sexta-feira, 6 de maio de 2016

Com Filipe Nyusi, o fim da Frelimo está mais próximo

Reflexão do Coronel Boby (2)

A Frelimo queria acabar com a Renamo, para, de seguida, silenciar toda a oposição à maneira angolana, fonte de inspiração de Filipe Nyusi, diabo denunciado pelo Anjo Dom Jaime, poucos dias antes de falecer. Se há quem deve estar com consciência pesada, esta pessoa é mesmo Filipe cujo poder está sendo questionado dentro do próprio partido havendo já bocas quentes que dizem: está ai xingondo a mandar matar outros xingondos, por isso, único mandato para o gajo antes que nos leve a derrota. Só que a derrota é inevitável, quer em campo de batalha quer nas urnas. Com poucos meios, materiais e humanos, abalamos todo o sistema corrupto da Frelimo, forçando-a a estar na defensiva, fazendo confissões descabidas ao mundo sorridente do espectáculo gratuito. Nós, os resistentes, revelamos aos indecisos ou aqueles que sob a pressão do opressor com ele ainda colaboram, de que lado está, na verdade, a força, o poder, a lei e a justiça. Na Renamo! 
A História da Frelimo está, toda ela, redigida com sangue. O sangue do meu irmão, o sangue do teu irmão, o sangue dos estrangeiros, o sangue das invejas, dos ódios, das cobiças que entre si dividem os imigrantes de Nachingueia; o sangue de muitos inocentes tombados às mãos assassinas do actual império do mal. Filipe Magaia, Lino Abrãao, Sansão Muthemba, Eduardo Mondlane, Samora Machel, Marcos Mabote, Bonifácio Gruveta? são apenas nomes de homens que entre si se mataram numa luta cega pelo poder e por todos os privilégios mundanos que lhes advinham através das ajudas financeiras vindas de muitos países do mundo, em nome do sofrido povo  moçambicano.
Folha por folha, toda a História da Frelimo está redigida com sangue que, por ironia, é a cor dos seus vestes e o símbolo mais visível na sua bandeira. A Frelimo veio como uma virgem insegura que decide envenenar tudo o que seja virgem a seu lado, antes da lua de mel. Aprisionou todos aqueles que também lutavam contra o regime colonial-fascista e obrigou tantos outros a confissões ultrajantes, ainda na sua floresta da Tanzânia. Desde que recebeu o poder sem ter ganho a guerra, a sua governação é constituída por uma bicha interminável de crimes urbanos e rurais. Irmãos Bomba, Orlando Cristina, Evo Fernandes, por um lado, Carlos Cardoso, Siba-Siba Macuacua, Silica, Gilles Cistac, Paulo Machava, Dangerman, Vilanculos, para citar os nomes familiares, são o troféu que a Frelimo oferece a quem queira questioná-la. Hoje, como nunca, o mal está no topo e já não é possível ser escondido.
Filipe Nyusi, provavelmente o último presidente da Frelimo no poder, fez o que nenhum de seus antecessores conseguira em tão curto espaço de tempo. Com sorriso traiçoeiro, aprovou a criação de esquadrões de  morte contra os opositores; prometeu a liberdade aos que escraviza; prometeu a riqueza aos que empobrece; prometeu felicidade aos que infelicita; prometeu o paraíso a quantos lança ao inferno e nega aos outros moçambicanos o direito a moçambicanidade, porque não são da Frelimo. Isto por si só, é uma obra digna do best seller. As façanhas deste destruidor de esperanças de trabalhadores dos CFM-Nampula, não terminam por aí. Enfraqueceu a Frelimo, de tal sorte que é, já hoje, odiado no seio do próprio partido. No lugar de dar pão ao povo, trouxe-lhe armas e balas, deixando os cofres do Estado vazios. E para justificar os roubos que a mão dele ajudou a efectivarem-se os quais empobreceram o país, tenta agredir a Renamo, desde 8 de Março de 2012, em Nampula. Esta guerra que a Frelimo e Filipe Nyusi nos movem é uma guerra de interesses dos ladrões que a sustentam, onde, embora a figura de Armando Guebuza cada vez mais agigante, há uma rede de interesses com denominador comum: o crime organizado. Na Frelimo, quanto maiores e mais horríveis forem os crimes maiores são as chances para subir no poder. Só quem tem bife na boca não terá consciência para mover palha, é assim que dissera um outro sanguinário, Samora Machel. As mulheres, inocentes que são, participam do crime da Frelimo por aquilo que o deputado Muchanga chamou de «servir chá de calcinha». Apesar desta teia complicada do mal, nós, a Renamo, temos sido capazes de defender as suas maiores vítimas: o povo, a quem foi prometida a liberdade mas perpetuadamente entregue a doenças, à fome, à prostituição, verdadeiramente abandonadas por um regime esgotado. A opressão aumentou e quando era de esperar que as organizações de direitos humanos, as confissões religiosas e respectivos bispos se pronunciassem, só temos a certeza no silêncio cúmplice.
