sexta-feira, 8 de abril de 2016

VIVER EM SOCIEDADE

No coração de África fica um país pequeno chamado Malawi. Este “coração quentinho” - tal se identificam os malawianos (the warm heart of Africa) - mantem relações difíceis com os seus mais chegados vizinhos: Tanzânia e Moçambique. Recentemente, com a descoberta do petróleo no lago Niassa/Lake Malawi/Lake Tanganyika, levantou-se a velha questão fronteiriça entre Malawi e Tanzânia, ao ponto de Kikwete afirmar que tinha forças militares bastantes e preparadas para uma eventual guerra. O Bingu mais velho lá teve que se virar com mediação da SADC. E cá entre nós as relações são azedas desde o tempo de Banda. Albergue para homens armados, desde 1966, Malawi foi tanto para o colonialismo português como para a Frelimo um vizinho “que fazer”. Recentemente, e de novo com Mutharika mais velho, o governo malawiano viu as suas intenções de tornar navegável o rio Chire e usar o porto de Nsanje gorar, depois de Moçambique ter simplesmente recusado em avançar. Os porquês, estes nunca foram acareados. 


Mas o mais interessante não é Malawi: é mesmo Moçambique e Tanzânia, países megalómanos, cuja liderança ainda guarda mágoas dos tempos de Banda e da OUA. 

Estranhamente é Malawi que se mostra mais acolhedor em tempos de crise. Tanzanianos e moçambicanos entram para aquele pequeno país para fazer negócios, viver e serem felizes. E, eles compram todo nosso milho e guardam para depois compra-lo de volta em tempos de fome. Agora que estamos em crise política e militar, é de novo Malawi que acolhe mais de 11 mil deslocados, nossos compatriotas, depois de por aproximadamente dez anos, ter acolhido mais de um milhão de moçambicanos em campos de refugiados em todo território nacional. Não existe maior expressão de solidariedade que esta. Para lá das justificações, sinto que é dos malawianos que devemos aprender a viver em sociedade. Da África do Sul recebemos semanalmente imigrantes ilegais de comboio, e ondas de violência contra estrangeiros, a cada sete anos. Não que não seja compreensível, mas em comparação, temos outros exemplos melhores. 
Ainda tempos uns probleminhas de comunicação com a Swazilândia. Ela está a planear abrir um canal que os permite chegar ao mar. Mas grande parte da distância será em solo moçambicano. Lá, eles estão já na fase de mobilização de recursos. Connosco, nem uma palavra. O que se passa? 
Zâmbia, outro país-irmão que acolheu o processo de independência. Assim que a UNIP de Kaunda caiu, as relações caíram também. De lá para cá, apenas Kaunda. Dos seis presidentes que a Zâmbia teve, apenas Kaunda (primeiro) e Lungu (o sexto, o actual) visitaram Moçambique. Nyusi foi ao enterro do Presidente Sata, numa demonstração de abertura para melhoria da cooperação entre os dois países.
Como país, estamos desde 1975 em guerra. Eles, que tiveram as suas independências mais cedo que nós, apesar dos seus desafios, nunca resolveram seus assuntos “à paulada”.
Veja desde quando os nossos vizinhos gozam a sua independência em paz
• 1961 (Tanzânia);
• 1964 (Malawi) 
• 1964 (Zâmbia)
• 1968 (Swazilândia)
E nós? Quando é que iremos descobrir e acarinhar o valor da Paz? 
Não admire que uns já começam a nos chamar de “loucos”.
Juma Aiuba Egidio Vaz, esqueceste de dizer que muitos moçambicanos não usam nenhum documento para entrar no Malawi. Ali é free pass. Há zonas de Milange e Murrumbala que as populações estudam, usam hospitais e até tribunais malawianos. Até votam lá. Pensam que são malawianos. Bom vizinho esse, embora mal entendido. 


O defeito de Malawi, provavelmente, é não saber fazer um bom marketing do bom vizinho como o fazem os outros. Não é hipócrita.

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Sarifa Lucilía Bernardo Egidio Vaz desculpa mas nao concordo consigo,Ja foste ao malawi??

Sinceramente por aquilo que pude ver nas inumeras vezes que la estive eque malawiano tem temperaturas, pouco ou nada faz pelos outros,e se sente em algum momento superior aos outros, , voce nunca sabe quando um malawiano te dira obrigado ou te insultara...
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Egidio Vaz Eu vivi la
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Sarifa Lucilía Bernardo E como foi a sua experiencia?
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Gulumba D. Mutemba É natural,não existe nenhuma sociedade 100% boa.

