sexta-feira, 9 de setembro de 2016

Mazanga chora, pelo ataque a bens civis do Chefe!

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Editorial do semanário "Magazine Independente"
(Posted on 6 Setembro, 2016 by Elisio Muchanga)

Lendo um conhecido semanário da praça de Maputo da última semana, ficamos a saber coisas curiosas relacionadas com o conflito político-militar opondo o governo e a Renamo e por extensão, relacionadas com a economia do País.
Diz o semanário que no passado dia 20 de Agosto, unidades combinadas das Forças de Defesa e Segurança atacara uma mina de pedras preciosas, pertencente ao líder da Renamo, Afonso Dhlakama. A mina, da empresa chamada SOCADIV Holding, Lda, localiza-se no Posto Administrativo de Nhapassa, no Distrito de Bárwè.
Em consequência do ataque, um cidadão foi morto e houve feridos e as tropas do governo levaram consigo quantidades não especificadas de turmalinas e quatzo. Houve, portanto, danos resultantes deste ataque.
Este artigo traz-nos dados interessantes para análise. O primeiro dado é aquele que confirma que o líder da Renamo tem minas no país e explora as mesmas, resultando dai benefícios para si, para a sua família e para a sua organização. E, portanto, um empresário, não colando, para todos os efeitos, a máxima que temos ouvido de que os recursos naturais do país beneficiam uma pequena elite, mormente a elite ligada ao partido governamental.
Afinal, Afonso Dhlakama faz parte desta elite que bem e merecidamente se beneficia dos nossos recursos naturais, não se sabendo, para já se paga impostos, se paga bons salários aos seus trabalhadores, se tem acções de responsabilidade social junto das comunidades em volta das suas minas, consta que não é apenas aquela. É bom que seja empresário Sr. Dhlakama e para o bem da transparência, seria interessante verificar quantos trabalhadores emprega e quais são as tabelas salariais por lá.
Na sequência deste ataque, Fernando Mazanga, quadro da Renamo agora afecto como vogal na Comissão Nacional de Eleições, escreveu, por mandato de Afonso Dhlakama, uma carta-protesto ao Ministro dos Recursos Minerais e Energia, Pedro Couto. Uma frase curiosa de Mazanga levanta um segundo dado curioso e interessante na História:
"A empresa (invadida) é um bem civil que concorre para o desenvolvimento económico do país e não tem nenhuma ligação político-militar, não obstante pertencer a figura do líder do maior partido da oposição, em diferendo com o governo. Deste modo, apela-se a SEXA (o Ministro Couto), na sua qualidade de membro do governo, para, junto dos seus pares encontrar mecanismos para desencorajar este tipo de acções".
Ora esta posição de Mazanga é paradoxal quanto a nós, sabendo-se que a Renamo, através do seu braço armado, comandado precisamente pelo general Dhlakama, ataca alvos civis, "bens económicos que concorrem para o desenvolvimento do país".
Quer dizer quando populações indefesas são atacadas, quando líderes comunitários são mortos, quando hospitais e postos médicos são atacados e incendiados, quando escolas são encerradas como consequência dos ataques armados da Renamo, quando viaturas transportando mercadorias da população civil são atacadas e destruídas por ordens do empresário-general Afonso Dhlakama isso não é problema.
Quando uma jovem empreendedora foi morta há anos por ataques da Renamo no Save, quando fazia seu negócio entre Quelimane e Maputo aí não houve protesto nenhum do nosso diligente Mazanga. Agora que o alvo do ataque foi uma empresa do seu líder, aí sim, temos um bem económico que contribui para o desenvolvimento do país a ser alvo de guerra, a ser confundido pelas forças de defesa e segurança.
Não há pior hipocrisia do que esta Sr. Mazanga. Valia a pena ter ficado calado, gerindo a dor que naturalmente sente o General Dhlakama pelos prejuízos infringidos, mas ele sabe, perfeitamente, que os seus adversários que estão no governo fazem exactamente aquilo que ele manda fazer contra alvos civis.
É por isso que estamos sempre a dizer que não se pode brincar com a guerra. Não se pode recorrer as armas para reclamar direitos políticos ou outros, porque essa guerra prejudica a todos nós. Na ingenuidade de Mazanga, o Ministro Pedro Couto iria notificar o seu colega no governo, Salvador Mutumuque e outro, Basílio Monteiro para terem cuidado com os bens, empresas e propriedades do sr. Dhlakama. "Coitadinho dele, ele até ajuda no desenvolvimento do nosso País através das suas empresas. Não as ataquem por favor", diria Couto aos colegas da área de defesa e segurança.
Assim, estaríamos nós num pacto silencioso, em que os protagonistas da guerra acordam proteger os bens de Dhlakama quando este manda atacar sem selecção alvos civis, manda assassinar civis e paralisa, atrofia e prejudica a economia deste país desde há praticamente 40 anos.
E claro que nós não podemos apoiar este tipo de raciocínio, elaborado a luz do dia, por quadros com nome e alguma reputação no País. Só podemos condenar este tipo de postura sem vergonha, de gente que move guerra, mas que quando são beliscados um pouco gritam até Deus ouvir.
O ataque a mina de Afonso Dhlakama fez-se no contexto da guerra. Como resultado do entendimento (certo ou errado) das FDS, de que as minas de Dhlakama ou aquela em particular, são fontes de financiamento da guerra.
O ideal era que não houvesse guerra no país, para que cada um desenvolva as actividades que bem entender em solo pátrio. O ideal era que houvesse paz e aí sim, faria sentido a carta-protesto de Mazanga, caso fossem atacados bens do seu líder sem contexto nenhum nem motivos aparentes. Afinal dói, Sr. Mazanga!
Lourenço Jossias

