domingo, 10 de abril de 2016

ENSAIO SOBRE REFUGIADOS DE GUERRA (I)

As guerras e a violência interna são responsáveis por cerca de 60 Milhões de Refugiados e de populações deslocadas pelo mundo fora. A pior crise humanitária desde a 2ª Guerra Mundial. Revelam fontes. Médio-Oriente, Ásia Central, África e Amé- rica Latina, as regiões mais afectadas globalmente com milhões de refugiados de guerra que não são migrantes, ainda que possa haver alguma causa e efeito pela proximidade regional dos conflitos violentos aos países de origem dos migrantes. É paradigmático o caso dos paquistaneses em relação à instabilidade no Afeganistão. Nesse contexto, o actual fluxo de refugiados de guerra em direcção à Europa, é o resultado das últimas décadas de desastrosas políticas de interven- ções militares de alguns países europeus e de seu aliado norte-americano, no Médio-Oriente e no norte de África. Esse fenómeno agudiza-se sobretudo, desde 16 de Janeiro de 1991, com a «Operação Tempestade do Deserto» contra o Iraque do ditador Saddam (1936-2006) anunciada pelo Presidente dos EUA, George H. Bush (pai). O pretexto dessa “1ª Guerra do Golfo” foi a invasão iraquiana do Kuwait. Envolvimento de dezenas de países e cerca de 1 milhão de soldados atacam o Iraque, dirigidos pelos EUA. Da ‘guerra fria,’ ao estilo de filmes à James Bond, inicia-se a ‘guerra quente’ global. A União Soviética desmoronava-se desequilibrando a ‘détente’ ou o “statu quo.” Interesses geo-estratégicos e pseudo-ideoló- gicos se entrechocam com os da alta-finança petrolí- fera de Wall Street de Nova Iorque a Riade e Dubai, passando por Londres e Paris. Prioridades nacionais e internacionais se contradizem tentando prosseguir nas políticas de invasão militar como panaceia em nome de uma hipotética democracia a ser imposta pela União Europeia e EUA. Há ainda a intervenção militar russa, directa ou indirecta, na Europa do Leste e na Síria, sem esquecermos o papel do Irão. A China, atenta, acompanha o evoluir das situações. Mas, contraditoriamente, ainda no xadrez internacional posicionam-se os maiores aliados do ocidente como a Turquia com a sua agenda dúbia de prioridade anti-curda; a Arábia Saudita na manuten- ção de hegemonia teocrática num mundo sem democracia; e Israel na cruzada anti-palestina descarada, esquecendo o holocausto de seus avós judeus europeus, na Alemanha nazi. Por outro lado, o Paquistão debate-se há dé- cadas com o reflexo da interminável guerra no Afeganistão. Desde a queda da URSS em 1991 e da primeira invasão do Iraque também em 1991, que escrevemos sobre o efeito da abertura da “Caixa de Pandora” que viria daí aumentando os males do mundo. No século XXI, a destruição da Líbia e de Kadhafi (20.10. 2011, em Sirte), e da Síria de al-Assad, deram o xeque-mate. Pior a emenda que o soneto como soe dizer-se. O resultado, infelizmente, está à vista, pois toda a acção tem a sua reacção, tarde ou cedo. É a lei da física imutável e eterna. Em relação à questão dos refugiados na Europa, e parafraseando o Marquês de Pombal (1699- 1782), diríamos que “agora é preciso enterrar os mortos e cuidar dos vivos” – da melhor maneira solidária e possível, acrescentamos. Isso, sem esquecer os que entremuros europeus continuam penando com a crise de austeridade, reflexo dos mercados da impiedosa alta-finança mundial. O resto poderá soar a hipocrisia de quem de direito. ■ Mphumo JC. (Segue na página seguinte) ...

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