domingo, 26 de junho de 2016

As Vinhas da crise




Desde que nasci que vagueio no tempo e no campo das ideias e ideais.
Não sei quem nasceu primeiro, se eu ou o tempo, mas desde que cresci assumi sem medo as ideais do meu tempo, como arma de arremesso contra o colonial- fascismo que nos escravizava, humilhava e explorava em nossa própria terra.Desde então o país e o mundo mudaram, a ponto de não caberem no juízo dos meus ideais.O que sei é que o tempo vai-se esgotando,e a paciência de ver as coisas acertadas no ponteiro da horas,caindo em plano de descrença.Existe um vácuo incomensurável de desgosto, por ver milhões que nada têm,e do outro lado, gente aburguesada só por ter algum,a sentir-se nas nuvens, tendo esquecido de onde veio,e sem se importar para onde vai, como se a pobreza na família nada fosse com eles.
Para uma sociedade saída de uma economia centralizada para economia de mercado, o país caminha nas asa de um capitalismo desregulado, carecendo de umaideologia massificada dominante, que possa instituir um projecto político com uma determinada visão sobre a sociedade e sobre aeconomia.A utopia de ver a justiça social e económica abragente aos mais necessitados,pela qual nos batemos na luta de libertação nacional, não deveria ser preocupação apenas do governo nem da igrejas, mas da solidariedade humana, na obrigação de insuflar de esperança uma pobreza, que não cansa de serpentear bairros, vielas e campos do imenso país que é Moçambique, e que dada a fertilidade do seu solo, poderia ser o celeiro de Africa.
A crise económica é pontual, Moçambique voltará a carrilar nos seus eixos, contudo existem desafios económicos e sociais urgentes, a precisar de atenção.O Estado não pode viver mais tempo sustentado numa economia providenciada de doadores, como se o modelo do nosso estado estivesse esgotado.Nessas circunstâncias o mais certo é a política do governo ser condicionada por aqueles que põem o dinheiro,como até agora, incluindo países com governos que já deram provas de não merecer a nossa confiança.
São tantos os desafios, mas o Estado não deve em momento algum tremer.
As elites não aprendem nada.A democracia foi concebida para melhor nos governarmos, alargar consensos políticos capazes de gerir as nossas vidas, e não para enriquecer os políticos.Quem escolhe a carreira  política deve pôr de lado a idéia de usar a política para enriquecer.A constituição deve ser respeitada, e não adulterada para benefício de grupos e indivíduos.E isto é verdadeiro para Moçambique, como para outras democracias.Se alguém anda a financiar o terrorismo da Renamo deve ser denunciado e neutralizado.O que nos distingue não é o facto de sermos moçambicanos,é o facto de uns serem patriótas, e outros que por um punhado de dólares se vendem aos estrangeiros.
Neste momento conturbado de uma hierarquia social artificializada, quem não herdou não passa de lixo, e até ao momento o que conquistamos foi uma máquina complicada  de difícil manejo,e que entende as nossas línguas e limitações pontuais. Chegamos ao ponto de permitirmos que o Estado seja chantageado por acções terroristas, por um grupo de bandidos.Temos gente que não trabalha nem quer trabalhar, empresários que não pagam impostos, e mesmo assim querem receber ajudas do estado. Como foi possível a sociedade descer tão baixo?
Destruir infraestruturas, matar, entre outras coisas, são acções próprias de um movimento terrorista e extremista, e não de um partido com assento parlamentar.Espero que na marcha agendada para o dia 18 de Junho, haja alguém na sociedade civil, com discernimento para dizer basta ao terrorismo protagonizado pelos homens armados da Renamo!Espero que a marcha não seja mais uma manobra da incendiária Alice Mabota, para desvirtuar o sentido cívico da iniciativa, para englobá-la na sua agenda política e do seu amigo Dlhakama...
Na América e no mundo ninguém dialoga com terroristas.Nesses países o único sítio para terroristas é a cadeia,a forca ou execução sumária.
Conforme diz o presidente Flipe Nyusi``Estamos num estado democrático e de direito.Por isso não devemos abrir espaço para uma convivência dualista,em que por um lado há partidos civis, e por outro, partidos armados.``
Esta é quanto a mim, o cerne principal da enfermidade, com que padece a nossa democracia.Quando vejo países a dizer que querem ajudar, vislumbro  tentativas de protagonismo, e vontade em  influenciar decisões, porque se houvesse vontade em ajudar, ter-se-ia condenado a Renamo por até hoje recusar desarmar os seus homens, e continuar a matar.Para o ocidente e para gupos como o Bilderberg os pretos não tem cotação no mercado.
Apesar da matriz cristã que a caracteriza, o ocidente nunca ressarciu, nem pediu desculpa a Africa, pela escravatura dos negros para as Américas, e ninguém ressarciu o continente africano, pelas agruras do colonialismo, que enriqueceu a Europa e as suas elites.Quanto à divida soberana , os estados têm dividas, uns mais do que os outros.As instituições da Bretton Woods não são inocentes.Alguns antigos funcionários daquelas instituções financeiras confessaram que enquanto funcionários, o seu trabalho resumiu-se em endividar certos países, que careciam de recursos, concedendo empréstimos para além do que precisavam, para reconstrução e desenvolvimento.Projectos megalómanos financiados com empréstimos gigantescos, de bancos do primeiro mundo.Muitas economias foram dessa forma simplesmente assassinadas, e alguns países da OCDE como Portugal, continuam endividados graças a essas práticas.Quem ficou a ganhar?As instituições de crédito naturalmente.
A questão da divida soberana  escondida, está sob investigação da PGR e do FMI, e até lá vamos aguardar o desenvolvimento.
O país necessita de paz, para crescer económicamente.Só nós sabemos quantos literados temos, e de quantos o país está necessitado para irmos adiante.Quantos temos sem o ensino secundário completo, e só sabem pegar na arma.Quantos temos com curso universitário e quantos necessitamos para educar.Educar numa perspectiva de tornar competitivo e diversificado o mercado, e não apenas para inglês ver.
Universidades temos, mas será que tem a qualidade exigível segundo padrõs universais ou para satisfação do consumo interno?A democracia foi- nos imposta ou uma escolha?
É que se foi uma escolha, não entendo a prevalência das armas, porque estas deveriam estar nos quartéis e nas esquadras da polícia.O estado está no seu legítimo direito de recolhe-las à força.
Se escolhemos a democracia esta deveria ser alimentada, com diálogos e consensos, e não permitir a radicalização de sectores.E não devemos permitir que uma democracia de armas se sobreponha à razão, que escolhermos para sair do chão, em que fomos séculos obrigados a viver.Esse chão que queiramos ou não, não nos querem dele erguidos, porque se um dia nos reerguermos nada ficará como dantes.
Como Nação e povo é- nos exigido em qualquer circunstância a auto-estima. Temos muita gente idosa ao deus dará, jovens em idade escolar na prostituição,os níveis de prevalência de HIV/Sida em doentes continua elevada, assim como a mendicancia e desemprego entre a juventude.Estamos a tempo de corrigir as discrepâncias sociais e económicas, assim como as assimetrias regionais, por não acreditar ter sido em vão edificar um estado laico e plural, baseado no pressuposto de justiça e inclusão social e económica.
Unidade, paz e democracia

 PS. O estado moçambicano sairá sempre vencedor deste desafio, criado pelas forças residuais da Renamo.O estado tem legitimidade de usar a força. Segundo  o filósofo, a única lei é a força do mais forte, que pode tudo quanto tenha força para conquistar e conservar. 
 Inacio Natividade

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