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Obrigado, Lourenço Jossias! Se o teu exemplo fosse seguido pelos teus pares, Moçambique conheceria o mais rapidamente possível uma nova era de paz—mas uma «paz efectiva».

Agora, eu insto:
Meu compatriota Afonso M. M. Dhlakama, pára de viver servindo de instrumento de desestabilização do tua Pátria a favor de pessoas mais espertas e «mais malandras» que tu! Volta ao convívio da tua família e dos teus concidadãos!
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12 Comments
Comments
Marcos Cipriano Maulate Afinal atacar bens públicos e privados doí? Quantos moçambicanos estão a perder seus bens pilhados e destruídos pela renamo, sem falar de vidas que são tiradas a saguim frio, olho no olho, não faca ao outro aquilo que não gostarias que fosses feito. Afinal Afonso tem alguma coisa a perder com a guerra feita por ele próprio?
Elias Daniel Mutemba afinal os recursos de Moçambique não são só da Frelimo? ( quem o disse foi o lider) Já agora respondendo a uma pergunta sobre o ataque que fazia aos comboios da empresa VALE, AMM DlaKama respondeu que tinha o direito de o fazer porque a VALE com a venda de carvão de Tete, financiava a Frelimo que por sua vez com o dinheiro recebido, comprava armas para combater a Renamo, dai que era um activo de guerra (alguém leu essa entrevista semana passada?) agora a mina do senhor Dlakama é para desenvolver o país????? a "estupidez" devia ter limites, mas infelizmente muitos de nós ainda vão no conto da "carochinha"
Mindo D Villa bem, eu nao poderei ler por ser longo depois pode me dar sono. Contudo gostava de comentar ou talvez informar que Afonso Marceta Dhlakama nao esta atacando nao, ele quando realmente ataca atinge facilmente a escala nacional sem que ninguem o toque mas tudo ate aqui indica que este eh que tem sido atacado, alias varias as vezes em que este veio ao publico dizer esta sendo apenas alvo dum atentado, alias o Pais viu ate a frustrada tentativa em Sofala. E esta eh uma das fortes razoes pelas quais este senhor se refugiou nas matas, todo mundo sabe do historial de assasinatos a nivel interino do a nivel do partido frelimo ora no Poder portanto nao eh de se confiar. Mas quanto mais voces continuarem a apontarem o Dlakama como quem deve parar podem crer que isto nunca vai parar porque a razao daquilo eh o que eh feito pelo partido no Poder de forma oculta e que ninguem de vois ousa ou tenha tomates pra fazer olho clinico ou ate afrontar o sistema, mas o facto eh que todos voces sabem do que se passa por detraz das camaras.
Donaldson Peterson caro Mindo o post esta a falar de ataques a alvos economicos,i nao os porques do lider da perdiz esta campo.
Mindo D Villa Donaldson Peterson nao Li, mas eu tinha que dizer o que esta "dizido"
Antolinho André Mindo D Villa, será esperteza ou cobardia? Não leu o post entra e fala como se fosse um búfalo ferido. Deve ser comentar o que está escrito porque tudo o que disse todos sabemos. Neste post o sr. Mazanga chora por alguns homens que podem ser das FDS atacaram a mina do sr. Dhlakama.
Domingos Manuel Cotiha Senhor pare de defender erros do Dhlakama
Fernando Jorge Francisco Cumbana Mindo,o teu texto nao faz sentido e è tao longo...desistí de ler
Marcos Cipriano Maulate Mindo D Villa, quem defende bandido armado e terrorista, bandido armado e terrorista e', so' vais perceber que esse tal de Afonso e' bandido quando destruir e pilhar seus bens e matar um dos seus parentes/familiares
Joaquim Gove So dá para perceber, com esta pobre e inoportuna intervenção, que há, por aqui, gente distraída mas que ñ é o teu caso! Tu és um caso especial de anomalia de razão... Com todo o respeito. Por outro lado, sugiro que treine as leituras longas (pelo menos de jornais) para ñ correr o risco de sair do actual estado para o estado de distraído...
Por fim, o teu comentário nem parece ir ao encontro do que está em debate no post inicial...
Bom feriado
Joaquim Gove Ñ sei se é a mim que recomenda que a alfabetização. Contudo, tenha sido para mim ou para outra pessoa, é bom conselheiro, pelo que agradeço o gesto.
Por outro lado, o meu comentário era reacção ao post do Mindo D Villa e ñ ao seu (Marcos Cipriano Maulate), porquanto, pode ter havido um equívoco devido à posição do meu post, que está directamente seguido ao seu.
