quinta-feira, 14 de abril de 2016

O Estado foi sequestrado pelo crime organizado?

Do Lado da Evidência (crónica 47) 
Luis Nhachote


Os factos da impunidade em exponencial do crime organizado, são indisfarçavéis diante de uma quase cristalina capitulação do Estado. 
É como se um ‘Estado Paralelo’, estivesse a emitir claros recados sobre quem de facto manda nesta aclamada “pátria de hérois”. E o Estado de Direito e as suas instituições, estivessem enclausurados num cativeiro à espera que alguém paga o resgate, pelo seu sequestro. 
É dificil, mas temos que assumir: o Estado foi sequestrado. Os sequestradores, ou raptores se encontram enraizados nas entranhas desse aparato, com direito a armas e sentenças ditadas, que são executadas quando, e bem lhes apetecer.
Num espaço de cerca de 72 horas, as cidades de Beira e Maputo, foram sacudidas pelo crime violento. Duas figuras distintas, uma da arena politica e outra da magistratura do Ministério Público foram regadas de balas. José Manuel, membro do Conselho nacional de Defesa e Segurança e Marcelino Vilankulos, procurador da República foram ASSASSINADOS. 
Foi assim com o juiz de instrução criminal Dinis Silica, que próximo mês faz dois anos sem que se saiba quem foram os seus assassinos.
Foi assim com o constitucionalista franco-moçambicano, Gilles Cistac, assassinado há um ano no coração de Maputo.
Foi assim com o ‘espião’ dos Serviços de Informação e Segurança do Estado, Ianlamo Mussa. Também não se lhe conhecem os assassinos. 
Num dia do século que passou e, em plena Assembleia da República, o então deputado Teodato Hunguana disse para quem o quis ouvir: “A única forma de evitar que o Estado caia definitivamente nas malhas do crime é desencadear uma guerra sem quartel contra os mentores da alta criminalidade e, também, dos seus executantes ou instrumentos. Um combate apenas dirigido contra estes, deixando aqueles incólumes e intocáveis, significa manter intactas as fontes da sua reprodução, fontes que se tornam cada vez mais poderosas e capazes de se apropriarem dopróprio Estado”.
O crime organizado causa elevados danos para uma economia frágil de um país periférico, por desencorajar o investimento e o desenvolvimento, sobretudo da indústria turística, de que Moçambique deveria gozar de vantagens comparativas.
Ninguém se ira surpreender se esses impunes criminosos comecem a operar no palácio da Ponta Vermelha ou na Presidência da República. 
Com todos estes cenários e já que perguntar não ofende: O Estado foi sequestrado pelo Crime Organizado?

Minha crónica no jornal Correio da Manhã de hoje

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