quarta-feira, 13 de abril de 2016

Temer recebe deputados e discute apoio no Congresso


Em clima de festa, 

Cerca de 70 parlamentares visitaram o vice-presidente no Palácio do Jaburu nesta terça-feira em um movimento que os próprios deputados resumem como 'beija mão'

Por: Marcela Mattos e Felipe Frazão, de Brasília - Atualizado em 


O vice-presidente da República, Michel Temer - 11/04/2016
O vice-presidente da República, Michel Temer, concede entrevista coletiva em Brasília (DF) - 11/04/2016(Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)
A cinco dias da votação do processo de impeachment na Câmara dos Deputados, o Palácio do Jaburu, residência oficial do vice-presidente Michel Temer, recebeu uma romaria de deputados de diversos partidos nesta terça-feira. Parlamentares que estiveram no local narraram ao site de VEJA um clima de festa entre os presentes, com direito a fila de carros na entrada, rodas de conversa entre os congressistas e a discussão de planos para um eventual governo do peemedebista. "Hoje, o Jaburu virou o Planalto", resumiu o deputado Sandro Alex (PSD-PR).
As portas do Jaburu estiveram abertas no mesmo dia em que partidos como PP e o PRB anunciaram apoio ao impeachment da presidente Dilma Rousseff, tornando a situação da petista cada vez mais delicada. O processo por crime de responsabilidade será votado neste domingo no plenário da Câmara dos Deputados.
Foram ao encontro de Temer deputados de mais de dez partidos, entre eles PMDB, PR, PSD, DEM, PSC, PSDB, PSB, PP e Solidariedade, totalizando, conforme estimativas dos presentes, cerca de 70 pessoas. O entra e sai começou logo no início da manhã e aconteceu ao longo de todo o dia. O mesmo roteiro é esperado para esta quarta-feira. "É uma demonstração de apoio e de expectativa de poder. Há todo um processo de aproximação: começa conhecendo e vai manejando até o casamento", narrou um congressista.
Aos deputados, Temer se apresenta de forma cordial e receptiva - características raramente percebidas na presidente Dilma Rousseff. De dentro do seu escritório, ele afirmou a um parlamentar que vai respeitar o Congresso Nacional em um eventual governo, prometendo, inclusive, comparecer ao Parlamento para dialogar com seus aliados - outra medida longe de ser costume de Dilma.
No "beija-mão", o vice-presidente da República também reforçou que vai precisar do Congresso para tirar o país da paralisia e ponderou que uma solução aos problemas nacionais não virá de forma rápida. "O Michel estava na dele. Agora, começa a trabalhar e a fazer política. Ele sabe que vai ter de fazer uma salvação nacional e chamar todos os partidos para ter governabilidade", resume um peemedebista.
Conforme o relato, a ideia de bater à porta do Jaburu se dá por iniciativa dos próprios deputados. Em anonimato, um aliado de Temer contou à reportagem que levou nesta tarde um grupo de dez parlamentares evangélicos que queriam conhecer o vice-presidente. Todos eles devem votar pelo impeachment de Dilma. "Passamos dos 350 votos hoje", afirma o deputado.
PMDB - Uma das principais reuniões no Jaburu se deu no início da noite desta terça-feira. Foram ao encontro de Michel Temer deputados do PMDB indecisos ou com tendência a ajudar Dilma Rousseff a escapar do impeachment, entre eles José Priante (PMDB-PA), Fábio Reis (PMDB-SE) e Alberto Filho (PMDB-MA). Considerado a última trincheira de Dilma na bancada, o líder Leonardo Picciani (RJ) conduziu a reunião.
"Estamos construindo um caminho para o Picciani. Ele ainda está um pouco indisposto com a situação porque o encaminhamento será favorável ao impeachment", disse o deputado Leonardo Quintão (PMDB-MG). "Um passo a cada dia. Nós todos apoiamos o Picciani, se ele tomar a posição e votar conosco, se fortalece dentro da bancada."
Ficou agendada para a próxima quinta-feira reunião para definir a posição da bancada durante a votação do impeachment. Conforme peemedebistas presentes no encontro, Picciani disse de maneira reservada ao vice que ele e os ministros Marcelo Castro (Saúde) e Celso Pansera (Ciência & Tecnologia), que vão pedir exoneração e reassumir o mandato de deputado, votarão contra o processo. Ele, no entanto, deve defender da tribuna da Câmara a posição da maioria sobre o impeachment.
Aos correligionários, Temer repetiu a tese de que mandou por engano o áudio em que antecipa o discurso que faria em uma eventual aprovação do processo de impeachment em plenário. Ele disse ter sido instado por um colega a preparar um pronunciamento e, ao enviar para ele um desenho de discurso, acabou encaminhando a um grupo errado, o que levou ao vazamento da gravação. "Respondi que o erro foi uma providência divina", contou um deputado, fazendo menção à romaria na casa do vice um dia após o episódio.
President
DILMA ROUSSEFF
Ms. Rousseff is facing impeachment proceedings, accused of improperly using money from state banks to cover budget shortfalls.

PRESIDENTIAL SUCCESSION CHAIN
ALLIES
Vice president
Former president
Mr. da Silva’s former chief of staff
MICHEL TEMER
LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA
Mr. Temer is under scrutiny over claims that he was involved in an illegal ethanol purchasing scheme.
Mr. da Silva is charged in a corruption case centered on his ties to giant construction companies. He was appointed Ms. Rousseff’s chief of staff on Thursday, a position that offers him legal shield.
JOSÉ DIRCEU DE OLIVEIRA E SILVA
Mr. de Oliveira e Silva is in prison on corruption charges. He was succeeded by Ms. Rousseff as chief of staff.
CORRUPTION ACCUSATIONS IN THE CONGRESS
Senate president
Opposition leader
President of the lower house of Congress
RENAN CALHEIROS
AÉCIO NEVES
Mr. Calheiros, under investigation over claims of receiving bribes in the Petrobras scandal, has been accused of tax evasion and of allowing a lobbyist to pay child support for a child from an extramarital affair.
Mr. Neves narrowly lost a presidential runoff to Ms. Rousseff and is under fire over revelations that his family maintains secret bank accounts in Liechtenstein.
EDUARDO CUNHA
Mr. Cunha was charged with taking as much as $40 million in bribes for himself and his allies. He is also under scrutiny over revelations of undeclared Swiss bank accounts.
Many in Congress Face Serious Charges
OPPOSITION PARTIES
104
137
Members facing charges
Members of Congress currently in office are facing serious charges including bribery, electoral fraud and homicide.
GOVERNING COALITION
136
214
Source: Transparência Brasil
Note: Chart excludes vacant seats and members of Congress without party affiliation. Data as of April 1.

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