sábado, 16 de abril de 2016

Procurador de Maputo sabia que a sua vida estava em risco

“Nós vamos morrer assim: crivados de balas e em plena via pública, nas nossas viaturas”, dizia Marcelino Vilankulo.
Por Agência Lusa.
A procuradora-chefe da cidade de Maputo, Amélia Machava, disse ontem que o magistrado moçambicano morto a tiro na segunda-feira na capital moçambicana estava ciente de que corria risco de vida.
Falando durante a cerimónia fúnebre do magistrado, em Maputo, Amélia Machava, citada pela Agência de Informação de Moçambique (AIM), afirmou que Marcelino Vilankulo sabia que podia sofrer um atentado, referindo uma conversa em que o procurador alertara para os riscos que correm os profissionais da justiça.
“Nós vamos morrer assim: crivados de balas e em plena via pública, nas nossas viaturas”, declarou Amélia Machava, citando Marcelino Vilankulo.
A imprensa moçambicana tem associado o assassínio do magistrado às investigações em torno dos raptos que estavam ao seu cargo e em que supostamente está envolvido Danish Satar, sobrinho de Nini Satar, que está em liberdade condicional após ter cumprido pena por participação no homicídio, em 2000, do jornalista Carlos Cardoso.
O porta-voz do comando-geral da Polícia da República de Moçambique, Inácio Dina, disse por sua vez à Lusa que Marcelino Vilankulo, com uma carreira de mais de dez anos como magistrado, já esteve envolvido em vários casos, mas reiterou que é precipitado associar o assassínio do procurador a casos de raptos em Moçambique.
“Ele não tinha só este processo, ele tinha vários outros processos em sua responsabilidade. Não se pode fazer esta afirmação categoricamente”, declarou Dina, acrescentando que as operações continuam e, em momento oportuno, informações relacionadas com o caso serão tornadas públicas.
Amélia Machava garantiu que a magistratura continuará a fazer o seu trabalho, procurando garantir o bem-estar dos moçambicanos, apesar dos assassínios.
Por sua vez, o Presidente da Associação Moçambicana de Juízes, Carlos Mondlane, disse que o assassínio do magistrado moçambicano é um atentado à justiça moçambicana, considerando-o um “golpe contra todas as pessoas que estão comprometidos com a verdade”.
“Foi desferido um golpe contra os que não se vergam diante das ilegalidades, do crime organizado, da chantagem e do suborno”, afirmou Carlos Mondlane, acrescentando que matar um magistrado é abater um promotor da paz, dos direitos humanos e liberdades fundamentais.
O magistrado foi atingido a tiro na noite de segunda-feira junto da sua casa, na cidade da Matola, a cerca de oito quilómetros da capital moçambicana, quando regressava no final de um dia de trabalho.
Marcelino Vilankulo, 40 anos, era membro do Conselho Superior de Magistratura do Ministério Público, além de exercer funções na secção criminal da Procuradoria da cidade de Maputo, tendo mais de dez anos de carreira como magistrado.
Em 2014, um juiz que tinha em mãos processos relacionados com a onda de raptos em Maputo, Diniz Silica, foi morto a tiro por desconhecidos até agora a monte, em plena luz do dia na capital moçambicana.
Maputo tem vindo a ser assolado por uma onda de raptos desde 2012 e dezenas de pessoas já foram vítimas desse tipo de crime, havendo relatos de que a maioria tem sido libertada mediante o pagamento de resgate.
Várias pessoas foram condenadas a pesadas penas de prisão por envolvimento em raptos, embora este continue a ser um crime relativamente frequente em algumas cidades moçambicanas, sobretudo em Maputo.

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