sábado, 7 de maio de 2016

Hillary Clinton versus Donald Trump

Novembro ainda está distante, mas em todos os quadrandes de opinião,  a unanimidade existente é que Hillary Clinton e Donald Trump irão enfrentar-se na corrida para a Casa Branca em Novembro.
A pré-candidata democrata tem tudo a seu favor:experiência, inteligência e um marido que foi re-eleito presidente, numa época em que a América demonstrava pujança económica, e um superávit acima do PIB; do lado republicano Donald Trump,a sua bagagem política é ser organizador de concursos de beleza, ter dinheiro e pouca cultura,e ser tão controverso a ponto de estar a provocar uma espécie de implosão no Partido Republicano.
Na verdade  Donald Trump como candidato republicano não agrada ao establishment e aos religiosos,que vêm nele um candidato indegesto, por ser contrário aos valores e à tradição do partido.Um candidato que ao elencar os desafios do país não se inibiu de bramir contra a emigração,  contra as minorias raciais, e contra o Free Trade Agreement.Trump por outro lado, quer acabar com as intervenções de “construção de Estados” e com a “Freedom Agenda .Na sua prespectiva os EUA deverão “substituir a ideologia por estratégia”.Para ele a guerra ao terrorismo seria a quarta guerra mundial, Putin o novo Hitler, o Irão a nova Alemanha Nazi, a qual não se pode apaziguar.
 Uma retórica de guerra permanente, com inimigos criados à imagem de alvos a abater, não por serem inimigos,mas por conveniência política de uma era doente, governada por um louco.Uma coisa é certa, Donald Trump foi sempre um crítico acérrimo da intervenção americana no Iraque,e o desaire de Jeff Bush nestas primárias, pode significar o ajustar de contas da direita com a administração Bush,algo que os outros  candidatos nunca tiveram coragem de assumir.
Donald Trumpo pode ser para a elite do partido republicano um candidato indegesto, contudo o espectro político da America mudou muito nos últimos  anos, em especial no que toca à direita e ao centro direita,  depois do Bush filho na presidência.A base do partido ficou mais reacionária, mais defensora de políticas protecionistas,e menos dadas ao aventureirismo político e militar.Por tudo isto Donald Trump surge como alternativa política de um vasto leque de sensibilidades do eleitorado branco, que vê o futuro da America dentro da América,como lema “Fazer da ``America mais forte`` , mas dentro da suas fronteiras,  mantendo a mesma capacidade de dissuasão política e militar.
Ted Cruz julgava poder reanimar a sua campanha ganhando as primárias de Indiana, que decorreram  terça –feira dia 3 de Maio, e perdeu.Indiana é um estado ultraconservador, mesmo a geito de Ted Cruz, e mesmo assim teve de deitar a toalha ao chão. Com 65% dos votos apurados, e sua vitória já confirmada, Donald Trump conquistou 52,7% dos votos. Ted Cruz estava com 36,9% e John Kasich com 7,8%.
Em minha opinião acho  que o senador Ted Cruz, fêz bem em suspender a campanha.Indiana é um estado ultraconservador, um território que lhe deveria ser favorável, assim Ted Cruz não tem mais argumentos para continuar.Donald Trump é o único com chances matemáticas de chegar à convenção com todos os votos necessários. Assim Donald Trump torna-se o candidato inevitável.
Mas a America não mudou apenas à direita, mudou também a perspectiva da esquerda.A esquerda a juventude pretende uma mudança real, sem os habituais quadros de pobreza serpenteando as ruas das grandes cidades como Nova York, Los Angeles,Washington, Chicago, e outras,  na pele  dos sem abrigo.
Nova York há semanas consagrou Hillary Clinton, um estado que por duas vezes foi eleita senadora,e ganhadora das primárias locais contra Barack Obama, mas em Indiana ficou atrás de Berne Sanders. A "revolução política" de Bernie Sanders contrariou as sondagens, ao garantir uma vitória significativa sobre Hillary Clinton no Indiana, com 52,5 por cento dos votos, contra 47,5 por cento da ex-senadora.
Efectivamente enquanto partidos socialistas meteram o socialismo na gaveta, o que em muitos países resultou na machada final ao estado social, Berne Sanders,74 anos,o mais velho de todos os concorrentes às presidenciais americanas, assume-se socialista democrático,com uma campanha baseda na solidariedade, defensor de um sistema de saúde universal, educação para todos, e com a palavra de ordem``Quem trabalha mais de 40 horas por semana em nenhuma circunstância deveria ser pobre``.
 A dinâmica de sua campanha conheceu o  ponto alto algumas semanas atrás, quando ganhou oito primárias seguidas, mas que Nova York parecia ter posto travão.De facto no mês de Março ele conseguia angariar mais de 40 milhões de dólares dos apoiantes, só que após a derrota em Nova York,o montante recebido em Abril caíu para cerca de metade.
Utópico ou não o seu socialismo agarrado às leis anti-trust e anti Wall street,tem como apoiantes acérrimos, a juventude americana.São eles a carregar a bandeira, e a formar o grosso de multidões da causa defendida pelo senador de Vermont. Com a vitória em Indiana, Bernie Sanders demonstra ser osso duro de roer,e  alguns dos seus seguidores ainda acreditam, contudo outros acham que uma mulher presidente seria ouro sobre azul, numa América machista.Chegam mesmo a afirmar  “Ela vai ser um grande presidente com certeza, e vai ganhar a Trump,``... ou ``Não conheço ninguém da minha comunidade, nem gente latina nem negra, que pudesse votar num candidato como ele, ou como Ted Cruz .
 Apesar da injeção de moral que o resultado representa para a campanha do senador de Vermont e que, segundo Sanders prova que “a campanha ainda não acabou”, a contagem de delegados continua muito favorável a Clinton.Com 2.176 delegados já em sua conta, Hillary Clinton necessita apenas de 20% dos mil delegados ainda em disputa para selar sua candidatura, que exige 2.383. Como a distribuição de cada Estado é proporcional, a pré-candidata democrata soma delegados mesmo quando Sanders ganha.
Já se comenta à boca cheia, que se nas eleições de Novembro, que caso Hillary Clinton vença na Flórida, e nos 19 estados,  que nas últimas seis eleições ganhas pelos democratas votaram no partido, mais DC, Distrito de Columbia,fácilmente será eleita a 45 presidente dos Estados Unidos da América.
Inácio Natividade

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