sábado, 14 de maio de 2016

Hezbollah culpa grupos radicais pela morte de comandante

Chefe militar do Hezbollah morto em ataque na Síria

Mustafa Badreddine, morto numa explosão perto do aeroporto de Damasco, esteve envolvido no assassínio do ex-primeiro-ministro libanês Rafik Hariri.
Mustafa Badreddine era um dos líderes das operações militares do Hezbollah na Síria REUTERS

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Um dos principais líderes do Hezbollah foi morto na Síria, revelou a organização terrorista libanesa esta sexta-feira. É considerado um dos maiores golpes para o grupo que apoia as forças do Presidente sírio, Bashar al-Assad.
Mustafa Badreddine, de 55 anos, foi morto durante uma explosão perto do aeroporto de Damasco, numa das bases do grupo, revelou o Hezbollah através de um comunicado publicado no site da cadeia de televisão Al-Manar, detida pela organização xiita. Porém, a BBC cita vários testemunhos nas redes sociais de membros de grupos da oposição síria que dizem que Badreddine terá morrido numa batalha em Khan Touman, a sul de Alepo, e não na capital síria.
Vai ser aberta “uma investigação” para apurar “a natureza da explosão bem como as suas razões, e se foi resultado de um bombardeamento aéreo ou um míssil”, anunciou o grupo, sem porém revelar quando ocorreu a morte de Badreddine.
Uma primeira versão, avançada pelo canal libanês Al-Mayadeen, atribuía a autoria da explosão a um bombardeamento israelita. O envolvimento militar de Tel Aviv no conflito sírio tem sido confinado a ataques aéreos a alvos relacionados com o Hezbollah, considerado pelo Governo israelita como um dos seus principais inimigos. 
Questionado pela Israel Radio acerca do possível envolvimento de Israel no ataque, o ministro Zeev Elkin, muito próximo do primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, recusou tecer comentários.
"Esta é uma guerra aberta e não nos devemos antecipar à investigação, mas certamente que Israel está por trás disto", afirmou o deputado do Hezbollah no parlamento libanês, Nawar al-Saheli. "A resistência irá levar a cabo o seu dever na altura apropriada", acrescentou. Um dirigente do grupo anunciou que os resultados da investigação seriam revelados este sábado.
Badreddine era considerado pelo Governo norte-americano como o principal responsável pelas operações militares do Hezbollah na Síria, diz a Reuters. No comunicado, o grupo terrorista refere que o líder “participou na maioria das operações de resistência islâmica desde 1982”. Washington tinha Badreddine numa lista de sanções financeiras e em 2015 acusava-o de estar por trás do movimento de combatentes do Líbano para a Síria e de liderar a batalha pela cidade de al-Qusair, em 2013.
Badreddine é acusado, em conjunto com outros três alegados membros do Hezbollah, de ter assassinado o antigo primeiro-ministro libanês, Rafik Hariri, em Beirute em 2005. O Tribunal Especial para o Líbano, em Haia, estava a julgar Badreddine in absentia por este caso. O grupo xiita negou sempre qualquer envolvimento no homicídio.
Chegou a ser condenado à morte no Kuwait pela sua participação nos ataques bombistas de 1983, mas escapou da prisão após a invasão iraquiana em 1990. A sua libertação foi uma das exigências dos sequestradores do voo da TWA em 1985 e da Kuwait Airways em 1988.
O líder militar era primo e cunhado de Imad Mughniyeh, que chegou a chefiar o braço armado do Hezbollah até ser assassinado num carro-bomba em Damasco, em 2008. Porém, Badreddine era descrito como “mais perigoso” do que Mughniyeh, de acordo com um relatório que cita um ex-membro do grupo interrogado pelos serviços secretos canadianos. 
A morte de Badreddine não deverá trazer mudanças ao papel do Hezbollah na guerra civil síria, onde, a par do Irão, tem dado apoio ao Exército de Assad. “Pelo contrário”, diz à Al-Jazira o analista Ali Rizk, “irá tornar o Hezbollah mais determinado em continuar envolvido na Síria até ao final”.
Segundo a Reuters, o Hezbollah já perdeu pelo menos quatro figuras relevantes desde Janeiro de 2015 e, ao todo, terá sofrido cerca de 1200 baixas durante o conflito sírio.

Chefe militar Mustafa Badreddine foi dado como morto nesta sexta-feira na Síria. Hezbollah tem apoiado o Governo de Bashar al-Assad contra grupos como o Estado Islâmico e a Frente al-Nusra.
Funeral de Mustafa Badreddine em Beirute ANWAR AMRO/AFP
O Hezbollah, grupo militante xiita libanês, anunciou neste sábado que o comandante Mustafa Badreddine, chefe militar histórico do grupo, foi morto por fogo de artilharia disparado por grupos radicais junto ao aeroporto de Damasco, na Síria. O Hezbollah tinha anunciado a morte de Mustafa Badreddine nesta sexta-feira e, no mesmo dia, fez um funeral militar no seu bastião no Sul de Beirute, no Líbano.
“As investigações mostraram que a explosão, que tinha como alvo a nossa base perto do Aeroporto Internacional de Damasco, e que levou à morte mártir do comandante Mustafa Badreddine, foi o resultado de fogo de artilheira feito por grupos takfiri naquela área”, lê-se no comunicado do grupo.  
A palavra “takfiri” usada pelo Hezbollah refere-se a grupos radicais sunitas militarizados. O Hezbollah está a lutar na Síria, apoiando o Governo do Presidente Bashar al-Assad, contra vários grupos sunitas incluindo o Estado Islâmico e a Frente Al-Nusra, afiliada à Al-Qaeda. Estima-se que cerca de 1200 militares do Hezbollah já morreram no conflito sírio.
“O resultado da investigação [da morte de Badreddine] vai aumentar a nossa determinação para continuar a luta contra estes gangues criminosos e para derrotá-los”, avança o Hezbollah. O comunicado não refere quando é que o ataque ocorreu nem quando é que o comandante morreu. Segundo o Hezbollah, Badreddine disse que só voltaria da Síria vitorioso ou como mártir.
Mustafa Badreddine foi condenado à morte no Kuwait pelo seu papel nos ataques bombistas de 1983. Mas conseguiu escapar da prisão após a invasão iraquiana ao Kuwait liderada por Saddam Hussein em 1990. Anos antes, a sua libertação da prisão tinha sido uma das exigências dos piratas do ar que desviaram um voo da Trans World Airlines (TWA), uma companhia aérea norte-americana, em 1985, e de outros piratas que em 1988 desviaram um voo da Kuwait Airways.
Durante anos, Badreddine foi o mentor de várias operações militares contra Israel a partir do Líbano e de outros locais, e conseguiu sempre evitar ser capturado por árabes e pelos governos ocidentais.  
Em 2005, o comandante foi um dos cinco membros do Hezbollah acusados pelo Tribunal Especial do Líbano, apoiado pelas Nações Unidas, de matarem Rafik al-Hariri, um antigo governante do Líbano e uma das figuras sunitas mais proeminentes. O Hezbollah negou qualquer envolvimento na morte de al-Hariri e alegou que as acusações foram politicamente motivadas.  

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