segunda-feira, 18 de abril de 2016

População não pára de fugir à guerra na Zambézia

TEMA DA SEMANA 2 Savana 15-04-2016 lá foi por causa da perseguição e tentativa de assassinato por parte dos homens armados da Renamo, que ao descobrirem que era membro do partido no poder, era procurado supostamente para ser assassinado sob alegação de que fornece informação às forças governamentais. Cambazo diz ser membro da Frelimo, mas nega ter passado informações. “Vieram a minha casa quatro vezes. Eu fugi e, quando descobriram a pessoa que trazia comida de lá para mim aqui na vila, prenderam-na e ficaram com ela quatro semanas lá na base a ser castigada e quase ser morto. Estou aqui a sofrer sem nada para comer, tenho medo de mandar de volta estas minhas duas esposas, porque vão sofrer também”, denunciou. Quem também terá sido sofrido perseguição é Carlitos Jeremias, líder comunitário na zona de Numa altura em que o partido governamental está reunido em mais uma sessão do Comité Central (CC) com o tema Paz no topo da agenda, cresce a vaga de abandonos populares na localidade de Zero, distrito de Mopeia, e no posto administrativo de Sabe, no distrito de Morrumbala, devido à presença das forças governamentais e homens armados da Renamo naquelas regiões da província central da Zambézia. Começaram também a chegar os primeiros refugiados a Chkwawa e a Nsange. Depois de Nkondezi e Kapise, o SAVANA regressou ao terreno para ver in loco o cenário de dezenas de famílias que vivem as amarguras de um conflito polí- tico-militar que teima em forçar deslocações humanas. Em Sabe e Zero, por exemplo, a população continua a deixar para trás as suas casas, levando consigo o que pode e consegue, à procura de regiões seguras. Na zona de Zero, as forças governamentais até montaram dois postos de controlo separados por cerca de 100 metros. Aí, os automobilistas que fazem o troço Quelimane-Mopeia e vice-versa são obrigados a parar e os passageiros revistados nos dois locais, facto que deixa aqueles utentes agastados. Os populares repetem que o espectro de guerra é que lhes força a abandonarem as suas residências. José Sucaeira é um ancião que se refugiou na vila de Morrumbala, centro de violentos confrontos e onde a população é acusada de conviver com a “cobra”, uma clara referência pejorativa contra as simpatias para com a Renamo naquele distrito. “A vida mudou e tornou-se um pesadelo depois de ter saído de Sabe”, conta, apelando ao líder da Renamo, Afonso Dhlakama, e ao Presidente da República, Filipe Nyusi, para encontrarem solução para a crise. Mas Sucaeira lança culpas ao governo pelo facto de ter enviado tropas para aquelas zonas, acção que considera desnecessária, pois os homens da Renamo, conta, nunca incomodavam a população. “A população está a sair das suas zonas não porque a Renamo está a criar desmando. Não estamos a abandonar por causa da Renamo, desde ano passado que eles vieram ali, nunca houve problema com a população, íamos à machamba, passear, mas quando veio essa tropa, aí começaram problemas, começámos a ouvir que alguém foi violentado por militares, ou disparou, então fugimos para não morrermos por causa da guerra de dois grupos”, explica ele que é vítima de um conflito que os políticos negam resolver. Tomás Fernando, que igualmente abandonou Zero para se refugiar em Morrumbala, há sensivelmente duas semanas, depois de um ataque a um autocarro da transportadora Nagi, avança que foi uma saída não programada, por isso, quase que ninguém levou nada, tudo porque saiu-se às correrias devido ao som dos tiros. Agora vive na companhia da sua família numa casa arrendada, onde paga cerca de 150 meticais, dinheiro que diz não ser fácil obter. Para alimentar a sua família, conta Fernando, deve ter 30 meticais para comprar uma tigela de farinha de 2kg, uma situação que este considera de muito triste visto que, na sua zona, conseguia produzir e alimentar os seus filhos, para além de que a produção e venda de carvão era outra forma de sustento. Maria Fanbaone narra que dePopulação não pára de fugir devido ao espectro de guerra na Zambézia Por Laison António, nosso enviado a Morrumbala Tamos pidir paz - já há refugiados da Zambézia no Malawi cidiu sair de Zero para a casa do seu irmão, na vila sede de Mopeia, devido à movimentação de For- ças de Defesa e Segurança. Fanbaone, que guarda horrores da fratricida guerra dos 16 anos, na qual perdeu pais, irmãos e outros parentes, decidiu abandonar a sua residência antes do pior. Por sua vez, a família do régulo Armando Standiqueia, de Sabe, abandonou a sua residência, alegadamente, porque os homens de Afonso Dhlakama montaram um dos seus acampamentos ao pé da sua casa, alegando que querem ficar perto do rio Thiade. Em tempo de guerra, o acesso à água é estratégico. Segundo Pitoja Tomo, esposa do régulo, a família, temendo que um dia pudesse estar debaixo de fogo, partiu para a vila de Morrumbala. Perseguições à mistura Fernando Cambazo França, lí- der comunitário de Sabe, disse ao SAVANA que a sua saída de Zero. Segundo conta a filha, que responde pelo nome de Chica Jeremias, quando descobriu que estava sendo procurado pelas forças governamentais, supostamente, porque tiveram informação que ele era da Renamo, o pai fugiu para a vila sede de Morrumbala, para depois chamar a sua famí- lia. Para já, são nove pessoas que estão a partilhar uma minúscula casa na vila da Morrumbala, depois de terem deixado para trás a sua residência em Zero por conta das perseguições. Até porque ao que a nossa reportagem testemunhou, a maioria vive mesmo em pequenas casas arrendadas, albergando homens, mulheres, crian- ças e idosos. Educação e saúde não escapam Afectados pela tensão que fustiga aqueles pontos da província da Zambézia, estão os sectores da educação e da saúde. De acordo com o direcChica Geremias acompanhada dos seus irmãos Tomás Fernando com as suas duas esposas Farias Alberto, Director dos Serviços Distritais de Educação Juventude e Tecnologia TEMA DA SEMANA Savana 15-04-2016 3 Depois das fugas para o Malawi a partir de Moatize e para o Zimbabwe, os administradores(comissários) distritais de Chikwawa e Nsange no Malawi dão conta de refugiados a partir da Morrumbala. Em declarações publicadas pela Zitamar News, esta terça-feira, Bester Mandele, o comissário de Chikwawa, disse que no seu distrito tem registados 800 refugiados, enquanto Ledgson Nkolombwe, em Nsange, tem registados 105 refugiados. Até segunda feira, os refugiados, que começaram a chegar em meados de Março, foram abrigados numa escola, mas com o iní- cio das aulas, os refugiados foram movimentados para o acampamento da Mota Engil, a empresa portuguesa que construiu o porto de Nsange no rio Chire. Ainda sobre a situação dos refugiados, o comissário Gift Raposo de Mwanza, o distrito onde se situa Kapise, disse à Zitamar News que a afluência de moçambicanos diminuiu para 50/60 chegadas diárias. Ele disse que os camponeses estão agora a tentar fazer as suas colheitas, mas tem também informações que o exército moçambicano faz patrulhas ao longo da fronteira para tentar evitar as fugas para o Malawi. Corroborando o que dizem as agências humanitárias operando na área, a Zitamar News menciona o caso de Melinda Fernando que a semana passada fugiu da aldeia onde vivia para o Malawi, depois de as suas habitações terem sido queimadas pelas tropas governamentais. “Acusam-nos de ser da Renamo, quando eles (os soldados) não conseguem localizar a Renamo. Mas nós não somos apoiantes da Renamo. Nunca lidámos com eles, embora os soldados governamentais digam que as milícias da Renamo operam a partir da nossa zona”. Nesta segunda-feira, a bancada da Frelimo no Parlamento chumbou uma proposta da oposição para se criar uma comissão de investigação sobre a questão dos refugiados no Malawi, alegando que em 25 Fevereiro a Procuradoria de Tete tinha iniciado um processo sobre o assunto, o que iria duplicar os procedimentos. Contudo, já depois da data mencionada pela bancada da Frelimo, uma delegação do governo fez uma investiga- ção sobre o assunto, o mesmo tendo acontecido com a Comissão Nacional dos Direitos Humanos (CNDH). Esta Comissão completou a parte moçambicana devendo nos próximos dias deslocar-se ao Malawi para concluir a sua missão e o respectivo relató- rio. Mais refugiados no Malawi tor distrital de Saúde, Mulher e Acção Social (SDSMASM) de Morrumbala, Tomé Manuel Charles, das três unidades sanitárias existentes na localidade de Sabe, apenas duas estão a funcionar, nomeadamente, o Centro de Saúde de Moera que assiste um universo de 81.169 habitantes. O de Babichalo, com capacidade para atender 7.302 habitantes, encontra-se totalmente encerrado desde Novembro do ano passado. O Centro de Saúde de Sabe-Sede também fechou as portas. Antes de encerrar por causa dos confrontos assistia cerca de 25.982 habitantes. Segundo Tomé Manuel Charles, a assistência às poucas famílias que ainda se encontram em algumas zonas circunvizinhas vem sendo feita em brigadas móveis, para além de agentes polivalentes que são permanentes. Na educação, 10.030 alunos viram-se forçados abandonar as aulas, no fim do ano passado, devido ao encerramento de 15 escolas em quatro Zips (Zonas de Influ- ência Pedagógica). Para o director dos Serviços Distritais de Educação Juventude e Tecnologia, Farias Noé Alberto, apesar de não terem realizado os exames na mesma altura em que decorriam exames em todos o país, alguns destes alunos tiveram a oportunidade de realizarem em zonas onde os pais acharam seguras como Caia, em Sofala, e Mutarara, em Tete. Este ano não foi possível abrir as portas daquelas escolas. Os 101 professores, que haviam sido afectos nas mesmas, estão sendo recolocados em outros estabelecimentos de ensino. Contudo, garante Farias Alberto, neste momento decorre um trabalho de sensibilização das comunidades de modo a mandarem seus filhos a escolas seguras. José Sucaeira TEMA DA SEMANA 4 Savana 15-04-2016 TEMA DA SEMANA çambicanos resolver as suas diferenças. Para o presidente da Frelimo, o povo moçambicano pode e deve pensar e decidir sobre o seu pró- prio destino. Sustenta a sua tese referindo que há tendências de se pensar ou decidir pelo pobre, renegando a liberdade do pobre, ou do mais fraco, decidir sobre o seu futuro. Diz Nyusi que, quando se é pobre, há tendência de se considerar que a pobreza é também mental ou intelectual. Filipe Nyusi lançou duras críticas ao maior partido da oposição apontando-o como principal responsável da tensão que se vive no país. “No centro do País, em zonas bem localizadas, o povo vive o terror e medo causados pelos homens armados da Renamo. Atacam viaturas, invadem machambas, perseguem líderes comunitários e dirigentes do nosso partido, a nível da base. Estes cenários calamitosos e criminosos, apesar do nosso bom nível de resposta, continuam a provocar sofrimento e perda de vidas humanas e de bens”, lamentou. Recordou os assassinatos do membro do Conselho Nacional de Defesa e Segurança indicado pela Renamo, José Manuel no último Sábado na Beira, e do procurador Marcelino Vilanculos, na Segunda Feira na cidade da Matola. Sublinhou que a Frelimo condena os dois assassinatos bárbaros e encorajou as Forças de Defesa e Segurança a procurar rápido esclarecimento dos mesmos. Recordou também as calamidades naturais que assolam as regiões sul e centro do país, afectando mais de um milhão de moçambicanos. Opresidente da Frelimo, Filipe Jacinto Nyusi, enalteceu a necessidade do partido Frelimo, no poder desde a independência nacional, resgatar os princípios que nortearam a sua criação e definir- -se como uma organização puritana. Nyusi, que falava na abertura da V Sessão Ordinária do Comité Central (CC) do Partido Frelimo, que decorre na cidade da Matola desde a última quarta-feira e que se prolonga até amanhã, referiu que a meta do seu partido é alimentar o exercício retomado no ano passado, que consiste no fortalecimento e coesão interna do partido, preservando os valores e os princípios que marcaram a Frelimo da geração de Eduardo Mondlane, Samora Machel, Pascoal Mocumbi, entre outros. Para além de apelar ao resgate dos princípios moralísticos que marcaram os primórdios da Frelimo, Nyusi destacou a necessidade do reforço da disciplina partidária, ponto central para a coesão interna do partido. Nos últimos anos, figuras históricas da Frelimo têm-se queixado, com alguma frequência, da dilui- ção dos valores morais que marcaram os primórdios do partido. A ganância pelo poder, o clientelismo, a arrogância, a intolerância e a corrida pela busca de bens materiais sem olhar para os meios tem caracterizado o partido nos últimos anos, adulterando por completo o preceito estatuário que define a Frelimo como um o partido que congrega moçambicanos de todas as classes e camadas sociais, defende os valores da liberResgatando os princípios que nortearam a sua criação dade, da unidade nacional, da paz, da democracia, da igualdade, da solidariedade e da justiça social. De acordo com Filipe Nyusi, foi no quadro dessa reorganização partidária que a Frelimo definiu como prioridade, para ao ano de 2015, o fortalecimento da coesão interna e o aprimoramento das relações entre os membros do partido e para este ano foi definido o reforço da disciplina partidária. Segundo Nyusi, com estas abordagens quer-se influenciar, de forma intensa, a promoção da disciplina individual de cada membro do partido, de forma a consolidar a disciplina colectiva nos órgãos, a diversos níveis. Sublinha que o seu sonho é ver um membro da Frelimo a todos os níveis a criticar e a ser criticado, a ouvir e ser ouvido, um membro que exprime o seu pensamento livremente. A liberdade de expressão e de opinião foi um dos direitos que nos últimos anos do reinado de Armando Guebuza era limitado na Frelimo. Foi mesmo devido à falta de espaço no seio do partido para exprimir seus pensamentos de forma livre que, muitos “camaradas” recorriam aos meios informais para desafogar. Os desabafos desses membros irritaram Armando Guebuza e o obrigaram a lançar duras críticas na histórica sessão que selou a sua queda da liderança do partido. Na mesma reunião, também realizada na Matola, em Março de 2015, Guebuza disse, num tom que foi interpretado como inflamatório e intimidatório, que estava preocupado com a postura e comportamento de alguns camaradas que, publicamente, engendravam acções que concorriam para perturbar o normal funcionamento dos órgãos e das instituições e para gerar divisões e confusão no seio da Frelimo. Recados à Renamo Entre os temas arrolados para a reunião magna da Frelimo, consta a tensão político-militar que nos últimos anos tem desestabilizado o país com maior enfoque para as províncias de Inhambane, Sofala, Manica e Zambézia. Filipe Nyusi mostrou-se preocupado com a situação, mas mandou recados à Renamo, deixando claro que não há espaço para se recorrer a estrangeiros para mediarem um problema interno, com o mesmo argumento de que cabe aos moNyusi quer uma Frelimo puritana Por Raul senda T al como já é hábito, a reunião do Comité Central da Frelimo que está a decorrer na cidade da Matola, mais uma vez mexeu com o funcionamento do Estado moçambicano. São milhares de meios públicos mobilizados dentre autocarros das empresas municipais de transporte públicos, ambulâncias, viaturas de polícia, serviços nacionais de bombeiros para além de serviços especiais da empresa Eletricidade de Moçambique. Os recursos humanos também foram movimentados em massa. Por exemplo, para as moções de saudação aos membros do CC foram mobilizadas crianças, em nome da Organização dos Continuadores Moçambicanos, e centenas de jovens em representação a Organização da Juventude Moçambicana (OJM). Pelos bairros foram mobilizadas senhoras da Organização da Mulher Moçambicana (OMM) e transportadas em autocarros das empresas municipais de transportes públicos. Os membros do Governo ao nível central, os governadores provinciais, reitores das universidades públicas, executivos das empresas do Estado, institutos e fundos públicos entre outras figuras ligadas à administração pública marcaram presença em peso na reunião. Cada um destas figuras levava consigo viatura institucional, motoristas e nalguns casos ajudantes de campo. Antes do discurso do Presidente da Frelimo, as organizações sociais do partido desfilaram pelo pódio apresentando mensagens de exaltação à figura de Filipe Nyusi. A Associação dos Antigos Combatentes da Luta de Libertação Nacional (ACLLN) lançou duras críticas ao partido de Afonso Dhlakama apelidando-o de movimento assassino e vandalizador. Pediu ao pleito para aumentar a quota dos combatentes nos órgãos de decisão a fim de permitir contornar as estratégias dos adversários nos próximos pleitos eleitorais. O tom mais pornográfico do culto de personalidade destacou-se mais com a passagem do grupo da OJM que, embora sem direito a discurso, os jovens entoaram cânticos como “o líder é Nyusi, quem comanda....