sexta-feira, 15 de abril de 2016

Meu adeus para Dilma



Por José Inácio Werneck, de Bristol, EUA:
Colunista quer enviar sua mensagem de adeus a Dilma
Colunista quer enviar sua mensagem de adeus a Dilma
Não venho aqui defender Dilma, pois jamais votei em Dilma. Não venho aqui defender Lula, pois votei em Lula apenas uma vez, quando seu opositor era Collor e tratava-se de votar contra uma das maiores imposturas da vida republicana no Brasil.
Mas quem acredita que agora há um processo de impeachment contra Dilma Rousseff por causa de uma indignação contra a corrupção está laborando em lamentável engano.
Como Julieta dizia a Romeu, “uma rosa por qualquer outro nome tem o mesmo doce perfume…”
E um golpe por qualquer outro nome tem o mesmo fedor.
Quem é contra a corrupção no Brasil? Eduardo Cunha, Aécio Neves, Michel Temer, Fernando Henrique Cardoso?
Quem são estas vestais que agora pretendem querer varrer a corrupção em que sempre chafurdaram?
A classe plutocrata no Brasil vem desde as nossas origens, desde as Capitanias Hereditárias. Não somos uma Dinamarca ou uma Nova Zelândia e jamais seremos por uma simples razão: nossos conservadores não estão interessados em desenvolver o país, mas sim em manter, dentro da pobreza geral, seus privilégios de classe dominante.
Uma das coisas que, quando eu morava no Brasil, mais impressionava os estrangeiros que eu conhecia era ver uma jovem mamãe branca passeando na Vieira Souto enquanto, três metros atrás, uma babá negra empurrava o carrinho de seu bebê.
Ali eles liam todo um livro sobre a desigualdade econômica, social e racial em nosso país.
Pois mais de trinta anos depois, morando eu no exterior, vi exatamente a mesma cena que eu supunha pertencer ao passado: os jornais publicaram a foto de um Diretor do Flamengo, sócio de uma importante financeira, desfilando na Vieira Souto com sua esposa, ambos vestidos com “patrióticas” camisas verde e amarela, numa passeata pelo “impeachment já”. A madame levava um cachorrinho pela coleira. Três metros atrás, uma babá negra empurrava o carrinho de bebê do casal.
A classe dominante no Brasil é burra, pois não compreende que só políticas econômicas que tirem a vasta maioria da população da miséria desenvolverão o país – e, em última análise, beneficiarão até os que já são beneficiados.
Não estou aqui para defender Dilma. Espero e  torço para  que investigações judiciais continuem a colocar políticos desonestos e donos de empreiteiras desonestos na cadeia.
O governo Dilma errou e foi também colhido na crise econômica que afetou todos os países que vivem dos preços das commodities.
Que ela vá para a cadeia, se algum dia se comprovar que também roubou. Mas nem por um momento, leitores, acreditem  que os que agora querem tirá-la da presidência estão interessados em restabelecer a honestidade no Brasil.
Quem são eles? Cunha, Temer, Aécio, FHC? Restabelecer uma honestidade que nunca estabeleceram?
José Inácio Werneckjornalista e escritor, trabalhou no Jornal do Brasil e na BBC, em Londres. Colaborou com jornais brasileiros e estrangeiros. Cobriu Jogos Olímpicos e Copas do Mundo no exterior. Foi locutor, comentarista, colunista e supervisor da ESPN Internacional e ESPN do Brasil. Colabora com a Gazeta Esportiva. Escreveu Com Esperança no Coração sobre emigrantes brasileiros nos EUA e Sabor de Mar. É intérprete judicial em Bristol, no Connecticut, EUA, onde vive.
Direto da Redação é um fórum de debates, editado pelo jornalista Rui Martins.

Sem comentários:

Windows Live Messenger + Facebook