quinta-feira, 14 de abril de 2016

Filipe Nyusi defende que os pobres têm direito de decidir sobre o seu futuro

Em discurso que roça a forma como o Governo de Armando Guebuza endividou o país
Escrito por Emildo Sambo  em 14 Abril 2016
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Foto do partido FrelimoOs moçambicanos pobres, ou supostamente “mais fracos”, não podem ser negados a liberdade de “decidir sobre o seu futuro”, nem podem ser tratados como gente desprovida de aptidão “mental e intelectual”, disse o Presidente da República, Filipe Nyusi, contrariando o antigo Chefe de Estado, Armando Guebuza, que alguma uma vez considerou que a carência a que os seus compatriotas estão sujeito é “mental” e “espiritual”. Foi, talvez, por acreditar nisso que o Governo de Guebuza endividou os moçambicanos em 1,47 bilião de dólares norte-americanos à sua revelia.
Armando Guebuza foi bastante censurado por vários círculos de opinião, ao afirmar que a pobreza dos moçambicanos era “mental” e “espiritual”. Com esta asserção, entendeu-se que ele culpabilizava o grosso do povo pela sua condição social precária.
Na altura, o economista Carlos Nuno Castel-Branco, que sentou no banco dos réus por conta de uma carta através da qual manifestava a sua repulsa em relação à governação do antecessor de Filipe Nyusi, disse que Guebuza transformava a pobreza num problema pessoal e não como um fenómeno social.
Na quarta-feira (13), durante a abertura da V Sessão Ordinária do Comité Central (CC) da Frelimo, a primeira por si orientada, o Presidente Nyusi defendeu que “quando se é pobre há tendência de se considerar que a pobreza é também mental e intelectual”.
Prosseguindo, o Chefe de Estado fez declarações que roçam, de longe, a forma como o Governo de Guebuza contraiu, inconstitucionalmente, as dívidas da Empresa Moçambicana de Atum (EMATUM), no valor de 850 milhões de dólares, e da Proindicus, SA, em mais 622 milhões de dólares.
“Há ainda tendência de se pensar ou decidir pelo pobre, renegando a liberdade do pobre ou do mais fraco decidir sobre o seu futuro”, disse Nyusi, que também é presidente da Frelimo, acrescentando que “nós, o povo moçambicano, podemos, temos e devemos pensar e decidir sobre os nossos próprios destinos (…)”.
Àqueles que usam e abusam dos bens do Estado, como é caso da ex-directora-geral do Instituto Nacional de Transportes Terrestres (INATTER), Ana Matusse Dimande, acusada de pagamento de remunerações indevidas e abuso de função, pelo Gabinete Central de Combate à Corrupção (GCCC), Nyusi deixou o recado de que os membros do partido no poder devem “respeitar o bem público (…)”.
No que à tensão político-militar diz respeito, o Alto Magistrado da Nação culpabilizou a formação política liderada por Afonso Dhlakama. De acordo com ele, no centro do país, em zonas bem localizadas, o povo vive o terror e o medo causados pelos homens armados da Renamo, os quais atacam viaturas, invadem machambas, perseguem líderes comunitários e dirigentes da Frelimo a nível da base.
“Estes cenários calamitosos e criminosos, apesar do nosso bom nível de resposta”, continuam a estar na origem do “sofrimento, perda de vidas e destruição de bens”, disse Nyusi, ajuntando que este ano a agenda do partido no poder é o reforço da disciplina interna. “O nosso sonho é ver um membro a criticar e ser criticado, disponível e pontual (…) e que exprime o seu pensamento livremente”.
Antes do discurso inaugural do presidente da Frelimo, o secretário-geral da Associação dos Combatentes da Luta de Libertação Nacional (ACCLIN), Fernando Faustino, alegou que a Renamo “nunca deixará de ser aquilo para que foi criada”, um partido armado direccionado para o mal.
De acordo com esta agremiação, que constitui uma ala forte do partido no poder, a atitude da “Perdiz” constitui um “verdadeiro insulto à nossa dignidade e à imagem de um país condicionado por um partido que detém armas ilegalmente”, o que consubstancia “a expressão mais alta da sua insubordinação perante o Estado”.
A ACCLIN pediu mais espaço no Comité Central para melhor confrontar aos seus adversários políticos. “Nós estamos cansados” e “perante as investidas dos nossos adversários deveremos responder de forma inovadora (…)”, disse Fernando Faustino.
O encontro, que decorre na Matola, termina no sábado (16) e nele será analisada a situação económica e política do país, a questão da paz e outras matérias.
Marcelo Machava · 