é Nyusi”. Reunião partidária com cunho de Estado Afilha de Armando Guebuza, antigo Presidente da Repú- blica, Valentina Guebuza, passou por alguns momentos embaraçosos. Tudo começa depois de Valentina Guebuza ter deixado a sala de sessões para integrar o grupo dos antigos combatentes que subiram ao pódio para apresentar a moção de saudação. No regresso à sala, Valentina Guebuza foi impedida pela segurança de voltar à sala, supostamente porque o crachá em seu poder não era daquela reunião. Valentina Guebuza tentou explicar ao segurança que era membro do CC e disse quem era, mas a sua explanação não demoveu os seguranças. Momentos depois, a filha do antigo presidente da República, Armando Guebuza, apresentou o cartão de membro do CC, mas também foi recusado pelos seguranças que insistiram que para aquela reunião há crachás próprios e de que a senhora não dispunha. Valentina Guebuza só acedeu à sala depois de alguma concerta- ção entre o pessoal de segurança e do protocolo. Valentina Guebuza interdita de aceder à sala de sessões A Frelimo deve resgatar os princípios que nortearam a sua criação TEMA DA SEMANA Savana 15-04-2016 5 PUBLICIDADE 6 Savana 15-04-2016 SOCIEDADE Continuam em marcha planos para a construção de um porto de águas profundas no sul da província de Maputo, o que poderá vir a aliviar de certa forma a pressão sobre o porto de Maputo, e oferecer opções mais competitivas de acesso aos mercados internacionais por parte de alguns países da África Austral. O projecto do porto de Techobanine, no distrito de Matutu- íne, província de Maputo, está a ser promovido por um consórcio liderado pela empresa moçambicana Bela Vista Holdings, SA (BVH), que espera investir na fase inicial do empreendimento mais de um bilião de dólares. Há outros investidores internacionais envolvidos no projecto, nomeadamente a Transnet, empresa pública de caminhos de ferro da África do Sul, e a chinesa CHEC, especializada na construção de portos. Em 2005, os governos de Mo- çambique e do Botswana assinaram um Memorando de Entendimento na base do qual o Botswana apoiaria o desenvolvimento do projecto. O Botswana pretende utilizar o porto para a exportação, de cerca de 20 a 30 milhões de toneladas de carvão por ano. As obras de construção do porto deverão consistir na abertura de um canal de acesso de 3,5 quilómetros, ladeado de duas dunas naturais, e que permitirá quebrar a velocidade de navios de grande calado, entrando no porto com condições de mar adversas. O porto, com uma bacia natural interior ao nível do mar, terá uma profundidade de pelo menos 24 metros e irá acomodar navios de até 300 mil toneladas. Um consórcio internacional já finalizou os estudos preliminares de impacto ambiental, e em resposta às suas recomendações, os promotores do projecto decidiram escolher um local que dista 23 quilómetros da Reserva Especial de Maputo para a localização do porto na Ponta Techobanine. “Sendo um projecto de categoria A, este empreendimento irá ser objecto de um Estudo de Impacto Ambiental completo, do qual resultará um plano de gestão respectivo, suportado basicamente pelo projecto”, disse uma fonte ligada à BVH. O projecto inclui ainda, a 20 quilómetros do porto e da Reserva Especial de Maputo, a instalação de uma zona franca industrial, numa área de 13 mil hectares em frente à Bela Vista, a capital do distrito de Matutuíne. A área é Novo porto para a província de Maputo caracterizada pela existência de pequenas florestas que para além de serem mantidas deverão também ser ampliadas. Através de uma rede que deverá aproveitar os principais corredores ferroviários actualmente existentes e outros novos a serem construídas no futuro, o porto poderá potencialmente facilitar e diversificar o acesso ao mar a países encravados da região, nomeadamente o Botswana, a Swazilândia e o Zimbabwe, para além de encurtar a distância para o mar a partir de regiões com enorme potencial de minerais dentro da África do Sul. Estes países já usam um conjunto de portos já existentes em Mo- çambique e na África do Sul, mas o novo porto poderá ajudar a descongestionar tais infra-estruturas, trazendo benefícios económicos adicionais para toda a região da África Austral. Por exemplo, através de Techobanine, a exportação do carvão da região de Witbank, na província sul-africana de Mpumalanga, poderá ser encurtada em 113 quiló- metros, se comparada com a distância de 635 quilómetros para o porto de Richard’s Bay, na costa leste da África do Sul. Uma ligação ferroviária através da Swazilândia, ao longo do Rio Maputo, poderá contribuir para reduzir significativamente os custos de transporte de minérios produzidos na África do Sul, permitindo a sua colocação no mercado da Ásia a preços competitivos. Uma outra ligação ferroviária com o porto de Maputo poderá também interligar Techobanine ao corredor do Limpopo, que permitirá o acesso ao Botswana e ao Zimbabwe. Phalaborwa, uma região rica em minério de ferro e situada na província do Limpopo, no nordeste da África do Sul, dista actualmente 901 quilómetros do porto de Richard’s Bay, também na África do Sul. Com uma ligação através da Swazilândia para Techobanine, essa distância poderá ser reduzida para 455 quilómetros. Será através da ligação ferroviária com a África do Sul que o Botswana passará a ter outro acesso ao novo porto, assim como serão encurtadas as distâncias de acesso ao mar para os campos de produção mineira das províncias sul-africanas do Limpopo e de Mpumalanga. O encurtamento das distâncias ferroviárias é importante para a redução do custo do transporte por quilómetro, permitindo aos exportadores colocar os seus produtos no mercado internacional a preços competitivos, ao mesmo tempo que reduz os preços das importações. O governo da África do Sul tem estado a desenvolver planos destinados a encorajar os produtores de carvão na província de Mpumalanga a usar o sistema ferroviário como forma de evitar os danos causados nas estradas da região. Ao nível do distrito de Matutu- íne, o projecto de Techobanine prevê um grande impacto na vida das populações, através da criação de novas oportunidades de emprego para jovens que actualmente se vêm obrigados a procurar melhores condições de vida ou na cidade de Maputo ou na África do Sul. Savana 15-04-2016 7 PUBLICIDADE 8 Savana 15-04-2016 SOCIEDADE Com o céu nublado e debaixo de uma segurança extrema das forças especiais da polícia moçambicana, a cidade da Beira parou, no último sábado, para prestar uma última homenagem a uma das figuras mais marcantes e incompreendidas na história do processo político mo- çambicano dos últimos 40 anos. O Presidente da República, Filipe Nyusi, o antigo estadista Joaquim Chissano, Manuel Bissopo, SG da Renamo, em representação de Afonso Dhlakama, líder do partido e Daviz Simango, edil da Beira, destacavam-se entre as personalidades que renderam a última homenagem a D. Jaime Gonçalves, o arcebispo que teve um papel nuclear para o fim da guerra dos 16 anos. Nyusi chegou pouco depois das 09:00 horas num enorme pavilhão da paróquia da Santa Maria de Fá- tima (onde foi realizada a missa de corpo presente) e deixou o local perto das 12:00 horas, quando todas as pessoas se dirigiam ao cemitério Santa Isabel, onde seria depositada a urna, quase 50 metros do local onde foi realizado o velório. Numa cerimónia sob forte aparato policial e uma segurança indisfarçada, transmitida em directo pela STV, mas ignorada pela TVM (a tv pública), Filipe Nyusi, que teve o tempo mais longo para o discurso no evento, destacou o papel incontornável de Dom Jaime no processo de busca de paz. “Eu me recordo numa das vezes quando passamos aqui (na Beira), e fomos visitar o Dom Jaime ao lado da irmã, quando ainda lutava contra a doença, disse `jovem tenha paciência para o reencontro dos moçambicanos`”, lembrou Filipe Nyusi na sua intervenção, e recordou a “inteligência e perspicácia” de Jaime Gonçalves, expressando o desejo de manter vivo o seu legado. “Na divulgação da fé e da esperança, na missão que abraçaste, interagiste com a sociedade despertando a consciência colectiva dos moçambicanos para a necessidade de construirmos uma sociedade de igualdade, justiça, harmonia social, paz e reconciliação. Queremos ser continuadores da tua obra e manter vivo o teu legado”, declarou Filipe Nyusi. Religiosos Numa cerimónia de muito simbolismo, entre tristeza e abraços, que sugeriam cinismo entre os líderes políticos na última homenagem a Jaime Gonçalves, na igreja Santa Maria de Fátima, no bairro dos Pioneiros, vários elogios e legados com tom reconciliatório foram deixados. “Tivemos uma aventura entusiasmante e trabalhosa, a da busca da paz, quando não foi fácil mas cheia de armadilhas, por causa da violência e de muita desconfiança. Mesmo nos momentos mais difíceis ajudou-nos a encontrar as melhores soluções. Acreditamos que honrar a sua memória é procurar por todas as maneiras encontrar a paz”, disse Leono Gianturco, em representa- ção do fundador da Comunidade de Sant´Egídio, afiançando que a violência nos últimos meses era um sofrimento enorme para Jaime Gon- çalves “porque ele acreditava na paz”. Falando em nome dos arcebispos de África, Dom Francisco Chimoio disse: “calou-se a boca de ouro, o inconformado e, nalgumas vezes, o incompreendido pela paz dos mo- çambicanos e pela justiça social em todos os contextos”. Na leitura da nunciatura apostólica, João Carlos referiu: “o incansável obreiro da reconciliação e da paz em Moçambique, o papa Francisco concede a quantos oram a sua partida e aos pastores e fieis para a celebração das exéquias uma consoladora bên- ção apostólica”. Políticos O ex-arcebispo da Beira morreu na quarta-feira, 05 na Beira, aos 79 anos, tendo sido, na qualidade de mediador da Conferência Episcopal moçambicana e do Vaticano, um dos principais obreiros do Acordo Geral de Paz, assinado a 04 de Outubro de 1992, em Roma, e que encerrou 16 anos de guerra civil entre o Governo da Frelimo e a Renamo. O ex-Presidente Joaquim Chissano, signatário do entendimento histórico de Roma, recordou, por sua vez, os encontros com Jaime Gonçalves, na longa caminhada que antecedeu o Acordo Geral de Paz, observando que, apesar das muitas discussões que mantiveram, as diferenças nunca os afastaram. “Com coragem, somos capazes de resolver os nossos problemas e trazer a paz ao país”, afirmou o ex-Presidente moçambicano, quando Mo- çambique volta a viver instabilidade política e militar, mais de duas dé- cadas após as negociações de Roma. Além do chefe do Estado, a cerimó- nia de homenagem a Jaime Gonçalves juntou líderes religiosos e representantes dos três maiores partidos moçambicanos. O presidente da Renamo fez-se representar pelo secretário-geral do maior partido de oposição, Manuel Bissopo, alegando falta de condições de segurança para abandonar o seu refúgio algures na Serra da Gorongosa, onde se encontra desde o final do ano passado. Condecorado pelo Estado moçambicano, em 2014, voltou a juntar- -se aos signatários dos acordos de Roma, Joaquim Chissano e Afonso Dhlakama, num evento da Universidade Católica, em Setembro de 2015, na Beira, acusando os políticos de ameaçarem a paz com seu “orgulho e medo” e de promoverem uma democracia de ódio. “Estão todos os dias enchendo a boca a dizer paz, paz, paz! Qual paz? Paz de vergonha? Onde está a paz?”, questionou. Em longos elogios fúnebres, na paróquia da Santa Maria de Fátima, no centro da Beira, os líderes polí- ticos frisaram que a maior forma de homenagear o “herói da reconcilia- ção” e “pai de causas justas” é seguir os  seus ensinamentos, esquecendo o “ódio e a dor”, das cicatrizes da nova instabilidade. “A morte de Dom Jaime empobrece a nossa democracia”, precisou Daviz Simango, líder da MDM, terceira força política, assegurando que as lições deixadas por Jaime Gonçalves são uma semente da vida. “Fica a lição de que os servidores e defensores da vida devem ser os agentes do Estado de direito, pois a essência do Estado é a defesa e a promoção da vida. A defesa e a promoção da vida são valores supra partidários e supra religiosos”, afirmou Daviz Simango, também autarca da Beira, repetindo a frase de Jaime Gonçalves “cabe agora aos moçambicanos se querem acabar com a guerra, e ou se a guerra acaba connosco”. “A melhor forma de o Presidente (Filipe) Nyusi e o presidente (Afonso) Dhlakama homenagearem Dom Jaime é seguirem os seus ensinamentos, promulgando a paz e poderíamos aproveitar esta oportunidade (fúnebre) para declarar tréguas em respeito à memória de Jaime Pedro Gonçalves”, disse Manuel de Araujo, edil de Quelimane pelo MDM, chamando a consciência crista dos dois dirigentes. “Dom Jaime incorpora todos os esforços da busca pela paz, duma forma incessante, o seu legado nos ensina que o trinómio, diálogo, inclusão e reconciliação são os grandes pilares da paz”, disse Raul Domingos, o ex-número dois da Renamo, admitindo que havendo uma busca por honestidade, Moçambique pode alcançar a paz. Manuel Bissopo, secretário-geral da Renamo, lembrou que “Jaime Gonçalves dedicou a entrega à solução pacífica (para a crise política em Moçambique), entregando-se de corpo e alma para aproximar o governo e a Renamo, de modo a privilegiar o diálogo em detrimento de soares da armas”, lembrando a aterragem nocturna de Jaime Gonçalves em Cainxixe (Marínguè, Sofala) em Abril de 1988, para iniciar as negociações que conduziram ao Acordo Geral de Paz em 1992. Qualificando Jaime Gonçalves como “homem destemido, corajoso, dedicado à causa da paz, democracia e bem-estar de todos os seres humanos do mundo em geral e em particular em Moçambique”, Manuel Bissopo lamentou que a morte de Jaime Gonçalves tenha ocorrido “numa altura em que mais se precisava o seu saber para a pacificação e unidade entre os moçambicanos”, chamando a todos os intervenientes a buscarem o que estiver a seu alcance para “devolvermos a paz aos moçambicanos através de um diálogo sério como forma de perpetuar os seus ensinamentos, do verdadeiro irmão da paz”. Jaime Pedro Gonçalves nasceu em Nova Sofala a 26 de Novembro de 1936, tendo frequentado o seminá- rio em Zóbuè, província de Tete, e prosseguido os estudos em Maputo, Namaacha, Canadá e Roma. Assumiu a diocese da Beira em Março de 1976, um ano após a independência de Moçambique. Última homenagem ao Arcebispo emérito da Beira Dom Jaime: um homem marcante e incompreendido Por André Catueira, na Beira 9iULDVLPSRUWDQWHVÀJXUDVSDUWLFLSDUDPQR~OWLPRDGHXVD'RP-DLPH $UFHELVSR &ODXGLR'DOOD=XDQQDGLULJLXDVFHULPyQLDVI~QHEUHV Savana 15-04-2016 9 PUBLICIDADE SOCIEDADE 10 Savana 15-04-2016 SOCIEDADE SOCIEDADE Um dia após o assassinato violento do procurador Marcelino Vilanculos em frente a sua casa no Tchumene, município da Matola, a Associação dos Magistrados do Ministério Público (ANMMP) levantou a voz e apelou à resolução de velhos problemas que apoquentam a classe: a segurança. De acordo com a porta-voz desta agremiação, Nélia Cornélio, há nove anos foi aprovada a lei orgânica do Ministério Público que prevê segurança para o magistrado e a respectiva família, mas até agora nada avançou. O sindicato do crime organizado recorreu uma vez mais à força das armas para intimidar, retardar ou mesmo paralisar o avanço dos chamados casos “quentes” que estão nas mãos dos procuradores ou juízes. Em 2014, o alvo foi o juiz Dinis Silica que, em plena luz do dia, foi crivado de balas na própria viatura, numa das zonas nobres da cidade de Maputo. Esta segunda-feira e em circunstâncias similares, foi assassinado Marcelino Vilanculos, quando regressava à casa após mais uma jornada laboral. Com 40 anos de idade, Vilanculos estava afecto à secção criminal do Tribunal Judicial da cidade de Maputo onde seguia casos delicados, com destaque para os raptos. Ao que apurámos, um deles está relacionado com Danish Satar, sobrinho de Nini Satar, que no final do ano passado foi deportado de Itália para Moçambique. É preciso notar que Vilanculos também seguia vá- rios casos considerados “quentes”, não se sabendo até que ponto os raptos poderiam estar relacionados com o seu assassinato. Em conferência de imprensa havida esta terça-feira, Nélia Cornélio, porta-voz da Associação dos Magistrados do Ministério Público (AMMP), repudiou o assassinato de Marcelino Vilanculos, que o descreveu como sendo um colega exemplar e íntegro. Prova disso é que, no dia do assassinado, o malogrado juntamente com outros colegas que integram a equipa responsável pela revisão da lei do Ministério Público haviam sido felicitados pela classe pela excelente proposta que produziram, depois da mesma ter sido aprovada pelo Conselho de Ministros. Comovida com os assassinatos dos colegas, a porta-voz lamentou a falta de segurança dos magistrados, tendo apelado a quem de direito para prestar a devida atenção para esta questão. “A lei orgânica do Ministério Pú- blico foi aprovada em 2007 e prevê segurança para o magistrado e sua família. Hoje já lá vão nove anos e ainda aguardamos a materialização deste direito. Queremos ser heróis vivos, queremos trabalhar pela segurança do país, mas é preciso que os profissionais desta área não tombem desta maneira”, disse. Apesar de reconhecer que esta situação abala a classe, a porta-voz Magistrados reivindicam segurança Por Argunaldo Nhampossa assegura que os magistrados não se sentem desencorajados, uma vez que se trata de um compromisso assumido do qual já sabia dos riscos existentes. No entanto, Nélia Cornélio aponta que o facto de saberem dos riscos não pode em nenhum momento implicar que tenham de ficar expostos ou as autoridades se devem eximir das suas responsabilidades de prover segurança. Sublinhou que este clamor pela segurança não é de hoje, tendo já havido atentados contra a vida e integridade de magistrados como Maria Isabel Rupia, Afonso Antunes, entre outros. Assim, reiterou o seu apelo a quem de direito para fazer cumprir as leis de modo a trazer harmonia no trabalho e que consigam levar a bom porto os processos iniciados por Vilanculos. Custódio Duma, Presidente da Comissão Nacional dos Direitos Humanos, também manifestou o seu repúdio pelo assassinato de Marcelino