domingo, 21 de agosto de 2016

Atentado na Turquia cometido por rapaz de "12 ou 14 anos", diz Erdogan


O alvo foi um casamento curdo em Gaziantep. Presidente atribuiu ataque ao Estado Islâmico. Pelo menos 50 pessoas morreram.
Mulheres choram ao pé da morgue de Gaziantep Osman Orsal/REUTERS
Pelo menos 51 pessoas morreram e 73 ficaram feridas na noite de sábado numa explosão numa festa de casamento de curdos em Gaziantep, no Sul da Turquia, segundo dados oficiais. O Presidente turco Recep Tayyip Erdogan já veio a público apontar o Estado Islâmico como responsável pelo ataque, que não foi reivindicado.
O atentado, disse Erdogan, foi cometido por "um kamikaze que tinha entre 12 e 14 anos e que ou se fez explodir ou que tinha explosivos que foram accionados à distância".
Gaziantep, uma das maiores cidades do Sudeste da Turquia, fica a cerca de 40 quilómetros da fronteira com a Síria, palco de uma sangrenta e complexa guerra civil desde 2011.
O atentado em Gaziantep acontece horas depois de o primeiro-ministro turco Binali Yildirim ter afirmado que Ancara irá envolver-se de forma "mais activa" na resolução do conflito sírio. "O banho de sangue tem de acabar. Bebés, crianças, pessoas inocentes não podem continuar a morrer", disse Yildirim, apelando a uma maior cooperação entre turcos, russos, norte-americanos e iranianos, e defendendo que nem o Estado Islâmico, nem as forças curdas, nem Bashar al-Assad poderiam fazer parte da solução para o futuro da Síria.
O ataque terá acontecido no fim da festa de casamento, que decorria num bairro de maioria curda, explica a AFP, o que reforça a pista da autoria jihadista, uma vez que as forças curdas são as que mais luta têm dado no terreno aos avanços do Estado Islâmico. Um dos noivos era militante do Partido pró-curdo HDP, diz a Reuters, e o noivo ficou ferido.
“Muitos curdos perderam a vida”, lamentou-se o partido pró-curdo HDP, num e-mail que condena o ataque, citado pela AFP. Gaziantep é uma zona de passagem dos refugiados sírios, mas conta também com células do Estado Islâmico. 
Segundo a agência de notícias turca Dogan, os noivos eram originários de Siirt, uma região que fica a centenas de quilómetros a leste de Gaziantep, já no Sudeste da Turquia, avança a AFP. Em Siirt vive uma população maioritariamente curda, mas os noivos vieram para Gaziantep devido à violência entre os rebeldes curdos e as forças governamentais.
“As celebrações estavam a terminar e houve uma grande explosão quando as pessoas estavam a dançar”, disse Veli Can, de 25 anos, citado pela Reuters. Segundo a agência Dogan, um bombista suicida juntou-se aos festejos, que decorriam ao ar livre, e fez-se explodir. Havia muitas mulheres e crianças entre as vítimas.
“Havia sangue e pedaços de corpos por todo o lado.” Na manhã de domingo, era possível ver bocados de portas e janelas no lugar onde se deu a explosão.
O vice-primeiro-ministro turco, deputado da região de Gaziantep, disse que era “bárbaro atacar um casamento”. .
Esta explosão ocorre numa semana em que o Sul e o Sudeste da Turquia foram abalados por três ataques que mataram 14 pessoas, avança também a AFP, feitos sobretudo junto de esquadras da polícia. O Governo turco acusa o Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK) de ter sido responsável pelos ataques.
Por outro lado, há pouco mais de um mês, a Turquia foi abalada por uma tentativa de golpe de estado. Segundo o Presidente turco e a maioria da população daquele país, por trás da conspiração esteve Fethullah Gülen, líder de um movimento religioso, exilado nos Estados Unidos.
Segundo Erdogan, “não há nenhuma diferença” entre Fethullah Gülen, os rebeldes do PKK e o Estado Islâmico. “O nosso país, a nossa nação só pode repetir uma única mensagem àqueles que nos atacam: vocês vão ser derrotados!”, disse o Presidente num comunicado enviado na manhã deste domingo, onde defendia que o Estado Islâmico “era o provável responsável pelo atentado em Gaziantep”.
Numa notícia sobre a explosão, a BBC News faz um resumo do ano negro que a Turquia tem vivido. Desde Outubro de 2015 (quando 100 pessoas morreram numa manifestação curda pacífica em Ancara devido a explosões de dois bombistas-suicidas), 291 pessoas foram mortas nos sete piores ataques.

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