Isso eh falacioso: ele tem o poder para mandar agir contra os infractores. Ou entao q se cale porq tb participou
GostoResponder2 h
Este Nhusy pensa que nós somos patetas, se quem contraiu divida Guebusa e qual é a dificuldade de lhe levar a barra da justiça. Então senhor Nhusy se acha que não consegue agir é melhor calar e comessa a arranjar formas de nos roubar para conseguir pagar as dividadas que o teu irmão contraiu. Seus ladroes sem vergonha

Em Moçambique faz-se política de "olho por olho, dente por dente"

Há motivações políticas na morte de José Manuel, membro sénior da RENAMO. Analistas afirmam ainda que o principal partido da oposição moçambicana e o Governo estão a fazer uma política de olho por olho.
Ouça aqui
Analistas em Moçambique afirmam que o assassinato de José Manuel, na Beira, do quadro sénior do maior partido da oposição no sábado (09.04.), tem a ver com a tensão político-militar no país.
Segundo eles, o assassinato do membro do conselho de defesa e segurança do partido de Afonso Dhlakama, surge como resposta aos ataques da RENAMO.
Trata-se, segundo Jaime Macuane, de um cenário que a continuar assim, poderá perpetuar as confrontações em Moçambique. O académico explica que “se torna ainda mais inaceitável pensar-se que um padrão que vai sendo adotado de forma sistemática vai haver um período em que tudo vai parar, não. Cistac foi assim, Paulo Machava…”
Jaime Macuane entende ainda que este tipo de assassinato é inaceitável e a pouco e pouco está a ganhar força no país: “temos aqui uma força que não se sabe qual é, ao menos formalmente, que tem o poder de executar os moçambicanos. Então isto não se vai esfumar do nada. Então é preocupante e, isto, eu penso, é uma forma autoritária de resolver o conflito.”
Vale "olho por olho e dente por dente"
Já o jornalista Fernando Lima entende que o Governo e a RENAMO estão a fazer uma política de olho por olho e dente por dente, justificando que “se a RENAMO se der o direito de ir a estrada e dar tiros e matar pessoas, do outro lado há também o mesmo direito de na calada da noite bater à porta da casa de uma pessoa da RENAMO e dar um tiro na testa.”
Fernando Lima diz ainda que esta situação é degradante e que estas mortes devem parar: “É tão degradante que nos põe no mesmo paralelo e no mesmo patamar das ditaduras da América Latina em que os esquadrões da morte eram o dia-a-dia”.
Além de José Manuel, outras duas pessoas, que estavam na sua companhia, foram mortas também a tiros na mesma ocasião, quando faziam o trajeto Aeroporto-Mercado Mascarenhas. Desconhecem-se os autores deste crime. Até agora a polícia está sem pistas sobre os atiradores.
O incidente ocorreu no mesmo dia em que dirigentes políticos, incluindo o chefe de Estado, Filipe Nyusi, e religiosos moçambicanos clamaram por paz e reconciliação dos, durante as exéquias fúnebres de Jaime Gonçalves, arcebispo emérito da Beira e mediador católico do Acordo Geral de Roma, em 1992, que pôs fim a 16 anos de guerra civil entre a RENAMO e o Governo da FRELIMO.
Foi também na segunda maior cidade de Moçambique que, a 20 de janeiro, o secretário-geral da RENAMO, Manuel Bissopo, foi baleado por desconhecidos, num incidente que continua por esclarecer.
DW – 13.04.2016

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