Vilanculos. “Uma afronta ao sistema de administração de justiça como um todo e, mais uma vez, expõe o ambiente de extrema insegurança em que os nossos magistrados vivem”, frisou, apelando aos conselhos superiores das magistraturas para que repensem a política de segurança dos seus membros. PGR está no terreno O porta-voz da Procuradoria Geral da República, Taibo Mucobora, referiu que já foi constituída uma equipa multissectorial dirigida por um magistrado do Ministério Pú- blico com vista ao esclarecimento das circunstâncias em que ocorreu o crime, a identificação e neutralização dos autores. Segundo Mucobora, a PGR e o Conselho Superior da Magistratura do Ministério Público repudiam veementemente este acto macabro e garantiu que de forma alguma irá fragilizar a determinação do MP de levar avante a sua missão de cumprir e fazer cumprir a lei e combater a criminalidade. Ainda esta terça-feira, o porta-voz do Comando-geral da PRM, Iná- cio Dina, disse existirem indícios de que o malogrado já vinha sendo perseguido por criminosos, mas deplorou avançar com mais elementos alegando ser prematuro avançar com o que poderá ter movido o assassinato. Dois dias antes do assassinato do procurador Marcelino Vilanculos, na cidade da Beira foi também barbaramente assassinado José Manuel, chefe de assuntos sociais da Renamo e membro do Conselho Nacional de Defesa e Segurança, um órgão de consulta do Chefe de Estado. José Manuel foi morto juntamente com o motorista do Txopela, que o transportava minutos depois de desembarcar no aeroporto da Beira. Sobre o assassinato de José Manuel, o porta-voz da Renamo, António Muchanga, precisou que era prematuro comentar. “O partido aguarda pelas investigações policiais”, frisou Muchanga. Em meios habilitados, há um entendimento de que a confirmarem- -se as motivações políticas no assassinato violento de José Manuel, no dia e na cidade onde eram feitos apelos à paz em nome do falecido D. Jaime Gonçalves, confirma-se a tendência para actos de violência extrema contra altos responsáveis da Renamo sempre que começa a ganhar expressão qualquer tipo de iniciativa/movimento sustentando o diálogo. Sectores mais moderados na Frelimo acolhem com algum embaraço acusações de que há um plano previamente trançado para assassinar altos membros da Renamo, acção que consideram que pode agudizar o clima de confrontação armada de desfecho imprevisível. T rês drones Schiebel Campter vão fiscalizar as águas moçambicanas a partir deste mês e são parte de uma encomenda de USD200 milhões feita em Setembro de 2013 ao estaleiro francês de Cherbourg, CMN, que incluiu a compra de 24 barcos de pesca de atum e interceptores HSI 32, noticia o site sul-africano sobre notícias relacionadas com assuntos de defesa e segurança Defence Web. A Defence Web escreve que os três drones (UAVs – Aerial Unmanned Vehicle, ou seja, veículos aéreos não tripulados) serão operados a partir de um navio patrulheiro Ocean Eagle 43, parte de três patrulheiros que fazem parte do pacote solicitado pelo Governo de Armando Guebuza em Setembro de 2013. Os três Camcopter S-100 foram fabricados pela companhia Schiebel, da Áustria e já foram pré-testados em Cherbourg, França, aguardando testes definitivos em Moçambique. O Camcopter pode operar tanto de dia como à noite, mesmo perante condições de tempo adversas, deslocando-se até 200 quilómetros, tanto no mar como em terra. O Ocean Eagle tem 43.6 metros de comprimento, está equipado de quarto motores Scania para uma velocidade de 30 nós e dispõe de um alcance de três mil milhas por 20 nós. Dispõe de uma pequena plataforma para albergar um helicóptero com menos de 300 quilos. A Defence Web não faz nenhuma ligação entre os drones e os patrulheiros à aquisição de navios de pesca e de patrulha da Ematum no polémico negócio de USD850 milhões nem ao mais recente caso envolvendo a Proindicus, que terá contraído uma dívida de mais de USD787 milhões para a compra de patrulheiros e equipamento de segurança marítima. Contudo, a referência ao estaleiro de Cherbourg não deixa dúvidas de que o negócio dos drones está incluído nos contratos em torno da Ematum e Proindicus, visto tratar-se do fabricante CMN. Entretanto, a bancada parlamentar da Frelimo recorreu, nesta terça- -feira, à ditadura do voto para evitar que o Governo se desloque ao Parlamento para explicar os contornos da dívida da Proindicus, um pedido com “carácter de urgência” feito pela Renamo, o maior partido da oposi- ção. Recorde-se que documentos divulgados pelos bancos suíço Credit Swisse e russo VTB, instituições financeiras que lideraram a venda de títulos de dívida que financiaram a operação EMATUM, revelaram que o Executivo dirigido por Armando Guebuza se endividou em mais USD787 milhões, através de uma outra empresa, supostamente para despesas de equipamento de protecção marítimo. A divulgação destes documentos pelo Wall Street Journal (WSJ) surpreendeu meio mundo, o que motivou o pedido da Renamo para que o Governo se explicasse na sede do Parlamento, o que a Frelimo recusou. Para justificar o seu posicionamento, a Frelimo, na voz da deputada Helena Música, argumentou que votou contra porque o assunto do endividamento público precisa de ser “debatido com serenidade e muita ponderação técnica”. “O assunto deve ser debatido com a devida serenidade, ponderação técnica que o tema exige. Votamos contra porque ao trazer ciclicamente esta maté- ria a Renamo pretende ganhar simpatias e manipular a opinião pública”, precisou Helena Mú- sica, no momento reservado às declarações de voto. Por outro lado, a Renamo e o Movimento Democrático de Moçambique disseram que ficou claro, até para quem “põe óculos de madeira” que o caso Ematum é, efectivamente, um crime doloso “e que como se trata de crime, as pessoas envolvidas deviam ser responsabilizadas judicialmente”. A reprovação, de acordo com a oposição, prova mais uma vez que o dossier Proindicus e muitos outros prejudicam verdadeiramente o povo, e isto tudo apadrinhado pela bancada do partido no poder. (Redacção) Negócio Ematum e Proindicus inclui compra de drones Procurador Marcelino Vilanculos assassinado a tiros em frente à sua casa Savana 15-04-2016 11 INTERNACIONAL SOCIEDADE Para muitos sul-africanos, os irmãos indianos Gupta têm a família Zuma no bolso. Além de serem sócios nos negócios do filho de Zuma, Duduzane, o seu enorme poder financeiro e os tentáculos de polvo que ostentam terão lhes dado influência suficiente até para escolher, à socapa, ministros, que pudessem ser subservientes no tabuleiro da actividade empresarial que desenvolvem na África do Sul. Mas a aliança Gupta-Zuma parece estar a ruir. Atul Gupta e Ajay Gupta terão deixado a África do Sul no seu avião privado com destino aos Emiratos Árabes Unidos na quinta- -feira da semana passada, após abandonarem os seus postos na Oakbay Investiments, o grupo empresarial que controla os negócios da família, incluindo no poderoso sector mineiro da África do Sul. Em comunicado, Duduzane Zuma também anunciou que resigna do posto de director da Shiva Uranium Company, detida pela Oakbay Investiments, e de outros 11 postos de direcção nos negócios daquela família. Adianta ainda que pretende vender as suas participações na sociedade. Os Guptas e Duduzane decidiram sair da liderança da Oakbay depois de vários bancos sul-africanos terem anunciado o corte de relações comerciais com o grupo, evocando riscos associados a uma parceria que passou a ser lesiva à sua reputação. Entre as entidades que decidiram cessar a sua cooperação com os Guptas incluem-se o Barclays e a firma de auditoria KPMG. ANC dividida Sectores ligados ao Congresso Nacional Africano (ANC), partido no poder na África do Sul, e vários quadrantes da opinião pública sul- -africana estão estarrecidos com as ligações entre a família Gupta e Zuma, pois entendem que essas relações foram usadas para beneficiar a Oakbay em vários negócios. Aliás, lembram os críticos, a oferta de cargos a quadros do ANC por parte dos Guptas visava garantir livre-trânsito no acesso a oportunidades de fazer negócios. O escândalo que associa os Guptas a Zuma é mais um nos últimos dias. Na semana passada, o Presidente sul-africano foi alvo de um acórdão avassalador do Tribunal Constitucional sul-africano, que considerou o caso da utilização ilegal de fundos públicos para a reabilitação da casa de campo do chefe de Estado sul-africano em Nkandla como um exemplo de uma corrupção que se pode comparar a um “Golias” ante um sistema judicial personificado pelo pequeno “David”. No acórdão, o Tribunal Constitucional sul-africano considera que Jacob Zuma violou a lei fundamental do país ao recusar-se a devolver milhões de dólares indevidamente usados nas obras da sua habitação, supostamente como parte do reforço do sistema de segurança do local. Vários membros importantes do ANC, incluindo o ex-ministro das Finanças Trevor Emanuel já exigi- $FXVDGRVGHLQÁXHQFLDUQRPHDo}HVSDUDR*RYHUQR Amigos milionários de Zuma abandonam África do Sul ram a demissão de Jacob Zuma do cargo de chefe de Estado e alguns acusam o Presidente de trair a memória do líder histórico do partido no poder Nelson Mandela, que se bateu pela integridade nos negócios do Estado. Mas nesta batalha - mais uma - Jacob Zuma não está sozinho. A influente Liga de Mulheres do ANC (ANCWL) reiterou na quarta-feira o apoio ao líder e “vergastou” publicamente Trevor Emanuel, acusando a esposa do ex-ministro das Finan- ças de ter beneficiado de favores de bancos que financiaram o regime do “apartheid”. “Muitos entre o nosso povo sabem o quão e que sacrifícios suportámos para chegar onde estamos hoje, mas, quando olhamos para a frente, é evidente que o nosso povo ainda luta para conseguir a partilha da riqueza que deve ser partilhada de acordo com a Carta da Liberdade”, disse Meokgo Matuba, secretária-geral da ANCWL. É, prosseguiu Matuba, injusto, após 22 anos de entrega à causa patrió- tica, ouvir instituições que sugaram o povo sul-africano e continuam a plantar a discórdia. Savana 15-04-2016 13 0DSXWR GH$EULOGH ‡$12;;,,,‡1o 1162 A Água da Namaacha, uma marca propriedade da Sociedade de Águas de Mo- çambique, é a primeira empresa nacional a vencer o prémio internacional The Winner Award, um dos reconhecimentos empresariais mais importantes do mundo, por reunir líderes empresariais e empresas que contribuem de forma relevante para o crescimento dos seus países nas mais variadas categorias. Miguel Padrão, director de Marketing da Sociedade de Águas de Moçambique, referiu que se trata de uma distinção de elevadíssimo nível, atribuída por um grupo de profissionais competentes e atentos àquilo que de melhor se vai fazendo no sector das águas minerais um pouco por todo o mundo. “Decidiram premiar em termos de excelência internacional uma equipa nacional que valoriza diariamente, com o seu esforço e competência, uma das várias riquezas naturais de Moçambique”, disse. Miguel Padrão referiu ainda que a Água da Namaacha faz questão de partilhar esta distinção com os mo- çambicanos que, ao preferirem esta marca no seu quotidiano, ajudam a prestigiar a capacidade e a qualidade de produção nacional e elevar bem alto, além-fronteiras, o nome de Moçambique. Refira-se que Água da Namaacha receberá o prémio The Winner Award 2016 no próximo dia 11 de Junho, no Rio de Janeiro, no Brasil. SAM vence “The Winner Award 2016” O Moza, um dos bancos com maiores níveis de crescimento em Moçambique, acaba de ser distinguido, pelo segundo ano consecutivo, como o Banco mais inovador na África Austral – “Most Innovative Bank” -, pela prestigiada revista “Banker Africa”, no âmbito dos “Southern Africa Banking Awards 2016”. Para o CEO da Banker Africa, Robin Amlot, o Moza foi selecMoza “O Mais inovador da África Austral” cionado pela consistente inovação nos serviços e soluções financeiras que disponibiliza aos seus clientes e ao mercado em geral. “Esta distinção alcançada pelo Moza traduz o reconhecimento por parte da comunidade financeira regional, do desempenho extraordinário do Banco na busca e desenvolvimento de soluções inovadoras, num sector altamente competitivo.” Por seu turno, Ibraimo Ibraimo, Presidente da Comissão Executiva do Moza, referiu: “este prémio é resultado do enorme empenho, dedicação e determinação dos nossos colaboradores que trabalham incansavelmente para conceber e providenciar serviços, produtos e soluções totalmente inovadores e adaptadas à realidade do país e, principalmente, da confiança que os nossos Clientes, tanto particulares como empresas e instituições públicas e privadas, depositam no Moza. (Elisa Comé) Savana 15-04-2016 14 A coca-cola lançou, recentemente, a nova campanha denominada “Saboreia a Sensação”. O lançamento da nova campanha incluiu uma viagem de sensações para diferentes convidados, num passeio de barco SDUDDLOKD;HÀQD Depois de anos com o slogan “abre a felicidade” a acompanhar o tão conhecido hino da Coca-Cola, chegou a altura da marca se renovar com o Saboreia a Sensação. Para marcar este novo posicionamento, foi também criado um novo hino para a marca, a nível internacional, porém adaptado a cada país. No caso de Moçambique, a música conta com a doce voz de Regina dos Santos, a vocalista da banda GranMah que, segundo a nova Brand Manager da Coca-Cola, Janine Viseu, “remete-nos para momentos especiais e únicos e vai com certeza fazer parte do dia-a-dia dos moçambicanos.” Durante o evento, os convidados tiveram o prazer de assistir ao lançamento do novo hino da Coca-Cola, num mini-concerto, em pleno mar. O dia ficou marcado por inúmeras actividades, mas sobretudo pelo Coca-cola desperta novas sensações real prazer de beber uma Coca-Cola bem fresca, servida por profissionais com toda a magia que a marca exige para um momento especial. De acordo com Janine Viseu, da Coca-cola “mais do que uma campanha, este é um marco na história da Coca-Cola! Saboreia a Sensação traz um novo reposicionamento da marca em que pretendemos valorizar a nossa essência e o simples prazer de beber uma Coca-Cola bem gelada, sem outras distrações. (RR) A problemática dos Casamentos Prematuros em Moçambique é extremamente preocupante, situação que coloca o país na 7a e 10ª posições a nível do continente africano e do mundo, respectivamente. Estes dados foram divulgados pelo Ministério do Género, Criança e Acção Social, nesta segunda-feira, aquando do lançamento da Estratégia Nacional de Prevenção e Combate a Casamentos Prematuros 2016-2019. A estratégia foi aprovada no dia 01 de Dezembro de 2015 pelo Conselho de Ministros. O objectivo principal desta estratégia é de criar um ambiente favorável à redução progressiva e combate dos casamentos prematuros e garantir a sua prevenção e mitiga- ção. Na sua intervenção, a Ministra do Género, Criança e Acção Social, Cidália Chaúque, afirmou que a posição em que Moçambique se situa constitui uma grave violação dos direitos humanos e da criança e, consequentemente, compromete o futuro do país. Ainda no mesmo contexto, citando o índice demográfico e de saúde, Chaú- que referiu que em Moçambique 14 % das mulheres, entre os 20 e 24 anos de idade, casaram-se antes dos 15 anos e 48% casaram-se antes dos 18 anos. Em termos de distribuição geográfica, as províncias da zona centro e norte são mais afectadas com destaque para Nampula, Zambézia, Cabo Delgado, Tete e Manica. Chaúque acrescentou que acabar com este mal não é só tarefa do governo, daí que as organizações da sociedade civil, líderes religiosos, comunitários, as escolas e a sociedade em geral devem dar o seu contributo. Finalizando, a governante apontou como desafios a divulgação da estratégia, a reforma legal com destaque para a lei da família, estabelecendo idade núbil em 18 anos sem excepção e intensifica- ção de campanhas de sensibiliza- ção nas escolas e nas comunidades. (Elisa Comé) Moçambique em situação alarmante Casamentos prematuros Savana 15-04-2016 15 A Anadarko Mozambique procedeu recentemente à doação de equipamento de laborató- rio à Universidade Lúrio, em Pemba, na província de Cabo Delgado. O equipamento orçado em USD100 mil será usado para apoiar as ciências geológicas, engenharia civil e engenharia mecânica. Na ocasião, foi assinado um memorando de entendimento que preconiza o apoio da Anadarko à Universidade Lúrio em Pemba na capacitação de quadros daquela instituição. De acordo com o Presidente da empresa, John Peffer, a perspectiva de responsabilidade social empresarial da Anadarko procura apoiar os sectores chaves de maior interesse, sendo um deles a capacitação e ensino, uma vez que em Maputo já desenvolvem parcerias com a UEM Anadarko doa equipamento de laboratório à UNILÚRIO e outras instituições relacionadas. “Procuramos trazer moçambicanos na nossa massa laboral, seja directamente na Anadarko, através dos subcontratantes, ou através de outras áreas de negócio para que com tempo os moçambicanos possam assumir o domínio das técnicas e venham a ver estes recursos desenvolverem-se sob a execução dos mesmos”, disse Peffer. Por sua vez, o Reitor da Universidade Lúrio, Francisco Noa, precisou que esta doação terá um efeito multiplicador e fará jus àquilo que é o objectivo da Universidade, que é formar quadros com qualidade e com acesso directo às tecnologias. “Vamos tentar de melhor forma honrar este gesto, produzindo quadros de enorme qualidade, produzindo ciência também de grande qualidade e concorrendo dessa forma para o desenvolvimento do nosso país”, disse Noa. (Elisa Comé) I ncomparável e igual a si mesma, a jornalista Magda Burity, que