Porém, por mais doloroso que seja este capítulo, não podemos dissocia-lo das características próprias de um regime em queda e que já foi abandonado pelos seus amigos africanos, nos quais confiava para aniquilar a Renamo e com ela a Democracia. Acabar com a democracia é a máxima da Frelimo que os corifeus do marxismo-leninismo ainda não esqueceram e em que continuam a sonhar. Esta guerra que a Frelimo move contra nós tem objectivos obscuros entre os quais exterminar populações inteiras ou despovoar as regiões sob influência da Renamo para tornar impossível qualquer censo eleitoral já que, em caso de uma eleição, o timbre da derrota está na testa de cada frelimista. A guerra que a Frelimo nos move, tem o objectivo de não dar educação aos filhos dos membros da Renamo para impedi-los do conhecimento da verdade. Por isso as escolas fecharam, mas o dinheiro que deveria ir para esse povo dividem entre eles. A Frelimo  fechou hospitais nas áreas sob influência da Renamo e o dinheiro de tudo o que seria para estas regiões dividem entre si. A Frelimo está a exterminar a juventude por meio do serviço militar obrigatório. Os envia para virem matar as populações das regiões dominadas pela Renamo e em caso de recusa eles próprios encarregam-se de os exterminar e jogá-los em valas comuns. Hoje, o ar puro das matas de Gorongosa está poluído, de corpos em putrefacção. Como o Presidente Afonso Dhlakama tem reiterado que só com a juventude o país avançará, queremos reafirmar que o jugo imposto pela Frelimo aos moçambicanos está sendo deitado abaixo, pedra a pedra. A juventude formada como não, poderá ter oportunidades de empregabilidade, quando a tempestade passar. O ambiente de negócios será estabelecido e a corrupção, uma palavra a mais nos discursos de Filipe Nyusi, acabará.  Esta guerra é uma guerra do Sul contra o Centro-Norte, mas também dos Machangane contra makonde. Mas porque o poder reside no povo que massivamente votou na Renamo e em Afonso Dhlakama, nisso reside toda a razão deste querer unânime que se levanta contra a Frelimo e ante o mesmo inimigo se ergue uma muralha de vontades que a Frelimo jamais destruirá.
Não nos enganemos com as vozes isoladas de Teodato Hunguana, de Graça Machel, de Verónica Macamo, de Sérgio Vieira e outros Reis e rainhas da desgraça. Eles são o prolongamento da  nossa miséria e temem perder os privilégios acumulados a custa do sofrimento do povo. Não é hoje que devem apelar ao bom senso, pois eles também tinham e ainda têm uma parcela de responsabilidade naquilo que devia ter sido feito e não se fez, da escola que devia funcionar e nunca foi construída, do hospital que devia ter sido aberto e nunca foi colocado, da maternidade que devia ter sido inaugurada e nunca foi sequer admitida, da machamba que se devia ter implantado e nunca ali se ficou, da fábrica que deveria ter recebido centenas de operários e nunca tocou a sirene da sua existência. Todos eles são responsáveis, uns mais e outros menos, por este vazio medonho. A propaganda da Frelimo, impregnada de todas as falsas promessas que em 40 anos ainda não foram cumpridas e que nunca o virão a ser, tem sido conseguida perante o silenciamento dos órgãos de Comunicação Social privados e manipulação dos públicos. Mas, sobretudo, pelos vendedores de consciência e peritos em agitações de massas, exploradores das fraquezas de um povo que vivia em paz.  Reafirmamos que com o nosso suor, sangue, lágrimas e sacrifício de poucas vidas do nosso lado, escrevemos, no curto espaço de tempo, uma das mais gloriosas páginas do nosso exército, páginas estas que ficarão para sempre gravadas a oiro na memória de todos os moçambicanos. A Frelimo está, felizmente, em queda. Que cada um faça a sua parte para acelerar a queda do castelo. Se houver louça válida por dentro, prometemos reutilizá-la.
Coronel Boby, Gorongosa, 05-05-2016
(Recebido por email)
Poderá também gostar de:


