quarta-feira, 4 de maio de 2016

Sobre a agricultura base do desenvolvimento E a pilhagem base do empobrecimento

Sobre a agricultura base do desenvolvimento E a pilhagem base do empobrecimento

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CARTA A MUITOS AMIGOS
A Constituição da República, diversos textos, resoluções e dis­cursos afirmam que a Agricultura constitui a base do nosso desenvolvimento.
Mas o que acontece na realidade?
1. Raros os locais onde se construíram represas, canais de derivação da água para em lagoas artificiais se criarem reservatórios, diminuindo o impacto das inundações e mitigando o efeito das secas porque lá se buscará água. Todos os anos as mesmas ladainhas, secas, inundações, socorro às populações que enfrentam a fome.
2. Haviam-se criado as Casas Agrárias com objectivos concretos:
a. Lá se implantariam técnicos médios e superiores com formação agrícola e pecuárias, para disseminarem nas populações vizinhas novos hábitos, melhorar a forma de tratar a terra e o gado;
b. Adquirirem a produção local, processá-la, vender o produto acabado e fazer reverter para os agricultores e criadores parte das mais-valias.
Quem manda no mundo e nas instituições financeiras tudo mandou acabar. Não se podia criar alternativas e concorrência aos agricultores boers base de sustentação do regime do apartheid e aliado incondicional das transnacionais e dos membros da OTAN.
No Chokwé processava-se o tomate, fazia-se presunto e chouriço, fiambre. Hoje tudo vem do vizinho que ameaça cair na falência e vende subsidiando as suas exportações agrícolas para Moçambique.
Obrigaram Moçambique a tudo privatizar de qualquer maneira ou mandar fechar.
Quando havia uma sobretaxa para a exportação do caju em bruto, recebemos um ultimato para a abolir. Tal prejudicava a Índia (os seus quadros desde os anos 50 pululam as instituições de Bretton Woods) que estava a iniciar uma indústria artesanal, onde até crianças trabalham. Fecharam as nossas fábricas que acabavam de ser privatizadas. Sofreram os trabalhadores com o desemprego e os investidores que fechavam as portas sem recuperarem o muito que haviam posto no empreendimento.
Matou-se o IFLOMA a indústria mais avançada que havia em África para processar a madeira, da casca e raízes e ramos até à construção de pré-fabricados. Fazia concorrência!
Matou-se a indústria têxtil, algodoeira, os silos os processamentos locais dos cereais, do arroz, até fábricas novas em Ulongwé, Namacurra e Gurué não entraram em funcionamento e desapareceram misteriosamente os equipamentos que se deveriam disseminar nas zonas circundantes das fábricas.
De que vale repetir-se sempre o mesmo, se resoluções, moções ficam letra morta?
De todo o coração desejamos que as resoluções sobre a agricultura da V Sessão do Comité Central da FRELIMO não conheçam o esquecimento.
A pilhagem aos cofres do Estado, das empresas públicas e demais instituições dependentes do Estado constituem um outro pesadelo para os moçambicanos. Uns roubam e enriquecem e cabe a nós gente trabalhadora e honrada, aos nossos filhos e netos pagarem as dívidas criadas pelos facínoras.
A V Sessão do Comité Central amplamente debateu e pronunciou-se sobre a matéria.
Orientou o governo para inquirir e apurar os factos sobre a EMATUM e PROINDICUS e demais dívidas ocultas, transmitir o verificado e provado à Assembleia da República e ao público.
Havendo indícios de matéria criminal, transmitir às instituições competentes do sistema judiciário.
Devem devolver a totalidade do pilhado, das comissões por baixo da mesa, devendo ainda e por decisão dos tribunais competentes recolher a cadeias bem guardadas e sem luxos nem apartamentos e TV, televisões, telemóveis. Trabalharem lá no duro, rachar pedra, cultivarem.
Celas bem comuns e austeras e zero de liberdades condicionais por alegado bom comportamento. Houve ocasião para bem se portarem e desprezaram a favor da ganância.
As intervenções na V Sessão do CC amplamente demonstraram que o povo e os órgãos do partido estão mais que saturados das infâmias, da corrupção, do nepotismo, das negociatas sobre os nossos recursos naturais, a terra, os terrenos nas zonas urbanas. Estas enfermidades fizeram que o Partido perdesse votos nas autárquicas e nas eleições gerais. Quer-se revitalizar-se os verdadeiros valores e princípios da FRELIMO.
Sem dúvida que o terrorismo contribui seriamente para as causas internas da situação económica e financeira bem calamitosa que o país vive.
Atacarem-se veículos de transporte ou viaturas, fazerem-se emboscadas, cortarem-se estradas, sabotarem-se pontes constituem em todos os países do mundo crimes gravíssimos e intoleráveis.
Claro que a V Sessão do CC apoiou os apelos do Presente Nyusi para o diálogo e a reintegração dos grupos armados da organização dos bandidos.
A defesa intransigente das vidas e bens das pessoas constituem um imperativo constitucional, legal e uma condição básica do respeito pelos direitos humanos. As Forças Armadas e demais organizações de segurança devem proteger as pessoas e bens, repelir, aniquilar e desarmar quem ataca.
Isto faz-se em qualquer parte do mundo, nos Estados Unidos como na Turquia, na França como no Paquistão, na Bélgica como na Índia ou Egipto.
Somente quem dentro ou fora do país defende agendas bem ocultas pode afirmar o contrário e dizer que só basta dialogar.
O diálogo requer coerência e seriedade, respeito pala Constituição, a Lei, os Direitos Humanos, a Unidade Nacional e a integridade do Estado e dos seus poderes.
Fora destes parâmetros basilares trata-se de um diálogo bem falso, conduzindo a subjugar o Estado e os moçambicanos aos interesses de transnacionais e organizações terroristas da Somália e similares.
Quer-se fraccionar o país, restaurar o tribalismo, o racismo, o regionalismo que no século XIX e mesmo XX abriram as portas à dominação colonial e estrangeira. Contra isto sacrificaram a vida combatentes da causa da libertação nacional e outros viram-se torturados e massacrados nas prisões da PIDE e similares.
Nem um burro cai duas vezes no mesmo buraco! Nós não fazemos parte da família dos asininos. Basta.
P.S. Merecidamente Hélder Martins recebeu um doutoramento Honoris Causa. Pena que a UEM se esquece de quem fez este país e a própria UEM. Fundador da FRELIMO, ele e a Helena únicos médicos que tínhamos durante a guerra de libertação. Eles com Ganhão, João Ferreira e Jacinto Veloso graças aos nossos inimigos expulsos porque brancos. Hoje dão na Beira nomes de ruas a inimigos e traidores do povo. Não pude ir. Lamento.
Deliciei-me a ler a sua intervenção. Parabéns Hélder.
SV

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