nos últimos anos tem se aventurado entre Moçambique, Portugal, África do Sul e Angola, regressa aos ecrãs “O Meu Peso perfeito” de Magda Burity da tv, para apresentar o seu mais recente projecto “O Meu Peso perfeito”. O Reality Show, transmitido na Dstv, através do canal Jango Luxo, na posi- ção 512, desde o dia 7 de Fevereiro, FRQWD D WUDMHWyULD GRV GHVDÀRV GH Magda Burity, na sua luta diária para atingir o peso ideal. “Mais do que um programa de televisão, o “O Meu Peso Perfeito” é um projecto pessoal e um problema que tenho tentado combater há muitos anos e que agora pretendo transformar num trabalho social que vai tentar transformar a vida daqueles que como eu se revêm nesta luta contra a obesidade, em prol da saúde qualitativa das pessoas com dificuldades na gestão do peso”, explica a protagonista do reality que terá 13 episódios e será uma história de superação com momentos divertidos, muita tentação e drama à mistura. Para o director do canal, António Diogo, “o programa ‘O Meu Peso Perfeito’ será inspirador para os homens e mulheres angolanas. É um drama real, profundo e vivido de forma muito intensa. O público que for assistir ao Festival TropicalZouk 2016 terá acesso a serviços de transporte que serão disponibilizados pela produção do evento. Os utilizadores destes serviços não terão quaisquer encargos adicionais, devendo apenas apresentar o bilhete de acesso ao evenWR QDV SDUDJHQV GDV URWDV GHÀQLGDV H terão também acesso aos autocarros LGHQWLÀFDGRVFRPRVHQGRH[FOXVLYRVGR FTZ2016. Esta mais-valia, segundo explica Adam Joress, um dos organizadores do evento, surge em resultado de uma parceria estabelecida entre a Minó dos Santos Produções, empresa que organiza o evento, e a CooTrac, entidade que faz a gestão dos transportes municipais da cidade de Maputo. Nesse âmbito, a CooTrac irá disponibilizar oito autocarros que funcionarão a partir das 13h00 do dia 23 de Abril até às 7h00 do dia 24 de Abril. Trata-se de uma medida que tem como principal objectivo reduzir ao máximo possível os constrangimentos relacionados com o tráfego e com a necessidade de estacionamento no Festival TropicalZouk 2016 com transporte Gratuito local do evento. E, na perspectiva de garantir maior flexibilidade por parte do público, para as horas consideradas como sendo as de maior movimenta- ção de pessoas, serão postos a circular mais quatro autocarros para reforçar a frota, totalizado 12 viaturas. Os autocarros terão dois pontos de partida: a Estátua Eduardo Mondlane, na avenida com o mesmo nome, e na Versalhes, na avenida 24 de Julho. Os autocarros seguirão o percurso inteiro das respectivas avenidas, recolhendo o público em todas as paragens dos Transportes Públicos de Maputo (TPM), seguindo pelas avenidas Julius Nyerere e Marginal, desembocando na pista do ATCM, o local do evento. Todos os autocarros estarão devidamente identificados e a placa de destino indicará “Festival TropicalZouk”. Os utentes apenas terão de exibir o respectivo de bilhete de acesso ao festival e automaticamente terão acesso aos autocarros, que funcionarão de forma regular e ininterrupta levando o público do centro da cidade ao recinto do evento e vice-versa. Savana 15-04-2016 16 PUBLICIDADE A Eni East África S.p.A. convida as empresas interessadas a apresentarem manifestações de interesse para a compra de BARCOS DE CASCO RIGIDO E INSUFLAVEIS (RHIBS) SEMI NOVO (RHIBS) propriedade da empresa e actualmente em Pemba. Os RHIBS serão vendidos a partir da base logística da Eni East Africa S.p.A localizada em Pemba. A lista detalhada dos materiais e equipamentos será fornecida as entidades que responderem a este pedido de manifestação de interesse. Os interessado em adquirir na totalidade ou parte dos items disponíveis, deverão responder a este anúncio público fornecendo (para o endereço de e-mail: eea.procurement@eni.com) os detalhes de contacto da pessoa a ser contactada. Quaisquer custos incorridos pelas empresas interessadas na preparação da Manifestação de Interesse serão da total responsabilidade das empresas, as quais não terão direito a qualquer reembolso por parte da Eni East Africa a este respeito. PEDIDO DE MANIFESTAÇÃO DE INTERESSE VENDA DE BARCOS DE CASCO RÍGIDO E INSUFLÁVEIS SEMI NOVOS (RHIBS) DA ENI EAST AFRICA S.p.A Eni East Africa S.p.A. invites interested companies to submit expressions of interest for purchasing of three SEMI NEW RIGID-HULLED INFLATABLE BOAT (RHIBS ) owned by the company and currently stocked in Pemba. The RHIBS shall be sold ex-works from Eni East Africa logistic base located in Pemba. Detailed information and pictures of the three RHIBS, including last inspection report, will be provided to entities who reply to this request for expression of interest. If you are interested in purchasing all, or some of the available RHIBS, please reply to this public announcement providing (to the e-mail address: eea.procurement@eni.com) the contact details of the person of your organization to be contacted. Any cost incurred by interested companies in preparing the Expression of Interest shall be fully born by companies who shall have no recourse to eni east africa in this respect. REQUEST FOR EXPRESSION OF INTEREST SALES OF SEMI NEW RIGID-HULLED INFLATABLE BOAT (RHIBS ) OF ENI EAST AFRICA SpA UNFPA, Fundo das Nações Unidas para População, é uma agência internacional de desenvolvimento que trabalha em prol de um mundo onde cada gravidez é desejada, cada parto é seguro e o potencial de cada jovem é realizado. O UNFPA solicita candidaturas de cidadãos moçamELFDQRVTXDOLÀFDGRVHH[SHULHQWHVSDUDDVHJXLQWHYDJD Posto # e título: SC/UNFPA/2016/002 – Título: Analista Financeiro e Administrativo Tipo de contrato, nível: Service Contract, nível SB-4 Local de Trabalho: Nampula, Mozambique Duração: Sete meses e possibilidade de renovação dependendo do desempenho satisfactório e disponibilidade de fundos Prazo da candidatura: 28 de Abril 2016 Principais e tarefas e responsabilidades: Em coordenação com o pessoal chave do UNFPA e do projecto, ele/ela irá: Apoiar as equipa provinciais e distritais na elaboração do orçamento anual, incluindo planos GHGHVHPEROVRVHSUHHQFKLPHQWRGHIRUPXOiULRVHVSHFtÀFRV DSRLDUQD SODQLÀFDomRGRV RUoDPHQWRV DQXDLV HSODQRVGH DTXLVLo}HV JDUDQWLU D qualidade e abrangência dos pedidos de desembolso para as agências GD218 SUHVWDUDVVLVWrQFLDQDREWHQomRGHIXQGRVHVLVWHPDVGHFRQWDELOLGDGHHÀFD]HV DVVHJXUDUDOLTXLGDomRDWHPSDGDGRVDGLDQWDPHQWRV SUHSDUDU RV GDGRV SDUD UHODWyULRV ÀQDQFHLURV DSRLDU RV HVFULWyULRV QD preparação de processos de contabilidade e prestar aconselhamento soEUHVHXVSURFHGLPHQWRVÀQDQFHLURV FRPRIRFRQDSUHVWDomRGHFRQWDVH WUDQVSDUrQFLD DSRLDURGHVHQYROYLPHQWRGDFDSDFLGDGH IRUPDomRHP VHUYLoRHPFRQWDELOLGDGH JHVWmRÀQDQFHLUDGRVIXQGRVGRSURMHFWRSDUD RSHVVRDOGRSURMHFWRQDSURYtQFLDHDQtYHOGLVWULWDO DSRLDUUHJXODUPHQte os parceiros de implementação na produção atempada de relatórios ÀQDQFHLURVHGHDFRUGRFRPRVSUD]RVHUHJUDVDFRUGDGDV GHVHPSHQKDU qualquer outra actividae solicitada pelos gestores do programa. Requisitos gerais:0HVWUDGRHPDGPLQLVWUDomRGHHPSUHVDV H RXÀ- QDQoDV RX iUHDV DÀQV DQRV GH H[SHULHQFLD FRPSURYDGD QD iUHDGH DGPLQLVWUDomRRXFRQWDELOLGDGHGHSURMHFWRV H[FHOHQWHFDSDFLGDGHGH SODQLÀFDomR RUoDPHQWDomRH YHULÀFDomRGH FRQWDV H[FHOHQWHÁXrQFLD HP3RUWXJXrVHGRPtQLRGH,QJOrV SURÀFLrQFLDHPDSOLFDo}HVGHVRIWZDUHGHHVFULWyULRDFWXDLV LQFOXLQGRGRPtQLRGH:RUGH([FHO Como se candidatar: A Descrição do Trabalho detalhado para a vaga estão disponíveis na recepção do escritório do UNFPA em Maputo no HQGHUHoRHVSHFLÀFDGRDEDL[R GDV DWp KRUDV GHVHJXQGDD TXLQWD IHLUD RX SRGH VHU VROLFLWDGR DWUDYpV GR H PDLO UHFUXLWPHQW# unfpa.org.mz. Os interessados devem submeter as suas candidaturas DFRPSDQKDGRVSHOR&9DWXDOL]DGRHRIRUPXOiULR3 GLVSRQtYHOHP KWWS VDV XQGS RUJ GRFXPHQWV S BSHUVRQDOBKLVWRU\BIRUP GRF endereço completo e detalhes de contato e, pelo menos, três referências. 1mRKiQHQKXPFREUDQoDGH WD[DGHFDQGLGDWXUD SURFHVVDPHQWRRX de outra natureza. O UNFPA não solicita ou procura obter informações dos candidatos quanto ao seu estado de HIV ou SIDA e não discrimina com base na situação de HIV e SIDA. As candidaturas devem ser subPHWLGDVQRHQGHUHoRDEDL[RDWpRGLD GH$EULOGH UNFPA, Fundo das Nações Unidas para População Av. Julius Nyerere , 1419, PO Box 4595, Maputo, Mozambique Anúncio de Vaga Posto # SC/UNFPA/2016/002 – Analista Financeiro e Administrativo 12 Savana 15-04-2016 Savana 15-04-2016 17 NO CENTRO DO FURACÃO Aescassez de produtos frescos nos maiores centros urbanos do país, concretamente a cebola, o tomate e a batata-reno, que provoca o agravamento de preços destes, levou o Ministro da Indústria e Comércio, Max Tonela, a visitar, semana passada, o Mercado Grossista do Zimpeto, na Cidade de Maputo, e os campos agrícolas do distrito da Moamba, província de Maputo, para inteirar- -se das suas capacidades de abastecimento. Acompanhado pelos quadros do Ministério, o governante começou o seu trabalho de campo por volta das 7:20 horas, no Mercado Grossita do Zimpeto e terminou por volta das 17:30 horas, na Vila da Moamba. Tanto no Zimpeto, assim como na Moamba, Max Tonela ouviu reclamações, choros e propostas para as possíveis soluções deste problema, mas foi em Moamba onde o tom foi elevado e se descreveu o outro lado da crise alimentar no sul do país. Os agricultores reconhecem que a estiagem reduziu as suas capacidades de produção, mas apontam a comercialização dos seus produtos a baixos preços como sendo o principal factor e pedem o agravamento das taxas de importação dos produtos frescos, por forma a proteger a produção nacional. Enquanto isso, os comerciantes reclamam a isenção total das taxas alfandegárias na importação desses produtos e a criação de um banco de crédito para comerciantes, à semelhança dos funcionários públicos, que dispõem de um banco com mesmas características. As lágrimas dos agricultores O distrito da Moamba, localizado no extremo oeste da província de Maputo, é um dos grandes fornecedores de produtos frescos do Mercado Grossista do Zimpeto, tornando-se num actor principal na economia nacional, uma vez que aquele mercado abastece a zona sul e uma parte da zona centro do país. Este distrito tem potencial na produção de hortícolas, com destaque para o tomate, batata-reno, cebola, pepino e pimento. Entretanto, a seca levou estes produtos, deixando os campos secos, cheios de capim e as valas sem água, assim como o Rio Incomati, a principal fonte deste precioso líquido. Angélica Chissano, Secretária da Associação dos Agricultores do Bloco 2, naquele distrito, aponta a falta de interacção e programação entre os intervenientes desta cadeia de valores (do produtor até ao comerciante), como principal factor da escassez dos alimentos no país. “A programação é muito importante. O agricultor deve saber que há momento de preparo da terra, da sementeira e da colheita, de modo a que o seu produto entre na corrida com os outros. Para isso, tenho de ser ensinado e também devo aceitar aprender. Deve haver interacção e envolvimento de todos os intervenientes. Desde o agricultor até ao comerciante”, disse. Esta Associação é composta por 250 membros e dispõe de 480 hectares de terra arável, que entretanto estão mergulhados numa mata. Na mesma situação está a Associação de Agricultores do Bloco 1. Com 120 membros, dos quais 70 mulheres, esta agremiação tem 485 hectares, mas por causa da seca, só trabalha 280 hectares. No ano passado, o grupo de agricultores cultivou 60 hectares, de onde produziu 150 toneladas de batata e, para este ano, afirma estar preparado para voltar ao terreno, faltando apenas o dinheiro. “Estamos tremidos nesta época porque não temos sementes. Temos terra, água e mão-de-obra, mas faltanos dinheiro para investir (150 mil MT, no mínimo)”, afirmou Joshua Sitoe, presidente da Associação dos Agricultores da Moamba e representante do Bloco 1, questionado pelo Ministro se havia condições de produzir a batata-reno neste ano. Joshua conta que a situação que o país vive, actualmente, já era prevista e que o governo teve conhecimento do mesmo, mas ninguém se preocupou em criar condições para colmatá- la. “A África do Sul avisou-nos, em 2010, numa conferência sobre a agricultura, que a sua produção estava a declinar. Mas, não nos preparamos para fazer frente a este problema e hoje estamos a pagar a factura”, revelou. A fonte acrescenta que, em 2014, a Associação que dirige fez um trabalho de base sobre os problemas da agricultura com o Fundo do Desenvolvimento Agrário (FDA) e a Confederação das Associações Económicas (CTA), sob orientação do ex-Ministro da Indústria e Comércio, Armando Inroga, mas “o documento final morreu no CEPAGRI, sem ter chegado ao Gabinete do Ministro”. Joshua reafirma que o distrito tem potencial para produzir batata, milho, pepino, pimento e tomate, mas para tal, “é preciso que o Governo não tenha medo de investir na produção”. “Temos de ver a cadeia de valores, desde a produção, a conservação, o transporte até a comercialização. A conservação dos produtos é deficiente. Dispomos de frigoríficos, mas não funcionam há sete anos”, sublinhou a fonte. A par das Associações, existe, em Moamba, agricultores singulares, como é o caso de Hortelão Matusse que, neste ano, investiu cerca de dois milhões de meticais para o cultivo do tomate, pimento e da batata. Matusse afirma que “se chorávamos por causa da seca, agora é que vai começar, porque já não temos reservas. Nem para um mês”, explicou, justificando que isso se deve à desorientação dos agricultores por causa dos prejuízos provocados pela seca e “roubalheira” no Zimpeto. Para este, o problema tem a sua origem no topo, porque “parece que os Ministérios da Agricultura e Comércio andam avessos. Não parece fazerem parte do mesmo governo. Não há complementaridade no trabalho que é feito por estes dois sectores”, destaca. A fonte acrescenta que a desvalorização do agricultor também contribui para o actual cenário, porque “quando chega a quadra festiva, só os comerciantes são chamados à mesa de diálogo para lhes dizer que devem reduzir os preços, mas nunca perguntam ao agricultor se tem produtos para abastecer o mercado”. Apesar disso, Hortelão continua a trabalhar a terra e, agora, chora mais pela melhoria das condições de produção. “Já dispomos de um bom sistema de irrigação, mas para uma boa produção, precisamos de estufa porque permite a redução da temperatura em 40%. Com a estufa, a cebola pode resistir entre seis a nove meses”, observa Hortelão Matusse, apontando também a isenção na importação do equipamento agrícola. “As Alfândegas não conseguem identificar o que é equipamento agrícola e material de construção. Cobram as mesmas taxas. Passamos mal na importação deste equipamento. Pedimos isenção”, rogou aquele agricultor. Machiane aponta a construção de fábricas de sementes, insecticidas e pesticidas como sendo uma parte da solução do problema, pois segundo ele, não é possível que a África do Sul forneça sementes de qualidade, sendo concorrente directo no mercado moçambicano. “A produção de sementes no nosso país é imperiosa. Todas as sementes, pesticidas, e adubos que usamos no país vêm da África do Sul, o nosso concorrente directo no mercado nacional. Por isso, tudo chega adulterado. Quem nos garante que recebemos sementes de qualidade?”, questionou, antes de apontar também a conservação dos produtos como calcanhar de Aquiles no nosso país. “Antigamente, fazíamos contratos para a conservação de produtos com empresas privadas e não faltava espaço, mas agora é difícil acontecer. A batata sul-africana, que consumimos, é congelada. Os agricultores deixam os seus produtos lá e, quando chega o tempo de ir ao mercado, vão buscar”. Mercado do Zimpeto desincentiva a produção Além das condições de produção, os agricultores reclamam acerca da organização do sector comercial. Aliás, é sobre a chamada “roubalheira do Zimpeto” que a maior parte das vozes ouvidas por Max Tonela se concentrou. Segundo o grupo, que assumiu ser produtor e não comerciante, o Mercado Grossista do Zimpeto é o maior desincentivador da produção, porque determina os preços sem ter em conta os custos de produção. Em coro, estes falam de sabotagem e desinteresse dos comerciantes daquele Mercado Municipal da capital do país em relação aos seus produtos, manifestando-se com a sua comercialização a baixos preços que os sul-africanos, não dando retorno de investimento. “O pouco que nós produzimos tem tido grandes dificuldades na sua comercialização. Posso produzir bem o tomate em 20 hectares, mas quando chego no Zimpeto o preço da venda não compensa. Na machamba, a colheita por caixa custa 10 MT e no mercado também querem comprar a 10 MT. Este preço nem paga a semente”, reclama Angélica Chissano, da Associação de Agricultores do Bloco 2, revelando que a sua agremiação cobra, mensalmente, a cada associado 750 MT para pagar a factura de água. “Temos uma represa, mas a mesma está degradada, provocando infiltração de água, que podia ser utilizada durante duas semanas. Utilizamos a água com algumas restrições (duas vezes por semana), porque se não for assim, teremos ruptura no abastecimento”, garantiu Chissano. Hortelão Matusse diz que está endividado, mas o Mercado do Zimpeto não lhe dá dinheiro para pagar a dívida. “Estamos a chorar. O Mercado do Zimpeto não nos ajuda porque estes não vêm ao local de produção. Esperam por nós no Mercado para influenciarem os preços”, avança a fonte, apontando o agravamento das taxas alfandegárias na importação dos produtos frescos como uma das soluções, como acontece no sector