Comments


E com muito interesse que leio alguma coisa vinda da Renamo, vinda de Gorongosa, e nao aqueles balbuciamentos do Antonio Muchanga ou da Ivonne Soares e doutros da Renamo que comem com os corruptos, ladroes, supergatunos e terroristas da Frelimo em Maputo.
So uma palavra de aviso a Renamo que agora parece nos ler em Gorongosa. Por favor nao ajudar a Frelimo a esgotar o sangue do povo com precipitacoes de ir "falar, dialogar, negociar com a Frelimo" e fazer acordos precipitados e absurdos que militam a favor da Frelimo como infelizmente ja se fez por varias vezes no passado. Acordos estes que custam caro a Renamo e ao povo e promovem a criminalidade da Frelimo contra a humanidade.
Tenho que ser muito sincero. Os mocambicans de hoje nao sao os mocambicanos dos anos de 1970s. Os mocambicanos de hoje sabem ser sarcasticos e cinicos. So apoiarao pessoas por merito e nao por causa de meras palavras e promessas de democracia faladas por alguns de bocas cheias com um senso de deshonestidade na cabeca.
A democracia tem que ser aquilo que e: um monumento edificado pedra a pedra atraves de comportamento, tradicao e cultura. A democracia e a voz de cada um e e a voz de todos.
A democracia tambem se faz com a mudanca de lideres e nunca jamais como o mesmo lider por 10, 15, 20, 30, 40 anos. Mudancas fazem se por voto ou o lider deve se resignar ou se demetir depois dum dado tempo. Um pais, um partido ou uma organisacao que mantem o mesmo dirigente indefinitivamente ou com um lider vitalicio esta condenado a ser uma palhacada, a ser uma farca e nao pode declarar-se amante da democracia e da liberdade.
A preocupacao de muitos de nos e que a propria Renamo venha mais uma vez a correr para os convites absurdos do Nyusi para fazer acordos de auto-traicao. E melhor esquecer o Nyusi e a sua Frelimo e dedicar-se ao seu derrube e assim os valorosos combatentes da Renamo serao valorisados e a sua accao estara escrita a ouro nos anais da historia de Mocambique.
2
THIMBUINE said...
Todos balbuciam. Todos miam. Todos ladram. Falou muito bem coronel. Hoje a dona Graça, o sr. Sergio, ou seja quem for têm as mãos limpas? Não têm vergonha quando aparecem nas telas de televisão a falar bujardas.... Só uma questão camaradas da teia dos ladrões como vos chama o general Zeca: A quem acham que enganam? Os moçambicanos? os xigondos, como acham e vos enganais? Um conselho: Por favor enganem vossos filhos....Basta! Nós estamos saturados das vossas aldrabices....Basta! Fora! O povo vai vencer o vosso regime pacato!
3
Mr. Helsin said...
Força Coronel,que não se fale de diálogo como o Muchanga e a Ivone vem apelando nos últimos dias, o diálogo é para os fracos a guerra é para os fortes. Assim nos ensinaram, assim que devem aguentar.
José Horácio Lobo revela
Milhares de moçambicanos refugiados no Malawi devidos os conflitos armados entre as Forças de Defesa e Segurança e os homens armados da Renamo, pedem um cessar-fogo urgente para retomarem as suas vidas de modo que as crianças possam ir a escola.
Segundo o Chefe Adjunto da Bancada do Movimento Democrático de Moçambique (MDM), José Horácio Lobo, os refugiados que vivem no Malawi relatam que as forças do Governo na sua fase de recuo, durante o combate que tem tido com a RENAMO, chegam às aldeias incendeiam as casas e celeiros e matam os moradores, alegando que a população alberga os apoiantes da Renamo. Lobo, fez estas revelações na Capital moçambicana após a delegação parlamentar do MDM ter visitado os campos dos refugiados localizados em Luwane e Kapisse no Malawi, e zonas de Angónia e Tsangano na Província de Tete, onde segundo a fonte, estabeleceu um diálogo que lhe permitiu perceber o drama pelo qual passam os moçambicanos.
“Mariete Francisco, do povoado de Ndande, foi barbaramente assassinada à faca na presença dos seus familiares, acusada pelas tropas do governo de ser mulher de um dos homens da RENAMO”, revelou Lobo.
De acordo com José Lobo, refugiados contactados pelo MDM, afirmaram claramente que têm medo das tropas do governo porque queimaram-lhes as suas casas, celeiros e roubaram-lhes animais como cabritos, porcos, galinhas e patos.
Lobo, vai mais alto ao afirmar que os factos no terreno desmentem a tese com que o governo tem vindo a relata à comunidade nacional e internacional de que alguns moçambicanos já começaram a retornar à pátria.
“Procuramos saber se já há retornos dos moçambicanos do Malawi para Moçambique, eles dizem que não existe nenhum moçambicano a regressar porque tem medo das tropas governamentais que ainda estão naquelas áreas. Eles dizem que enquanto não haver paz e condições gerais em Moçambique nunca regressarão”, concluiu Lobo.
O DIA – 06.05.2016

