quinta-feira, 12 de maio de 2016

Crianças sírias foram violadas no campo de refugiados turco de Nizip


Angela Merkel visitou este campo em Abril. O que viu, deixou-a "muito impressionada".
Angela Merkel no campo de refugiados de Nizip AFP
O campo de refugiados que a chanceler Angela Merkel visitou no Sul da Turquia está envolvido num escândalo sexual, depois de relatos de que crianças sírias foram violadas por um funcionário.
Um empregado de limpeza do campo de refugiados de Nizip, na província de Gaziantep, é suspeito de ter abusado sexualmente de 30 rapazes entre os oito e os 12 anos. Teria confessado os abusos, ao ser denunciado pelos pais destas crianças, e está identificado com as iniciais E.E. nos documentos que foram enviados para o tribunal, dizendo a queixa que terá pago às crianças entre 50 centímos e um euro depois de os violar nas casas de banho do campo.
Nizip, um campo que alberga 14 mil refugiados sírios, foi o local escolhido para a visita de Merkel à Turquia no mês passado, para celebrar o acordo entre este país e a União Europeia  para conter o fluxo de refugiados da guerra da Síria que procuram auxílio na Europa - e que está em risco devido adesentendimentos de fundo entre as duas partes.
Esta quinta-feira, o Presidente turco, Tayyip Erdogan, criticou a "hipocrisia" europeia por pedir a Ancara para mudar a sua lei antiterrorismo (o que não vai ser feito, Erdogan disse que é "inaceitável"), considerada desajustada em relação aos princípios democráticos, em troca da abolição dos vistos para os cidadãos turcos que querem entrar na UE já em Junho.
O presidente da Comissão Europeia, Jean Claude Juncker, afirmou por sua vez que se a Turquia não cumprir os 72 critérios exigidos pela UE, não haverá liberalização de vistos em Junho. "Estamos a contar com isto, que foi combinado com o Governo turco, e os acordos entre a UE e a Turquia não podem ser ignorados só porque foi afastado o primeiro-ministro turco [Ahmet Davutoglu]", declarou Juncker, numa conferência de imprensa no Ministério dos Negócios Estrangeiros alemão, em Berlim.
Durante a visita ao campo de Nizip, a 23 de Abril, Merkel recebeu flores que lhe foram oferecidas por crianças sírias. A visita foi perfeitamente coreografada, disseram os jornalistas no local, que não tiveram autorização para falar com os refugiados.
Na conferência de imprensa que se seguiu, Merkel - que apostou no acordo com a Turquia para travar o fluxo de entrada de refugiados e imigrantes na Europa - elogiou a política turca para com a crise de refugiados e disse estar "muito impressionada" com Nizip. 
Foi um militar de serviço no campo que disse ao jornal turco BirGun que havia um escândalo de violação a ser investigado. A fonte responsabilizou a agência governamental AFAD, que gere o campo, pelos problemas de segurança e pelas violações. 
A AFAD emitiu um comunicado, diz o jornal The Telegraph, explicando que já foram adoptadas medidas para evitar novos casos de abuso e dizendo que as vítimas já estavam a receber apoio psicológico.
Telegraph diz que quando os casos de violação foram descobertos, apenas oito famílias de vítimas decidiram apresentar queixa - mas há muitas outras que o não fizeram. As restantes, e de acordo com o jornal turco citado pelo britânico, não o fizeram por receio de deportação para a Síria.

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