açucareiro. Machiane afirma que “os nossos produtos são os mais baratos do mercado”, diferentemente dos produtos sul-africanos, citando os casos da cebola e da batata que são vendidos entre 30 a 50 meticais (10 kg) contra os 200 e 300 para os produtos sulafricanos. “Gastamos 150 mil meticais para comprar as sementes da batata só para produzir dois hectares e, durante a venda, não recompensamos nada. Não contamos água, electricidade, insúmos, adubos, entre outras matériasprimas”, revela. Para este, é preciso que se uniformize os preços, pois o agricultor é que sofre, porque o comerciante determina o preço, de acordo com as suas vontades. “Quando chega no Mercado do Zimpeto, quem marca o preço é o ‘gay-gay (carregador)’. Aumenta mais 50 meticais por cada caixa e chega a ganhar mais que o próprio produtor”. Enquanto uns pedem o agravamento das taxas de importação dos produtos frescos da África do Sul, Suleiman Ngwenha afirma que dificilmente iremos limitar o mercado sul-africano, porque não produzimos. “É preciso que a gente produza para que possamos ter produtos nossos no mercado. O desemprego, neste país, pode acabar, basta que se aposte na agricultura. Os nossos irmãos vão à África do Sul trabalhar nas machambas, porque é que não o podem fazer aqui? Podemos tornar aquelas ‘mukheristas’ em cooperativistas para conservarem e comercializarem os nossos produtos, como acontece na África do Sul”, sugeriu. Zimpeto também chora Os choros não só vêm da Moamba, como também do maior mercado grossista do país. Logo pela manhã, Max Tonela acompanhou a dinâmica comercial daquele mercado e testemunhou o sofrimento a que os seus compatriotas estão sujeitos. Constatou, no terreno, a redução da quantidade fornecida diariamente, assim como a subida acentuada dos preços. Na manhã daquela segunda-feira, 4, o tomate era comercializado entre 720 a 900 meticais, mas todo de péssima qualidade. Este era o preço final de um produto, que na verdade custava entre 650 a 850 meticais, mas devido ao chamado voto (taxa paga a quem carrega a caixa do tomate do camião até à sacola do comprador), os consumidores eram obrigados a pagar mais 50 ou 70 meticais. Sobre esta situação (do voto), o Ministro não soube no Zimpeto, mas foi na Moamba que teve conhecimento. A cebola, outro produto fresco de muita procura naquele local, custava entre 180 a 280 meticais e a batata roçava os 350 meticais. Os comerciantes justificam estes preços com o facto de todos os produtos serem importados, chegando a percorrer mais de 500 km à busca dos mesmos. “Estamos com quantidades reduzidas porque adquirimos os produtos no estrangeiro e, mesmo assim, em sítios distantes. A cebola e a batata vêm de Johannesburg e o tomate de Polokwane, na fronteira com o Zimbabwe. Não temos tomate nacional. Compramos o tomate a 100 rands e pagamos caro na fronteira pelas taxas alfandegárias. Pedimos a revisão das taxas aduaneiras. Um camião com 400 caixas paga 23 mil meticais e o de 600 caixas paga 30 mil”, explicou Paulo Mandlate, vendedor daquele mercado e proprietário de três camiões dedicados à venda do tomate. Com esta situação, Mariza Tomás, também vendedeira do Mercado Grossista do Zimpeto, pede a isenção na importação do tomate e da laranja, como acontece com a cebola e a batata-reno. “A maior parte dos produtos frescos tem isenção, menos a laranja e o tomate. Por isso, pedimos a isenção nesses produtos também. Mesmo a isenção nos outros produtos é para pessoas colectivas, porque à singulares não é aceite. Temos de pagar comissões para sermos isentos de taxas”, afirma. Fatíma Magalhães reclama do transporte da mercadoria, acusando o Ministério dos Transportes e Comunicações de lhes dificultar a vida. “O MTC complica a nossa vida, porque exige licença de transporte internacional, enquanto temos perment. Com este documento compramos e transportamos nossos produtos no Zimbabwe e na África do Sul, mas em Moçambique não é aceite”. Além destas reclamações, os comerDa estiagem à escassez dos produtos frescos Por Abílio Maolela (texto) e Ilec Vilanculo (fotos) Joshua Sitoi Entre as lágrimas na machamba e os choros no mercado -Agricultores reclamam a uniformização de preços e o agravamento das taxas de importação de produtos frescos para reduzir o produce of South Africa -Comerciantes pedem isenção na importação do tomate e da laranja, como acontece na cebola e batata No final, o Ministro da Indústria e Comércio, Ernesto Max Tonela, considerou positiva a vista àqueles locais, porque permitiu-lhes conhecer a realidade que se vive no país, através da interacção com os principais actores da economia nacional. Tonela afirma que, devido ao fenómeno das mudanças climáticas, as cheias e secas serão recorrentes, sendo, neste sentido, necessário encontrar soluções para colmatar o problema. “Temos de arregaçar as mangas e começarmos a trabalhar. Não nos podemos sentir satisfeitos pela importação dos produtos. Não podemos continuar dependentes do mercado internacional”, observou o governante, sublinhando que o país gasta, anualmente, mais de USD 340 milhões na importação de produtos alimentares. “Alguns desses produtos (arroz, milho, tomate, cebola e batata) podemos aumentar a produção para reduzirmos a importação”. Quanto às divergências entre os agricultores e os comerciantes acerca da (des) protecção da produção nacional, Max Tonela afirma que este assunto está em discussão na Pauta Aduaneira, que está em revisão, porém alerta que é preciso olharmos para os produtos que merecem protecção. “Temos de ver onde e como proteger porque não pode haver protecção que resulte no aumento do preço no consumidor final. Por exemplo, aumentar a taxa da importação de um produto que não produzimos nem 40% da procura, tem suas implicações directas no preço do consumidor. Podemos ter medidas intermediárias, como o regime de quotas (a diferença entre aquilo que o país produz e o que consumimos), mas tendo em conta também os compromissos comerciais que temos ao nível da SADC”, explicou. No que tange à organização do Mercado Grossista do Zimpeto, o Ministro da Indústria e Comércio admitiu que as regras praticadas naquele mercado não são favoráveis à boa concorrência, porém a regulação do mesmo deverá ser feita em coordenação com o Conselho Municipal de Maputo, que tutela o mesmo. “Temos de trabalhar para não continuarmos dependentes” - Max Tonela, Ministro da Indústria e Comércio Max Tonela, Ministro da Indústria e Comércio Angélica Chissano Mariza Tomás Hotelão Matusse ciantes daquele mercado pedem a criação de um banco de crédito para esta camada profissional, da mesma forma que os funcionários públicos dispõem de um banco com as mesmas características. Angélica Chissano Joshua Sitoi $JULFXOWRUHVDÀUPDTXH FRPPDLVRUJDQL]DomRHSODQLÀFDomR DDFWXDOFULVHDOLPHQWDUHUDHYLWiYHO 18 Savana 15-04-2016 OPINIÃO Registado sob número 007/RRA/DNI/93 NUIT: 400109001 Propriedade da Maputo-República de Moçambique KOk NAM Director Emérito Conselho de Administração: Fernando B. de Lima (presidente) e Naita Ussene Direcção, Redacção e Administração: AV. Amílcar Cabral nr.1049 cp 73 Telefones: (+258)21301737,823171100, 843171100 Editor: Fernando Gonçalves editorsav@mediacoop.co.mz Editor Executivo: Franscisco Carmona (francisco.carmona@mediacoop.co.mz) Redacção: Fernando Manuel, Raúl Senda, Abdul Sulemane e Argunaldo Nhampossa )RWRJUDÀD Naita Ussene (editor) e Ilec Vilanculos Colaboradores Permanentes: Machado da Graça, Fernando Lima, António Cabrita, Carlos Serra, Ivone Soares, Luis Guevane, João Mosca, Paulo Mubalo (Desporto). 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O assunto transformou-se numa questão ideológica, e dependendo do lado do pêndulo político-ideológico em que cada um se posiciona, vão sendo tecidas diversas teorias sobre o seu estatuto, incluindo o bizarro debate sobre se são refugiados ou deslocados. Agora o assunto atingiu a tribuna da Assembleia da República, através de uma proposta dos 89 deputados da Renamo para que seja constituída uma comissão parlamentar de inquérito sobre as razões que os levaram a abandonar o país. Claro que para não fugir à regra, a bancada da Frelimo, que é a maioria, votou contra a proposta. O seu argumento é de que o assunto estava a ser investigado pela Procuradoria Provincial de Tete, e como tal não havia necessidade de um outro exercício que se pudesse configurar numa intromissão em matéria subjudice. À semelhança do debate sobre se aqueles moçambicanos são refugiados ou deslocados, também um argumento bizarro. É bizarro porque o trabalho do Ministério Público não torna impeditivo que a Assembleia da República exerça as suas funções, mesmo que seja sobre o mesmo assunto. Por outro lado, o Ministério Público não é um tribunal. Por isso, a matéria em causa não pode ser considerada como estando pendente em tribunal, o que justificaria que se aguardasse pela decisão judicial transitada em julgado. As verdadeiras motivações da bancada da Frelimo são mais políticas do que o simples facto de que a Procuradoria de Tete esteja a investigar o assunto. São motivações que analisadas abaixo da superfície, sem qualquer tipo de emoções, podem constituir um gravíssimo perigo para o futuro da democracia e do constitucionalismo sobre o qual deve assentar o nosso sistema democrático. O voto dos deputados da Frelimo não teve como base a consciência de cada um, tendo em conta aquilo que cada um poderá ter entendido ser o supremo interesse nacional. Foi uma reacção instintiva e colectiva, para proteger interesses político-partidários. Compreendem-se as razões que levam a bancada da Frelimo a agir desta forma. Os seus deputados não podem questionar o governo liderado pelo presidente do seu partido, a quem em última análise devem gratidão pela sua presença no parlamento. Os nossos deputados não estão no parlamento em consequência da sua estreita ligação com o eleitorado, mas sim em função das relações de clientelismo que são a característica principal do actual sistema político. Mas quando deputados agem em função dos interesses do partido que representam, em detrimento daquilo que traça o nosso destino comum como nação, eles estão a abdicar das suas responsabilidades constitucionais como representantes do povo. E este não foi um caso episódico. Tem sido sistemático a Frelimo votar contra matérias importantes da vida nacional somente para proteger interesses do partido ou actos ilícitos praticados por alguns dos seus membros. Em verdadeiras democracias, a acção de um pequeno grupo de indivíduos, agindo fora da lei, é reprimida para salvar e proteger o interesse comum. A Constituição da República concede ao parlamento poderes para autorizar o governo a contrair empréstimos cujo período de serviço seja superior a um exercício financeiro. Mas quando ficou-se a saber que para além da dívida assumida pelo Estado a favor da EMATUM havia uma outra dívida acima de 600 milhões de dólares a favor da Proindicus, e a oposição submeteu um pedido para que o governo fosse chamado para dar esclarecimentos, a Frelimo bloqueou a decisão, mais uma vez colocando o parlamento na situação de incumprimento das suas responsabilidades constitucionais. Os argumentos utilizados foram, mais uma vez, de uma infantilidade incrível. Uma deputada disse que o assunto tinha sido despoletado pela imprensa internacional, e que o parlamento não age em função de notícias veiculadas no estrangeiro. É evidente que a referida deputada nem tem a dimensão da reputação do órgão de informação que veiculou a informação no seio dos meios financeiros internacionais que usam essas informações para tomar decisões importantes sobre o futuro da economia do nosso país. E pelo que parece, nem está preocupada com as consequências da imprudência dos seus correligionários. Se nos afundarmos, nunca será com as mordomias dos deputados. É a função da esquizofrenia. A Função da esquizofrenia P etróleo a pelo menos 50 dólares/barril é uma necessidade cada vez mais premente para Moscovo, e na cimeira de Doha a Rússia e a Arábia Saudita vão tentar provocar a subida de preços.  Pelo lado da procura de petróleo as expectativas do mercado são baixas e Moscovo joga tudo no compromisso com Riade para congelar a produção russa em 10,9 milhões barris/dia, volume recorde pós-soviético atingido em Janeiro último. O Irão, quinto maior produtor da OPEP, ignorará o acordo russo-saudita a formalizar domingo, e irá aumentar a curto prazo a produção para perto de 4 milhões barris/dia.         Cada vez pior O anúncio do acordo ocorreu, não por acaso, no dia em que o FMI reviu a previsão de Janeiro de quebra de 1% do PIB da Rússia em 2016 para 1,8%, depois de uma queda de 3,7% em 2015. A economia poderia retomar um crescimento de 0,8% em 2017, segundo as previsões de Primavera do FMI, mas, na Rússia, ministérios, bancos e empresas   assumem estimativas mais pessimistas. A recuperação do valor dos salários reais, que sofreram uma quebra de 13% desde 2014, levará mais de uma década, de acordo com cálculos de técnicos do Ministério das Finanças de Moscovo.              O Banco Mundial (BM) estima, por sua vez, uma contracção do PIB de 1,9% em 2016, considerando o pre- ço médio do barril de petróleo a 37 usd, enquanto o cenário pessimista (30 usd/barril) implica uma quebra de 2,5%. A possibilidade de aumento do PIB de 1,1% em 2017 para o BM passa pela difícil contenção do défice orçaA salvação pelo petróleo Por João Carlos Barradas* mental em 3%, mas à custa de mais cortes em despesas sociais e do esgotamento das reservas do Fundo Soberano que em 2015 contava com 46 mil milhões usd. A governadora e o ministro Desde 2014, ano da anexação da Crimeia, a quebra do preço do petróleo (os hidrocarbonetos representam 40% das receitas do orçamento) e a imposição de sanções levaram a reajustamentos económicos que redundaram numa redução de 10% do rendimento disponível. A consequente diminuição do investimento e do consumo doméstico (-9,6%, o valor mais alto desde a crise de 2008) correu a par do aumento da pobreza que afligia no ano passado 19,2 milhões de pessoas num total de 173,8 milhões de habitantes. A Rússia está condicionada a curto prazo pelos preços do petróleo e, no entender da governadora do Banco Central de Moscovo, um crescimento a médio prazo superior a 1,5%, 2% só será possível por via de reformas estruturais, desenvolvimento do mercado doméstico de capitais e políticas económicas responsáveis. Sem entrar no pormenor da razoabilidade e fito de “políticas económicas responsáveis”, Elvira Nabiullina tem vindo ao longo dos últimos dias a proferir declarações coincidentes com as posições do ministro das Finanças.  Anton Siluanov admite que o défice orçamental chegue a 4% se o petróleo se mantiver abaixo dos 40 usd e cortes de 10% em despesas governamentais (apesar de no Ministério da Defesa a redução ficar pelos 5%) anunciados em Janeiro sejam impossíveis de concretizar ou insuficientes.   Tal como a governadora do banco central, Siluanov teme a acentuada volatilidade do rublo que em Janeiro caiu para um nível recorde em relação ao dólar (1 usd - 82 rublos) apesar de ter recuperado mais de 20% desde então. Uma política orçamental que reduza a inflação (objectivo apontado para 2017: 4%) é prioridade comum.   Desde Julho de 2015 que a taxa de referência do Banco Central está em 11% e com a inflação em 7,3% em Março será difícil a Nabiullina baixar juros. Eleições e poder As eleições parlamentares de Setembro obrigam a adiar para o Outono a adopção de medidas de emergência para tentar cumprir um défice de 3%. Putin enfrenta desde 2014, pela primeira vez, uma crise económica que se traduz numa persistente redução de rendimentos da população e cortes alargados de prestações sociais sem expectativa de reversão a curto prazo. Preços altos de petróleo foram essenciais para Putin consolidar o poder pessoal, a  partir da nomeação como primeiro-ministro em 2009, seguindo-se à eleição como Presidente em 2000, e estruturar o capitalismo de Estado russo. Falhada a modernização tecnológica e a diversificação da economia, quaisquer reformas estruturais implicam alterações profundas nas estruturas de patrocínio e partilha de recursos que fizeram a fortuna da elite russa sob tutela de Putin. A salvação pelo petróleo poderá obviar ao pior num grande aperto presente, mas não é panaceia de futuro. Muito terá de mudar e, possivelmente, passadas as eleições de Setembro, Putin irá tomar algumas iniciativas para obstar ao esboroar do seu poder presidencial. *Jornalista Você pode chamarnos refugiados que escaparam dos UHJLPHVÀVFDLV opressivos. Savana 15-04-2016 19 OPINIÃO 472 Email: carlosserra_maputo@yahoo.com Portal: http://oficinadesociologia.blogspot.com A Europa tem de parar de tornar o trabalho de Putin mais fácil e adoptar uma abordagem colectiva face ao influxo de refugiados. Pelo menos seis crises estão a testar a estabilidade da Europa: o caos regional provocado, essencialmente, pela guerra na Síria, uma potencial saída britânica da União Europeia, o influxo de refugiados numa escala nunca vista desde a Segunda Guerra Mundial, desafios financeiros por resolver, o expansionismo russo e o regresso do nacionalismo à política tradicional.  O Presidente russo, Vladimir Putin, tem exacerbado intencionalmente pelo menos quatro destas crises. A somar ao seu aventureirismo na Ucrânia, introduziu obstrucionismos nas políticas europeias através do seu apoio a partidos populistas e eurocépticos, escalando o conflito no Médio Oriente através da sua intervenção militar na Síria e, como consequência, agravou a crise dos refugiados. A UE tem de acordar para a ameaça que Putin representa e começar a responder à sua agressão.  