No fundo quis secundar-lhe.
Abraços
Manuel Moises Americo Dente por dente, olho por olho.
Elias Daniel Mutemba Não percebo o que é que quer dizer com "longo" eu escrevi 6 linhas e o senhor acha longo, em resposta escreve 16 linhas, qual é o texto que é longo? o meu ou o do Professor Julião João Cumbane? não "apanhou sono" a responder?
Ismael Xicamane Afinal quem ataca os bens civis?
Antolinho André Amigo você acompanha as notícias? Quando há ataque os atacados são entrevistados e a entrevista se torna pública portanto não vejo porque este questionamento infantil.
Homer Wolf E os civis falam o quê Antolinho André?
Ismael Xicamane Os refugiados que foram entrevistados em Malawi acusaram as FDS de perseguição, mortes sumárias e incêndios das suas casas. A entrevista correu o mundo. Agora vejo neste post que a mina do cidadão Armado Dhlakama foi atacada e saqueadas pedras preciosas tais como turmalina. Mas por outro lado vejo coros apelando que a RENAMO abandone as armas e deixe de destruir bens.
AFINAL QUEM ESTÁ ATACAR ALVOS CIVIS
Homer Wolf os corpos carbonizados em Caia, idem aspas!
Homer Wolf Táza ver né Malume? Querem nos guengar aqui...
Antolinho André Os civis falam que foram atacados pelos homens armados da Renamo.
Ismael Xicamane Impressionante como podemos ver e ouvir a mesma notícia e percebermos exactamente o oposto.
Joaquim Gove Na sua opinião, Ismael Xicamane, quem deve abandonar as armas?? O que é renamo (fds - paralela - da oposição ou par. tido político)???
Antolinho André É possível no mesmo mundo haver os normais e os anormais e isso não constitui surpresa para alguém que usa as suas faculdades mentais. As várias vozes da população clamando pela cessação das hostilidades e todas falam dos homens armados da Renamo e há quem não os ouve eu só insignificante para os fazer perceber. Daí que a luta dos loucos que não querem estar do mesmo lado para perceberem de que algarismo se trata se 6 ou 9. O povo quer que todos filhos desta pátria estejamos do mesmo lado para juntos entendermos e partilharmos os fenómenos naturais que nos fustigam para podermos saber combater para o nosso bem estar. Estejamos do mesmo lado para lermos juntos e de viva voz o 6 ou o 9.
Ismael Xicamane One more time ERROR. Todos sabemos que há passeatas de certas organizações a exigirem que a renamo abandone a via armada. Mas o que me cria confusão é o conteúdo deste post que alinha-se perfeitamente com os refugiados entrevistados em Malawi
Homer Wolf Encomendas... tsc
Armando Cuna Percebeste nao eh? Tambem percebi.
Fernandel Maonni Zucula Afinal dói 👍👍👍👍👍👍👍👍👍
Antolinho André A ferida do outro dói nada. Devem continuar a perseguir estes infames. Cada tiro que dão aos cidadãos deve se procurar os interesses ou familiares deles. Assim que mataram o chefe do posto devia se procurar o familiar directo destes fulanos e dar se troca.
Ismael Xicamane Violência gera violência
Antolinho André É verdade mas também a paciência tem limite.
Ismael Xicamane Nunca subestime a paciência
Antolinho André Subestimar é uma coisa mas tolerar é outra coisa.
Ismael Xicamane Piorou! Não seja intolerante.
Antolinho André Precisamente quero evitar a intolerância desde que os que estão no mato saiam para connosco conviver.
Antolinho André Temos coração suficiente para perdoar como ontem desde que se mostrem redimidos. A persistência em continuar resistentes só saiem a perder.
Ismael Xicamane Opah é uma teoria, mas no teatro das operações não é precisamente isso que acontece. Talvés com o tempo, quem sabe.
Estevão Wa Ka Nhabanga Não sei se com esta lei de Moises vamos alcançar a Paz.
Concentremos energias para buscar o opositor e supostamente o mau da fita para junto de nos os hipoteticamente coretos e não na aplicacão de medidas que as julgo eu infantís e culparmos a guerra. O que é a guerra, quem a faz e quem a pode a sessar?! Alguns discursos de senhores doutores aqui me deixam muito a desejar.
Estevão Wa Ka Nhabanga Ao inves de olharmos para este tema "guerra" como uma demostração de força vamos pelo menos nos envergonharmos com isto caros patricios e questionemos ao cidadao AEM e ao FJN e ao DHL para onde foram esconder a Paz que é o bem comum. Ntla.
Jose Majasse Dombe Vamos a luta.
LikeSeptember 7 at 7:14pm
Recados do economista Antonio Matabele para o novo Governador do Banco de Moçambique*