Mas pelo que entendi não sei se mal,o post parece que fala do isolamento político. É verdade que quando se fala de sociedade o povo é a parte principal.
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Idrisse Saiad Sarifa Lucilía Bernardo, é um caso de dizer-se "O quê que as calças têm a ver com as cuecas". A África do Sul é menos hospitaleira e a gente está lá sempre...
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Sarifa Lucilía Bernardo Idrisse Saiad com o perdao da palavra a RSA se confia
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Sarifa Lucilía Bernardo Gulumba D. Mutemba para mim malawi e aquele tipico caso de 《alguem que quando pode te apunhalar te apunhala》.

Digo isso porque?
Porque na minha opiniao malawi so nao nos ( aperta a garganta porque nao pode).
Se eles tivesem como tenho ca para mim que o fariam, temos agora o exemplo dos refugiados viste o relatorio do malawi a ONU?
Escuta oque os refugiados falam dos campos, e estranho malawi sempre que nos pode alfinetar, alfineta.

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Mbilo Yako Kwetsima Os factos mencionados são deveras justos, mas um tão pouco apaixonados. Malawi não é a tal inestimável nação de bondade com aqui o Sr retrata, mas um covil de de sarnentos a procura de uma parede para se coçar. A questão dos refugiados é um trampolim para desmembrar alguns egos. Pelo que saiba, oficialmente o governo de lá não comunicou num princípio ao nosso a presença de moçambicanos em seu território, e a isto alio a pergunta: O que o senhor faria se o pato do teu vizinho viesse colocar ovos e começar a chocar na tua capoeira? 

Deixe-nos nós, a estória de refugiados está muito mal contada. Ian, Mutharika, Banda onde estiverem ainda não engoliram o sapo que o presidente Samora os embunhou.
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Dércio Micane Nhabanga Gosto muito de ler posts de Egidio vaz pois aprendo muito nelas.
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Salomão Mambo Desses Paises, qual deles é/foi comunista?
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Sergio Serpa Salvador Já passei por lá! São acolhedores! Não são xenófobos
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Eddy Waku Lombëla Aish, ilustre você me dá muito orgulho d seguir atentamente os seus passos na reflecção da vida social, política, e económica do povo moçambicano, veja so uma belíssima refleção sobre o que é na verdad esta pérola do índico?somos todos metidos num pote d tolos porcausa d um grupelho d extraterrestres cm barrigas insaciaveis e ambições hipócritas, d facto lá fora estão a rir-se muito d nós, epah
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Huntelais Adelino Vinho Bravissimo ilustre Vaz...motivo de dizer que faltava tomate na horta. Numa conversa academica sobre a paz eu teci a a equação nestas entrelinhas de pensamento, embora com palavras diferentes mas com o mesmo efeito. Malawi é um país africano humanitario deja vu ( ja mais visto). Conheço Blantyre e Lilongwe. Tenho e faço negocios por lá quando necessário. Malawi diferentemente da Africa do sul é um país acolhedor. Temos que aprender muito deste país como viver em paz.
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Juma Aiuba Safira Sarifa Lucilía Bernardo, mas mesmo entre nós aqui ninguém diz obrigado ou desculpa ou faz favor a ninguém. Entre nós moçambicanos. Acho que deviamo-nos respeitar entre nós para exigirmos dos outros. Neste tempo de chuva moçambicano te põe água de chuva de carro e não diz absolutamente nada. Chega na ATM e não cumprimenta ninguém. Tudo com nariz empenado.
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Gulumba D. Mutemba Quando conseguirmos conviver com os que são diferentes de nós .
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Marlon Uache Grande verdades num so texto. E
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Gulumba D. Mutemba Só quando agente conseguir se livrar do espírito: de ódio,da vingança, da arrogância,do egoísmo,etc. e aceitar as diferenças existente entre pessoas.

E às vezes aceitar comer no mesmo prato com o diabo(Daviz Simango).
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Raul Novinte Não gosto a diplomacia do governo da Frelimo para com Malawianos.
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Cristiano Manejo Refletindo...
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Sueky Divan Gostamos de vida fácil sem fazer nada.Temos mania ares de superioridade .
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Eugenio Abilio Abibo Bom fim-de-semana a todos.
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Adriano Victorino os politicos usam-nos a dizer que somos um povo maravilhoso de maravilhosos nao temos nada. Ainda mas nos dizem que somos acolhedores nao temos nada de acolhedores o que temos de mas ė arrogancia e exclusao entre nos ė o que nos carateriza. O malawi, zambia, suazilandia e tanzania sao paises excelentes de pessoas com um nivel de educaçao muito alto .
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Nilo de Laura Uma nova abordagem sobre a triste situação em que nos mergulhamos... A nível dos nossos vizinhos, quem é essa fonte de inspiração que nos influenca a recorrermos a violência para fazer valer a nossa vontade sobre os que não alinham com a nossa ideologia?
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Gulumba D. Mutemba Não acredito que um post tão rico de reflexões tenha menos comentários assim em 1 hora de tempo.