Administrador da Gorongosa nega aos jornalistas acesso ao local da suposta vala comum

No âmbito da estratégia de esconder a verdade
O administrador do distrito da Gorongosa, Manuel Jamaca, evocou motivos administrativos para impedir os jornalistas e a delegação do Governo Provincial de Sofala de atravessarem o rio Nhanduwe para a região de Tropa, distrito de Macossa, província de Manica, onde os camponeses dizem existir uma vala comum com mais de 100 corpos abandonados.
A comitiva tinha previsto atravessar na manhã de ontem para a referida região onde, segundo dizem residentes daquele local, existe uma vala com corpos humanos abandonados.
Mas o administrador Manuel Jamaca alegou observância das formalidades do Governo moçambicano para impedir a travessia dos jornalistas, por a região se encontrar noutra província, concretamente a de Manica.
O local onde supostamente se encontra a referida vala, separado por uma ponte, dista cinco quilómetros do distrito da Gorongosa.
Manuel Jamaca interditou também a travessia de todas as viaturas que transportavam a comitiva do Governo de Sofala alegando outro motivo: os confrontos militares que ocorrem frequentemente naquela região.
O administrador da Gorongosa disse que os jornalistas deviam atravessar com viaturas, por sua própria conta e seu próprio risco.
“Decidam sozinhos, e com meios próprios deslocam-se às regiões de Tropa e Pedreira, que distam cerca de 30 quilómetros do local, com vista a apurar-se”, afirmou.
Devido à pretensão de Manuel Jamaca de impedir o avanço, os jornalistas dos órgãos independentes decidiram por meios próprios atravessar o rio para a região de Tropa, deixando para atrás todos os órgãos de comunicação social ligados ao regime.
Embora sendo perigoso, e estando desprovidos de meios próprios e de segurança, os correspondente do “Canalmoz”, STV, “Miramar”, DW, “Zambeze” e “Magazine CRV” atravessaram o rio Nhadue, até ao local onde que depararam com os primeiros corpos humanos.
Foram percorridos treze quilómetros, ida e volta, com o apoio de um guia encontrado no local onde foi possível identificar os corpos.
O local é uma zona fértil e rica em recursos minerais, sobretudo ouro.
A zona da pedreira, onde se presume que se encontre a vala comum, dista 25 quilómetros do local onde, na quarta-feira, foram encontrados os primeiros 17 corpos.
À beira da Estrada Nacional N1, sente-se um cheiro forte vindo das matas, onde se presume que existam mais corpos humanos. (José Jeco, em Gorongosa)
CANALMOZ – 06.05.2016

