segunda-feira, 9 de maio de 2016

A história de como Costa e Sócrates não apareceram juntos na fotografia


Governo garante que não deu indicações para evitar a fotografia dos dois na inauguração do túnel do Marão. Várias circunstâncias ajudaram a que o momento não ficasse registado na história.
António Costa cumprimentou José Sócrates e disse-lhe "parabéns!" quando desceu do púlpito da cerimónia de  inauguração do Túnel do Marão, . Os dois estiveram no mesmo sítio, cumprimentaram-se duas vezes, muita gente viu, mas não há fotografias. Um conjunto de circunstâncias evitou o momento indesejado. Para a história dos bastidores, fica a garantia do Governo de que não evitou que fossem conseguidas imagens dos dois juntos.
As justificações para que não haja fotos dos cumprimentos, pelo menos que sejam conhecidas, são de diferentes naturezas. O primeiro encontro foi dentro de um autocarro, com vidros fumados, reservado para levar os políticos e convidados ao local da inauguração. José Sócrates foi o primeiro a chegar, António Costa, como é do protocolo, foi o último, ainda que com um atraso de cerca de dez minutos. Jornalistas e fotojornalistas viram o momento, mas a pouca visibilidade impediu que houvesse condições para o registo.
O segundo momento foi no final do discurso de António Costa. O primeiro-ministro já tinha referido Sócrates nas palavras. Quando acabou, desceu do palco e foi o primeiro convidado que cumprimentou. Ora, nem as câmaras de televisão (que estavam na parte de trás do local da inauguração), nem os fotógrafos (que estavam numa área reservada nas laterais da sala, mas com um mau ângulo para a primeira fila) conseguiram captar o momento.
Foi propositado? Um responsável do gabinete do primeiro-ministro desmente a ideia. Diz que "não foi planeado" que não houvesse recolha de imagens, até porque Costa não evitou o cumprimento em nenhuma das vezes. O mesmo responsável lembra ainda que foi o Governo que convidou o antigo primeiro-ministro para ir ao Marão. Contudo, houve uma confusão fora do habitual, com a segurança a apertar por causa do número de pessoas, mais do que as esperadas, mas também por causa de uma manifestação de pais e professores, contaram ao PÚBLICO alguns dos presentes.
A inauguração do Túnel do Marão foi organizada pelo Ministério do Planeamento e das Infrastruturas e não houve nenhuma indicação para que fossem criadas condições no terreno que contrariassem a possibilidade de serem recolhidas imagens do encontro, garantiu ao PÚBLICO um membro do gabinete do ministro Pedro Marques. De acordo com esta explicação, toda a cerimónia decorreu de acordo com o protocolo e podem vir a surgir fotografias de particulares.
Quanto ao momento dos discursos, segundo o mesmo gabinete, tudo decorreu de acordo com o guião deste tipo de cerimónias. O presidente da Câmara, Rui Santos, discursou e desceu do palco para cumprimentar Sócrates. Depois, o primeiro-ministro discursou, fazendo uma homenagem a Sócrates como governante responsável pelo início da obra.
A cerimónia decorreu com operadores de câmara e fotógrafos na sala. A grande maioria destes estavam no centro, a meio das filas de cadeiras, a alguma distância do palco, mas havia fotógrafos nos corredores laterais.
Certo é que António Costa não respondeu a questões e José Sócrates não se quis referir ao encontro. Falou com os jornalistas, aliás, por três vezes, mas quando lhe perguntaram se o encontro significava um reaproximar de Sócrates ao antigo amigo e ao PS, desviou o assunto: "É verdade, vou encontrar-me com ele, mas isso não é importante". Era no entanto expectável que não surgissem no Marão mostrando-se juntos publicamente, até porqueas relações entre os dois esfriaram, depois de Sócrates ter sido detido em Novembro de 2014.

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