O nacionalismo que se propaga pela Europa tem sido, na verdade, parcialmente alimentado pelo financiamento russo a partidos de extrema- -direita, cujo crescimento impediu a Europa de providenciar uma resposta colectiva à crise dos refugiados. No Reino Unido, o UKIP está a morder os calcanhares do primeiro-ministro, David Cameron, pelo que o Governo recusa comprometer-se a acolher uma justa parcela dos refugiados. De forma idêntica, a Suécia encerrou as suas fronteiras em resposta ao rápido crescimento nas sondagens do partido de extrema-direita Democratas Suecos. Estes cálculos lamentáveis estão a ser feitos por todo o continente. Entretanto  Putin tem descarrilado os esforços da comunidade internacional para negociar uma solução política para o conflito sírio, a raiz do problema da crise dos refugiados. O apoio russo ao assalto do Governo sírio à cidade de Aleppo foi um Pôr Putin no seu lugar S ou um colaborador regular da revista Solilóquio desde a sua fundação em Janeiro de 1994. É um espaço dedicado à arte, à cultura e à circulação de ideias da forma mais livre possí- vel. Tenho uma coluna a que dei o nome de “Solipanço”. Nela escrevo preferencialmente crónicas, mas de vez em quando faço incursões de apreciação sobre o que se lê, se ouve, se vê e se pensa. O Solilóquio sai às últimas sextas- -feiras de cada mês. Na edição de Março deste ano, publiquei uma crónica com o título “Um Tiro no Escuro”. Como tenho a certeza quase absoluta de que não te chegou às mãos, porque a revista é de circulação restrita, vou-te reproduzir integralmente o que nela escrevi. É assim: “Massula, na noite de ontem para hoje passou-se uma coisa extraordinária, que não me acontecia há já vários anos: dormi de uma penada, se assim se pode dizer, sem sobressaltos, sem sonhos nem pesadelos. Foi um sono apaziguador. Acordei alegre e cheio de energia, coisa que também me é cada vez mais rara. Como é sábado e a minha secretária, a Clotilde, aos sábados e domingos não trabalha, dei-me eu próprio ao prazer inusual de fazer algumas das coisas que lhe cabe fazer. Passei uma ensaboadela pelas casas de banho, arrumei primorosamente o meu quarto com esta larga cama king de que julgo que ainda te lembras, fui puxar o lustro à sala, descasquei a mandioca e pu-la a cozer, enquanto me predispunha a fazer a minha higiene pessoal. Agora estou sentado à mesa, com a mandioca que como com manteiga, uma chávena de chá, e dou comigo a pensar em ti. Estou a pensar profunda e intensamente, e digo-te isto sem despeito nem sentimentos de remorsos. Mas, ao mesmo tempo, entrego-me ao exercício de querer perceber o que é que terá acontecido para nos separarmos e mantermos esta relação de separação durante tantos anos. E embora me doa, porque não é fácil reconhecermos os nossos erros, tenho que dizer a mim próprio que uma parte significativa das razões que nos levaram à separação cabe a mim. Não percebo – ou melhor, percebo, mas na altura talvez não compreendesse – porque é que quando tu decidiste voltar aos estudos, com a tua 8.ª classe, e galgaste os degraus até fazer a 12.ª e, subsequentemente, o curso de tradutora de inglês e francês; e depois arranjaste esse emprego no Ministério dos Negócios Estrangeiros e passaste a viajar frequentemente, não só pelo país todo, como também para fora; e, mais ainda, passaste a receber muito mais que eu; não consigo perceber porque é que eu não compreendi na altura que tudo isso era um processo natural da escolha que tinhas feito. Em vez disso, senti-me humilhado, achei uma afronta e transformei isso numa relação muito agressiva contigo. O resultado era óbvio: tínhamos que nos separar, porque, também eu sei, o teu carácter é dócil e nunca poderias aceitar que o nosso relacionamento se reduzisse a palavrões na cama, a ameaças veladas de pancadaria e, ainda por cima, em frente aos nossos filhos. Dou graças a Deus, porque o nosso divórcio foi pacífico. Decidiste, pura e simplesmente, ir fazer a vida que querias fazer longe de mim. Hoje, passados estes anos todos, vejo que afinal poderia ter sido tudo diferente, se eu tivesse tido a inteligência suficiente para compreender que nada entre nós era irreconciliável. Dou agora razão ao filósofo Nietzsche, que diz, entre outras coisas, que a incapacidade de mudar de opinião é um sinal claro de estupidez genética. Penso que a minha estupidez não é genética, razão pela qual estou agora a mudar de opinião. Estou a dar um tiro no escuro. Se por acaso leres esta crónica, o que acho pouco provável, agradeço que compreendas o que estou a dizer.” Muito bem, a crónica terminou assim. Eis pois que, no dia 7 deste mês de Abril, feriado, recebi uma chamada logo pela manhã: − Alô! − disse eu. − Oi, hermano! Sou a Massula. Essa Massula de que falas na tua crónica, no Solilóquio, sou eu? − Sim, és tu. − És capaz de repetir o que está lá escrito assim para mim, frente-à- -frente, num encontro directo? − Talvez seja, se eu conseguir vencer a minha timidez. − Hás-de conseguir. Vamos encontrar-nos no Jardim das Acácias, sá- bado às 4 da tarde. − 4? Não pode ser um pouco mais tarde, digamos às 6 horas? − Não. Agora estamos em Abril e anoitece muito rapidamente. Quero ver-te à luz crua do sol, em frente à baía. Quero que me digas tudo aquilo olhos nos olhos, virados para a baía. Nesse sábado, por volta das 7 da noite, depois de 3 horas de conversa franca, muito francamente crua, tão franca que atingiu em certos pontos um nível de crueldade atroz, ela estendeu o braço por cima da mesa e virou a palma da mão para cima num convite mudo. Pus a minha mão por cima da dela e ela disse: − Vamos jantar juntos? − Sim. Aonde? − Na minha casa. Ainda gostas de lulas grelhadas com batata cozida e salada de vegetais? − Adoro! − Então vamos. Teremos como sobremesa morango com chantilly. − Massula, morango nesta altura do ano? − Não te preocupes. O morango serei eu; tu serás o meu chantilly. Morango com chantilly S e fosse possível fazer um inquérito nacional para se conhecerem as percep- ções populares sobre heróis, talvez nos surpreendêssemos com o surgimento de heróis que, por hipótese, teriam as seguintes dimensões hierarquicamente organizadas: 1. Heróis familiares ou de parentela alargada 2. Heróis locais, extra-familiares 3. Heróis distritais 4. Heróis ao nível de uma província, eventualmente por duas provinciais o máximo 5. Heróis conhecidos em todo o país Talvez viéssemos a saber que quanto mais saímos do círculos familiar, local e distrital, mais difícil é conhecer os heróis oficiais, aqueles comemorados em dias festivos, na rádio, nos comícios, etc. Se ao conhecimento dos heróis popularmente reconhecidos juntássemos o conhecimento sobre as suas características, talvez nos espantássemos ao verificar a variedade de critérios para estabelecer o perfil de heroicidade. Poderia até acontecer que tivéssemos por heróis, espíritos de heróis. Sobre os heróis populares Por Guy Verhofstadt entrave para o processo de paz, que depende da cooperação dos actores globais, poderes regionais e da oposi- ção moderada que as forças de Putin bombardearam.   A 15 de Fevereiro, pelo menos 50 pessoas, incluindo mulheres e crian- ças, foram mortas por mísseis lan- çados sobre escolas e hospitais no Norte da Síria, segundo as Nações Unidas. O Governo francês classificou os ataques de “crimes de guerra” – e com razão. A Rússia negou qualquer envolvimento, mas fragmentos de mísseis de fabrico russo foram encontrados na cena. O grupo voluntário Médicos Sem Fronteiras disse que apenas a Rússia ou o Governo sírio poderiam ser responsáveis pelos ataques.  Além disso, os combates em torno de Aleppo deslocaram cerca de 50 mil pessoas, de acordo com o Comité Internacional da Cruz Vermelha. Muitos destes sírios desesperados – consistindo principalmente naqueles que não conseguiram escapar mais cedo – seguirão para a Turquia, a caminho da Europa. A Rússia lançou bombas mesmo com Putin a defender um cessar-fogo. Claramente ele não pode ser levado à letra, tal como o demonstram também as acções russas na Ucrânia. Estando os Estados Unidos com as atenções desviadas para a campanha das suas eleições presidenciais, os líderes europeus encontram-se isolados com o urso russo a bramir à porta. É tempo para uma acção imediata. Primeiro, os governos europeus têm de interromper rapidamente o financiamento russo de partidos políticos no seio da Europa. Se necessário, deve ser pedido à Agência Central de Inteligência (CIA) dos Estados Unidos assistência para identificar como é que esses fundos são transferidos. O esforço deve ser mantido até que os canais de transferência de dinheiro russo para os partidos europeus estejam encerrados para sempre.  Em segundo lugar, a UE tem de preparar-se para impor reforçadas san- ções económicas à Rússia. A Resolu- ção 2254 do Conselho de Segurança das Nações Unidas, que define um roteiro para o processo de paz sírio, obriga todos os actores, incluindo a Rússia, a parar com os ataques indiscriminados contra civis. Se a Rússia falhar o cumprimento dos seus compromissos, estas sanções devem ser accionadas.  Terceiro, a UE tem de trabalhar em conjunto com a Turquia e outros actores regionais para estabelecer lugares seguros na fronteira turco-síria, para onde os refugiados de Aleppo e de outros lugares se encaminham. Enquanto isto implica algum risco, não existem alternativas credíveis.  Finalmente, a Europa tem de parar de tornar o trabalho de Putin mais fácil e adoptar uma abordagem colectiva face ao influxo de refugiados. Enquanto parte de uma resposta de emergência, uma força fronteiriça europeia e guarda costeira têm de ser criadas e encarregadas de ajudar a Grécia a controlar as suas fronteiras, assim como de salvar vidas e processar as novas chegadas. Ao mesmo tempo, os fundos da UE têm de ser usados de forma a melhorar as condições nos campos de refugiados na Turquia, Jordânia e noutros lugares, providenciando aos seus residentes, no mínimo, alguma esperança de poder satisfazer as suas necessidades básicas. E, sim, os líderes europeus têm de chegar a acordo para aceitar receber uma justa parcela daqueles que estão necessitados, permitindo que os refugiados requeiram asilo na UE directamente a partir dos países em que estão actualmente a residir. George Soros estava certo quando, recentemente, defendeu que a maior ameaça no longo prazo para a estabilidade da UE é a Rússia. Mas está errado quando sugere que a UE se vai desintegrar e colapsar sob o peso das múltiplas crises que enfrenta. É tempo para a Europa se afirmar, aproveitar a sua economia e usá-la para pôr Putin no seu lugar. Guy Verhofstadt, antigo primeiro- -ministro da Bélgica, é membro do Parlamento Europeu e presidente da Aliança dos Liberais e Democratas pela Europa 20 Savana 15-04-2016 OPINIÃO A TALHE DE FOICE SACO AZUL Por Luís Guevane Por Machado da Graça A P N um desses dias, por estas bandas da Matola, enquanto esperava por uma boleia que me levaria a algum lado (por aí), eis que sou confrontado por um grupo de rapazolas na pré-adolescência, discutindo sobre o modelo de brincadeira a adoptar para passar uma dessas tardes entediantes de domingo. Sem pretenderem ser políticos faziam política representado os seus polí- ticos. Uns estavam sentados. Outros, em pé, completavam o grupo. Olhei fixamente para eles. Percebi que com muitas dificuldades evitavam imitar hipopótamos em conflito. Dialogavam, cada um apresentando o seu próprio fogo. Um deles, de camisola vermelha, a dado momento, gritou em tom alto que quase me obrigou a intervir. Depois disse o seguinte: Par ou ímpar? - Eu já não quero brincar. O nosso grupo não escolheu a Frelimo. A Frelimo sobrou para vocês. Nós queremos ser os “rangers” da Renamo. É isso que combinamos. - Nada disso Pinho, nós é que falamos primeiro dessa coisa de “rangers”. Ou fazemos par ou ímpar ou, então, vamos arranjar outra brincadeira – disse o outro, colocando no ombro a sua camisa verde escura. Fingi que não estava interessado no assunto. Ao mesmo tempo rezava para que a minha boleia demorasse um pouco mais ou, no mínimo, que os garotos se apressassem a decidir-se sobre o assunto. Onde é que leram ou ouviram sobre essa coisa de “rangers”? Vi-os a fazerem par ou ímpar e, pouco depois, o grupo vencedor a festejar. Que barulheira! Tudo isso para serem os tais “rangers”, que coisa! - Vocês do MDM vão ter de entrar nos nossos grupos: metade fica com o Fonssinho e outra metade fica comigo – foi a decisão do “camisola vermelha”, o Pinho. Escolheram como palco a estrada onde estavam. Ali se desenrolariam as acções dos “rangers” e dos “soldados” (do governo). - Ouve-la Pinho, nós vamo-nos esconder nas “partes incertas”. Quando eu mandar uma mensagem é porque já estamos prontos para a guerra. Não vale esconder muito longe daqui. Quando um carro estiver para passar todos ficamos em “pause”; temos de ficar parados até passar. Se alguém for atingido e não aceitar morrer é deletado e sai da brincadeira. Quem desmaiar tem direito a ser refrescado com “F5” para poder recuperar. Vamos! - Fonssinho, manda a mensagem de guerra meu compatriota, estamos dispostos a lutar e morrer por uma causa justa. Os nossos homens estão preparados, os esquadrões da morte serão accionados a qualquer momento… Todos nós defendemos o povo, a nossa luta é justa! Que morram os melhores filhos deste povo que defendemos! Pouco depois começaram com o jogo de representações. No palco escolhido para a brincadeira os “Rangers” não poupavam os seus adversários. Os “putos” fingiam matar e morrer. Fingiam bravura. Fingiam ser os “anti-bala”. Fingiam deserções em massa. Eu ali apavorado ouvia “paw”, “paw”, “ratatatátá”. Tiros e rajadas para aqui e acolá. Faltava ouvir o último tiro para dali sair o vencedor. Quando a boleia chegou ainda ouvi um dos últimos “putos” a reclamar: “eu é que te matei primeiro, morre-la. Isso não vale! Morre-la!”. E o outro: “Nada! A luta acabou, nós os dois é que ganhamos!” A estrada estava cheia de “sangue” e “cadáveres”. Ah, entrei no carro e desaparecemos. Caramba, os mais velhos “lixam” mesmo os mais novos. Onde é que os “putos” foram “comprar” aquela inspiração? V ezes sem conta ouvimos os ilustres deputados da bancada do partido Frelimo, na Assembleia da República, a afirmar que em Moçambique existe um Estado de Direito e, por conseguinte, a nossa Constituição e leis devem ser escrupulosamente cumpridas. Sobre os mesmos temas os mais-ou-menos 40 comentadores alistados desenrolam diplomas, colocam os seus barretes académicos, sobem às cátedras e debitam artigos e parágrafos com sapiente fluidez. Mais estranho fica, portanto, o silêncio sepulcral de todas essas preclaras entidades quando surgem provas evidentes de que os nossos concidadãos Armando Guebuza e Manuel Chang cometeram actos gravosos que violam a Constituição e as leis nacionais, arruinando o país. E, pior ainda, não se trata apenas de um silêncio passivo. Pelo menos pela parte dos ilustres deputados trata-se de um silêncio activo, cúmplice. Ao vetarem o pedido da Renamo de que o Governo fosse ao Parlamento explicar o que se passa com esta nova dívida gigantesca que agora foi conhecida, os dignos tribunos disseram claramente que não querem que esse silêncio seja quebrado. Habituados à norma de disciplina partidária segundo a qual a roupa suja se lava em casa, não percebem, ou fingem não perceber, que as dívidas da EMATUM e da PROINDICUS não são questões partidárias mas sim nacionais. E o lugar próprio para lavar essa roupa suja é, precisamente, a Assembleia da República. O parecer do Tribunal Administrativo refere, embora timidamente, essas ilegalidades? O melhor é, na leitura, saltar esses parágrafos incó- modos. De resto o nosso Parlamento, sob a batuta bonacheirona da sua Presidente e a cumplicidade da Procuradoria Geral da República, tem vindo a abafar todas as tentativas de se esclarecerem assuntos graves de interesse público. Não são casos isolados, é uma estratégia claramente definida e cumprida. Quais serão as consequências para o país dessa estratégia? Tenho medo que sejam bastante más. Já estão a ser mas, se não arrepiarmos caminho, podem ser muito piores. Mas, infelizmente, as orelhas, entupidas de mordomias, têm muita dificuldade em ouvir vozes de fora. Se eu fosse crente diria “Deus nos ajude!”