domingo, 15 de maio de 2016

Tempo de dificuldades

O colonialismo faz parte da história da humilhação dos povos africanos, e não me parece que alguma vez possa regressar na forma fetal original, mas existe uma urgência política e económica para Moçambique e Angola, por exemplo, para que estes países regressem sem sobressaltos aos mercados.

Angola já deu o seu passo em direcção à China, em busca de financiamento à economia, será que Moçambique na falta de credores, seguirá o mesmo exemplo de Angola? Tudo indica que  com esta anunciada viagem do presidente Flipe Nyusi à China, poderá dizer-se que sim.
Divida e sustentabilidade da divida soberana ou melhor,  o desafio de o governo ter de lidar com a redução do défice orçamental e a divida, numa economia sustentada em imensas promessas de reservas de hidrocarbonatos, mas que devido à baixa do preço do petróleo,  gaz  e o carvão,  a situação vem afectando negativamente as políticas macro-económicas elaboradas, como crescimento da economia, inflação, taxa de desemprego, balanço de pagamentos e distribuição de renda. Uma coisa é certa, até 2018 temos que aprender a apertar o cinto.
A verdade é que  Moçambique necessita urgentemente de financiamento. O estado deve resgatar empresas em falência técnica, e outras já falidas, de forma a levá-las como pivot da economia a  gerar empregos e participar no desenvolvimento. Nesta conjuntura difícil, o estado e o privado devem contribuir de forma efectiva na recuperação económica, e a intervenção do Estado na dinâmica capitalista não é nada de novo; nos Estados Unidos por exemplo aquando da crise económica provocada pelo banco Lehman Brothers, o governo americano resgatou a gigante AIG, American International group, que também se encontrava em falência técnica.
Dólar sempre o dólar,  vai desacelerando a estrutura da economia nacional, elevando o preço das matérias primas, que já não serve de panaceia ao equilíbrio das contas públicas, nem de bengala às políticas macro-económicas de luta contra a pobreza, ao mesmo tempo que contribui para elevar o custo de vida, encarecendo as importações, e fazendo cair o índice de  confiança no consumidor. A região  da Sadac deve repensar a sua estratégia económica regional, para que de futuro possa precaver-se de males maiores. A região deve vencer a mística, e criar uma média e larga indústria, para seus produtos, e não ser apenas servir de escoamento aos produtos da Africa do Sul, ou importador de produtos com origem no ocidente, alguns dos quais são segundas escolhas. Tudo passa em modernizar as estruturas de produção e comercialização, e os métodos de trabalho.
E incrível que países mais pobres do ocidente que não possuem as potencialidades do que a nossa, podem falar em nome dos doadores ao OE , quando pertencemos à Sadac, uma organização regional com mais de  300 milhões de consumidores. A força de Africa assenta na unidade. Uma Africa fragmentada é porta aberta ao neocolonialismo. A Africa austral através da Sadac, já deveria estar em condições de falar numa única voz, semeando a esperança regional até á saída da crise económica, que todos nós enfrentamos.
Os G14 está a actuar "a uma só voz", e não só. Estão a actuar em sintonia com o FMI e Banco Mundial, Estados Unidos, o maior parceiro bilateral, e várias  instituições de crédito, onde políticos ocidentais têm influências. Estou convicto de que para Moçambique possa regressar aos mercados, esta instituições irão tentar pressionar o governo a fazer concessões antipatritóticas, incluindo tentar desvirtuar a  política do governo.
Ter dividas não é crime nenhum. Têm dividas países como Estados Unidos, Alemanha, Itália, França, e tantos outros. O importante é que a divida e o orçamento sejam manejáveis, e não excedam o PIB.
 Certo que a omissão das dividas beliscou a confiança do FMI , contudo Moçambique foi sempre cumpridor, não devendo sofrer uma sanção gravosa e desmedida, embora me parece que não vai poder fugir a uma sobrecarga de taxas de juro da divida e a descida dos níveis  de rating já confirmada pelas agências de notação financeira Standard & Poors e Fitch. Analistas britânicos da Economist Inte­lligence Unit (EIU)- dizem que devido à questão da omissão da divida, Moçambique havia deixado de ser país que mais capta investimento  (os níveis de 5.2 e de 7.0 biliões de dólares em de 2012 a 2014, que faziam de Moçambique o segundo país africano que mais captou investimento externo);a mesma organização  prevê que o crescimento real da economia nacional será de 4,2%, o mais baixo nos últimos 15 anos, e que o FMI, irá retomar o financiamento ao país ainda este ano de 2016.
