segunda-feira, 20 de junho de 2016

Há cólera em Quelimane


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Destaques - Nacional
Escrito por Redação  em 14 Junho 2016
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A cidade de Quelimane, na província da Zambézia, regista um novo surto de cólera. Das 11 amostras enviadas ao laboratório da capital moçambicana, pelo menos sete acusaram positivo, dias depois de o centro de tratamento especializado para esta enfermidade ter recebido mais de 45 pacientes padecendo de diarreias e vómitos, desde o início de Junho corrente.
A doença foi confirmada na segunda-feira (13) pelas autoridades de saúde. Hidayat Kasin, director provincial, disse que "enviamos 11 amostras dos doentes que estavam internadas no centro de tratamento de cólera. Destas amostras sete acusaram positivo".
"Neste âmbito, temos mais de 50 porcento das amostras positiva (...). Nas últimas 24 horas, deram entrada 12 pacientes" padecendo de diarreias e vómitos e "desidratação moderada a grave, dos quais quatro já tiveram alta", disse o dirigente anotando que alguns casos de cólera foram registados em crianças.
Neste momento, encontram-se internados 14 enfermos. Até agora, a cidade de Quelimane é a única na Zambézia assolada pela chamada doença de mãos sujas, mas felizmente sem nenhum óbito.
A urbe a questão é das que ciclicamente tem sido afectada pela cólera no país devido ao mau saneamento do meio, um problema que se agrava na época chuvosa. De referir que em Quelimane tem chovido nos últimos dias.
Hidayat Kasin apelou à população para a observância das medidas de higiene individual e colectiva, tais como levar as mãos antes de quaisquer refeições e depois de usar a latrina e/ou sanitários, lavar os alimentos crus antes de consumi-los, sobretudo verduras e frutas, bem como evitar a acumulação de lixo.
Dos mais de 4,6 milhões de habitantes da província da Zambézia apenas 7,7% têm acesso a uma fonte de água potável canalizada, 69,1% dos "zambezianos" obtêm a sua água de fontes não seguras como poços não protegidos ou rios e lagos, apurou o Instituto Nacional de Estatística(INE).
De acordo com o Inquérito ao Orçamento Familiar (IOF) de 2014 e 2015 produzido pelo INE, somente 1,3% dos moçambicanos nesta província do Centro do País têm uma casa de banho convencional, 65,2% nem sequer possuem latrina, defecam ao relento.
Estes cenários dramáticos, que conjugados são a causa principal da cólera, doenças diarreicas e até da malária, deverão perpetuar-se pois plano quinquenal do Governo de Filipe Nyusi não prevê nenhum medida concreta para os mitigar, como se pode verificar nos Orçamentos de Estado para a província.

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