. Como não sou vejo isto a ir rapidamente para o desastre... Silêncio cúmplice RELATIVIZANDO Por Ericino de Salema O Estado moçambicano, à semelhança de qualquer outro digno desse estatuto, possui três funções centrais: garantia da segurança dos cidadãos e dos seus bens; promoção do bem-estar social; e feitura de justiça a todas as pessoas, físicas e jurídicas, em igualdade de circunstâncias. Nisso, a vida, o mais importante bem jurídico, se situa, sempre, pelo menos sob o ponto de vista formal, no ápice das prioridades. Quando caminhamos para a celebração do quadragésimo primeiro aniversário da nossa Independência Nacional, o conteúdo daquilo que são as três funções centrais do Estado se acha numa situação infelizmente problemática, o que se traduz, certamente, em desafios acrescidos ao Governo, a quem compete gerir os negócios do Estado enquanto colectividade, bem como a todos nós, cidadãos, ainda que a nossa baixa consciência cívica possa concorrer para que, em bom rigor, a nossa relevância seja meramente estatística. As mortes evitáveis que se assistem em quase todos os pontos do nosso país são a mais nítida expressão dessa situação infeliz em que nos encontramos. Essas mortes se resumem a seis domínios, todos eles, que têm a vida como seu epicentro, capitais: execuções extra-judiciais de moçambicanos, aparentemente por motivos políticos; crime organizado, que, às vezes, possui tiques de expediente político; confrontos militares entre a guerrilha residual da Renamo e as Forças de Defesa e Segurança; acidentes nas estradas do país; falta de fármacos básicos nos hospitais e/ou centros urbanos, sobretudo nos de ní- vel distrital; e fome que tem como fonte imediata a seca e a estiagem. Sobre execuções extra-judiciais, de que são palco quase todas as capitais provinciais e alguns distritos e postos administrativos do país, até parecemos estar no estado da natureza, a avaliar pela forma cobarde como actos tais ocorrem, tendo, quase sempre, como alvos membros influentes da Renamo e, uma e outra vez, membros do partido Frelimo. A última dessas vítimas foi José Manuel, membro do Conselho Nacional de Defesa e Segurança (CNDS) indicado pela Renamo, que, à queima roupa, foi subtraído do mundo dos vivos, no último domingo, quando se dirigia do Aeroporto Internacional da Beira à sua residência. Outras duas pessoas que com ele seguiam no txopela tiveram o mesmo fim trágico. Já o crime organizado, parece ter como alvos preferenciais magistrados judiciais e do Ministério Público, por motivos de que se não têm ciência. Mas a ‘rádio boca’ não se coíbe de associar os assassinatos que estão a ser engengrados a processos em que os visados se encontravam a trabalhar. A mais recente vítima foi o procurador Marcelino Vilanculo, que, quando se preparava para, com a sua viatura, entrar no seu quintal, foi atingido por balas na cabeça, tendo de imediato perdido a vida. Outras vítimas são o juiz Silica, assassinado há cerca de dois anos, e o constitucionalista Gilles Cistac, baleado mortalmente há pouco mais de um ano, que parece, este último, ter caído nas malhas de um consórcio com muito de expediente político e alguns elementos típicos do crime organizado, no que ao modo de execução diz respeito. Os confrontos político-militares, iniciados há já três anos, estão também a causar luto em muitas famílias moçambicanas. Já deve ser vengonhoso o número de compatriotas que, sem a mínima culpa, se viram sacrificados por querelas que lhes são em absoluto estranhas. A arma de guerra, infelizmente, [ainda] é, cá entre nós, usada como se de um instrumento lícito de fazer política se tratasse. Nas fileiras militares, a vida não deixa de se achar desbaratada quase que constantemente. A Polícia republicana parece ser decoro jurídico-constitucional Como se tudo o que referimos acima fosse pouco, muitos de nós se fazem às estradas de forma irresponsável nas suas viaturas, com o que se causam acidentes com danos humanos e materiais incalculáveis. Só o ano passado, para se ter alguma ideia, cerca de duas mil pessoas perderam a vida no país devido a acidentes de viação, o que siginifica que uma média de 5-6 pessoas perderam a vida diariamente naquele ano. A condução em estado de embriaguês está a conhecer níveis jamais vistos de popularidade, para a nossa desgraça colectiva. Também de forma absolutamente evitável, irmãs e irmãos nossos continuam a perder a vida, em vários pontos do país, devido à falta de anti-maláricos ou por doenças há muito cientificamente controladas. Há menos de dois anos, um jovem engenheiro que se encontrava a residir em Marromeu, na província de Sofala, foi mais um de entre tantos que perdem a vida por razões tais. Há uma semana, uma lenda do futebol também faleceu de malá- ria. Já desde finais do ano passado a esta parte, não escasseiam relatos de mortes devido à fome, que tem como fonte a seca severa que está a assolar o país, em particular as regiões sul e centro. O acima resumidamente descrito coloca, certamente, em causa todo o esforço público e/ou privado visando a promoção do desenvolvimento do país. As matanças com aparentes motivações políticas e as acções do crime organizado a todos nós mancham como país, o que há- -de, naturalmente, ter impacto no Investimento Directo Estrangeiro. As confrontações político-militares, idem. Tudo o resto, que desbarata a vida, não pode ser boa notícia para um país que se quer firmar no concerto das nações! Se se resolvessem de imediato os diferendos políticos, que se estão longamente a traduzir em confrontos militares, temos fé que haveria mais ciência, inteligência e recursos para atacar de forma sustentável os demais problemas. De que mais estamos à espera? Vida desbaratada! Savana 15-04-2016 21 SOCIEDADE UNFPA, Fundo das Nações Unidas para População, é uma agência internacional de desenvolvimento que trabalha em prol de um mundo onde cada gravidez é desejada, cada parto é seguro e o potencial de cada jovem é realizado. O UNFPA solicita candidaturas de cidadãos PRoDPELFDQRVTXDOLÀFDGRVHH[SHULHQWHVSDUDDVHJXLQWHYDJD 3RVWR HWtWXOR SC/UNFPA/2016/001 – Título: Analista de Monitoria e Avaliação 7LSRGHFRQWUDWR QtYHO Service Contract, nível SB-4 /RFDOGH7UDEDOKR Nampula, Mozambique 'XUDomR Sete meses e possibilidade de renovação dependendo do desempenho satisfactório e disponibilidade de fundos 3UD]RGDFDQGLGDWXUD 28 de Abril 2016 Principais e tarefas e responsabilidades: Em coordenação com o pesVRDOFKDYHGR81)3$HGRSURMHFWR HOH HODLUi GHVHQKDUHLPSOHPHQWDU o quadro lógico e o plano do projecto, e rever os resultados do quadro lógico do projecto Acção para Raparigas (APR); analisar e usar a base de dados para a gestão do programa, considerando o conhecimento, escolhas e comportamentos entre adolescentes e jovens nas áreas do programa de intervenção; assegurar que o sistema Real Time Monitoring 570GRSURMHWR$35JLUDGDGRVFRQÀiYHLVHFRPSOHWRV HIHFWXDUYLVLtas de campo para monitorar o desempenho de educadores de pares HVXSHUYLVRUHV IRUQHFHU UHODWyULRVLQWHUQRVHH[WHUQRVHP WHPSR~WLO garantindo que os constrangimentos e oportunidades sobre a colheita HXVRGHGDGRVVmRLGHQWLÀFDGRVHPHGLGDVFRUUHWLYDVVmRWRPDGDVHP WHPSR~WLO SDUWLFLSDUHPUHXQL}HVGDHTXLSDGHJHVWmRGRSURMHWRSDUD reportar sobre o resultado da monitoria; desempenhar qualquer outra actividade solicitada pelos gestores do programa. Anúncio de Vaga Posto # SC/UNFPA/2016/001 – Analista de Monitoria e Avaliação Requisitos gerais:0tQLPR GH TXDOLÀFDomR GH QtYHO GHPHVWUDGR HP VD~GHS~EOLFD FLrQFLDVVRFLDLV DGPLQLVWUDomRRXiUHDVDÀQV H[FHOHQWH FDSDFLGDGHGHSODQHDPHQWR DQiOLVH DYDOLDomRHJHVWmR H[FHOHQWHVKDELOLGDGHVQDHVFULWD FRPXQLFDomR PHGLDomRHIDFLOLWDomR OLWHUDFLDHP LQIRUPiWLFDHH[FHOHQWHÁXrQFLDHP3RUWXJXrVH,QJOrV SURÀFLrQFLDHP gestão de bases de dados e pacotes estatísticos; mínimo de 5 anos de H[SHULrQFLDFRPSURYDGDQDPRQLWRULDHDYDOLDomRGHSURMHWRV H[SHULrQFLDFRPSURYDGDHPSHVTXLVDRSHUDFLRQDO H[SHULrQFLDHPJHVWmRGH SURMHWRVPXOWLVVHFWRULDLVRXSURJUDPDVQDiUHDGDVD~GHVH[XDOUHSURdutiva é uma vantagem. Como se candidatar: A Descrição de Trabalho detalhado para a vaga estão disponíveis na recepção do escritório do UNFPA em Maputo no HQGHUHoRHVSHFLÀFDGRDEDL[R GDV DWp KRUDV GHVHJXQGDD TXLQWD IHLUD RX SRGH VHU VROLFLWDGR DWUDYpV GR H PDLO UHFUXLWPHQW# XQISD RUJ P] 2VLQWHUHVVDGRVGHYHPVXEPHWHUDVVXDVFDQGLGDWXUDV DFRPSDQKDGRVSHOR&9DWXDOL]DGRHRIRUPXOiULR3 GLVSRQtYHOHP KWWS VDV XQGS RUJ GRFXPHQWV S BSHUVRQDOBKLVWRU\BIRUP GRF HQGHUHoRFRPSOHWRHGHWDOKHVGHFRQWDWRH SHORPHQRV WUrVUHIHUrQFLDV 1mRKiQHQKXPDFREUDQoDGHWD[DGHFDQGLGDWXUD SURFHVVDPHQWRRX GHRXWUDQDWXUH]D 281)3$QmRVROLFLWDRXSURFXUDREWHULQIRUPDo}HV GRVFDQGLGDWRVTXDQWRDRVHXHVWDGRGH+,9RX6,'$HQmRGLVFULPLQD FRPEDVHQDVLWXDomRGH+,9H6,'$ $VFDQGLGDWXUDVGHYHPVHUVXEPHWLGDVQRHQGHUHoRDEDL[RDWpRGLD GH$EULOGH UNFPA, Fundo das Nações Unidas para População Av. Julius Nyerere , 1419, PO Box 4595, Maputo, Mozambique Oporta-voz da Renamo e deputado da Assembleia da República por esta formação política, António Muchanga, submeteu esta semana à Procuradoria da Cidade de Maputo uma denúncia contra o jornal Público. Em causa está a publicação por este semanário de um artigo no qual acusa o denunciante de ter participado de um encontro havido no dia 20 de Fevereiro, cujo objectivo é de criar uma plataforma de guerra psicológica. Na sua edição de 14 de Março do presente ano, o jornal Público destacou na capa o titulo “ Renamo inventa conflito entre Chipande Filipe Nyusi” e na página seguinte argumenta que os serviços secretos da Renamo, chefiados pelo queniano Abanguento Zamruka, reuniram-se no dia 20 de Fevereiro, com o objectivo de criar uma plataforma única, consistente, rápida e organizada de boatos e mentiras enquadrados na estratégia de guerra psicológica. De acordo com o semanário em António Muchanga processa jornal Público alusão, a referida guerra psicológica visava gerar pânico no seio da população, dos governantes, dos membros do partido Frelimo e da comunidade internacional. Um dos exemplos dos boatos citado pelo Público, foi a informação que inundou as redes sociais dando conta de que o general Alberto Chipande terá tentado tirar vida ao chefe de Estado Filipe Nyusi. O artigo aponta que, na reunião em causa, participaram 16 membros da Renamo dentre eles o denunciante, António Muchanga e ressuscitaram mais dois membros da Renamo já falecidos, nomeadamente Vicente Ululu e Joaquim Marrungo Bicho. Ora, António Muchanga diz desconhecer a tal reunião, com o agravante do articulista não ter mencionado o local onde terá decorrido muito menos o dia da semana. Justifica- -se que na referida data esteve das 8 hrs as 12 hrs na Igreja Nazareno de Boane, tendo das 14 às 18 hrs participado dum almoço de confraternização, no bairro de Hulene, relativo a tomada de posse do novo superintendente do distrito Eclesi- ástico de Boane,. Assim, por considerar inverdades os aspectos arrolados no artigo, o porta-voz e deputado da Renamo decidiu submeter uma denúncia contra o jornal Público de modo que indique o local e a hora onde decorreu a reunião e provar que efectivamente, o denunciante esteve presente na mesa. Muchanga diz que a sua acção não isenta os restantes membros do seu partido arrolados no artigo (incluindo familiares dos malogrados) de enveredarem pelo mesmo caminho. (A. Nhampossa) ANovabase em parceria com a Cooperação Portuguesa, a Cisco e o Ministé- rio da Ciência e Tecnologia, Ensino Superior (MCTESP), lançou pelo segundo ano consecutivo a iniciativa “Novabase Estudar Mais”. Este concurso pretende encontrar o melhor aluno de tecnologias de informação de Moçambique e premiá-lo com uma Bolsa de Estudo Nova Base leva Melhor aluno a Portugal em Engenharia Informática em Portugal. De acordo com o Embaixador de Portugal em Moçambique, José Duarte, esta iniciativa enquadra-se na política da Cooperação Portuguesa de financiar bolsas de estudo para licenciatura ou mestrado a cidadãos moçambicanos em Portugal. “Nesta linha, iniciámos há cerca de três anos um programa de bolsas de estudo em parceria com empresas com capitais portugueses a operarem em Moçambique, permitindo assim que mais moçambicanos beneficiassem desta possibilidade de continuar os seus estudos em Portugal, como também da possibilidade de regressarem ao seu país com emprego garantido na empresa que se associou ao pagamento da sua bolsa de estudo. Mais e melhor capacitação dos recursos humanos em Moçambique é crucial para o desenvolvimento e sustentabilidade do país. Apostar na educação é o melhor investimento que podemos fazer”, Acrescentou (RR) 22 Savana 15-04-2016 DESPORTO “ Pai! Foste um homem que nasceu, viveu e morreu no futebol. Ouvíamos das pessoas o quão grande eras, mas não percebíamos que não eras somente o nosso pai. Eras o ‘JJ’, o grande capitão, o homem elástico. Dizias, repetidamente, que gostarias de ser homenageado ainda vivo, infelizmente isso não se concretizou. Hoje nos despedimos de ti. Toda a nação desportiva, em particular a do futebol, curva-se perante os teus feitos. Sempre estarás nos nossos corações. Descanse em paz!” Foi nestes termos e com lágrimas nos olhos, que a família de Joaquim João Fernandes, acompanhada pela tribo do futebol, políticos e seus admiradores, despediu-se do antigo capitão dos “Mambas”, na manhã desta terça-feira, na capital do país. Joaquim João, mais conhecido por “JJ”, perdeu a vida, na noite de sexta- -feira passada (08 de Abril), no leito do Hospital Provincial de Inhambane, vítima de Malária Cerebral, doença diagnosticada duas semanas antes da sua partida eterna. O seu desaparecimento deixou chocados a família, amigos e o país desportivo, no geral, que há poucos dias o viu realizar suas actividades, embora com algumas queixas. “Duas semanas antes estivera na Cidade de Maputo para participar no casamento do seu filho. Festejou, dançou e animou os presentes, tal como lhe era característico”, conta o semanário desportivo Desafio, na sua edição de segunda-feira. Este posicionamento é secundado pelos Veteranos de Futebol que, na voz do seu presidente, Frederico Jane, confessam ter ficado “surpresos, confusos e desorientados” porque “há pouco tempo trabalhávamos juntos em vários programas da nossa Associação”. Na sua mensagem de condolências, Jane caracteriza Joaquim João como um jogador ímpar e inigualável, pois deixava as suas equipas emocionadas e as adversárias admiradas. “Nós, que competimos contigo, temos presentes em nossas memórias a tua postura brilhante com que te apresentavas no campo, onde sentí- amos emoções díspares: alegria das equipas por onde jogou, frustração e admiração das equipas com que jogavas, a cada corte, roubo de bola e progressão em direcção à baliza adversária. Era enorme a alegria que transmitia com a sua fórmula brilhante de jogar e enfrentar qualquer adversário que o destino te calhava”, descreve. “Os teus movimentos de desarme e de avanço, bem como as tuas simulações foram e continuam a ser a referência que fez de si um grande jogador de futebol, o homem ímpar e inigualável”, acrescenta. Albano, que teve a honra de abrir a sessão de mensagens, revela ter sido companheiro de primeira hora de Joaquim João, desde a infância (12 anos). Este relata que foi das mãos dele que “JJ” chegou ao Ferroviário de Maputo, em 1972, clube pelo qual se notabilizou. “Começamos a nossa carreira, em Joaquim João (1952-2016) Mais um craque parte sem reconhecimento Por Abílio Maolela Quelimane, e aos 15 e 16 anos, eu e Joaquim João (respectivamente) começamos a jogar na categoria dos juniores. Fui convidado para Lourenço Marques e aceitei. Pedi ao Engenheiro Barbosa para eu vir a Maputo com ‘JJ’. Assim, em 1972, aterramos nesta cidade. Mas, regressei a Quelimane em 1976 e ele permaneceu”, diz. Por isso, para Albano, Moçambique perdeu um homem, um atleta e um amigo íntegro e afirma que a sua personalidade “atingiu a dimensão da nação”. Prémio Joaquim João Capitão dos “Mambas” durante 10 anos e na estreia da selecção em fases finais da Copa Africana das Nações (CAN), em 1986, Joaquim João mereceu atenção da Federação Moçambicana de Futebol (FMF) e o seu presidente, Alberto Simango Júnior, enalteceu as suas qualidades, explicando que “tão cedo apercebeu- -se que a virilidade não era imagem de marca de um defesa central”, por isso na sua carreira tenha visto um cartão, havendo dúvidas se foi amarelo ou vermelho. “Ninguém como JJ foi a imagem do seu fair-play”, diz Simango, para quem o “Prémio Fair-Play”, atribu- ído a equipa mais disciplinada do Moçambola seja designado “Prémio Joaquim João”. “É o mínimo que neste momento podemos fazer para imortalizar o seu nome no futebol moçambicano”, justificou. Entretanto, a vontade de Alberto Simango Júnior carece de aprova- ção pela Assembleia-Geral da Liga Moçambicana de Futebol, entidade gestora do campeonato nacional de futebol, que só se volta a reunir no início do próximo ano. Simango promete fazer lobbies para que a sua proposta passe ainda este ano, mas questionado pelo SAVANA o que a instituição que dirige irá fazer para imortalizar esta figura, respondeu: “Penso que o primeiro passo que se dá é este. Não se esque- ça que a FMF é a gestora nacional de toda a máquina de futebol que se joga no país. Portanto, a partir deste gesto, julgo que estaremos a imortalizar o Joaquim João Fernandes”, considerou. Se a FMF tem uma solução para imortalizar “o homem elástico”, o mesmo não se pode dizer do Clube Ferroviário de Maputo. Sancho Quipisso Júnior, Presidente da colectividade, diz que o clube ainda não teve tempo para reflectir sobre o que fazer para imortalizá-lo, pois desde a sua morte, aquele grupo estava concentrado na realização da cerimónia fúnebre, que esteve ao seu cargo. “Desde que recebemos esta notícia, na sexta-feira, estávamos concentrados na preparação desta cerimónia. Já a partir de agora podemos pensar nas várias formas para imortalizar a sua figura”. Devido à morte de “JJ”, o Ferroviário de Maputo adiou a sua Assembleia- -Geral, no último fim-de-semana. Um dos pontos dessa AG, que se realiza dentro de sete dias, é a alteração do nome de Estádio da Machava. Questionado se Joaquim João podia dar nome ao Estádio, do que os nomes políticos, como Samora Machel, 25 de Junho ou Independência, Quipisso foi mais cauteloso na resposta: “Já antes da morte de Joaquim João, a mudança do nome do Estádio tinha sido avançada. Não sei. Temos mais 10 dias antes da AG. Vamos reflectir”, disse. Nascido em Mopeia, na província da Zambézia a 01 de Outubro de 1952, Joaquim João foi jogador de futebol durante 20 anos, tendo vestido as camisolas do Ferroviário de Maputo, Maxaquene e da selecção nacional, onde se internacionalizou por 42 vezes. Para além de jogador e treinador de