segunda-feira, 27 de junho de 2016

A Explicacao - que faltava - da Divida


Correm editos que o camarada Gabriel Muthisse, cujo CV e sobejamente conhecido no Facebook, argumentou que a chamada "divida oculta" e justificavel num contexto como o nosso. Porque:
1- A RENAMO esta no parlamento e por isso, "poderia saber o que lhes esperava";
2- Nao ha "sigilo" nas comissoes da AR, porque a "Oposicao esta la...".
Tardou, mas chegou, e caso para se dizer. Andavam por aqui alguns intelectuais do Governo (ainda ontem ouvi alguns na Marcha) a defenderem o Estado de Direito Democratico, como metodologia de governacao mais ajustada. Ou seja, como bons trapezistas politicos que sao, entendem que as "Leis" resolvem tudo neste pais.
Pois sao clamorosamente desmentidos pelo camarada Muthisse, que numa chapelada so prova-nos que:
1- Vivemos num multipartidarismo de partido unico;
2- Que o conflito armado nao resulta de uma escalada por parte da RENAMO, mas sim da reaccao desta e de outras forcas vivas da sociedade a um acto premeditado da FRELIMO contra a sua existencia.
Pelo menos, serviu para separar as aguas. E sobretudo, para os doadores saberem de uma vez por todas, do peso da sua contribuicao para o regresso de Mocambique aos tempos de chumbo do passado.
Pois e exactamente o que continuara a acontecer enquanto houver dinheiro para sustentar aventureirismos militares em Mocambique.
E se mal pergunte, o que e que andou entao o camarada Muthisse a nos dizer nas segundas-feiras, a partir do Centro de Conferencias Joaquim Chissano, durante dois longos anos?
Eis a questao.
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JORNALNOTICIAS.CO.MZ|BY SAMUEL PEDRO UAMUSSE

Incoerencia
Ha uma percepcao, por parte de alguns por aqui, de que a divida oculta nao lhes atingira. Que outros mocambicanos pagarao por eles.
E assim que interpreto o comentario de um G-40 sobre a quase centena de pessoas que se fez presente na marcha de hoje. Tanto taco para nada, comentam alguns outros secundando-o, jocosamente, insinuando de que se tratou de uma accao instrumentalizada pela famosa "mao externa". Ou seja, o povo esta-se borrifando para o Banco Mundial e o FMI.
De facto, esta mao parece que esta sempre presente nas nossas vidas. Umas vezes boa. Outras vezes ma. Boa, quando nos municia o OGE e permite que certas pessoas, que hoje trocam dos que reclamam na rua, viverem todos os dias a "trabalhar" no Facebook a espiar as nossas vidas. Se pior nao lhes couber. E ma, quando as calcas lhes caiem de repente e tudo fica a mostra, como na mais tenra idade.
Este tipo de incoerencia e que me aflige. Como e que se pode esperar algo de bom de uma sociedade civil larvar e pusilanime, que tudo ve, ou analisa em funcao da cor partidaria?
Tanto uns, como os outros, afinam no mesmo diapasao da surdez colectiva dos problemas do povo.
Comments
Cristiano Matsinhe "Impunha-se, naturalmente, uma engenharia financeira ousada...". Ora, se com "engenharia financeira ousada" dá nisto, imagina o que seria se não tivesse havido engenharia nehuma
Edgar Barroso Já havia discutido esse assunto com o próprio Gabriel Muthisse, há dias. Aliás, fiz algumas perguntas e ainda não vi as respostas. Vou para lá.
Joao Cabrita Do texto de Gabriel Muthisse retenho, entre outros, este ponto: "O país precisava de se equipar adequadamente para enfrentar as ameaças que se apresentavam. Como fazê-lo com o nosso orçamento deficitário? Quando fazê-lo quando os nossos parceiros multilaterais (Banco Mundial, FMI, BAD e outros) não apoiam a aquisição de equipamento militar?"

Uma forma de não fazer seria não utilizar o dinheiro dos outros em negócios comprovadamente nada transparentes. Mas não, tentou-se iludir os parceiros - com quem foram assumidos compromissos - , violou-se a Constituição, não solicitando autorização da AR para a transacção em causa, e instrui-se os deputadas da bancada governamental a travar qualquer explicação a respeito de um projecto cujo estudo de viabilidade se desconhece, e que o levantar da ponta do véu que encobre o misterioso negócio permite detectar falhas inadmissíveis, e que foram aparentemente solucionadas com recurso a estaleiros de um país vizinho. De ilegalidade em ilegalidade, as embarcações fizeram-se ao mar sem disporem das necessárias licenças, como se deduz do informe que o governo apresentou à AR.

Mas se de facto foi tudo com boas intenções – do texto não ressalta qualquer indicação em contrário – cabe perguntar a não apresentação de contas, pronta e atempadamente: aos parceiros, à PGR ou à Ilustre Presidente da Magna Assembleia da República, pessoa da máxima confiança do governo, em vez de se protelar um assunto que agora desejam relegar para o passado sem que tenha sido explicado?

E se a segurança costeira é o que está em causa, como se explica que os barcos-patrulha encomendados para esse fim, estejam em terra e não no mar, como se pode ver na imagem datada de 22 de Abril de 2016 (aqui:https://www.chathamhouse.org/.../HOW-CAN-MOZAMBIQUE...)

Vassili Vassiliev Nao se explica o que nao se consegue explicar.
Yussuf Adam Tudo e justificavel ate o injustificavel.... Confusao entre o conceito de defesa nacional e negocio privado....
Carlos Nuno Castel-Branco Por que é que se refere, o artigo original, a "chamadas" dívidas ocultas? São ocultas ou são "chamadas" ocultas? Além disso, como é que endividar o país ocultamente não é endividar o país? Ocultar a dívida resolve o problema de construir uma dívida insustentável? A dívida só foi ocultada aos moçambicanos, mas não aos credores a quem temos que pagar? Como é que se defende, militarmente, a soberania de uma país pondo em causa a sua soberania económica e financeira? Se é reconhecido que se ocultou a dívida por razões militares - portanto, a dívida é de natureza militar - por que é que perdemos tempo a discutir a racionalidade do investimento em pesca de atum? Por que é que seria necessário discutir os detalhes do armamento a adquirir se o projecto fosse transparente e apresentado ao parlamento? O parlamento está lá para discutir prioridades nacionais e a sustentabilidade e viabilidade da política pública, e não os detalhes das compras que se fazem. Deve haver legislação que garante o sigilo sobre assuntos realmente secretos, mas que não impede que tais assuntos sejam discutidos na generalidade. O armamento que Moçambique adquiriu - incluindo os tais barcos que só "patrulham" o cais e as docas secas - está todo divulgado online e em revistas de negócios de armas que podem ser compradas em qualquer livraria pública ocidental - além disso, aqueles barcos patrulha e os MIG 21 são tecnologia de há 30 anos ou mais (tornar isto em segredo do estado deve ser só por vergonha de querer assumir que gastámos dinheiro público nessas coisas). Se nos confrontamos com uma guerra de baixa intensidade ou de desgaste, para se servem os MIG e os barcos de patrulha costeira? Finalmente, por que é que a defesa nacional é privatizada? De facto, o artigo em causa é brilhante pelo que não está lá. É um chamado artigo oculto - o artigo verdadeiro com as questões reais não foi escrito; o que foi escrito oculta o verdadeiro. Só pode.

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