domingo, 10 de abril de 2016

Revús versus bajús – Manuel Tandu

Luanda - Actualmente em função de conjuntura mundial, de um tempo pra cá, a nossa sociedade está a ser bipolarizada, existindo várias pessoas que assume­-se totalmente, uns parcialmente de revús e tem tachado os que não se inclinam nas suas opiniões e acções como sendo bajús. E nestes dias tomei conhecimento por via de redes sociais de um outro termo que os auto­denominados revús atribuem aqueles que não se inclinam nas suas opiniões que é "boca livre" que é um sinónimo de bajús. Eu contínuo em dizer que uma das vertentes da democracia é a democracia participativa, e ela permite um indivíduo, interagir com estado activamente e esta interacção pode ser no sentido de apoiar estas acções ou não.
Fonte: Club-k.net
Gostaria de tecer algumas considerações a respeito do termo revú. E deste modo há uma necessidade de aborda­lo num contexto académico, deste modo surge­me uma questão, quem é o revú? Qual deve ser a sua área de actuação? Qual é a sua acção? Bem podemos afirmar que o termo revú é um diminutivo da palavra revolucionário, e a acção praticada recebe o nome de revolução. Implica dizer, o sujeito que pratica esta acção é denominado de revolucionário ou revú e a acção praticada por ele é a revolução.
O que é a revolução? A revolução é uma mudança ou transformação. Ora esta transformação ou mudança pode ter várias áreas de actuação como: social, cientifica, tecnológica, económica, industrial, politica, religiosa, etc.
Em África já houve várias revoluções, temos o caso de Cheikh Anta Diop, um historiador de grande gabarito que revolucionou a história africana porque não a universal, através dos seus trabalhos académicos. Esta revolução tem um enfoque na área científica ou é uma revolução científica, e existem vários africanos que têm revolucionado as mais diversas áreas.
Mas quando faço uma retrospectiva de África, fica­me a impressão que quase 80% das revoluções africanas tem um enfoque na política e visam a destituição de governos. E este é um cancro que enferma a África, e é um erro crasso que até agora se tem cometido, e fruto disso encontramo-­nos neste nível ou um continente subdesenvolvido. Pois uma vez destituídos estes governos, os que sucedem não resolvem os problemas que diziam que haviam de resolver, chegando a ser destituídos por outros, enfim estas revoluções políticas se transformaram­se em ciclo vicioso que penaliza o continente e enfraquece as nossas instituições levando­nos a importar conhecimentos em vez de as produzir.
Quero falar de Angola, um país que noutrora tinha um império muito poderoso que desmoronou­-se na conferência de Berlim.... Que nos longínquos anos de 1482, teve um contacto e depois colonizado pelos portugueses.... Que passado quase 500 anos, em função da conjuntura daquela época, algumas mentes começaram a cultivar uma mentalidade revolucionaria que tinha um enfoque na revolução política. Levando que depois tenhamos a independência em 1975. Mas como estas mentes tinham como única inclinação a revolução política, o país passou de vários e longos períodos de instabilidades que podemos subdividir de seguinte modo: de 1961 a 1975, de 1975 a 1991 e de 1992 a 2002. Quer dizer estas instabilidades provocaram um atraso muito considerável do país, e somando com os quase 500 anos da colonização, não é possível em 14 anos passemos de um país subdesenvolvido para um país desenvolvido, como é o caso de muitos países do ocidente.
Particularmente sinto­me preocupado com esta onda, que alguns por não saber dos reais perigos e outros por saberem, se auto­denominam de revú, e nas redes sociais consegue­se sentir esta crescente onda. Agora sê perguntares a uma pessoa que assume­se como revú, qual é a sua área de actuação ou o porque do mesmo ser revú. A resposta será seguinte: "não me revejo com este sistema político", que em outros termos ele diz que a sua revolução tem um enfoque na política. Enquanto no ocidente as revoluções têm enfoque em áreas como: cientifica, tecnológica, industriais, etc. E fruto disso as suas nações estão a muitos passos mais avançado que nós, por isso até agora importamos conhecimentos vindo do ocidente. E não exportamos conhecimentos.

Penso que se alguém é formado nas ciências de educação, podendo ser na Física, Química, Historia, etc. Tem como função revolucionar o ensino destas disciplinas. Alguém vai dizer, não existem oportunidades, mas que tipo de oportunidades necessita? Vejamos por exemplo alguém que começou a leccionar com a formação média, este uma vez já com uma licenciatura ou um bacharelato, tem como missão revolucionar esta disciplina que lecciona, e de que forma, é simples, através dos planos de aulas que o mesmo elabora pra administrar uma aula, é lá onde deve começar esta revolução. Ou alguém que é formando em medicina tem a função de revolucionar o tratamento médico, e não despir-­se desta vertente e passar a ser um revolucionar político, e esta acção há-­de retroceder o país. E as revoluções não devem retroceder o país, mais sim a desenvolver pra depois exportamos não só matérias­primas, mais sim conhecimentos. E nestes 14 anos de paz, diria que o jovem é a força motriz de uma sociedade, e cabe a nós procurar revolucionar o processo de ensino e aprendizagem, a tecnologia, a medicina, justiça, a economia, a indústria, etc. E não nos deixemos ser manipulados para pôr­mos em causa o que já conseguimos. Em suma temos que ter ideias que visam consolidar a paz e não a reverter.

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