Secretismo era uma trampa para esconder alguma coisa

Listen to this post. Powered by iSpeech.org

Canal de Opinião por Noé Nhantumbo
Afinal era tudo mesmo uma trampa.
Aquele grupo de “laboriosos gurus” acaba revelando o que realmente é. Não são nada de especial nem sabem nada de especial. Eram e são pessoas contrariadas e outras voluntárias, com o intuito de defender uma visão de governação que acabou por revelar-se lesiva para o Estado e os cidadãos.
Os seus conhecimentos e capacidades foram postos à prova durante dez anos, e os resultados estão à vista. Continua-se a importar batata e cebola. O arroz é importado.
A educação revela-se uma miragem face ao que se exige em termos de qualidade. A saúde não tem soluções para os problemas que a população sente. A indústria foi substituída por armazéns. A defesa e segurança é frustrante, pois não traz soluções dos crimes que ocorrem, não se mostra capaz de travar a imigração ilegal, e a PRM tem sido manifestamente utilizada para manobras de defesa dos prevaricadores, ao atacar ou brutalizar cidadãos durante períodos eleitorais e qualquer intenção de manifestação dos cidadãos. Quanto à comunicação social pública, as lamentações são muitas, mas a principal é a de que não passa de porta-voz de muitas mentiras oficiais e oficiosas.
Obras faraónicas e todo um conjunto de medidas envolvendo o fortalecimento da intervenção governamental na esfera pública e económica trouxeram ao país uma nova realidade, que se revela deprimente.
Não se pode dizer que tudo foi mal feito, pois estaríamos a mentir.
Houve iniciativas de louvar, mas que ficaram ofuscadas pelos moldes em que as coisas foram feitas.
Mas, no essencial, a estratégia montada visava, como se pode ver, o enriquecimento dos líderes da operação. Governar tornou-se sinónimo de servir-se e enriquecer. Nessas circunstâncias, dizer que “não se deve ter medo de ser rico” é hipocrisia da mais reles que se pode ver.
Tiveram êxitos relativos na “empreitada de enriquecimento”, e nisso tiveram cumplicidade nacional e internacional.
Há que dizer que a cooperação Sul-Sul foi um autêntico fiasco. Brasil e China, bem como Índia, fomentaram e catalisaram a corrupção em Moçambique.
Do Ocidente, foi como que a continuação de um posicionamento dúbio, em que se privilegiou o estabelecimento de negócios que trouxessem mais-valias para os seus países, mesmo que isso acontecesse em detrimento dos direitos políticos e económicos dos moçambicanos.
Pode ver-se isso nos negócios dos barcos adquiridos na França para a pesca de atum. Salvou-se um estaleiro francês, mas endividou-se ilegalmente Moçambique.
É um facto. O que recebemos de troca terão sido muitos buracos em minas e obras de engenharia com qualidade sofrível. Areias pesadas de Moma saem produzindo bura buracos, que não sabemos o que deles será feito. As populações desalojadas para a exploração de carvão em Tete recebem em troca casas em lugares pouco aptos ara uma vida digna e produtiva. Quem exporta o carvão, enriquece, e os ditos “donos da terra” são relegados à miséria.
Todo o processo de autorização de exploração de recursos minerais está envolto em segredo quase total, em que só muito pouca gente sabe dos contornos operacionais.
As terras são cedidas aos milhares de hectares, sem que os moçambicanos colham benefícios. Quem tanto lutou para libertar a terra e os homens deveria estar fazendo alguma coisa bem diferente com um recurso vital como a terra e a água.