Em que estou a pensar?...

Bem, aportei no mural de Marcelo Mosse, como o tenho feito com amiúde, e lá deparei com o texto que transcrevo a seguir, cuja autoria é atribuída a António Matabel—este que estou sabendo que é um economista moçambicano.
Marcelo Mosse conta que recebeu o referido texto via email. Li, gostei e resolvi transcrever o texto aqui, com ligeiras alterações só para tornar a leitura mais fácil. O original do Marcelo Mosse pode ser visto que no endereçohttps://www.facebook.com/marcelo.mosse/posts/10208695951854645

------ INÍCIO DA TRANSCRIÇÃO ------

«Este Rogério Lucas Zandamela é moçambicano da etnia Chope. Concluiu o então chamado Terceiro Ciclo (Décima Segunda Classe) no Liceu António Enes (Escola Francisco Manyanga) em Lourenço Marques (Maputo). Iniciou o Bacharelato em Economia na Universidade de Lourenço Marques (Universidade Eduardo Mondlane), em 1976. No meso ano lectivo mudou-se do País para o exterior, onde se doutorou.«
«Foi excelente aluno da Faculdade de Economia da ULM (hoje, UEM), mormente nas disciplinas relacionadas com as matemáticas. Ele (Rogério Lucas Zandamela), o falecido Chico Salomão; o Titos Joaquim Macuacua (quadro da Empresa Maputo Sul), o José Luís Macamo (reformado do PNUD), o Dinis Rosas, o José Paulo da Fonseca Pinto Lobo (estes dois últimos em Portugal), o Cipriano Ventura Marcos Mazula, o Dinês Chandra Manmoandás (falecido), Mahomed Iquebal Jussub (ENACOMO), e João Aragão (Gani Comercial) eram autênticas "bombas atómicas" na turma, porque as suas notas em todas as disciplinas, raramente, situavam-se abaixo da marca "18". Na disciplina de Investigação Operacional discutia, sem complexos, de igual para igual, com o Professor Mota de Castro, que tinha muito domínio sobre esta matéria.«

