quarta-feira, 24 de agosto de 2016

QUAL A SAIDA PARA MOÇAMBIQUE?

A acreditar o que o Idrisse diz que a Renamo fez no Sul, que duvido muito e o que foi quase tal qual o que a Frelimo fez no centro e norte, dai o odio contra Frelimo naquelas zonas, então Moçambique está tramado. Duvido muito o que o Idrisse diz. A guerrilha é como peixe dentro da água e a presença armada da Renamo ainda continua bem viva em Gaza e Inhambane e muito provavelmente na região de Maputo. Não podia estar lá se tivessem chacinado pessoas.
A Frelimo, apesar das mentiras que ela veicula sobre a chamada guerra de libertação nacional, achou muito difícil sair de algumas zonas de Cabo Delgado e Niassa onde estava encurralada para descer para Nampula e Zambézia pela simples razão que me deram a entender os próprios dirigentes da Frelimo em Dar Es Salaam em 1968 que os macuas desprezavam os macondes e os portugueses iam propagando aos macuas "que os vossos escravos de ontem querem ser os vossos governantes de amanhã e a Frelimo são comunistas que lutam para vos escravizar e acabar com o Islão nos macuas."
Segundo a própria Frelimo, os macuas cooperavam com os portugueses em tarefas da defesa para assegurar que nenhum Frelimo entrasse em Nampula. Os zambezianos, os vizinhos dos macuas não gramavam a Frelimo (este ponto tratado com mais detalhes num romance histórico meu em língua inglesa a ser publicado brevemente na Inglaterra). No romance a atuação da Frelimo depois da independência em Moçambique é igualada ou comparada favoravelmente a actuação dos genocidários Khmers rouges (ou seja Khmers vermelhos em português) no Cambodia.

Este ponto parece receber confirmação do General Zeca Caliate que disse que Samora Machel, por razões talvez não estratégicas de que o boçal não tinha ideia mas sim de tentar pescar para encontrar uma razão para liquidar Caliate de que ele Samora Machel tinha muito medo, lhe perguntou uma vez em Nachingwea se seria possível entrar na Zambézia a partir de Tete. Porque a partir de Tete e não do norte que seria mais fácil, desde que seria uma questão de descer para abaixo e logisticamente mais fácil.
A zona que não estava propagandeada contra os macondes era a de Tete visto que a perceção de que a Frelimo era dos macondes liderados, enquadrados e comandados pelos sulistas (autobiografia do ditador Museveni de Uganda também confirma esta perceção) era a zona de Tete. Tal perceção estava ausente naquela zona onde os populares não conheciam os macondes. Mesma nesta zona a primeira tentativa da Frelimo foi derrotada pela tropa portuguesa. Lembro-me estar no seminário do Zobué nos anos de 1960 a ver no jornal Diário de Moçambique ou já tinha talvez mudado de nome para Noticias da Beira, ver fotografias de muita tropa portuguesa com muito material bélico capturado aos turras (desculpe General Caliate: gosto do termo turra por razão de humor) na fronteira com a Zâmbia e um comandante Eusébio oriundo da zona de Charre capturado pela tropa portuguesa. Dizia-se que o turra Eusébio tinha sido treinado na Rússia. Era teátrico ver aquele turra com cabelos encarapinhados e aparentemente em desespero da causa enquanto nas mãos dos portugueses.
Foi preciso um verdadeiro estratega como o General Caliate para organizar a frente de Tete, o que não foi uma brincadeira. O próprio General fala disto no seu livro-memoria. Ele conheceu a atuação da tropa portuguesa, da tropa mais aguerrida ainda da Rodésia, os bombardeamentos por aviões rodesianos e sul africanos e pelos Fiat-91 portugueses que operavam de dia e de noite (General Caliate em artigos no Moçambique para todos).
Por não ser da Gaza, então Samora Machel tinha planeado matar Caliate que os espíritos dos seus antepassados souberam proteger. Depois de ele, para se salvar a vida, ir para o lado português, a Frelimo começou a apanhar muita porrada em Tete e Samora Machel atribuiu os retrocessos a Caliate e disse que era o homem que estava a destruir as bases da Frelimo em Tete (imprensa de Nairobi em 1974)-- o que não era nada verdade.
Para não serem dizimados em Tete, foi então que algumas unidades dos turras resolveram ir para algumas zonas de Manica e Sofala para criar diversão às tropas inimigas e onde na verdade nunca estabeleceram zonas liberdades visto que as suas pequenas unidades com material transportado nos ombros de homens não podiam libertar e reter território (no romance histórico: de Struggle to be Free) onde também se diz que os portugueses e a Frelimo (identificada pelo nome de Camaradas, mas nomes como Samora Machel e outros verdadeiros entram no romance) cometiam massacres e queimavam aldeias por razões diferentes. Para os portugueses, era para castigar os populares pelo seu apoio aos turras e os turras matavam à catana pessoas que acusavam de ser agentes do imperialismo e destruíam aldeias que não os apoiavam e depois os turras culpavam os portugueses pelos massacres que eles próprios cometiam (no romance).
Obviamente, depois do acordo de Roma, tendo reganhado o controlo de muitas zonas no sul que estiveram nas mãos da Renamo, a Frelimo começou a tribalizar a região contra a Renamo de matsangas com um tom altamente xenofóbico. Alguns como Idrisse acreditaram nisto.
Se o norte e o centro odeiam o sul coisa que se aparentou numa carta deixada em Morrumbala por uma unidade atacante da Renamo a qual dizia "esta terra é nossa. Não queremos ser governados pelas pessoas do Sul" e o Sul odia o centro e norte, qual será a saída? Penso que o problema são os lideres da Frelimo com o seu tribalismo e a ineficácia do Afonso Dhlakama, líder único, vitalício e preponderante da Renamo. Correr com estes homens da Frelimo e o ineficaz Dhlakama e manter a unidade nacional ou dividir o pais?

(Recebido por email de leitor identificado)

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