As dívidas ficam connosco, e as comissões foram parar em contas bancárias privadas, como transparece pelas mansões construídas.
Como se pode ver, em Maputo, mesmo sem estradas por aí além, circulam viaturas de alta cilindrada, que custam os olhos da cara em qualquer país. E quase nenhum dos proprietários dessas viaturas tem renda suficiente para suportar despesas daquele nível. Há manifestamente alguma coisa que não bate certo, e para concluir isso não se precisa de contratar o FBI ou a Scotland Yard.
Como dizia um ex-PGR, há sinais de enriquecimento ilícito claros, pois não se produz assim tanto dinheiro na economia local.
Repetem-se discursos e proclamações diversionistas para dizer que se está produzindo, quando, na verdade, se trabalha em perspectivas de enriquecer sem trabalho. Há parasitismo  em larga escala, que é encoberto por “montanhas de verniz”.
Enquanto o resto do mundo produz e se reveza em acções de promoção da criatividade e desenvolvimento, entre nós a preocupação é fingir que se trabalha, quando o que se faz é promover formas de saque de recursos públicos e a criação de empresas de fachada cujos alicerces são o “procurement” estatal.
Não é visão limitada e muito menos falta de conhecimento sobre a situação, mas uma afincada posição de subverter a governação e tornar a governação arte de defraudar o público.
Agora que se tornou abertamente insustentável esconder a situação em que se vive, abundam iniciativas tendentes a repor a ordem e reconquistar a credibilidade perdida a nível nacional e internacional.
É um exercício complexo de desfecho desconhecido.
Apresenta-se difícil prever que a PGR possa investigar alguma coisa sobre a dívida que até aqui era oculta. De tanto nada fazer, embora investida de poderes bastantes, afigura-se uma instituição enfraquecida e com poucos poderes efectivos para investigar com profundidade e contundência. É uma instituição opaca, que parece dirigida por remoto controlo, de algures.
Nada acontecerá entre nós se não houver uma postura de assumirmos o nosso destino com vigor e criatividade.
Há muita pobreza de produção intelectual, e dá-se pouca importância ao que os cidadãos, em diversos níveis, produzem. Reina o formalismo e o protocolo. Mas substância e conteúdo, pouco são vistos.
As conferências nacionais que se repetem periodicamente são como que folclóricas e exercícios de turismo. Há como que uma orientação e instrução rígida para que não se discuta o essencial.
A trampa foi descoberta, e importa que os cidadãos, formações políticas e demais entidades públicas e privadas se entreguem à discussão e ao aprofundamento do que aconteceu para que houvesse saques e assaltos ao erário público. Importa saber como foram celebrados contratos de financiamento vinculando o Estado moçambicano sem que a Assembleia da República tivesse sido consultada. O que nos tem sido oferecido como explicações é indigesto e revela a existência de vontade de continuar a esconder e a mentir.
As contradições que se revelaram aquando da tentativa de explicar a EMATUM ao público, em que ministros de um mesmo Governo diziam coisas diferentes sobre um mesmo assunto, são sintomáticas, e denota que houve uma decisão de esconder algo aos cidadãos. (Noé Nhantumbo)
CANALMOZ – 06.05.2016
Poderá também gostar de:

Sem comentários:

Windows Live Messenger + Facebook