segunda-feira, 25 de abril de 2016

PRM diz que vai reprimir marcha ilegal contra dívidas “escondidas”

A polícia moçambicana informou hoje que vai reprimir qualquer marcha ilegal, em alusão a mensagens anónimas que circulam nas redes socais convocando uma manifestação contra a recente descoberta de avultadas dívidas secretamente contraídas pelo Estado.

"A Polícia encontra-se a trabalhar e está pronta para reprimir qualquer marcha ilegal que possa pôr em causa a ordem pública", disse o porta-voz da Polícia da República de Moçambique (PRM) na habitual conferência de imprensa de balanço da semana.
Com a recente descoberta de avultadas dívidas, contraídas à revelia da Assembleia da República, circulam nas redes sociais mensagens convocando manifestações, algumas das quais convidando os moçambicanos a "paralisarem o país", entre os dias 03 e 07 de Maio, datas que coincidem com a visita do Presidente da República Portuguesa, Marcelo Rebelo de Sousa, a Moçambique.
O porta-voz da PRM na cidade de Maputo garantiu que a corporação está pronta para garantir a ordem e segurança, condenando as pessoas que "usam as redes sociais para alimentar intrigas".
"A polícia condena, veementemente, estes indivíduos que estão a alimentar boatos e desordem pública", reiterou o porta-voz da PRM.
No final de março, o Wall Street Journal noticiou um empréstimo de 622 milhões de dólares, garantido pelo Estado, à empresa estatal Proindicus, contraído em 2013 através dos bancos Credit Suisse e do russo VTB Bank, que terão convidado os investidores a aumentarem o valor para 900 milhões, um ano depois.
Na semana passada, o Financial Times revelou que o Governo de Moçambique autorizou um outro empréstimo de mais de 500 milhões de dólares a uma empresa pública.
No mesmo dia, o primeiro-ministro, Carlos Agostinho do Rosário, reuniu-se com a directora-geral do FMI, Christine Lagarde, e, segundo um comunicado da instituição financeira, reconheceu a existência de um valor superior a mil milhões de dólares da dívida externa de Moçambique que não tinha sido comunicado.
Na sequência destes acontecimentos, o FMI cancelou a missão que tinha prevista para a passada semana em Moçambique e, a seguir, suspendeu o desembolso de uma segunda tranche de um empréstimo ao Governo.
Organizações moçambicanas já começaram a manifestar a sua indignação em relação ao impacto dos empréstimos ocultados na dívida pública, exigindo explicações do Governo e uma investigação criminal.
De acordo com um prospecto confidencial preparado pelo Ministério das Finanças de Moçambique e entregue no mês passado aos investidores em obrigações da Empresa Moçambicana de Atum (Ematum), e a que a Lusa teve acesso na quinta-feira, o volume de dívida pública de Moçambique aumentou de 42% do PIB em 2012 para 73,4% em 2015.
EYAC (HB/FOS/MBA) // JLG
Lusa – 25.04.2016

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