domingo, 15 de maio de 2016

Ele (Dhlakama) diz basta à Frelimo. Basta dizemos nós à Renamo e ao seu líder

Tidos como a ala dura do partido Frelimo, que sempre defendeu a via militar para acabar com o “problema” Renamo e Afonso Dhlakama, os combatentes da Luta de Libertação Nacional voltaram a saudar, no último fim-de-semana, as Forças de Defesa e Segurança (FDS), pela sua “prontidão, bravura e determinação na defesa do povo, na garantia e manutenção da soberania nacional, ordem, segurança e tranquilidade pú- blicas”, numa altura em que o Centro de Moçambique continua a viver as amarguras da tensão político-militar. Na manhã de sexta-feira, horas depois de dar garantias ao estadista português, Marcelo Rebelo de Sousa, em tudo fazer para devolver a paz aos moçambicanos, o presidente Filipe Nyusi foi à Matola dizer ao país e ao mundo que a Renamo está a tentar sequestrar o sonho de um povo. Naquele que foi o seu discurso de abertura da IV Sessão Ordinária do Comité Nacional da Associação dos Combatentes da Luta de Libertação Nacional (ACLLN), o órgão social mais influente na Frelimo, Filipe Nyusi voltou a condenar o que chama de matança da Renamo. Disse que ataques do maior partido da oposição criam perturbações ao ambiente de paz e segurança, ao mesmo tempo que minam o desenvolvimento económico, para além de que o recurso à destruição demonstra claramente o que o presidente chamou de não cometimento da Renamo com o bem colectivo e uma tentativa de sequestro do sonho de um povo que se quer livre. Com o país altamente endividado, em parte na aquisição de material bélico para fazer face à tensão polí- tico-militar, como finalmente assumiu, há dias, o Primeiro-ministro moçambicano, Carlos Agostinho do Rosário, o presidente da Frelimo e da ACLLN afirmou, na reunião dos veteranos da Luta de Libertação Nacional, que não é necessariamente da força física ou militar que os mo- çambicanos precisam para o alcance de uma paz efectiva e, para não variar, voltou a repetir o seu chavão de todos os tempos: “sentimo-nos encorajados em continuarmos abertos ao diálogo para uma paz efectiva”. Mas o tom menos reconciliador de Filipe Nyusi viria a ser reforçado pelos próprios “libertadores” que, em Janeiro deste ano, na voz do seu secretário-geral, Fernando Faustino, advertiram ao líder da Renamo, Afonso Dhlakama, que a paciência tem limites e que um dia ele se arrependerá pelo seu comportamento anti-democrático. “Quem é Dhlakama para ameaçar a tudo e a todos? É mesmo capaz de enfrentar as Forças de Defesa e Segurança – única instituição legalmente autorizada a recorrer à força para repor a ordem e tranquilidade neste país?... Ele (Dhlakama) diz basta à Frelimo. Basta dizemos nós à Renamo e ao seu líder. Basta de nos concentrarmos em Dhlakama. O país não pode ficar refém de um fora da lei. O Governo da Frelimo tem feito de tudo para conduzir Dhlakama para o lado certo da história. Infelizmente, Dhlakama circula sempre em contramão. Quer estar a soldo de interesses obscuros. Quando é assim o país não tem outra alternativa senão se proteger e agir contra os agentes do mal” explicou na altura Fernando Faustino, numa entrevista publicada no jornal Notícias deste ano. Entretanto, neste fim-de-semana, os mais de 170 membros do Comité Nacional da ACLLN defenderam que o executivo de Filipe Nyusi deve continuar a defender os cidadãos, a sua integridade física e a das institui- ções públicas e privadas dos ataques destrutivos da Renamo. Mas para variar, os combatentes, entre eles os antigos presidentes Joaquim Chissano e Armando Guebuza, o governo deve também investir para tornar o diálogo num instrumento mais eficaz para pôr fim às hostilidades militares no país. Os membros do Comité Nacional da ACLLN, que no comunicado final do encontro reafirmaram a sua total e imediata disponibilidade para continuarem a participar na defesa da soberania, consolidação da paz, unidade nacional e desenvolvimento do país, condenaram os ataques e matanças perpetradas pelos homens armados da Renamo contra populações indefesas, e posições das Forças de Defesa e Segurança, incluindo a destruição de infra-estruturas públicas e privadas. Até porque os combatentes aprovaram uma moção de apoio à resolução da V Sessão Ordinária do Comité Central da Frelimo sobre a situação político, militar e paz, a qual refere que, no geral, o país vive um ambiente estável e que as instituições do Estado estão em pleno funcionamento. O alto endividamento do país, que inclui dívidas ocultas na ordem de 1,4 mil milhões de dólares, também mereceu atenção dos membros daquele órgão social da Frelimo. Diz a ACLLN que foi esclarecida sobre a dívida externa contraída pelas empresas EMATUM, PROINDICUS e MAM, com aval do Estado, apelando também que tal endividamento seja tornado público e que o Estado assuma apenas a parte pú- blica, devendo a parte comercial ser responsabilizada às empresas beneficiárias e seus accionistas, além de verificar a existência de possíveis conflitos de interesses dos investidores individuais nas três empresas, à luz da Lei de Probidade Pública. Para a agremiação dirigida por Fernando Faustino, Moçambique enfrenta um conjunto de choques à economia nacional, como a fraca base produtiva, problemas estruturais na balança comercial, com o volume de importações superior às exportações, redução de fontes de financiamento, atraso nos desembolsos pelos parceiros de cooperação internacional, aumento do endividamento externo, calamidades naturais, entre secas e cheias, queda dos preços dos principais produtos de exportação. Aliás, Nyusi destacou no encontro que o combatente é, mais uma vez, chamado a participar activamente na vida do partido a partir da sua associação e, por isso, “orientamos a ACLLN a incentivar os seus membros para se lançarem no desenvolvimento de actividades sustentáveis capazes de gerar renda própria”. “O combatente é, mais uma vez, chamado a participar activamente na vida do partido a partir da sua associação. Orientamos a ACLLN a incentivar os seus membros para se lançarem no desenvolvimento de actividades sustentáveis capazes de gerar renda própria”, apelou Nyusi, para quem uma das marcas da ACLLN é a sua visão, é a de ser um reservatório de experiências e essas experiências devem ser polidas e bem exploradas, dentro e fora da associação, dentro e fora do partido.

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