segunda-feira, 26 de setembro de 2016

Sobre coincidências em Setembro

Segunda, 26 Setembro 2016 11:01 Sérgio Vieira

CARTA A MUITOS AMIGOS

Curiosamente este mês de Setembro que agora termina está marcado por diversas datas de grande significado para nós, os angolanos e com efeitos em toda a África Austral.

1. Em 1922 a 17 de Setembro nascia Agostinho Neto em Icolo e Bengo. A 10 de Setembro de 1979 faleceu em Moscovo para onde o haviam transportado de urgência.

2. Já mencionamos o 7 de Setembro.

3. Agora e ainda em Setembro o 25,data do desencadeamento em 1964 da luta armada de libertação nacional.

4. A 29de Setembro de 1933 nascia em Chilembene, em Gaza, Samora Machel.

De facto um mês de múltiplas coincidências que afectaram a História dos nossos países e com os homens e eventos determinaram a libertação do Zimbabué, da Namíbia, da África do Sul.

Vejamos um pouco estas datas e homens, deixando de parte o Dia da Vitória.

Qual o significado de António Agostinho Neto?

1. Patriota, poeta, intelectual com uma visão de compromisso com a sua pátria e as demais colónias.

2. Após a II Guerra nos anos 1947com Amílcar, Mondlane, Marcelino, Aquino de Bragança, Lúcio Lara, Alda Espírito Santo, Noémia de Sousa (a nossa Carol) transformam a Casa dos Estudantes do Império criada pela dita Mocidade Portuguesa para os filhos dos colonos que dela não precisavam, num centro oficialmente para difundir a cultura das nossas pátrias e, mais à socapa, num local de promoção dos ideais nacionalistas.

3. É um dos membros fundadores do MPLA

4. Neto será preso várias vezes, a última para o campo de concentração do Tarrafal em Cabo Verde.

5. Uma grande campanha mundial força Portugal a libertar Neto e chegado a Portugal com a ajuda de vários camaradas com destaque para os comunistas portugueses, foge e lidera até à sua morte prematura a libertação angolana e o começo da estruturação do Estado angolano.

6. Aos ataques militares de mercenários e das forças do apartheid junta-se uma absurda conspiração, golpe de estado de Nito Alves e alguns comparsas, rapidamente esmagada, sem que alguns camaradas honestos fossem assassinados.

7. Há que reconhecer que embora advertido Neto durante longo tempo depositou confiança em Nito Alves. Sei e testemunhei que Samora em Luanda o advertiu.

O 25 de Setembro e suas consequências

1. Sempre houve alguma polémica sobre o primeiro tiro se haver desferido em Cabo Delgado, se em Niassa. Como ninguém tinha cronómetros rigorosos acertados pelos satélites que ainda não existiam, registou-se Chai porque de lá chegou a primeira informação.

2. Razões de força maior, cumplicidades de Banda com os portugueses e infiltrações da PIDE adiaram o início na Zambézia e Tete. Só depois da libertação da Zâmbia e a retirada das forças britânicas desse território se tornou possível a abertura da frente de Tete.

3. Com o 25 de Setembro iniciou-se o processo irreversível da luta armada de libertação nacional que passo a passo encurralou as forças inimigas, forçaram-nas a abandonarem várias regiões, dando início à criação das zonas libertadas, a reorganização democrática da vida das populações, o reinício do processo de produção agrícola, com melhores sementes e orientação dos nossos quadros com formação agrícola.

4. A produção agrícola, a sua comercialização, a abertura das lojas do povo despertou a ganância de alguns caciques, como Nkavandame e Nungo.

5. Entre estes e os apetites notórios de poder sobretudo do grupo Simango e Gwenjere criaram as portas e janelas escancaradas para que a PIDE entrasse, preparasse a liquidação física do Presidente Mondlane e de diversos camaradas.

Porém o 25 de Setembro já se enraizara no coração dos combatentes e do povo em geral.

A derrota vergonhosa de Kaúlza de Arriaga em 1970 na célebre operação Nó Górdio só pode confirmar esta afirmação. Kaúlza foi retirado, generais mais prudentes e sensatos vieram comandar e não se lançaram em bravatas aventurosas. Demasiado tarde para remediar, a situação tornara-se irreversível e de dia para dia avizinhava-se a derrota.

29 de Setembro Samora Machel

A 29 de Setembro de 1933 nasceu em Chidenguele, Província da Gaza, Samora Moisés Machel.

Aluno brilhante nas missões presbiterianas enviaram-no para o curso de enfermeiros indígenas, onde com professores de nível como o Dr. Pais de quem ficou amigo toda a vida, aprendeu com a ciência o valor incontornável do humanismo, da compaixão, da solidariedade humana. Praticou enfermagem nos mais diversos pontos do país, desde o Norte até ao Sul, donde fugiria em 1962-1963 após um longo encontro com Mondlane em Moçambique em 1961, quando visitara o país natal já como alto funcionário das Nações Unidas.

Treina na Argélia em 1963, onde o conheci e desde então entre ambos criou-se uma ligação maravilhosa entre pessoas que pensam o mesmo e aspiram a ideais similares. Jamais se tratou de uma ligação exclusiva, com muitos camaradas, alguns já falecidos, também travou uma relação muito amiga, carinhosa.

Como chefe sempre o respeitávamos embora nunca lhe déssemos informações para agradar. Ele aceitava que se discordasse dele, até dizia sempre que queria trabalhar com que soubesse mais do que ele, pois assim aprendia a melhor dirigir e fazer.

Esteve na preparação do 25 de Setembro e seleccionou as equipas que levaram a cabo a tarefa. Aquando do assassinato de Filipe Magaia a direcção encarregou-o de dirigir o Departamento de Defesa e em 1971 após a morte de Mondlane e a traição do grupo Simango, a FRELIMO elegeu-o Presidente.

A derrota de Kaúlza no Nó Górdio deve-se às linhas estratégicas e tácticas traçadas por Samora Machel. Algo que Kaúlza podia e devia considerar bem humilhante, um general fanfarrão da OTAN derrotado por um enfermeiro.

De par com a política interna, Samora jamais descurou o cultivar as melhores relações com todos os países e forças política amigas. Com a URSS, a Bulgária, a Roménia. A Checoslováquia, China, Vietname do Norte e Coreia do Norte, com os grupos solidários do Ocidente, com os demais movimentos de libertação e países africanos sempre as relações singraram de vento em popa. Igualmente e nesta fase, ainda antes da independência treinamos combatentes do Zimbabué, da África do Sul, do Uganda.

Patriota, homem de saber e internacionalista, Samora simboliza os nossos melhores valores. Obrigado.

P.S. Depois dos tristes lambe botas do G40, os mesmos ou com reforços tentam denegrir o Presidente Nyusi. Para que os gatunos não devolvam o pilhado ou não parem na cadeia? Coitados!

SV

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