[Os recados]
«[Rogério], os teus ex-colegas, amigos e o Povo moçambicano—sem te assumir "Messias, seu Salvador"—desejam-te feliz regresso à Pátria e esperam bastante de ti.«
«Humildade!«
«Respeita a pessoa a quem vais substituir e o bom trabalho que ela realizou! Não procures apenas pelas coisas erradas que ele—de boa ou má fé—fez ao longo dos dez anos que esteve como timoneiro do BM. Se, por ventura, encontrares coisas boas, hiperboliza-as, dando-lhes mais quantidade, qualidade e valor.«
«Nunca te esqueças que jamais será vitalício nessa cadeira que Deus e o teu Povo te deram por mandato, divino e popular. Faz desse cargo um verdadeiro e sério sacerdócio. Exerce o teu múnus governativo com muita responsabilidade!«
«O povo não te colocou nessa cadeira para fazeres o julgamento da conduta do antigo titular desse posto muito difícil e importante. Por favor, nada de perderes tempo fazendo a autópsia do desempenho do antigo Governador do BM!«
«Como sabes estás aí para fazeres a diferença pela positiva! Queremos que não haja hiatos prejudiciais para todos nós entre o que ele—o antigo Governador do BM—estava a fazer e o que esperamos, ansiosamente, que tu prossigas. Acrescenta valor ao que já está em curso! Dá-lhe mais qualidade!«
«Não te preocupes com o supérfluo porque o Povo—a caminho dos 28 milhões de habitantes—espera muito de ti! Não te apoquentes em mudar o mobiliário e as cortinas usados pela pessoa que vais substituir! Faz jus ao Doutor—por extenso—que, merecidamente, figura antes do teu nome.«
«Dá-nos uma folguinha maior! Não aumentes tão depressa as Facilidades Permanentes de Cedência (FPC), as Facilidades Permanentes de Depósito (FPD) e as Reservas Obrigatórias (RO) pelos efeitos contraproducentes que estas medidas paliativas provocam na já de si muito depauperada qualidade de vida do nosso Povo. Porque elas inibem a Formação Bruta do Capital Fixo (FBCF), de onde se obtêm recursos domésticos para o Investimento (I), sem o qual não há Crescimento (C), e sem este não teremos o almejado Desenvolvimento (D).«
«O povo já não tem forças nem para gemer! Aí junto ao Governo lembra aos nossos respeitáveis Ministros a mensagem segundo a qual o Povo quer ver, tão depressa quanto possível, a aprovação e a implementação de políticas realistas, nacionalistas, de valor universal, incentivadoras do aumento da Produtividade e da Produção nacional. Lembra-lhes ainda que a adopção cega e exclusiva de medidas fiscais e monetárias sem o condimento na esfera produtiva, tendente a fazer crescer o nosso PIB, vai tornar a nossa economia mais anémica. A falta de hemoglobina leva os corpos à falência generalizada. A vida, consequentemente, desagrega-se dos corpos anémicos. E o nosso Povo não pode morrer por causa da implementação, pelo Governo, de políticas menos eficazes, ainda que implementadas de boa fé, como é o caso vertente de Moçambique!«
«E ainda há um factor com o qual—dada a tua humilde origem—também advogas e simpatizas: temos que humanizar a Economia. Antes de a economia ser uma colectânea—sempre em equilíbrio de indicadores macroeconómicos—ela é uma ponte que deverá levar o Ser Humano a ser integralmente feliz. Ajuda-nos a humanizar a nossa economia!«
«O Banco de Moçambique tem um escol de quadros e profissionais moçambicanos de excelente qualidade e muito motivados! Aproveita-os! Trabalha com eles até à exaustão! Acarinha-os sempre, quando merecedores deste tratamento!«
«Muito diálogo—sobre o País real—com o sábio Povo sem nome e, muitas vezes, sem voz e sem ser afónico, mas com muita vontade de vencer! Ganha tempo estudando cuidadosa e atentamente:«
«1. A Constituição da República de Moçambique;«
«2. O Programa Quinquenal do Governo – PQG;«
«3. O Plano Económico e Social – PES;«
«4. A Agenda 2025 (documento que perspectiva e prospectiva o desenvolvimento de Moçambique);«
«5. O Discurso da Tomada de Posse do Presidente da República, proferido a 15 de Janeiro de 2015;«
«6. Os principais documentos produzidos pela Sociedade Civil Moçambicana.«
«Soa-me também oportuno ouvires o que pensam as entidades seguintes:«
«1. CTA – Confederação das Associações Económicas de Moçambique;«
«2. AMECON – Associação Moçambicana de Economistas;«
«3. Ordem dos Advogados;«
«4. Ordem dos Engenheiros;«
«5. Ordem dos Médicos;«
«6. Sindicatos mais representativos;«
«7. Associação Moçambicana de Bancos;«
«8. Todos os partidos políticos;«
«9. Todas as confissões religiosas;«
«E conversa também, porque vale a pena, com o sector informal, com especial destaque as chamadas "mukweristas" cuja actividade diária, bastante dinâmica, mexe com o PIB deste País. A título de exemplo, há mulheres que, diariamente, metem pela fronteira de Ressano Garcia, "camiões de 10 rodas" prenhes de mercadorias (200 Mil Meticais) para abastecerem cadeias de supermercados, mercearias, lojas e barracas. Agora multiplica 200 Mil por 20 dias vezes 12 meses .......!!!!!«
«Em minha modesta opinião—expurgado o que lá existe de mau—no sector informal está o embrião indígena do empresariado nacional de que Moçambique muito precisa. Há que trazê-lo para cima da mesa, retirando-o do "undeground"!«
«O meu pai camponês e enfermeiro indígena, que passou quase 50 anos da sua carreira profissional no mato, repetia-nos: "nunca penetres na floresta sem primeiro ouvires dos donos da terra o que lá vais encontrar".«
«Bem hajas!«
«Escrevi muito porque queremos o teu e o nosso sucesso!«
«António Matabele«

