributo para um longo e permanente processo de formação humana em todas as suas vertentes”. Mais adiante sublinhou: “actividades desta natureza são uma ferramenta valiosa, pois proporcionam momentos de intercâmbio e de reflexão que poderão ser importantes para os professores, educadores, estudantes e para o cidadão em geral”. De acordo com o Director de Marketing do BCI, Rogério Lam, em representação do Banco, “várias são as iniciativas que o BCI desenvolve na esfera cultural, no quadro da sua política de Responsabilidade Social, e que ao longo da sua existência se têm notabilizado, entre outros, através do apoio a instituições públicas e privadas, e do desenvolvimento de acções colectivas e individuais que promovem os valores mais nobres da moçambicanidade” – referiu e prosseguiu: “a instituição do Prémio BCI de Literatura que este ano vai na sua 5ª Edição e que já é uma referência no panorama nacional das Letras, assim como o apoio na edição de livros de autores moçambicanos é um desses exemplos práticos, que mostram que ser parceiro desta Feira Internacional do Livro não é obra do acaso”. “Temos aqui nesta feira presentes em exposição dezenas de livros cuja edição foi patrocinada pelo BCI” – finalizou. D a autoria da moçambicana radicada no Brasil, Sónia André, foi lançada na última terça-feira na cidade de Lichinga, capital da província do Niassa, ao norte do país, um filme intitulado “à espera” que descreve a realidade de casamentos prematuros, com particular enfoque ao posto administrativo de Meponda, distrito de Lichinga, e a cidade com o mesmo nome. Sónia André, natural de Inhambane e actualmente radicada no Brasil, disse que a mesma teve a duração de dois meses, isto é, de Abril a Maio do ano em curso, com o financiamento da Embaixada da Irlanda e do Governo Provincial do Niassa e traz consigo um grito fundamental com vista a “travar” os casamentos prematuros que, consequentemente, dão origem às gravidezes precoces e, pior de tudo, provocando desistências das tais crianças no Processo de Ensino e Aprendizagem. No entender de André e chamando especial atenção aos pais e encarregados de Educação, quando a menor se coloca no estado de gravidez prematura significa que se está a negar a vida desta mesma criança e dos respectivos direitos humanos. “Não estou a dizer não aos ritos de iniciação. Existem coisas boas que devem ser partilhadas em prol destes. Mas quando é contra os direitos humanos da criança, temos de encarrar sem prejuízos. Temos de saber interpretar, escolher ou colher o Niassa lança filme sobre casamentos prematuros que é bom. Saber seleccionar o que é útil”, enfatizou Sónia André, quando questionada se o filme visa pôr fim à prática social de ritos de iniciação no seio do grupo, sobretudo dos locais por onde o mesmo foi desencadeado. Sobre a escolha do título do filme, “à espera”, a autora da obra sublinha que visa, dentre vários, impulsionar a esperança para ou de um futuro melhor do respectivo grupo alvo. Na ocasião, o governador do Niassa, Arlindo Chilundo, frisou que o filme tem uma mensagem extremamente importante porque se pretende combater, de forma vigorosa, os casamentos prematuros, na qual as pessoas que estão directamente ou mais afectadas são as raparigas e que, por coincidência, é lançada a obra no respectivo dia deste grupo sócio-etário. Chilundo elogiou Sónia André e fez notar que o governo da província tinha o sonho de encontrar um outro mecanismo de comunicar com a população local através do filme para que esta aprofunde e entenda que os casamentos prematuros não são nada bons para a sociedade, no geral, e a rapariga, a mulher de amanhã, em particular. “Nós temos tido muitos mecanismos de comunicação, através das salas de aulas, comícios e encontros com lí- deres comunitários, mas entendemos que esta é uma outra linguagem que pode, também, ajudar-nos a aprofundar a reflecção por meio do cinema, porque queremos que seja combatido rapidamente possível”, precisou Chilundo.(Por Pedro Fabião, em Lichinga) Savana 14-10-2016 12 A província de Maputo acolhe desde a última segunda-feira até amanhã, sábado, o 10º encontro internacional da Marcha Mundial da Mulheres (MMM). Promovida pelo Fórum Mulher, a marcha é um movimento mundial de acções feministas constituído por grupos de mulheres que trabalham para a eliminação das causas que originam a pobreza e violência contra as mulheres com vista ao alcance da Paz. O 10º encontro internacional acontece numa altura em que Moçambique vive momentos de instabilidade política e económica, factores que contribuem consideravelmente para a perpetuação de diferentes formas de violência contra a mulher, uma vez que esta encontra-se numa situação desfavorecida devido ao contexto soció-cultural do país dominado pelo homem. O evento que decorre sob o lema – “Mulheres em Resistência: Construindo Alternativas por um Mundo Melhor”, tem por objectivo fortalecer politicamente o movimento e redefinir estratégias para as acções globais e para a construção das alternativas feministas. Na abertura, o Secretário Permanente