Mas é  evidente que no quadro das economias emergentes  Moçambique e toda a Africa austral estão sendo vítimas de um tipo de agressão psicológica de certa  mídia ocidental, com vista a denegrir os governos legítimos, enfraquecer as bases partidárias, que sustentam os regimes em favor do estrangeirismo. Embora não exista uma oposição alternativa, indicam o caminho a seguir sendo a ideia inicial crispar a sociedade,  acusando a elite política  de ser responsável da crise económica, omitindo o fenómeno de contagem global. Os governantes são pintados de pretos corruptos, chegando ao ponto de glorificar o colonialismo. A ideia é mostrar de que nada valeu acabar com o colonialismo, porque este foi substituído pelo colonialismo negro, que é muito pior. Lá vão pintando Guebuza, José Eduardo dos Santos, Roberto Mugabe e Zuma , com a mesma ladainha.
O objectivo nesta altura em que o consumismo tomou conta das nossas vidas, é dar a machadada final  do sentimento patriótico remanescente.  Angola, Moçambique, Zimbawe, e mesmo a Africa do sul, vivem momentos económicos menos bons, motivados pela desvalorização das moedas locais perante o dólar, queda de preços de matérias  primas, de que são grandes exportadores, e inerente quebra na produção. Este tipo de dificuldade em sociedades transformadas em consumidoras compulsivas, torna-se em arma de arremesso político contra os governos, e os governos a braços com a falta de liquidez devem ser inteligentes e dialogantes. A sociedade normalmente não quer conhecer as causas; pretende consumir, ter o comércio competitivo, onde a liberdade de escolha possa prevalecer.
Alguns pensam tratar-se  de momento de uma vingança dos credores contra os movimentos de libertação, que tiveram de passar pelo centralismo democrático, e só mais tarde pelo capitalismo selvagem. Ou ainda o regresso do colonialismo sob forma de credores como FMI, Banco Mundial e UE .
Outro ponto é a Renamo. Esta organização actua em sintonia com alguém de fora, para agravar a situação, tornando-a desgovernável, mas até ao momento não conseguiu os seus intentos. O que se sabe da Renamo é que perdeu as eleições presidenciais, e legislativas, e desde então, várias tácticas têm sido ensaiadas, incluindo o recurso ao terrorismo, para tomar o poder à força. O líder da Renamo decidiu a um dado momento retirar-se, para as matas para matar moçambicanos, apartando-se do diálogo, embora a Renamo possua assentos no Parlamento.
 Ivone Soares, chefe da sua bancada parlamentar, na semana marcada com a visita do presidente de Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa afirmou, que Moçambique estava em guerra, e o governo nada interessado no diálogo. Mais, que o governo não quer reconhecer  o estado de guerra, para não afugentar o resto do investimento estrangeiro. Falou na partidarização das forças armadas, e de na sua óptica não haver democracia no país, etc...
A Renamo não muda de paradigma. Faz chiqueiro, e na hora da verdade foge às responsabilidades. Esta senhora omitiu que a Renamo apesar de assentos no parlamento, o que tem feito até aqui é chantagear o governo, exigindo postos no exército e polícia, quando quem detém o monopólio de promoção ou não de qualquer oficial é o governo, na gestão dos interesses do estado; omitiu por exemplo que algumas escaramuças acontecem, dada a relutância da Renamo em recusar desarmar os seus homens, e o desejo da organização de governar à força certas províncias.
A grande prova vai ser quando Bruxelas e o FMI começarem a fazer chantagem e pressão sobre  o nosso governo. A Renamo é um bando, não um partido político, cuja mensagem se confunde com cultura tradicional africana dos régulos. No fundo são ainda o piorio que existe em Africa, e Moçambique que se livre de ver este bando no poder. Seria um desastre para os moçambicanos.
 A estratégia confrontacional da Renamo liderada por Afonso Dhlakama fracassou, e o aparente choro da Ivone Soares, lágrimas de crocodilo. A intenção de ver Moçambique estagnado e num beco sem saída  para o desenvolvimento tem fracassado, graças às FDS, que têm sabido dar conta do recado.
 Nós, o povo de Moçambique queremos continuar a crescer, por isso continuamos empenhados na busca de soluções para os problemas que assolam o povo. Queremos a paz, mas sem pré-condições ditadas por ninguém, porque apenas a paz pode trazer o desenvolvimento.
Unidade, paz e democracia                                                                              
Inácio Natividade
JORNAL DOMINGO – 15.05.2016

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