------ INÍCIO DA TRANSCRIÇÃO ------

Eu associo-me ao António Matabele, na transmissão desta mensagem para o novo Governador do Banco de Moçambique, Rogério Zandamela. Entendo que também o Marcelo Mosse. E esta deve ser a forma que este (Marcelo) encontrou para responder à minha interpelação ao seu 'post' super-especulativo.

Viva Moçambique!

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Nota: * Tituo original de Marcelo Mosse.

PS: Nas imagens, as caras de António Matabele (à esquerda) e Rogério Zandamela (à direita)
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Manuel Gil Uane Palmas, espero que este texto chegue ao Novo Governador que sirva de certa forma para que ele se situe melhor na nova missao que tem pela frente.
Higino Rodrigues Perante colossos quem sou eu para vociferar? !
A biografia do Doutor Zandamela coloca uma fasquia bastante alta para os nossos filhos que ainda devem tentar trilhar por si à procura de seu espaço.
Antolinho André O texto do sr. António Matabele, representa a verdadeira aula de sapiência se é que existe para um recém empossado. Esperamos do novo Governador um trabalho árduo embora tenha vivido quase a sua juventude fora do contexto moçambicano.
Manuel Gil Uane Enquanto nao nos der motivos para desconfiar, nos confiamos em si Zandamela.
Yussuff Bin Pacha Rodjas Sou muito novo pra conhecer o recem-empossado, mas pela bagagem academica e o bom curriculum sobre economia e finanças que traz consigo ,é extremamente encorajador. Tenho expectativas e esperanças de que algo de bom e de melhor esteja por vir, e espero que corresponda a confiança do PR e dos 23 milhoes de compatriotas. As palavras do autor de post sao encorajadoras, e eu assino por baixo, ou seja, me alinho nesses ideais. É preciso acarinhar, acreditar, encorajar, tranquilizar os nossos dirigentes pra sairmos desse buraco. O mal está feito e ja se faz sentir em todas classes sociais de forma significativa, mas agora mais do que nunca é preciso sermos vigilantes, activos, transparentes e competentes pra seguirmos em frente.
Antolinho André Brilhante comentário. É preciso confiar e seguir em frente.
Julião João Cumbane Yussuff Bin Pacha Rodjas, a população moçambicana é actualmente (2016) estimada em 26.423.623 habitantes [http://www.ine.gov.mz/]. Desenvolve o hábito de seguir as informações estatísticas do teu país, consultando as fontes oficiais!
Yussuff Bin Pacha Rodjas Ta bem e obrigado pelo TPC professor JJC...
Marcelo Mosse E esta agora, heim?
Nelson Wa Ka Maculetane Esqueceu-se de aconselha-lo a ouvir também a OCAM-Ordem de Contabilistas e Auditores de Moçambique, representado ao mais alto nível pelo Bastonário, o senhor Doutor Mário Sitoe.
Rui Jose de Carvalho Epa. Estou a ficar burro, ilustres acadêmicos, peço socorro dos nossos intelectuais...

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