terça-feira, 10 de maio de 2016

Com inquietações nacionais


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CARTA A MUITOS AMIGOS

Do Rovuma ao Maputo sobressai um descontentamento com a carestia de tudo, a impossibilidade de organizar a vida, pagar a comida que se compra, as despesas escolares e de saúde, a renda da habitação, o combustível, o gás para a cozinha, a roupa, o chapa. Nas zonas rurais de um modo geral, salvo o açúcar, sal, óleo pouco se gasta na comida, porém o calçado, a roupa mesmo das calamidades, o transporte, a ida ao hospital ou curandeiro, o medicamento sobe e muito mais que na cidade capital.
A austeridade decretada pelo Banco de Moçambique implicou uma subida brutal das taxas de juro da banca comercial. As taxas frisam a agiotagem!
Lemos um comunicado do porta-voz do Conselho de Ministros sobre as dívidas, depois das humilhações sofridas pelo Chefe do Estado, o Primeiro-Ministro, o Ministro das Finanças e o Governador do Banco de Moçambique.
Uma pergunta salta em toda a parte:
Desde quando empresas reais ou fictícias compram barcos de patrulha, radares, armas, aviões, helicópteros, viaturas para as forças de defesa e segurança, armas e munições?
Isto tudo sempre se comprou em acordos bilaterais entre Estados, sem intermediação de empresas, bancos na Suíça ou em qualquer outra parte. Pessoalmente e no passado estive em postos de comando na defesa e segurança, a mando do Presidente, do Conselho de Ministros devidamente informado assinei este tipo de acordos e pagamos.
Estas despesas inscreviam-se no orçamento do Estado, eram do conhecimento e aprovadas pela Assembleia Popular, hoje da República. Não se faziam à socapa e via empresas.
Claro que não se publicava nem se explicava os montantes para cada item e a natureza de cada uma das aquisições. Isso inscrevia-se no qualificado como Segredo de Estado. Não íamos dar de mão beijada essa informação a Smith, ao apartheid, aos que mal nos queriam.
O total das despesas para a defesa e segurança aparecia, porém, sempre no Orçamento do Estado e jamais se envolveram empresas de qualquer natureza.
SOGIR ligada ao antigo SNASP podia intermediar a compra de barcos de pesca verdadeiros e que se pagaram pela sua actividade, viaturas para uso comercial, mas jamais se envolveu em armamentos.
Os seus rendimentos revertiam para o Estado.
Comissões por baixo da mesa? Nem pensar!!!
Devolvam o roubado e com verdadeira Justiça a cadeia tornar-se-á o vosso lar de acolhimento. No Dubai, na Suíça no Panamá e outros sítios encontram-se as vossas pilhagens e não obriguem, como disse a Graça, a que nós, nossos filhos e netos a pagarem os vossos roubos. Que o PR o PM e demais dirigentes não se forcem a ajoelhar diante de Troikas e similares, Basta de humilhações para o país e seus dirigentes!
Porque acontece isso agora? Quem autorizou ou ordenou? Porquê empresas quase anónimas e teoricamente ligadas ao Ministério X ou Y e que ninguém conhece como compradoras de armas e munições? O que se passa nesta terra? Porque desconheciam essas operações titulares de alguns sectores da defesa e da segurança, das pescas? Que historietas para adormecer um boi nos estão a contar? Como fizeram isso à margem da Constituição e da Lei e do OGE, do Tribunal Administrativo? Porquê se não para melhor roubarem?
Todos esperam que o Governo como mandatado pelo partido no poder e publicamente comprometido faça um inquérito sério e completo, o publique e informe como requerido a Assembleia da República.
As declarações de 28 de Abril do Primeiro-Ministro ficaram bem aquém do exigido e até pelo CC da FRELIMO, partido no poder.
Compreende-se, ainda não houve tempo para inquirir e, como disse Carlos Agostinho do Rosário foi-se descobrindo aos poucos, não deram ao Governo de Nyusi os dados completos e respectivas explicações.
Que historieta é essa para não informar a oposição, desde quando informarmos A ou B dos mísseis aviões, helicópteros, BTR, ou tanques e camiões militares que comprávamos com os pais X, Y ou Z? Jamais isso fez parte de anúncio público!
Agora tratamos com traficantes de armas, nacionais, libanês foragidos à Justiça na Europa, e outros? Por favor inquérito e sério com implicações judiciais! Felicito a PGR por já haver anunciado o início dos processos, seriedade para ganharem credulidade dentro e fora do país.
Anunciem para todos sabermos quem fará parte da Comissão de Inquérito, não queremos meros funcionários até comprometidos com manobras passadas e despesismos.
Personalidades de respeito, competentes, idóneas e com prestígio na nossa terra devem elas e apenas elas integrarem a Comissão. Isso dará confiança aos moçambicanos.
Estas vergonhas fizeram a FRELIMO recuar nas eleições autárquicas de 2013 e nas gerais de 2014.
Não houve deslocação de votos para as oposições, aconteceu, sim, que muita gente que confiava na FRELIMO e até membros do partido optaram pela abstenção de enojados que estavam.
Examinem bem os resultados. Em muitos locais a abstenção superou mais de metade quer o número dos eleitores registados, quer mesmo o dos membros da FRELIMO. Isso diz muito.
Sim e sem dúvida o terrorismo na zona centro muito mal faz à nossa economia, camiões com produtos, machibombos com gente pacífica, viaturas tudo se vê objecto dos assassinos. Cortam estradas, tentam sabotar pontes, atacam postos policiais, residências de funcionários, pilham e queimam escolas e centros de saúde, casas de habitantes locais.
Discussões, sem dúvida.
Mas, antes de tudo proteger e pelas armas as vidas e bens das pessoas, que os assaltantes pertençam a bandos de malfeitores, ou a grupos terroristas que se dizem agentes de um partido que ao longo da História só serviu os piores inimigos da Pátria, dos ultra colonialistas a Smith e ao apartheid.
Uns peroram do alto das tribunas das Assembleias, outros dizem haver valas comuns e publicam fotos do acontecido noutras partes do mundo. Todos areia do mesmo saco e que a Justiça deveria intervir e sancionar. Deputados e imprensa ligados ao crime e terrorismo?
Lá de fora dizem: discutam, entendam-se. Não vejo esses caridosos conselheiros fazerem isso nas suas terras. Bem prega Frei Tomás…
Haja pudor e que a PGR, para isso paga pelos nossos bolsos saiba com coragem assumir a sua tarefa ou vão os Excelentíssimos para a rua e não andem mendigar escoltas, viaturas edifícios sumptuosos, residências, e deixem matar porque sem protecção quem trata de casos realmente quentes.
Sugiro que alguns ditos porta-vozes a nível central e provincial se tornem porta-calados. Calados não dizem patacoadas. Ganham as entidades e eles mesmos. Basta de infantilidades, os moçambicanos no seu grosso não fazem parte das criancinhas das creches.
P.S. Uns farsantes à margem dos sindicatos e organizações sérias fizeram perder ao país milhões de contos anunciando uma greve, exigindo a não circulação de viaturas e proibindo as crianças de irem à escola.
Os serviços competentes não conseguem identificar e sancionar estes malfeitores? O Direito à expressão não se confunde com a autorização de criar pânico.
Que os malandrins vão para o diabo.
SV

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