Se o post favorecesse um e desfavoresse outro ator político da praça,em 10 minutos teríamos mais que uma centena de comentários .
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Egidio Vaz Kkkk, talvez é pos ser fim-de-semana e um pós 7 de abril. Mas pronto, é isso mesmo.
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Gulumba D. Mutemba Espero que seja isso,porque este post não tem nada a ver com fanatismo deste ou daquele partido político.

O caso Malawi com seus vizinhos merece uma reflexão.
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Gulumba D. Mutemba A nossa vizinhança não pode ser de interesses,se o meu vizinho não me pode ajudar em nada,não merece um abandono total,porque posso um dia lhe precisar. O pior é que um vizinho isolado,pode um dia acolher clandestinamente os nossos inimigos.
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Paul Cofe Por mim se calhar dizer q após a nossa independência ñ soubesse
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Hugo Estanislau Joaquim Chapo Quando a frelimo aceitar que as riquezas devem abrangir todos moçambicanos e nao 1/1000
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Paul Cofe Soubéssemos aproveitar a nossa soberania e a união,nunca fomos tão longe ao nosso problema fulcral para resolve-lo,a escolha de pelo menos duas ou três línguas nacionais para o ensino,nesses países a língua nacional é a melhor arma de união entre os povos,e para moçambicanos cadê!!???? Só depois de tanto desprezo entre irmãos é quando já queremos manter a união,acho eu que estamos a correr atrás do prejuízo que nós realmente provocamos.
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Mateus Mateus Jr. Parece que países que alcançaram suas independências por via armada comportam-se "doutra forma" em relação aos países que alcançaram suas independências por via não armada e a RSA comporta-se na região como um "país patrão"!
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Francisco Banda Realmente, este post, leva nos a refletir um pouco! Se o Malawi tivesse criado o sistema que lhe permitiria esconder dinheiro dos ricos, de certeza que seria amigos de todos. Nos países em que a independência foi adquirida, a sociedade é mais compreensiva em relação aos países em que a tal independência foi conquistada! O Presidente do Zimbabwe, não tem força nem se quer para apertar a fralda dele. mas, não quer alargar o poder porque, foi ele que libertou o país! É apenas ideia minha!
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Egidio Vaz KKkkkk, "O Presidente do Zimbabwe, não tem força nem se quer para apertar a fralda dele. mas, não quer alargar o poder porque, foi ele que libertou o país! É apenas ideia minha!"
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Andre Uandela Tenho algumas dificuldades em perceber o que quis dizerEgidio Vaz. Que os povos moçambicano e tanzaniano são menos hospitaleiros que o malawiano, ou que os sucessivos governos de Moçambique e Tanzania nunca perceberam de facto os sucessivos governos malawianos?
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Egidio Vaz Como quiser entender. As duas formas funcionam. Mas os factos mostram que os governos malawianos nunca conseguiram "normalizar" as suas relações com os governos moçambicano e tanzaniano. E isto tem a idade da sua independência. Outrossim, também noto com agrado como a inusitada forma de estar do governo e povo malawianos na SADC ao nivel interpessoal. Apenas lhes faltou a sorte que nós abusamos: recursos.
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José Luís Gonzaga Jeque Caro Egídio o Rupia Banda também antigo Presidente da Zâmbia visitou Moçambique.
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Azarias Chihitane Massingue Há realmente muita coisa que nos difere dos malawianos. Começando pelo colonizador passando pela forma como as nossas independências foram conquistadas até aos modelos de governação pós independência. São poucas colónias inglesas que recorreram a lutaarmada para conquistar independência. Porque as independências foram pacíficas não houve desestabilização logo a seguir. Enquanto que nas portuguesas os próprios colonos não tinham consensos se dão independência ou não aos nativos. Daí que os que não concordavam criaram rebeliões e ou continuaram a apoiar os movimentos existentes que não concordavam com os modelos de governação adoptados. Veja que na África Austral só Moçambique e Angola tiveram rebeliões armadas logo a seguir a independência. Portanto no que a estabilidade diz respeito eu penso que tem haver com o nosso histórico colonial. Quanto ao acolhimento, quero dizer que eu vivo e trabalho em Tete, a maioria das trabalhadoras de sexo sao malawianas e zimbabwanas. Mais concordas malawianas. Portanto, aqui também depende de mediatização. São tantos malawianos também do lado de cá. Relações políticas, apenas quero recordar a celebre frase pronunciada por Hasting Kamuza Banda: SE É PARA O BEM DO POVO DO MALAWI, ATÉ COM DIABO POSSO ME ALIAR. justificando assim a sua aliança com o regime do Aparthead. É único país africano que não fazia fronteira com África do Sul que mantinha relações diplomáticas com a mesma.
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Manuel Arsenio Manuel Puxa, mano, esses dias você está a tomar um bom chá! 