futebol, Joaquim João Fernandes foi deputado da Assembleia Popular, actual Assembleia da República e integrou a equipa que assinou o acordo de Nkomati, em 1984, com a vizinha África do Sul, entre o governo moçambicano e a minoria branca sul-africana. Referir que este é mais um craque da bola que deixa o país sem ter sido homenageado, numa lista onde desfila o nome de Mário Coluna, facto que deixa nervosos vários atletas que reivindicam homenagens ainda em vida. O malogrado deixa viúva, oito filhos e sete netos. Mais elogios e poucas lágrimas caracterizaram o adeus a Joaquim João D epois de Feizal Sidat, ex-Presidente da Federação Moçambicana de Futebol (FMF), ter prometido, em 2015, paralisar o Moçambola, caso os clubes não se licenciassem, agora foi a vez de Filipe Johane ameaçar os mesmos de não participarem do Moçambola-2017, caso não cumpram com este requisito. A decisão foi anunciada esta quarta-feira, em Maputo, pelo Secretário-geral da organiza- ção, durante uma conferência de imprensa, na qual pretendia falar do estágio de licenciamento dos clubes. Falando a uma dezena de jornalistas, Johane revelou que até este momento nenhum clube está licenciado, estando apenas três clubes com o processo já avançado. Trata-se dos Ferrovi- ários de Maputo e da Beira e a Liga Desportiva de Maputo. Licenciamento dos clubes FMF retoma ameaça de paralisar Moçambola Por Abílio Maolela “Nenhum clube está licenciado até ao momento. O processo está extremamente atrasado, porém, há clubes que estão com mais de 90% do processo concluído. A LDM e os Ferroviários da Beira e de Maputo. Estes respondem todos os requisitos e é só uma questão de pormenores”, disse. Introduzido em 2008 pela Confederação Africana de Futebol (CAF), o licenciamento de clubes passou a ser obrigatório, desde 2012, onde a entidade que gere o futebol africano considera obrigatório, fundamental e requisito nú- mero um para a participação nas competições por si organizadas. Entretanto, até hoje nenhum clube conseguiu acompanhar as novas exigências do futebol africano. Aliás, em Fevereiro deste ano, o Secretário-geral da FMF disse ao SAVANA que os três clubes mencionados estavam com processos avançado, mas até ao momento ainda não licenciaram. “A ambição destes clubes é atingir a categoria A (a mais alta) e eles acham que estão em condições. Já requereram à FMF o licenciamento neste sentido”, explica Johane as razões do atraso. Devido a este aspecto, Johane garante que estes clubes estão em condições de participar nas competições internacionais, diferentemente das outras, embora a Liga não reúna o critério infra-estrutura. “A LDM não fez nenhum jogo no seu campo (Taça CAF) porque um dos requisitos é que o campo deve ter capacidade para acolher entre cinco a seis mil espectadores, facto que o campo da Liga não tem”, comentou. Para o licenciamento, cinco requisitos são exigidos pela CAF, onde destaca-se os critérios desportivo; legal e das infra-estruturas. O critério desportivo corresponde à estrutura do clube no que tange aos escalões por ele movimentado; o seu corpo técnico; de saúde; entre outros. Segue-se o critério das Infra-estruturas, correspondente a existência ou não de uma sede própria do referido clube, de um campo próprio e suas características. Em terceiro lugar, está o crité- rio legal, em que se exige a certidão de equitação actualizada, estatutos, situação contratual dos funcionários regularizada, etc. Questionado se é desta vez que os clubes irão cumprir com esta recomendação, Johane mostrou-se confiante num final feliz, dando exemplo do Moçambola, onde só técnicos de nível A da CAF treinam as equipas. Quanto aos clubes da segunda divisão que poderão participar no Moçambola da época, Johane disse haver trabalho junto destes para que até a data da sua ascensão estejam licenciados. Abílio Maolela Savana 15-04-2016 23 PUBLICIDADE 24 Savana 15-04-2016 CULTURA Por Luís Carlos Patraquim 89 E les não querem saber de ti. Já se alistou, já partiu para o combate, já morreu em Santujira. Os jornais falaram dele. Foi por estes dias. Tem nome. Que chorem os pais, a namorada ou mulher, alguns amigos. Porque tem nome não dá para depor os seus restos mortais no monumento ao soldado desconhecido, essa invenção hipócrita que Bertoldt Brecht vergastou em poema antológico. Azagaia adivinhou. A sua declaração de paz é veemente. Os camponeses estão a fazer greve. A maçaroca e a perdiz… símbolos dos contendores na actual crise político-militar em Mo- çambique – o que será que o povo diz? Podia ser a famosa canção de Boris Vian, era a guerra da Argélia, e o autor de As Formigas escrevia e cantava as Palavras de um Desertor : Monsieur le Président / Je vous fais une lettre /Que vous lirez peut-être / Si vous avez le temps / Je viens de recevoir / Mes papiers militaires /Pour partir à la guerre / Avant mercredi soir /Monsieur le Président /Je ne veux pas la faire (…) Dizia ao Presidente que lhe escrevia a carta - teria Sua Excelência tempo de a ler? – onde o informava de que recebera os papeis do alistamento militar para ir para a guerra… antes de quarta-feira à note, senhor Presidente e que não tencionava fazê-lo. A tradução é livre. Vian pôs tudo em rima, a ironia e o desdém percorrem a canção em toada leve, quase inocente e infantil. Podia fazê-lo, quer dizer, protestar o autor marginal e músico de jazz apaixonado. Como isso faz tempo e como para todos os tempos há sempre muitas guerras. Esta, em Moçambique, por exemplo, que começamos a estar com ela. De baixa intensidade e isso parece um alívio para as consciências, sobretudo quando se está a analisá-la nos gabinetes, nas salas de reuniões dos conselhos de administração das empresas, a ver a baía de Maputo nos jardins do Hotel Polana e a discorrer sobre os tempos nada propícios. A desvalorização do metical; a instabilidade – é isso – um duplo, sim, old scotch, on the rocks. É uma heresia mas o senhor não é escocês e aqui, nos trópicos o calor é o que se sente. Como disse? Os camponeses em greve? Uma tontaria, liberdade poética, falha de rigor conceptual. Refugiados no Malawi? Parece que há. Greve for- çada, portanto, dos camponeses. Fala- -se agora no Zimbabwe. Afinal!... E Azagaia, em ritmo que mescla o reggae com o beat certo nas palavras, para serem ouvidas e percebidas, vai dizendo a recusa, apontando a quem ela possa servir, esta guerra. Não é a deserção no sentido formal o que ele canta, descansem as Leis e quem as faz. É um percurso já longo de um cantautor que vem denunciando o que está mal na sociedade mo- çambicana. Outros músicos o fazem, com um pé nas culturas tradicionais, à falta de melhor termo, no jogo narrativo de situações que a expressividade riquíssima das línguas nacionais propicia, menestréis no labirinto do jogo lírico de todas as emoções, nos vaticínios em meio das alegrias e das desgraças de um quotidiano difícil. Todos se perguntado onde mora a vida bom. Tendo como arma a música e dentro dela as palavras enxutas, Azagaia continua uma tradição que está na génese da reivindicação identitária da melhor poesia moçambicana que, por o ser, não se reduz a um canto de raízes mas dele partiu para melhor cantar o acerto e desacerto do mundo. Em O Massacre dos Inocentes, o poeta irlandês Auden, parte de um quadro indeterminado num qualquer Museu das Belas Artes “Quanto ao sofrimento nunca se enganaram/Os Velhos Mestres: como entenderam/A sua morada humana; como acontece,/ Enquanto outros comem ou abrem uma janela ou dão um passeio obscuro; /Como, no momento em que velhos esperam reverentes,/Apaixonadamente, o nascimento milagroso,/ Há crianças que nem sequer o desejam, patinando/num lago, na orla do bosque://Nunca esqueceram/Que mesmo o martírio mais terrível deve ocorrer/ de forma ocasional numa esquina, num local sujo/Que os cães frequentam na sua azáfama canina, onde o cavalo do torcionário/Coça o traseiro inocente numa árvore. E Auden cita o Ícaro, de Brueghel. Este desvio do enquadramento temá- tico imediato é eficaz. Hemingway, em Por Quem os Sinos Dobram, sobre a Guerra Civil de Espanha, pede a John Donne o título para o seu romance e, ao descrever, num dos capí- tulos, os despojos humanos no campo de batalha, não os assinala no horror das suas feridas ou imobilidade. Atenta o olhar nos papéis que na planície esvoaçavam ao sabor do vento. O Rap é mais directo e, nesse sentido, agónico. É o que faz Azagaia e não precisa de citar os mortos de sobrecasaca que Carlos Drummond de Andrade retira do quadro na parede para os colocar no poema. Tudo porque não há sobrecasacas em Moçambique. Há vampiros e a imperiosa necessidade de uma declaração de paz, denunciando as insuportáveis razões da guerra. Azagaia, declaração de paz O fotógrafo moçambicano Mário Macilau participa na cidade de São Paulo, Brasil, numa residência artística, promovida pela Fundação Armando Alvares Penteado, (FAAP). Macilau toma parte desta residência artística a convite da entidade organizadora da mesma e é uma continuação de vários trabalhos que tem estado a desenvolver no ramo da fotografia com aquele país latino-americano. Aliás, a propósito deste fotógrafo moçambicano, o músico e escritor brasileiro Chico Buarque entende: “as fotografias de Mário Macilau carregam a beleza invisível e infinita do seu povo a qual por vezes não nos sujeitamos devido ao nosso ego que nos limita a transcender o limite desconhecido.” Para Mário Macilau, “trata-se de uma residência muito importante e com uma história muito relevante por estar na responsabilidade de uma instituição de ensino médio e superior no Brasil, a FAAP, uma entidade importante e com diversos departamentos, mas o que a mim mais me interessa são as artes visuais que eles têm e, é claro, outras também que têm uma ligação visível ou não”. Mário Macilau acredita que através deste encontro, “vou estabelecer contacto directo com professores e alunos, aliás, tenho a responsabilidade de organizar palestras, workshops, estudos abertos e dar aulas”, realçou. Na residência artística de São Paulo, Mário Macilau vai falar de Moçambique, suas realidades e gentes “vou partilhar experiências soFazer conhecer a nossa cultura no Brasil A cantora Liloca tem nova música. A mais recente produção da artista foi lançada quinta-feira por ocasião do dia 7 de Abril, dia da Mulher mo- çambicana. “Mamã” é o título da música que carrega uma mensagem forte sobre o poder e papel de uma mãe enquanto ser gestante e educadora. Nesta nova música Liloca optou por fazer a junção de ritmos africanos, criando um produto final animado e abrangente. “Na Ku randza mamã...” é frase de arranque para a música “Mamã”, onde Liloca expressa- -se no lugar de muitas mulheres elevando a figura de Mãe indispensável para a existência da humanidade. Cantada em changana, a música carrega muita emoção e versa sobre o amor de mãe, a beleza, grandeza e todo o poder que esta detém. “Pretendo aproximar as pessoas, desta grande figura que deve ser respeitada. Na verdade não Lutar pelo respeito da mulher bre país e representar o mesmo positivamente, claro, não há caminhos para me esquivar da realidade que atravessamos nos dias de hoje”. Entretanto, a fonte acrescenta: “é meu dever falar da arte e dos bons artistas que temos no país, falar da nossa cultura é uma necessidade e encontrar pontos comuns uma vez que Mo- çambique e Brasil têm mais ou menos uma história similar e falamos a mesma língua oficial, o português”. O fotógrafo acrescenta que está no Brasil a aprender e a trocar experiências, ver como as outras culturas se manifestam a determinados factos e como é que os artistas reagem a isso, “esse é obviamente um caminho importante que se pode abrir na minha careira”. Segundo a FAAP, o conceito de Residência Artística é uma das formas mais características de apoio e incentivo ao desenvolvimento das artes e, a partir dos anos 80, consolidou-se em várias cidades da Europa, Estados Unidos, Canadá e Japão, concebida nos moldes da Cité des Arts (onde Macilau esteve também em residência em Fevereiro e Março deste ano), em Paris, local que hospeda artistas do mundo todo. A Residência Artística é uma visão contemporânea das antigas bolsas de viagens. São projectos que têm como objectivo principal servir de residência temporária para artistas estrangeiros. Neste sentido, a FAAP implantou no Edifício Lutetia 10 estúdios destinados a este público, para que possa desenvolver projectos artísticos de experiências e conhecimentos. A.S há palavras que descrevam de forma exaustiva a grandeza de uma mulher, e eu quero contribuir através da minha arte para que o mundo se dê conta que a mulher deve ser ovacionada em todas as circunstâncias da vida pelo papel que presta à sociedade. Quero chamar atenção das pessoas para mais respeito e mais consideração com a mulher-mãe”, diz a cantora. Liloca persegue os ideais da mulher, tanto que em Abril do ano passado lançou a mú- sica “Mulher Heroína” dedicada à mulher moçambicana. “Sinto-me comprometida com a Mulher moçambicana, por isso vou sempre incluí-la nas minhas produções, pois sinto a obrigação de lutar pela causa da mulher”, repisa. A cantora expressa seus profundos e sinceros sentimentos ao afirmar na música que a mãe é a luz da vida, é a paz da sua alma e, acima de tudo, sua inspiração. “E assim deve ser uma mãe para mim e para todos”, remata. A.S Dobra por aqui SUPLEMENTO HUMORÍSTICO DO SAVANA Nº 1162 ‡ DE ABRIL DE 2016 SUPLEMENTO 2 Savana 15-04-2016 Savana 15-04-2016 3 Savana 15-04-2016 27 OPINIÃO Abdul Sulemane (Texto) Ilec Vilanculo (Fotos) A o meio dia, momento da pausa laboral, decidi ir sentar-me num dos bares que se encontra mais perto do meu local de trabalho. Ao entrar no local, percebi que a maior parte das mesas estavam ocupadas pelos clientes. Logo focalizei o local onde me iria sentar e ainda a familiarizar-me com o ambiente, da mesa que estava nas minhas costas veio um dizer que despoletou a minha concentração. Não sei a quantas ia a conversa. Não sei se foi pelo extinto ou pelo osso do ofício, preparei a esferográfica e organizei o pedaço de papel que trazia comigo. Comecei a registar o seguinte. “Era eu menino de nove anos quando o meu pai levou-me ao Estádio da Machava no dia 24 de Junho para testemunhar a cerimónia de passagem da dita escravatura, que nem senti, para a ditadura e governação cheia de corrupção, ladrões e assassinos. Isso foi às zero horas do dia 25 de Junho de 1975 que até hoje sinto na pele o que me ficou na memória. Perguntei o que se estava a passar, mas reparei que o contentamento era tão evidente, que se comparava ao normal, não me deram bandeira. O tal sonho desmoronou- -se logo de seguida. E aí comecei a ficar mais atento à maldade absoluta, e nem sabia como reagir. Pois até agora ainda estou à espera da tal independência e democracia que nunca chegam. Estamos entregues à corrupção, brutalidade cultural. Contudo, somos todos heróis moçambicanos que não aceitamos ser escovas polidas, devido às escolhas ideoló- gicas. Mas por sermos seres humanos acreditamos na nossa verdade com muita tolerância”. Logo ouvi uma voz que dizia: é melhor mudarmos de assunto. Cumpriu-se a risca. Aí passaram a falar da morte do antigo jogador de futebol, Joaquim João, carinhosamente conhecido pela alcunha de “homem elástico”, para outros JJ, pelo seu desempenho nas alturas enquanto jogador de futebol. Recordo que ouvi repetidamente que não havia nenhum jogar que disputava a bola nas alturas com Joaquim João. Um deles defendia que o auge da carreira de Joaquim João foi no Maxaquene e não no Ferroviário. Mas depois voltou para o Ferroviário de Maputo onde jogou anteriormente. O outro dizia que lamentava o facto de o jogador não ter sido homenageado enquanto estava vivo. Era o desejo do atleta. Mas como neste país temos o mau hábito de homenagear as figuras depois de perderem a vida, agora é que testemunhamos o surgimento da proposta do prémio Fair-Play Joaquim João. Pela imagem que vemos dá a impressão que o futebolista Joaquim João disse para ninguém chorar no seu enterro: É para recordar os meus feitos como jogador, homem de família e por aí em diante. Por isso vemos na primeira foto o Ministro da Juventude e Desportos, Alberto Nkutumula, que conta um feito memorável de JJ ao Presidente do Município de Maputo, David Simango. Os restantes também seguiram o lema. Nada de tristezas. Vamos homenagear o “homem elástico” com coisas boas. Nesta outra imagem, está o Presidente da Federação Moçambicana de Futebol, Alberto Simango Júnior, a partilhar uma gargalhada com o ex-Presidente da Liga Moçambicana do Futebol, Miguel Matabele, e o actual, Anánias Coane. Logo de seguida está o antigo jogador e selecionador nacional, João Chissano, num papo com o Presidente cessante da FMF, Feizal Sidat. Nestes momentos vemos de tudo, até o Presidente do Município de Quelimane, Manuel de Araújo, a ser acarinhado pelo Presidente do Desportivo de Maputo, Danilo Correia. Até vemos o Presidente da Assembleia Municipal de Maputo, Edgar Muchanga, numa conversa amena com o Primeiro Secretário da Frelimo da Cidade de Maputo. O culto IMAGEM DA SEMANA À HORA DO FECHO www.savana.co.mz gk5 5 ,#&5 5hfgl5R5 5 5R5 o 1162 Diz-se... Diz-se Moçambique terá este ano o seu pior crescimento em 15 anos, com o Produto Interno Bruto (PIB) a expandir-se para apenas 4,8% e a Frelimo continuará no poder para lá de 2019, apesar de o país continuar exposto à volatilidade política, indica a análise “Perspectiva para 2016-2020”, da Economist Intelligent Un

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