do Ministério do Género, Criança e Acção Social, Danilo Momade Bay, em representação da ministra, afirmou que o 10º encontro da MMM constitui um momento único de troca de sinergias entre as participantes com vista a buscar soluções viáveis para responder aos desafios da actualidade. Moçambique acolhe Marcha Mundial das Mulheres “Ao acolhermos este evento, contamos não só partilhar as nossas experiências, mas também reflectir sobre vitórias alcançadas ao longo desta caminhada e perspectivar as acções a serem prosseguidas, de modo que juntas encontremos soluções para ultrapassarmos as barreiras que ainda persistem e que nos foram impostas por centenas de anos pelo sistema baseado no Patriarcado que predomina nos nossos países”. Bay reafirmou o compromisso do Governo de Moçambique na promoção da igualdade de género e protecção dos direitos humanos da mulher e rapariga, tendo de seguida enumerado as acções levadas a cabo pelo executivo, com destaque para a aprovação da Lei da Família e a Lei Contra Violência Doméstica praticada contra as mulheres, em 2004 e 2009 respectivamente, entre outros instrumentos regionais e internacionais ratificados pelo país. De acordo com Graça Samo, Coordenadora do Secretariado Internacional da MMM, o país acolhe pela primeira vez esse evento que será um momento especial “porque este encontro acontece num contexto em que o mundo vive uma grande crise sistémica, uma crise do sistema capitalista com impactos muito adversos na vida das mulheres. Enquanto os distintos poderes tentam manter a sua sobrevivência através da expropriação, exploração e acumulação exacerbada dos recursos naturais, que agrava as mudanças climáticas e seus impactos, as mulheres são obrigadas a pagar o pre- ço da carência, através da explora- ção do seu corpo e do seu trabalho usando-se a violência como mecanismo de controlo”, explicou. Para Sambo, o encontro constitui uma oportunidade de reflexão sobre as acções conjuntas para responder aos problemas enfrentados pelas mulheres. “Nós mulheres não aceitamos permanecer como vítimas deste sistema, somos sujeitos políticos para mudar a vida das mulheres e o mundo. Este encontro dar-nos-á oportunidade de juntas reafirmarmos as nossas resistências a todas as formas de opressão, exploração e violência, mas sobretudo de podermos definir a nossa agenda comum, reforçarmos as nossas alianças com outros movimentos para juntas seguirmos em defesa da sustentabilidade da vida”, vincou. De referir que, em 2013, Moçambique assumiu o Secretariado Internacional da Marcha Mundial das Mulheres por um mandato de seis anos. O Secretariado Internacional (SI) coordena as actividades mundiais do movimento entre si e em colaboração com os seus parceiros internacionais. Actualmente, a MMM tem 72 coordenações nacionais e vários grupos participantes em redor do mundo. Estas entidades funcionam de forma autónoma com acções globais conjuntas, sob coordenação do Secretariado Internacional e do Comité Internacional. N o âmbito do Dia Mundial da Poupança, que se celebra a 31 de Outubro, o Banco Comercial e de Investimentos (BCI) associa-se ao Banco de Moçambique nas comemorações desta data, contribuindo para a divulgação junto das crianças e dos jovens do conceito de poupar, promovendo iniciativas que visam suscitar nestes os hábitos de poupança e de organização das suas finanças. Para este ano, o BCI procurou destacar o carácter inclusivo do projecto. Destacou, entre as diversas instituições envolvidas, as escolas do distrito de Mocuba na Zambézia, que além de estarem em maior número, têm merecido uma atenção especial. Adicionalmente, e pela primeira vez no projecto, são introduzidas instituições de ensino superior, dado o reconhecimento da relevância deste público na promo- ção de gestão de finanças pessoais a todos os níveis. No quadro da iniciativa “Uma Agência, Uma Escola”, toda a rede comercial do BCI trabalhará com uma escola de comunidade ou da BCI promove educação financeira nas escolas sua zona de influência, para nela serem desenvolvidas acções de educação financeira. Para uma melhor sensibilização da importância dos hábitos de Poupança, assim como para a disseminação dos diferentes mecanismos de Poupança, as actividades do BCI incluem a formação de professores, visitas de alunos às agências do Banco, concurso de fotografia sobre poupança e criação, bem como dinamização de conteúdos sobre literacia financeira para divulgação nas várias plataformas de comunicação. Recorde-se que o BCI tem, desde sempre, promovido hábitos de Poupança nos seus Clientes, tendo nos últimos anos desencadeado um conjunto variado de iniciativas, tendo em vista reforçar o seu posicionamento como o Banco da Poupança. Destaca-se a disponibilização de um conjunto de Soluções de Poupança inseridas no conceito “Poupa para realizares os teus sonhos” e a realização, em diversos estabelecimentos escolares, de sessões de Educação Financeira, largamente concorridas por estudantes, professores e pessoal técnico-administrativo.

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