segunda-feira, 25 de abril de 2016

Juntos seremos capazes


victor carvalho |
24 de Abril, 2016
Nos últimos meses, mais especificamente desde que rebentaram no país os efeitos directos de uma profunda crise económica internacional a que Angola, apesar dos pesares, ainda conseguiu resistir durante um largo período de tempo, muitos têm sido aqueles que, com maior ou menor timidez, vêm colocando em causa uma série de conquistas estruturais e de realizações económicas e sociais que foram sendo progressivamente feitas desde o fim da guerra em 2002.
Num país democrático como Angola, obviamente, todos têm o direito de exprimir a sua opinião sem que isso lhes acarrete o custo de serem catalogados com ferretes de diferentes espécies e origens, mas isso também não impede que fiquem sujeitos, também eles, à mesma crítica que avulsamente e no pleno uso do direito de cidadania fazem com base em argumentos racionalmente pouco sustentáveis.
Tentar fazer passar a mensagem de que em Angola pouco foi feito no sentido de, aproveitando os ventos da paz, se promover o desenvolvimento social e económico das populações é uma fraca tentativa de alterar uma realidade que, diariamente, nos entra pelos olhos adentro não só pela verificação prática da existência de uma maior facilidade de circulação de pessoas e bens por todo o país como também pelo acompanhamento atento do que nos é apresentado pelos órgãos de informação que, por muito que quisessem, não poderiam mostrar obras e trabalho feito onde isso não existir.
Mesmo com os reconhecidos constrangimentos que resultam do facto de o Executivo ainda ter alguma dificuldade em divulgar com eficácia as suas realizações, tanto por um tradicional defeito de comunicação como pelo complexo de alguns dos seus quadros em se exporem perante a opinião pública, a verdade é que só quem não quer é que não vê o muito que foi feito desde 2002 e tudo aquilo que, apesar dos constrangimentos que resultam desta profunda crise económica internacional, continua a ser feito em termos de criação e melhoramento das infra-estruturas colocadas ao dispor das populações.
E o que muitos não querem ver é a importância efectiva que essas novas infra-estruturas e aquelas que foram entretanto reabilitadas estão a ter para manter Angola no grupo das três principais economias do continente, sendo importante que isso seja assumido de modo absoluto e descomplexado para que o país não fique refém daqueles que teimam em olhar para nós com uma arrogante superioridade que só existe na sua imaginação.
Por tudo o que já foi feito deveremos dar crédito à governação para a apoiar na determinação em não ceder a pressões internacionais, e mesmo nacionais, no sentido de alterar o rumo que traçou para atingir as metas que possibilitarão encontrar os melhores instrumentos para diversificar a economia nacional.
Esse capital de crédito reforça-se quando se verifica que dados comparativos e que reflectem o que em termos de infra-estruturas existia em 2002 e aquilo que agora existe, deixam-nos perceber tudo o que de muito positivo foi sendo feito e que hoje está aí, disponível para todos os cidadãos angolanos, de Cabinda ao Cunene, independentemente das suas opções ou convicções políticas.
Ainda que a nível internacional exista uma forte tendência para minimizar a importância do trabalho que vem sendo desenvolvido desde 2002, por razões que a razão desconhece, já fica difícil entender que entre nós ainda existam vozes que usam como argumento político de contestação um discurso desajustado da realidade e que, se fosse levado com todo o rigor, poderia ser entendido como uma manifestação de preocupante miopia.
A leveza com que algumas personalidades com responsabilidades políticas e sociais no país expressam determinadas opiniões revela e ilustra a sua impreparação para conviver com a realidade dos factos, dando por isso, de si mesmos, uma imagem de demasiada fragilidade e de distanciamento em relação às legítimas aspirações das populações mais necessitadas.
É evidente, nem poderia ser de outra forma, que além daquilo que foi feito muito mais poderia ter acontecido de positivo para o desenvolvimento da sociedade angolana e nem mesmo esta actual profunda crise económica internacional pode servir de argumento para explicar alguns dos constrangimentos que ainda hoje existem em determinados sectores do país.
Mas é também evidente que estes constrangimentos não podem ser usados como se fossem uma borracha para apagar tudo o que de positivo foi feito e que, em termos de percentagem, ultrapassa em muito o que ficou por fazer.
O momento que o país atravessa é de grande dificuldade, com desafios enormes para vencer e que exigem que cada um de nós dê de si o melhor para que se possa passar esta turbulência com um mínimo de prejuízo.
Para isso, independentemente das opções políticas de cada um e que são salutares e próprias de um regime multipartidário e democrático, é fundamental que coloquemos acima de tudo aquilo que são os grandes interesses nacionais.
A crise será mais facilmente vencida quanto mais unidos estivermos, todos nós, em torno de um plano estratégico de desenvolvimento que envolve muitos sacrifícios e que exige, por isso mesmo, uma enorme lucidez na sua execução para que não percamos de vista o essencial: a defesa dos sublimes interesses nacionais, feita sem cores partidárias e com Angola bem no fundo do nosso coração.
Esta vitória ficará mais fácil de obter se houver a coragem de despirmos momentaneamente as nossas vestes partidárias para, juntos, empunharmos a bandeira nacional e rumarmos com determinação para a consolidação de tudo o que foi feito desde 2002, de modo a que estejamos melhor preparados para trilhar os caminhos do futuro, acautelando um presente onde cada angolano se sinta parte integrante do trabalho que está a ser feito.

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