Só fizeste bem trocar, o antigo trazia-te muita confusão!
Esse é o Egídio que conheço

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Daniel Costa Post valente oh Vaz. Acima de tudo nós temos que perceber que Malawi, Moçambique e Tanzania perseguimos linhas políticas diferentes. Em matéria de diplomacia, diria que Malaui estava e continua mais abraçado ao Ocidente e por ela acarinhada que nós e os tanzanianos. Caiu-nos o socialismo ao terreiro que nem dele tinhamos credenciais como país. Os próprios russos e alemãs democráticos preferiam chamar-nos um dos ‘países de orientação socialista’. Os socialistas ou as repúblicas da periferia dos mesmos, meus irmãos, nas relações de estado-para-estado são “duralex”. Estes engendram uma linha de permanente conflitualidade mesmo que o estado que não seja da sua proximidade tenha razão em certas coisas. Infelizmente Moçambique produz um ‘semblante’ conflituoso contra o Malaui desnecessáriamente ao invés de aprender deste. Sem ir longe no próprio Lago Malaui/Niassa, o lado maluiano está mais dinamizado que o nosso. A cultura do chá é mais bem trabalhada pelos malauianos que o lado moçambicano. Me recordo que o dr. Helder Muteia já fez referências a isso durante o seu mandato e visitou o instituto de pesquisa de chá. No área de educação os malauianos estão acima de nós com produção científica e de doutores/engenheiros no mercado local e internacional. As estradas malauianas são bem asfaltafas que as nossas e por vezes num patamar de meter inveja, porque não aprender deles? Custa-nos ser humildes como dirigentes porque como nação como Egidio afirma é do Malaui onde se procura matar a fome, refúgio e a paz. Porquê e bem disse o Vaz não vamos aprender deles como promover a paz!?!!!
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Adriano Novela Esses países todos, com a excepção da Swazilâbdia, têm alternância política. Isso ajuda muito na manutenção da paz num país democrático. Nesses países quem correm com os maus dirigentes é o povo, não um partido armado que, aliás, fá lo sem sucesso. Para mim essa é a grande diferença.
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Otilio Beijo Uma Historia da SADC ainda nao escrita. Faz favor esrevam um livro, encontrem as reais causas e as consequencias disso, proponham as possiveis solucoes.
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Andre Raimundo Chavane O nosso problema eh k feliz ou infelizmente, temx 1pais com regioes sul, centro e, norte; ademais, 1pais composto por uma maioria frelimista, renamista e, mdmista; 1pais cm muitas linguas, agora o k acontece eh k se alguem nao nasceu na minha regiao d origem, nao pertence ao meu partido, nao fala a minha lingua eh isto, akilo, assado e guisado; se alguem nao concorda cmgo, logo xtA errado. No meu pais nao sabemx lidar cm as diferencas, em moz a diferenca e o erro sao termos sinonimas e, enquanto esta percepcao prevalecer continuaremx a canibalizarmo-nx 1 ao outro!
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Mateus Joaquim Mutembué Quando aceitarmos as nossas diferenças e assumirmos que o país é nosso....
Jah Wadirica Ulendo Vivi no Malaui e tenho saudade de la voltar a viver, nao por obrigacao da guerra, mas pacificamente. Em geral, Malaui nao tem problemas com os habitantes comuns dos paises vizinhos. PARA MBILO YACO KWETIMA: Malawi nao tem obrigacao de comunicar a Mocambique sobre a presenca de mocambicanos como refugiados, mas tem a obrigacao de comunicar a ACNUR, que e' a instituicao que vela pelos refugiados. Essa e' a instituicao responsavel pela gestao dos refugiados e nao e' o pais de origem. A cominicacao ao pais de origem e' um aspecto que acontece tardiamente, podendo ser por essa organizacao, COMO ACONTECEU, atraves dos orgaos de informacao internacionais, pois nenhum orgao de informacao nacional esteve de perto quando os concidadaos comecaram a chegar ao ''AMANHECER''.

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